Texto Sobre Silêncio
Silêncio
O egocentrismo tem a capacidade de se mostrar como inconveniência emocional
Porque se falar a verdade e oprimir a autoestima, aí seria um ato desleal
Se as tuas críticas construtivas desconstituisse a autoridade de alguém
Não teria muita ajuda e desmotivaria a pessoa também
E se as tuas sinceridades magoassem o coração
Aí o silêncio seria a única opção!
Por onde anda o amor? Se escondendo das extravagâncias mundanas?
Ou se guardando em silêncio e buscando o seu entendimento pelo valor?
Por onde anda o amor? Será que saiu de cena e se esconde para não ficar mal visto ou prefere ficar as espreitas, como tanta gente pensa?
Não! O amor não é desse calibre, porque o amor é sincero, não se esconde... Ele é livre, Ele cuida, ele guarda, é paciente... Não exige, mas respeita;
o amor perdoa, O amor abre mão, mas também sabe dizer não, eu só sei que o amor é assim... O amor mora em você e o amor mora em mim!
O amor não morreu, apenas repousa para quando renascer possa eternizar e ser uma coisa boa!
E agora sei por onde o amor andou... Pelo coração de quem está apaixonado ou no coração de quem um dia amou;
A minha alma diz baixinho "que saudade", e teima em amar-te em silêncio. Eu sei, é assim o amor de almas, ninguém, nem mesmo eu ou tu, tem o poder de o apagar. Não sei porque amo, apenas amo!
Não importa se estás perto ou longe, o que importa é que existas e sorrias ao pensar em mim.
Sempre que te encontrar, parece que nada será preciso dizer. Nada é preciso, a não ser estarmos juntos.
Se queres saber o quanto eu te amo é simples: "trocaria a minha vida pela tua".
Todo o silêncio é pouco
Para te levar fundo aos olhos do outro
Para poderes escutar tudo de belo na música
Para sentires o aroma das flores
Para ouvires os teus passos no solo
Para te envolveres com a noite e as suas estrelas
Para escutares a voz que vem do coração
Todo o silêncio é de ouro.
Gosto de simplicidade
Gosto de silêncio
Gosto de me sentir grata
Gosto de dizer "amo-te"
Gosto de fazer feliz o outro
Gosto de namorar
Gosto de pensar positivo
Gosto da minha fé
Gosto de gente verdadeira
Gosto de me cuidar
Gosto de cuidar dos outros
Gosto de olhar o céu, o mar e as estrelas
Gosto de mim!
As minhas tardes.
Clayton dos Santos
Um incansável silêncio insiste em bater à minha porta
onde já mora uma insuportável ausência que não me paga o aluguel.
Chatice de pesadelo diurno que acompanha essa velhice que nada faz
senão aborrecer minhas tardes. Tediosas tardes!
Quando o Nunca vem me visitar
ainda leva embora um pouco do Sempre que me restou.
Para não dizer que nada faço,
estou fabricando tristezas para enfeitar o jardim
do abandono e do esquecimento...
O amargo doce que a brisa vespertina vem buscar
leva para longe a luz que havia no horizonte
dessa tarde que findou.
junho de 2013
O JARDINEIRO DO INVISÍVEL
Ninguém se torna poeta — o poeta é aquele a quem o silêncio escolheu como altar.
Não foi chamado por glória, mas ferido pelo mistério. Carrega no peito uma fenda invisível,
onde o mundo sussurra com voz de vento e de ausência.
Dentro dele dorme um vulcão que não ruge, mas ora — e cada brasa calada acende sentidos nas margens do indizível.
Não traz o fogo para incendiar — traz uma bússola trêmula, feita de dor decantada, contemplação e entrega.
Ser poeta não é declarar-se ao mundo — é desaparecer aos poucos em palavras que brotaram do exílio da alma,
como se cada verso fosse uma oração plantada no deserto.
Ao fim, o poeta é o jardineiro do invisível — aquele que sangra em silêncio, todos os dias,
para que outros vislumbrem, mesmo que por um instante, o caminho no turbulento escuro.
Há mais coisas a serem ditas do que o silêncio pode explicar…
A existência humana é uma misteriosa tapeçaria de pensamentos, decisões e crenças, cujos fios se entrelaçam em padrões que, muitas vezes, apenas o tempo revela. E, ainda assim, há algo que transcende o tempo e a lógica. Uma força superior, um Criador, que não apenas ordena a vida, mas a sustenta. Minha prioridade absoluta é Ele, o cerne de tudo o que existe. Não há como contornar essa verdade: sem fé, o homem é uma casca vazia, um barco à deriva em mares revoltos. A fé não é apenas o alicerce do que esperamos, mas a audácia de acreditar no invisível, naquilo que não vemos, mas sabemos ser real. Noé construiu uma arca não porque viu a tempestade, mas porque confiou no aviso. E essa confiança, esse temor reverente, é o que move montanhas e nos salva de nós mesmos.
A vida sem o Criador é frágil. Tão frágil quanto uma teia de aranha, que brilha ao sol, mas se desfaz ao menor toque. E, no entanto, é curioso como as coisas mais sólidas da vida vêm de lugares aparentemente simples. Para mim, há uma verdade que não posso ignorar: o conselho da minha mãe. Em um mundo tão barulhento, onde opiniões são lançadas como flechas, há uma sabedoria silenciosa e firme naquilo que ela diz. É como se suas palavras carregassem um peso que o tempo não consegue apagar. É o tipo de verdade que não precisa gritar para ser ouvida.
E falando em verdades que se cravam em nós, uma frase me assombra desde que a li: "Aceite os sinais confusos como um não, porque o sim é inconfundível." Tantas vezes na vida ficamos presos em uma teimosia cega, tentando decifrar indecisões que, na verdade, já carregam sua resposta. Aprendi que insistir onde não há reciprocidade é como tentar encher um balde furado: desgastante e inútil. Então, passei a colocar as pessoas no mesmo lugar que elas me colocam. Não por orgulho, mas por equilíbrio. É preciso dar o que se recebe, e nada mais.
Quando me entrego, entrego tudo. Não sou de metades. Sou do tipo que se atira no que acredita, mas, se recuo, não volto. Há uma linha invisível que, uma vez cruzada, não permite retorno. Isso não é fraqueza; é respeito por mim mesmo. E respeito é algo que se constrói com coragem. A coragem de entrar na arena e fazer o que precisa ser feito, enquanto tantos se acomodam na arquibancada, apontando o dedo. Quem está na arena entende que a vitória não vem do conforto, mas da ação. E, para agir, nem sempre é preciso estar motivado. Descobri que a motivação não é um ponto de partida, mas uma consequência do movimento. Você começa, e a motivação chega. É simples assim.
Já vivi momentos em que um oceano inteiro me esperava, mas eu insisti em nadar em uma poça d’água. Por medo? Por comodismo? Talvez. Mas, com o tempo, entendi que todo grande resultado nasce de pequenas ações diárias. Cada página lida, cada detalhe resolvido, conta. O progresso não se constrói em saltos, mas em passos. E, ainda assim, só quem está em silêncio entende o barulho que a própria mente pode fazer. Quem se cala, muitas vezes pensa mais do que deveria.
Por isso, empenho-me em construir minhas próprias alegrias. Delegar essa responsabilidade a outros é um erro colossal. Felicidade não é algo que se terceiriza. E, se há algo que aprendi, é que ninguém inveja o medíocre. Ninguém odeia o irrelevante. Ser verdadeiro, ser sólido, ser “de verdade” assusta muita gente. E gostar de mim é perigoso, porque não finjo. O mundo está cheio de máscaras, e quem não usa uma sempre será uma ameaça.
A maturidade ensina lições curiosas. Às vezes, é preciso silenciar, mesmo quando há muito a dizer. Não porque não se tenha razão, mas porque o silêncio, em certas situações, é mais eloquente do que qualquer palavra. Também aprendi que sou substituível no que faço — qualquer um pode desempenhar minhas funções. Mas quem eu sou, na essência, é insubstituível para aqueles que me amam de verdade. A vida é curta demais para ser o “talvez” de alguém. Curta demais para insistir onde não há espaço para mim.
E, talvez, o maior aprendizado seja este: o que é meu me encontra. Mas não espero esperando. Espero vivendo. Não se trata de passividade, mas de confiança. O caminho certo é sempre aquele que me aproxima do que me faz sentir vivo. Todo o resto é perda de tempo. E, por mais que o ego possa nos levar longe, ele nos deixa sozinhos. A gentileza, por outro lado, constrói pontes. Está todo mundo se curando de alguma coisa que não conta para ninguém. Ser gentil é um ato de coragem em um mundo endurecido.
E assim sigo, com a certeza de que ninguém passa pela minha vida sem deixar uma lição. Algumas pessoas partem, outras ficam, mas todas ensinam. E, ultimamente, tenho imaginado que o que está por vir é maior do que qualquer plano que eu possa traçar. Há um propósito que supera minha compreensão. Por isso, sou bom, mesmo quando o mundo é cruel. Ser bom não é fraqueza; é força.
E, quando percebo que algo não faz diferença, eu paro de insistir. Afinal, a vida é curta, e eu sou a versão mais jovem do resto da minha existência. O que quer que eu esteja pensando em fazer, faço agora. Porque o tempo, esse mestre implacável, não espera por ninguém.
Silêncio e a verdadeira fortaleza…
Ao imergir nas profundezas sinuosas da condição humana, revela-se o engano intrínseco dos que exaltam a passividade como emblema de força e nobreza de espírito. É uma ilusão crassa, um artifício de mentes que confundem o servilismo silencioso diante das adversidades com alguma forma de virtude elevada. O que se apresenta como resistência é, na verdade, uma fragilidade dissimulada, uma fuga deliberada ao confronto, um retraimento que abdica da autenticidade em favor de uma paz fictícia. A alma que se recusa a enfrentar suas agonias, que cala as chamas da ira, da mágoa e do desespero, não se engrandece; ao contrário, reduz-se a um espectro de si mesma, corroída por dentro, enquanto ostenta o simulacro de uma fortaleza que jamais foi erguida.
Aqueles que exaltam o estoicismo como ápice da maturidade, frequentemente o fazem sem compreender sua essência. O estoicismo verdadeiro não é mera contenção, mas a sublimação do caos, um ordenamento lúcido das paixões e das dores. O silêncio que muitos tomam por maturidade não passa de um disfarce, um verniz que encobre o medo visceral de se despir diante da existência, de se mostrar vulnerável ao embate, de permitir que o tumulto interno transborde e revele a verdadeira face do ser. Sob essa máscara de pretensa serenidade, esconde-se a covardia de um espírito que teme o estrondo do mundo e prefere o cárcere de suas próprias emoções à liberdade perigosa do confronto.
A resiliência, nesse contexto, é frequentemente mal interpretada. Não é resiliência aquilo que se ufana de suportar calado, aquilo que se orgulha de engolir o fel das dores sem jamais questioná-las. Não há grandeza em sufocar a própria essência para agradar à tirania das circunstâncias ou ao olhar vigilante dos outros. O silêncio que se impõe como escudo é, na verdade, uma prisão, e a alma que se deixa aprisionar por ele não encontra a paz, mas sim um estado de latente agonia, onde a verdade jamais cessa de pulsar, corroendo os alicerces da existência.
A verdadeira fortaleza não reside na dissimulação ou na quietude reverente. É a coragem de encarar a turbulência da vida em toda a sua intensidade, de verbalizar o indizível, de trazer à luz as sombras que habitam o íntimo, mesmo que isso signifique subverter o conforto, romper laços ou desafiar as expectativas alheias. A paz que nasce do silêncio imposto é uma paz podre, um engodo que apenas perpetua a mediocridade do espírito. O mundo, indiferente àqueles que se calam por temor, não os celebra; tolera-os brevemente, apenas para varrê-los na corrente inexorável do tempo.
A grandeza autêntica, portanto, manifesta-se na audácia de ser inteiro, de se permitir ferir, de se despir das armaduras ilusórias e enfrentar o mundo com o rosto descoberto. O fragor da existência não é para os pusilânimes, mas para aqueles que, mesmo diante da incerteza, ousam afirmar a própria verdade, ainda que tal ato os lance na solidão ou os despoje das ilusões que sustentavam seu falso equilíbrio. A força não se encontra na ausência de ruído, mas no grito sincero que irrompe do peito, no verbo que dá forma ao indizível e no gesto que desafia o curso previsível do devir.
Ele é
A Luz do mundo
A Lâmpada para os pés
O silêncio no desespero
A alegria na depressão
A recompensa do amor
O conforto do cansado
A cura ao doente
O caminho ao perdido
O lar do desamparado
O carinho ao abandonado
O conforto ao traído
A coragem ao derrotado
A submissão ao líder
A liderança ao incerto
O alimento ao faminto
O caminho a ser percorrido
A vitória do improvável
A mãe ao bebê
O motivo da vida
O sentido a morte
A verdade a dúvida
A vida ao recém nascido
O perdão ao acusado
O ombro ao choro
O alimento ao faminto
A água da fonte
O princípio de tudo
O meio do nada
O Alfa e o ômega
Jesus
Xiuuuu fica em silêncio ... Tem coisas que não são gostosas, não são fáceis de ver ou ouvir, mas você tem que engolir!
Deus vai honrar o seu silêncio! Fica de boa!
O inimigo quer o seu escândalo, o confronto, a contenta, a raiva, e o barulho da confusão, mas Deus quer seu silêncio, pois é ele que a partir de agora vai falar por você!
Renuncie a sua reação!
Controle seu temperamento!
E aguarde o que Deus fará! Ah, e depois me conta.
Teu silêncio estranho e recluso
retrata a verdade de um ser confuso
perdido no tempo e pesadelo constante...
Tua ausência encobre a verdade,
o medo da triste realidade
que tua alma solitária acorrenta...
És o tempo fugaz e inconstante
bi-polar que muda a todo instante
como o mar que não avisa a tormenta...
Teu sorriso é cena ensaiada
uma peça teatral decorada
joia falsa de brilho e cor...
És lobo com pele de ovelha
calor que a floresta incendeia
e sem piedade destrói o que restou...
Tua retórica é pura covardia
o anverso da verdade e alegria
promessas do egoísta enganador...
Teus versos são canto de sereia
aranha que destrói em sua teia
a presa frágil e descuidada...
És o abrigo do ressentimento
tens no rancor o alimento
em que revidas tuas frustrações...
És a serpente do jardim santificado
pioneira da traição e do pecado
fruto proibido que a humanidade condenou...
Tua arrogância humilha e apavora
aqueles que conhecem tua história
e hoje lamentam ter te conhecido...
Assumes com orgulho e destemor
tua descrença no divino Criador
porque nem sabes o que é amor.
~~ANJO ARREBATADOR~~
Passei por muitas dores. Isso fez eu ter um lado que gosta de se isolar, ficar em silêncio. Por outro lado, ter pessoas ao meu lado que compreendam isso e não me deixe isolada por muito tempo, me soa como um resgate de mim mesma. Se a pessoa também me esquece no meu isolamento. Com o tempo eu esfrio
com ela e já não podemos caminhar juntas. Ou até podemos dividir o mesmo espaço. Mas não mais teremos a sintonia que nos uniu.
No silêncio das ruas, passos ecoam,
olhares que atravessam, como facas,
cada gesto, uma história não contada,
mas o rótulo pesa, sem compaixão.
Mentes tecem tramas de suposições,
corações se fecham em prisões de medo,
o que parece é um espelho quebrado,
refletindo sombras de quem não somos.
Palavras se tornam pedras, lançadas ao vento,
enquanto a alma anseia por compreensão,
não há um único caminho para a verdade,
cada vida é um labirinto, um mistério profundo.
Escute o que não se diz, sinta a essência,
abra os olhos para além do visível,
pois cada ser carrega um universo,
e a beleza mora na aceitação do diferente.
No silêncio da noite, a lua se desprega,
os sussurros do vento dançam entre as sombras,
estrela a estrela, o céu se enche de segredos,
cada brilho, um lamento, uma história esquecida.
Caminhando por ruas adormecidas,
o cheiro da terra úmida embriaga o ar,
memórias flutuam como névoa suave,
despertando ecos de risos em cada esquina.
Os olhos se perdem nas profundezas da escuridão,
onde sonhos se entrelaçam com o mistério,
as luzes dos faróis, vagalumes errantes,
guiam os passos incertos em busca de abrigo.
E ao longe, a sinfonia do silêncio se intensifica,
batidas de corações pulsando sob a pele,
na serenidade do noturno, tudo se revela,
um convite ao descanso, à paz que se aninha.
Ela se foi!
Ela simplesmente se foi sem deixar rastros, sumiu, ficou em silêncio, observando de longe e tentando de alguma forma chamar atenção.
Ela não tem sabedoria para lidar com tudo isso, impulsiva, age com imaturidade, quer provocar ciúmes, tenta com todas suas armas e só recebe neste momento o famoso"silêncio".
Meu silêncio é muito relativo quando eu estou magoada, quando eu me fecho na minha bolha, quando eu deixo de gostar, quando não me faz falta, quando eu percebo que eu não fui prioridade na vida dela e sendo assim... Silêncio! xiiiiiiiii Melhor não retribuir os julgamentos!
Ela se foi, mas prefiro assim!
Ela se foi, mas deixou marcas, feridas e incertezas!
Ela se foi, mas me deixou um aprendizado!
Ela se foi, mas prefiro assim!
Nada novo, tudo é habitual e efêmero.
Devo ficar no meu silêncio e esperar passar... Ou devo permanecer na insistente saber o que está acontecendo e dizer que estou aqui?!
Nós somos criaturas que sentem, seres humanos sentem, assim como seres humanos pensam. É simplesmente como as coisas são.
E sendo assim sentimento dolente, sem razão aparente, com visões e vivências diferentes.
E ainda bem que muda...
Imagina que terrível seria se tivéssemos sempre os mesmos sentimentos, sem qualquer fluidez, sem possibilidade de mudança, de evolução, de leveza, de florescimento?
Se parar pra pensar vai ver que tem sorte e que já passou por momentos piores que o atual e veja como superou.
Tudo passa nessa vida!
O silêncio do sentimento e o riso disfarçado.
As pessoas não fingem depressão, elas fingem estar bem.
Muitas vezes disfarçam com risadas extravagantes, são muitos alegres e sorridentes para disfarçar a escuridão que a sonda por dentro.
Esses dias eu fiquei pensando: Ninguém vê a lágrima do palhaço, mas ele faz uma multidão sorrir.
As vezes é melhor disfarçar o que está sentindo para não contagiar o outro com a tristeza.
A depressão é tão silenciosa como tão intensa.
Como diz o cantor Frejat na música Amor pra recomeçar:
" Quando você ficar triste, que seja por um dia
E não o ano inteiro
E que você descubra que rir é bom
Mas que rir de tudo é desespero."
Nem todo o palhaço é feliz!
É preciso estar em silêncio.
Não o silêncio de fora —
o de dentro.
Aquele que vem quando a alma
para de se explicar.
Só assim. Só no vazio do ruído
é que as coisas miúdas falam.
E elas — tão pequenas —
são as mais belas.
Porque são as únicas verdadeiras.
A cachoeira escorrendo sobre as pedras,
sem pressa de chegar.
O pássaro tecendo o ninho,
com o mesmo fio do tempo.
A semente rachando o solo,
num instante que ninguém vê.
As coisas pequenas —
essas, sim, sussurram em maiúsculas.
São tímidas, como o amor
quando ainda é um segredo.
Mas belas. Inteiras.
Mas a paixão...
ah, essa berra.
Espetada no peito,
atropela as frases,
rouba o fôlego e o sentido.
E cega.
E ensurdece.
E transforma o outro
num eco do que falta em nós.
O amor não.
O amor é a pausa.
Espera a febre passar.
Senta ao lado.
Não exige.
Olha —
e reconhece.
Só quando tudo se aquieta
é que o coração entrega
sua palavra crua.
Só quem para — de verdade —
ouve, enfim,
o que as bocas nunca disseram.
E então, no silêncio que sobra,
toca o impossível:
ser entendido
sem precisar falar.
MUDEZ
O meu silêncio
Talvez não é por causa de tristeza.
A minha tristeza talvez não é a amargura da alma...
Talvez seja pelas contradições da vida.
Talvez seja por dúvidas das minhas certezas.
Talvez seja por embaraços das tuas contradições.
Talvez seja por desconfianças de tuas juras.
Talvez seja por ponderar que é nas inutilidades dos outros que se deve ficar.
Talvez seja por me perder na consideração que o amor se revela nos caos da vida.
Meu silêncio... Talvez seja por aceitar que no último estágio por aqui nada se leva, nada se é e nada vale o que se tem...
Quando se escreveu se é história, ou nada fez se é piada que outros contam na despedida.
Régis L. Meireles
