Texto Sobre Silêncio
AUSÊNCIA
anoitece como se as estrelas caíssem
e os relâmpagos se apagassem sem trovões
como se nas veias me corresse ácido
e tudo se perdesse nos meus olhos
nem o brilho cristalizado pelo desejo
nem a angelical imobilidade dos lábios entreabertos
ou a memória das mãos no corpo
protegem da insónia e atenuam a ausência
apenas tento o sono depois de gritar o teu nome
sobressalto ou inquietação
tortura de pensar
silêncio
silêncio
angústia
Silêncio
Silêncio o mais rude dos tormentos
O que mais dói na emoção da gente
O que sente o vazio, tristes lamentos
A imensidão do sentimento ausente
Silêncio é viver sem os momentos
É privação, é ter uma dor ardente
Deixar-se levar pelos aflitos ventos
Da solidão, ir morrendo lentamente
O silêncio, inquieto numa despedida
É uma alvorada de clarões diversos
Um misto entre os suspiros da vida!
Ele tem tudo... reunido, e nada tem!
E não há se quer poética nos versos
Que suavize a alma, sem um porém!
© Luciano Spagnol - poeta do cerrado
03 novembro, 2023, 13’03” – Araguari, MG
Que em silêncio profundo, tenhamos coragem de encarar o abismo de nossa cegueira.
Que em silêncio profundo reconheçamos as trevas que nos assombram, que assombram a nossa alma, buscando o autoexame que traga aos nossos olhos, à nossa mente, a luz que possa nos despertar, nos libertar das masmorras do pecado, do egoísmo, do orgulho, do mal.
TEU SILÊNCIO
Cansei-me de tentar o teu verso
Do teu olhar tão belo e atraente
Me vi numa poética, que mente
E rimas de sentimento disperso
Sentir o teu ritmo, tom perverso
Que faz a sedução tão presente
Fui sentido, que n’alma se sente
E o anoitecer com temor imerso
Ó sensação ardente, alucinada
Sussurra agonia, pobre soneto
De solitária canção enregelada
Desses versos vãos, incompleto
O palpitar da inspiração, e nada
Tão cruel tal este silêncio quieto.
© Luciano Spagnol – poeta do cerrado
23 julho 2024, 16’53” – Araguari, MG
O grito do silêncio
É no silêncio que a dor se esconde,
Homem, mulher, todos choram, não esconde,
Na alma, a tempestade se pronuncia,
Em lágrimas, a tristeza se anuncia.
Cala boca, diz a voz do medo,
Engole o choro, sufoca o segredo,
Mas a dor não é exclusiva dos fracos,
É na vulnerabilidade que encontramos os laços.
No silêncio do eu reprimido,
A depressão sussurra, oprimindo,
As dores de cabeça ecoam o tormento,
E a vontade de desistir, pesado lamento.
Não há vergonha em deixar as lágrimas rolar,
Em enfrentar a dor, sem se calar,
Homem, mulher, todos somos humanos,
Com direito à fragilidade em nossos planos.
A distorção das palavras é capaz de fazer uma grande destruição moral em indivíduos, além de também sujar a imagem das pessoas de bom caráter e índole, portanto, seja seletivo e muito sábio quando falar alguma coisa, e triplique a sua sabedoria e inteligência, quando for falar com alguém. Em muitos casos, o silêncio é de grande valia.
(DVS)
INDIFERENÇA
No véu da noite, em silêncio, eu confesso,
Que às vezes tento a dor não mais sentir,
Deixar o mundo e suas mágoas regredir,
E na indiferença, encontrar meu endereço.
Mas eis que o sofrer é um laço que apresso,
Na ingratidão, uma lâmina a ferir,
Cada desdém, um golpe a insistir,
Que o coração, ao se importar, paga o preço.
Clamo então aos céus, em súplica ardente,
Por um bálsamo que cure esta ferida,
A indiferença, doce e tão clemente.
Que ela venha, como brisa esquecida,
E me ensine a ser, enfim, indiferente,
Na receita da paz, a vida agradecida.
Acordo noite dentro
Com ela a meu lado
Na quietude da noite
O silêncio está calado
Não! Não o vou romper
Melhor permanecer assim
Às vezes as palavras
Podem ditar o fim.
vejo-a serena em seu sono
quem sabe, sonhe comigo
vou deixar que durma
acorda-la seria castigo.
O Fim começa com o silêncio.
O silêncio é a resposta mais exata que existe, um ato de sabedoria quando não se quer ferir alguém, vc é orgulhoso, então, para que a gente não acabe com o que resta de respeito e amizade, melhor encerrarmos de uma vez por todas esse ciclo que estamos protelando. E mesmo sendo muito difícil, melhor mesmo nos despedirmos dessa nossa versão, a que que criamos pra fugir dos nossos problemas. Desculpa qualquer marca ruim que eu possa ter deixado em vc, vc entrou nessa, sem precisar, por uma diversão sei lá e as coisas foram tomando dimensão, vc quis permanecer em uma situação que pra vc tbm é difícil, os riscos etc. foi incrível tudo, não me arrependo de nada que fiz por vc e por nós, foi verdadeiro e intenso. Só não vamos mais esperar os possíveis dias pra gente se vê, contar as horas ou planejar uma fuga, não nascemos pra isso, tivemos a oportunidade de crescermos juntos, cada um com o seu melhor e seu pior, foi uma troca inesquecível. Quero que sejas feliz com as coisas que vc vem planejando e construindo, espero que a gente consiga manter uma amizade saudável. Te quero bem! Amar é tbm deixar ir, pra quem sabe lá na frente ou em outra vida esse amor possa existir de fato, mesmo as coisas que parecem impossível de acontecer pode acontecer, olha aí a história do amor entre a lua e o sol, e o eclipse mostrando que nada é impossível. Sei que existe um fio invisível que une nossas almas, pq quando estamos juntos é como se não houvesse amanhã e esse sentimento vou levar comigo. Ontem queria tanto te ligar, mas em meio a tantos desencontros... tenho que aprender a te esquecer.
To triste pq pra gente não vejo alternativa😞 ou interesse seu.
Seja feliz com suas escolhas, realize seus sonhos, vc tem tudo pra alcançar seus objetivos, quem sabe a gente se vê por aí.
Esses dias escrevi sobre as Marias que moram em mim, mas só coloquei coisas divertidas, mas entre todas as Marias que moram em mim, também tem a Maria irritadinha, tem a Maria que diz vamos sair sim, e nunca lembra de marcar, porque adora seu sofá amarelo e sua TV,
Tem a Maria que precisa de um tempo de manhã, silêncio e um café quente.
- Fome
A fome é uma chaga aberta que corrói o peito,
Esvaziando a alma e consumindo o espírito,
Deixando o corpo minguado, fraco e sem vontade.
Nas entranhas do povo, ela se alastra como um mal sem cura,
Sufocando a esperança e a alegria de viver,
E deixando o mundo num tom de cinza,
Mas mesmo nas noites mais escuras,
O coração resiste e encontra formas de lutar,
Achando em cada esquina um pedaço de solidariedade,
Uma razão para seguir em frente.
E assim, com coragem e amor,
Nos momentos mais difíceis,
Unimos nossas forças e lutamos juntos,
Para saciar essa fome que nos abate.
Porque a fome é uma chaga aberta,
Mas a solidariedade é uma chama que arde,
E mesmo quando a noite é mais sombria,
Ilumina a trajetória de quem nunca perde a fé.
- Periferia Favela
Nas vielas e ruas da favela,
a vida continua a todo vapor.
Entre os barracos e a poeira,
há uma força que vence a dor.
A cada dia, um novo desafio,
a cada esquina, uma nova história.
Os sorrisos são mais fortes que o frio,
e a esperança alimenta a memória.
Nas periferias, a vida é forte,
a vontade é maior que a realidade.
Os sonhos se tornam fonte,
de coragem e persistência na luta diária.
Aqui, a vida é uma obra prima,
desenhada com o lápis da resistência.
Cada casa é um monumento à sobrevivência,
cada rua é uma teia de solidariedade.
Nas favelas e nas periferias,
há mais que pobreza e desigualdade.
Há uma comunidade que enfrenta a realidade,
e tece a própria identidade.
- Silêncio e Solidão
O silêncio e a solidão são como dois amigos,
que nos acompanham em momentos de quietude. Eles nos convidam a olhar para dentro de nós, e encontrar a paz e a luz que existe em nossa plenitude.
No silêncio, podemos ouvir a voz do nosso ser,
que muitas vezes se perde no ruído do mundo.
Podemos sentir o bater do nosso coração e encontrar respostas para as perguntas mais profundas.
Na solidão, mergulhamos em nosso próprio mundo, podemos encontrar a tranquilidade que precisamos. Somos livres para viajar por nossos pensamentos, e descobrir novas maneiras de nos expressarmos.
O silêncio e a solidão são dois amigos que jamais falham, que sempre estarão ao nosso lado quando precisarmos.
Eles nos dão a coragem para enfrentar nossos medos, e a sabedoria para seguir em frente com paz e amor no coração.
- Solitude induzida
Estar sozinho é frequentemente associado à solidão, mas é importante observar que esses dois conceitos não são necessariamente sinônimos. Enquanto a solidão está relacionada a uma sensação de isolamento emocional e falta de conexão com outras pessoas, estar sozinho pode ser uma escolha consciente ou uma fase temporária em que alguém se encontra sem a presença física de outros indivíduos. É crucial entender que é possível desfrutar da própria companhia e encontrar felicidade mesmo na ausência de interações sociais constantes. Estar sozinho oferece uma oportunidade valiosa para aprofundar o autoconhecimento e desenvolver maior autonomia. Quando estamos cercados por outras pessoas o tempo todo, é fácil se perder em suas expectativas e influências. No entanto, ao passar um tempo consigo mesmo, você tem a chance de explorar seus próprios interesses, valores e objetivos, criando uma conexão mais profunda consigo mesmo.
Estar sozinho permite uma maior liberdade e flexibilidade em relação à tomada de decisões e na administração do tempo. Você pode ter total controle sobre suas atividades e não precisa se preocupar em coordenar agendas com outras pessoas. Essa liberdade proporciona espaço para buscar hobbies, projetos pessoais e aventuras que podem enriquecer sua vida de maneiras significativas. O tempo sozinho pode oferecer uma oportunidade para recarregar energias e reabastecer seu bem-estar emocional. Nos dias agitados e cheios de estímulos constantes, estar sozinho pode ser uma forma de buscar tranquilidade e paz interior. Esse período de recarga permite uma recuperação do estresse diário e promove um melhor equilíbrio emocional.
Estar sozinho também abre espaço para cuidar de si mesmo de maneira mais profunda. Você pode dedicar tempo para relaxar, meditar, praticar exercícios físicos, ler um livro ou simplesmente descansar. Isso promove uma sensação de bem-estar e autocuidado, fortalecendo sua saúde física e mental.
Embora a solidão seja uma experiência negativa caracterizada pela falta de conexão emocional, estar sozinho não precisa ser negativo. Pode ser um momento de autodescoberta, crescimento pessoal e rejuvenescimento. Aprender a desfrutar da própria companhia e encontrar satisfação na solitude é uma habilidade importante para o desenvolvimento pessoal e emocional. Portanto, apesar das associações negativas, estar só não significa necessariamente ser solitário.
- Cela 421
Eu aqui na minha cela, recluso,
Com pensamentos não aprisionados,
Nas linhas tortas deste verso confuso,
De um poeta marginal, marginalizado.
As grades são o portal do meu mundo,
Onde a liberdade se esconde em chamas,
As memórias são ventos profundos,
Que esvoaçam a minha alma em chagas.
Nas entrelinhas dos muros sombrios,
Minhas palavras ganham vida e voz,
Soltam-se no ar como pássaros bravios,
Que negam a prisão e voam veloz.
Enquanto o tempo passa, lento e cruel,
Meus versos clamam por justiça e verdade,
Denunciam a opressão, lutam pelo réu,
Desmistificam essa pálida sociedade.
Eu aqui, na minha cela, sou insurgente,
Meus pensamentos vão além dos limites,
Escrevo com a tintura da rebeldia ardente,
Transbordo de poesia as represadas digitais.
Ah, poeta marginal, poeta sem destino,
Tuas palavras são balas nos opressores,
Revelam o vazio do sistema mesquinho,
Destilam a raiva dos marginalizados e dor.
Então, mesmo aprisionado, sigo poeta,
Denunciando as injustiças pelo mundo,
Através dessas versos a minha voz liberta,
Para que os opressores ouçam o grito profundo.
Eu aqui na minha cela, com os pensamentos livres,
Construo versos de pura dissidência,
A poesia se ergue, onde a realidade não cai,
E transcrevo em letras a minha resistência.
Eu aqui na minha cela, solitário,
Com pensamentos que anseiam voar,
Na obscuridade deste canto sombrio,
Um poeta marginal quer se libertar.
As grades tentam silenciar a voz,
Mas a poesia é resistência intrépida,
Nas linhas tortas, sou um herói feroz,
Denunciando a opressão que me impede.
Os dedos traçam versos em desespero,
Em cada palavra, minha alma grita,
A liberdade é um sonho verdadeiro,
Que a cela não tem o poder de evitar.
Eu aqui, na minha cela em confinamento,
Escrevo em protesto contra as amarras,
Revelo a injustiça, a dor, o sofrimento,
E ergo a voz dos marginalizados sós.
A prisão é apenas uma aparência,
Minha mente voa livre no universo,
Mesmo cercado pela mais pura ausência,
Meus pensamentos são imunes ao peso.
Enquanto mergulho na solidão profunda,
A poesia se torna minha armadura,
Desafio as correntes com minha escrita fecunda,
E reescrevo a minha própria ditadura.
Eu aqui na minha cela, com os pensamentos ardentes,
Sou a voz dos marginalizados esquecidos,
Através da poesia, resisto ferozmente,
Na busca incansável pelo sonho perdido.
Que meu canto ecoe além das grades,
Que minha mensagem chegue a todo canto,
Enquanto na cela, em silêncio, a poesia invade,
Desafiando o sistema que quer me aprisionar tanto.
Eu aqui, na minha cela, com os pensamentos revolucionados,
Sou um poeta marginal, inquebrantável,
Apesar de todo o cárcere imposto e fadado,
Minhas palavras jamais serão domesticadas.
Hoje eu quero me desligar do mundo por um instante e encontrar um espaço de paz interior. Vou esquecer dos sonhos, das lembranças. Quero apenas um momento de descanso, onde nada importa, onde a mente se curva.
Quero apenas ser, sem expectativas um estado de paz e completa ausência entregue ao silêncio, a um estado extremo.
Me perguntando como um silêncio pode doer tanto?
Se vivemos a realidade achando que não estamos tendo expectativa, mais também entendo que as vezes e só as vezes a melhor resposta é ficar calado, e deixar a voz do silêncio penetrar em nossa alma para poder entender que a espectativa as vezes e só as vezes é a realidade dentro de uma ilusão!
Plenitude
Estou plena
De um jeito suave
Que sussurra certezas no silêncio,
que agora sim é um silêncio audível
A intuição, essa velha conhecida,
Me apontou o caminho sem mapas,
Só com a leveza dos instantes
E o peso exato das decisões.
Escolhi minha jornada
Como quem escolhe o vento para guiar o barco
Não sei onde vai dar,
Mas sei que estou no rumo certo.
Há uma paz que nasce da coragem,
Daquela que não aparece nos grandes gestos
Mas no simples aceitar.
Aceitar que o caminho às vezes é escuro
E, mesmo assim, seguir em frente.
Estar bem é isso,
É perceber que há força em cada escolha,
Que há sentido em cada dúvida.
E que a coragem, no fundo,
É apenas um modo de estar em paz.
Paralisia do Silêncio
O silêncio, tão denso quanto a noite, não veio pela calma, mas pelo medo. Ele se instalou nas palavras que nunca foram ditas, nas mãos que não se tocam mais, nas promessas que ficaram no ar, suspensas entre o desejo de acertar e o temor de errar. Cada olhar fugidio, cada suspiro contido, revela uma alma paralisada, sem direção, presa em um labirinto de incertezas.
O silêncio é um campo minado, onde cada passo hesitante pode desencadear uma explosão de dores veladas. Ele é o eco da insegurança, uma muralha invisível que se ergueu entre dois corações que, outrora, pulsavam em uníssono. E agora, o amor que antes era um farol se perde na escuridão, sem saber para onde ir, sem ter para onde correr.
Neste silêncio, há uma busca desesperada por segurança, por não errar mais, por não perder o que resta. Mas, ao mesmo tempo, há o receio de que, ao tentar se mover, tudo desmorone. O silêncio, então, se torna um refúgio doloroso, um esconderijo onde o coração se protege do que não pode controlar.
E assim, paralisados, permanecemos em um espaço onde o medo de perder fala mais alto do que a vontade de encontrar o caminho.
Não sou feito de aço,
nem de pedra erguida contra o vento.
Sou o que passa em silêncio,
o que cresce nas sombras,
longe dos olhos que só veem
o músculo tenso, a muralha imponente.
Mas o que é a força, afinal?
Será o grito que se impõe
ou o sussurro que resiste,
a raiz que, sem alarde,
se infiltra nas fendas do chão duro
e ali permanece, paciente,
até que a pedra ceda?
Desprezam-me,
os que se acham donos do mundo,
os que medem o valor
pelo peso que carregam nos ombros.
Mas o que carregam, realmente,
senão o vazio de não entender
que a força também é delicadeza,
que o músculo pode ser frágil
diante do silêncio que dura?
Não sou deles,
nem preciso sê-lo.
A verdadeira força não grita.
Ela cresce,
como a erva que ninguém vê,
até o vento mudar,
e a muralha cair.
