Texto sobre Mim

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Não sei dizer...
Tentando ser engraçado ou tentando rir de mim mesmo. Tenho a mania de olhares engraçados em meus olhos que enxergam rindo. É a maneira de minha criança interior se divertir, brincar com os outros e até de amar. Quase ninguém entendi. Não importa se a piada tem graça ou não... Eu acho que tem... é sutil e não obvia...
Pronto falei! Caiu a casa!!!

⁠⁠As vezes a lágrima desce
Do nada ela chega e molha toda minha face
E pergunto a mim mesmo
O que está acontecendo?
Por que estou chorando?!
Percebo que a alma sente dor
Dor que o corpo não consegue ter conhecimento
É uma dor que se torna desconhecida
E faz uma bagunça em nossa vida
O que me resta é apenas
Secar as lágrimas do rosto
E procurar meios de fazer com que minha alma se alegre de novo.

Quando a mentira Cansa

Eu já contei muita mentira bem construída para mim mesmo. Aquelas frases que soam inteligentes, fazem sentido num café com amigos, mas não fecham a conta com a realidade do meu dia a dia. “É só uma fase.” “Está controlado.” “Eu aguento mais um tempo.” Lá no fundo eu sabia que não era verdade, mas repetir essas justificativas era mais fácil do que admitir que eu tinha medo de mudar. O problema é que o corpo não negocia com esse tipo de mentira durante muito tempo. O cansaço aumenta, a irritação cresce, a paciência desaparece. Não é azar, não é só pressão externa: é o desgaste de sustentar uma vida que já não faz sentido para aquilo que eu sei que poderia ser.


Talvez você também tenha criado essas histórias para continuar onde já não faz sentido ficar. Um relacionamento que só se mantém por hábito, um trabalho que já não te desenvolve em nada, uma rotina que te deixa num piloto automático confortável, mas sem vida. A mente é criativa para arranjar justificativas: agora não dá, não é o momento, depois eu vejo isso. Só que cada “depois” é uma escolha. E, queiramos ou não, a identidade que temos hoje é o resultado exato da soma do que aceitamos, do que ignorámos, do que adiámos e do que escolhemos manter. Não é um rótulo abstrato. É a consequência prática da forma como temos vivido.


Quando eu parei de me ouvir como vítima e comecei a olhar para mim como responsável, a pergunta deixou de ser “por que é que a minha vida está assim?” e passou a ser “que tipo de pessoa eu tenho decidido ser todos os dias?”. Não adianta só desejar mais, querer mais, sonhar mais. A questão é: eu sou o tipo de pessoa que sustenta aquilo que diz que quer? Os meus hábitos, a forma como eu gasto o meu tempo, as conversas que eu alimento, as relações que eu tolero, a maneira como eu fujo do desconforto… tudo isso revela quem eu sou hoje, não quem eu conto que sou. E dói perceber isso, mas é uma dor lúcida.


Hoje eu entendo identidade como esse espelho que não mente. Não é sobre a imagem que eu vendo, é sobre o rasto que eu deixo. Se eu quero uma vida diferente, não basta pedir por oportunidades novas, eu preciso aceitar o custo de me tornar alguém à altura daquilo que eu diz que quer construir. Enquanto eu continuar a proteger as minhas desculpas, vou continuar a proteger também os resultados que me incomodam. A virada começa quando eu assumo, sem drama mas sem fuga: a vida que tenho hoje é a versão prática da pessoa que eu venho escolhendo ser. A pergunta que fica é simples e incômoda: eu quero mesmo continuar a ser esta pessoa?

"Passei anos decifrando a mim mesmo para descobrir que o mundo não muda quando o compreendemos, mas quando ousamos recriá-lo a partir de dentro. Meu ofício é nascer de novo — e convidar quem lê a fazer o mesmo."


F. Fidelis - Psicanalista, Filósofo entusiasta e observador das relações humanas

Eu não tenho medo de dizer te amo.
Não escondo o que pulsa em mim, mesmo quando a dúvida tenta se instalar, mesmo quando a incerteza se veste de silêncio.
O amor, para mim, não é cálculo nem estratégia: é entrega. É coragem de se expor ao risco, sabendo que cada palavra pode ser ponte ou abismo.
Se tudo correr ao contrário, se o destino decidir virar as páginas sem me consultar, não me calarei. Vou reagir em outra localidade, em outro espaço de mim, onde a dor não seja prisão, mas aprendizado.
Porque amar é também aceitar que nem sempre o caminho será reto. É saber que a vida pode nos deslocar, mas nunca apagar aquilo que foi verdadeiro.
E mesmo que o tempo nos leve a diferentes direções, guardarei em mim a certeza de que dizer te amo nunca foi erro, mas ato de escolha.

Eu não quis acreditar.
Desconfiei do que sentia e enfrentei a mim mesmo.
Lutei contra meus próprios sinais,
neguei o que o coração gritava em silêncio.
Falhei com meus instintos — falhei porque resistir
nem sempre é força, às vezes é medo.

Então eu a conheci.
Ela não pediu passagem, não anunciou chegada.
Entrou como quem reconhece território,
como quem invade não por maldade,
mas por natureza.

Ela é a invasora de mim.
Devastadora porque desmonta minhas defesas,
sensual porque domina sem tocar,
senhora do caos que eu fingia controlar.

Sou refém não por fraqueza,
mas porque há encontros que desarmam a alma
e nos colocam diante da verdade nua:
há quem chegue para ficar,
mesmo quando tudo em nós dizia que não.

Sempre a chamo de linda, pois prometi a mim mesmo ser verdadeiro em tudo.

Sempre diferenciei o bonito do lindo: uma pessoa bonita tem uma aparência agradável, mas a pessoa linda... ela não é só a mais exuberante e chamativa do lugar. Ela tem um coração gigante, o pensamento mais puro e sincero, o cabelo mais lindo e os olhos que mais me deixam cego / cego de amor, de paixão, não sei. Só sei que, mesmo há anos sem ver essa linda pessoa, não vejo a hora de abraçá-la e ficar o resto da minha vida contigo.

Essa pessoa linda tem nome, tem sobrenome, tem minha atenção e admiração (nem tão secreta assim). Há alguns dias, disse que agora era pra sempre. “O que é pra sempre?” Você é o meu pra sempre. Independente do que acontecer, na minha cabeça você significa "pra sempre", e eu espero que isso / se é que pelo seu lado tem alguma coisa / se torne pra sempre, porque eu cansei de ser só de vez em quando…

Eu me enganei quando disse que não quero tentar. Minha filha, eu quero tentar quantas vezes for possível pra realmente dar certo com você. Mas isso nem importa muito, até porque eu só estou explicando a diferença entre uma pessoa bonita e uma pessoa linda, e nada mais.

Um olhar para dentro.


Aprendo muito sobre mim mesmo, quando observo o outro. Nesta observação não há nenhum juízo formado nem qualquer tipo de preconceito. Contudo, quanto mais observo mais gosto do eu que me governa. Posso viver só? Claro que sim, tenho-me, e, porque me sou, basto-me ! Há uma multitude de coisas que me fazem sobejar a mim mesmo.

Hino do Sacrificado:

A mim mesmo, por mim mesmo, busquei
e a Sabedoria Primordial alcancei:
memória, destino, origem;
somente eu conquistei.

Huginn, Muninn, Geri, Freki:
da Lembrança ao Pensamento;
do Instinto à Fome,
eu sou acompanhado pela
natureza do Homem.

Sacrifiquei a mim mesmo,
por mim mesmo,
para mim mesmo -
em nome do oculto,
não-dito fora de meu tributo.

Aceitei o sofrimento
como preço do Sentido -
tal é o sangue simbólico,
do egoísmo nascido.

Na Yggdrasil fui enforcado,
e com a Lança Gungnir
perfurei a mim mesmo,
(eu, somente eu)
durante o ciclo eterno do Nove -
e, como Sacrificado,
vislumbrei de tudo o Fim,
e a observação absoluta escolhi,
do Ragnarok.

Pois, nele, os nomes
deixarão de ser dito,
enquanto tudo retornará ao pó -
ode à morte que no infinito governa;
não-ser que atrai à divina contemplação,
que sela o Obscuro no universo,
à corrupção da alteração.

Sim, é fato: entreguei o Olho divino
ao Logos arcaico, à memória cósmica,
do poço de Mimir como
intelecto pré-racional,
anterior à morada de deuses
e suas vitórias.

Sim, conheço,
(eu, somente eu)
conheço o Possível pela perda,
pelo sofrer do que amei;
enquanto, no silêncio, permaneço
no afastamento do sagrado,
que pela minha morte foi pago.

Ora, no símbolo, e pelo símbolo, morro.
(eu, somente eu)
Por mim mesmo, eu morro.
Sozinho, eu morro.

Dou-me à morte como oferenda,
pelo sublime que permanece
à realidade em sacrifício,
como a realização da sabedoria mítica:
tal é das runas a magia não-dita.

Ofereci a mim mesmo, por mim mesmo,
para conviver com o inevitável saber
da trágica morte
vindo a mim;
e, pelo mistério das runas,
para obtê-las e enxergar o oculto,
enforquei-me
sem jamais temer dos deuses
o fim.

Assim, retorno aos Nove Mundos
após o Abismo ver,
os segredos conhecer,
e meu destino contra Fenrir perceber;
realizando o destino do fim divino,
como morada do eu mítico.

Estou exausto, perdido em mim mesmo. Onde se escondeu minha autoestima, meu amor-próprio, quando meu corpo já não responde?

Estou exausto, perdido nas profundezas do meu próprio ser, onde se escondeu minha autoestima, meu amor-próprio, quando meu corpo já não responde aos desejos da alma?

Dentro de mim arde um sofrimento silencioso, uma chama eterna que acende um farol de alerta no coração. Ao me erguer e encarar o espelho, vejo refletida a urgência da libertação, o clamor doce da alma que anseia por renascer. Finalmente compreendo.

A luz divina dança em meu ser, e por isso escolho amar com a pureza de quem não se curva à humilhação. O amor verdadeiro é entrega total, é voo sublime, é doação sem correntes, sem súplicas por migalhas. É um gesto sagrado, natural, que jamais fere a essência.

Não seria essa, talvez, a mais sublime forma de dignidade?

A vida é o amor que não se concretiza, um sonho etéreo que pulsa no silêncio do peito... E eu, com um suspiro profundo, me rendo a essa doce e amarga verdade.

Hoje, Eu sou mal, serei mal até o dia que Deus me resgatar de mim mesmo. Então Deus, livre-me de mim, estou cansado de falhar perante a missão que me deste e o lugar que me colocou, puts cara, porque é dificil assim, seguir a ti, eu queria perder a minha vida inteira e tudo que tenho por amor e ti e aos meus amigos, mas eu não consigo, corro numa esteira esperando chegar em algum lugar.

A verdade é que eu em mim mesmo não tenho provisão de esperança, nem mesmo que eu posso sair desta situação, o meu Eu me assombra dia e noite, me ameçando de aparecer cada vez mais forte. Não Deus, eu não quero ser como a mim, porque em mim não há nada de bom, deixa-me te amar mais uma vez, Deixa-me te honrar mais uma vez, Deixa-me chorar mais uma vez.

Deus, me livre de mim. Por favor...

Eu grito,
não mais para o mundo,
mas para me resgatar de mim mesmo.

Grito tudo o que calei,
tudo o que doeu em silêncio,
tudo o que me fez pequeno dentro de mim.

Deixo a dor sair sem pedir desculpa,
deixo o peito tremer,
deixo a voz falhar…
mas não deixo mais ficar.
Porque esse grito não é só ruptura,
é nascimento.

No meio do caos da minha própria voz,
algo em mim respira de novo.

E pela primeira vez,
eu não me sufoco…
eu me escuto.

A solução para o mundo tá em mim mesmo, mudando meu próprio mundo, meu mundo interno, meus comportamentos, meus valores, minhas atitudes, minhas ações, meus sentimentos, meus pensamentos. Quando eu mudo, o mundo muda pra mim, porque o que vejo fora reflete o que carrego dentro.

Se cada um mudasse a si mesmo, cuidasse de suas escolhas, seus gestos, suas palavras, sem tentar impor mudança ao outro ou ao todo, o mundo mudaria. O mundo é feito de cada um, e o que cada um faz de si vira parte do todo.

*A melhor versão de mim*

Hoje, vivo a melhor versão de mim mesmo.


Não porque tudo está perfeito, mas porque decidi fazer uma revisão honesta da minha trajetória.

Olhei para dentro, encarei meus erros, reconheci meus excessos e abracei minhas virtudes.

Removi palavras que feriam, hábitos que me sabotavam, desejos que não condiziam com minha essência.


Deixei para trás vícios disfarçados de rotina e pessoas que, ao invés de somar, drenavam minha energia.

Foi um processo silencioso, às vezes doloroso, mas absolutamente necessário.

Hoje, caminho mais leve. Com mais verdade, mais consciência, mais paz.E sigo aprimorando, porque ser melhor é um movimento contínuo.

Se você também sente que é hora de se revisar, se limpar, se reencontrar… saiba que nunca é tarde.


A melhor versão de você está te esperando. Basta coragem para começar.

꧁ ❤𓊈𒆜🆅🅰🅻𒆜𓊉❤꧂

Encontro em Fumaça
Sentei-me diante de mim mesmo —
mais jovem, mais leve, mais inteiro —
como quem ainda não havia aprendido
a negociar com o mundo.
Havia silêncio suficiente
para caber duas versões da mesma alma.
Olhei para ele —
e, talvez por hábito, talvez por fuga —
acendi um cigarro.
A chama breve iluminou o intervalo
entre quem fui
e quem me tornei.
Ele me olhou sem dureza,
sem reprovação —
apenas com um espanto limpo,
quase infantil.
E então se levantou.
Sem pressa.
Sem ruído.
Sem discurso.
Levantou-se como quem não reconhece mais
aquele gesto,
ou talvez —
aquele homem.
Fiquei ali,
com a fumaça desenhando dúvidas no ar,
tentando entender
em que ponto da estrada
eu havia aprendido a precisar daquilo
que antes não me habitava.
— Não era sobre o cigarro.
Era sobre ausências.
Sobre os silêncios que deixei de escutar.
Sobre os pesos que aceitei carregar
sem perceber quando começaram.
A cadeira à minha frente vazia
doía mais do que qualquer julgamento.
Mas então —
quase como um eco que não se apaga —
senti que ele ainda estava ali.
Não no corpo,
mas na lembrança intacta
de quem eu fui
antes das camadas.
Apaguei o cigarro.
Não como redenção —
mas como gesto de escuta.
E no instante em que a fumaça cessou,
algo em mim também se assentou.
Ele não voltou a sentar-se.
Mas também não foi embora.
Porque há encontros
que não pedem reconciliação em palavras —
apenas um pequeno retorno
àquilo que nunca deveria ter sido deixado.
E ali, no silêncio,
sem precisar dizer nada,
eu me reconheci de novo.
— ainda inteiro,
mesmo depois de tudo.
Paulo Tondella

Às vezes tenho a sensação de viver alguns passos atrás de mim mesmo. Caminho, falo, tomo decisões… mas meus pensamentos parecem observar tudo de longe, como se não reconhecessem totalmente as minhas próprias ações. Há um desencontro silencioso entre quem pensa e quem age dentro de mim.

Sou impulsivo. Sei exatamente os caminhos que deveria evitar, mas, ainda assim, meus pés parecem escolhê-los primeiro. É como assistir a mim mesmo atravessando portas que já sei, de antemão, que não deveriam ser abertas.

Também não sei se amo como os outros amam. Eu cuido, me preocupo, assumo responsabilidades, tento proteger quem está por perto. Faço tudo aquilo que dizem que o amor faz… mas o sentimento dentro de mim é estranho, deslocado, como se estivesse escrito em um idioma que todos entendem menos eu.

Às vezes choro em silêncio. Não por grandes tragédias, mas por pequenas falhas repetidas, por erros que eu mesmo construo com as minhas próprias mãos. Existe uma parte de mim que gostaria profundamente de ser melhor, mais claro, mais correto, mais inteiro.

E, ainda assim, carrego um peso que talvez nem seja meu. Sinto-me responsável por tudo que chega até mim: pelos problemas, pelas pessoas, pelos desencontros. Mesmo aquilo que claramente pertence ao mundo dos outros acaba encontrando um lugar dentro de mim.

Talvez por isso eu viva assim, um pouco perdido, um pouco atento demais, tentando, no meio da banalidade dos dias, encontrar algum ponto onde meus pensamentos e minhas ações finalmente decidam caminhar lado a lado.

Todavia,
não me importo nem considero a minha vida de valor algum para mim mesmo, pois a entrego inteira ao que me atravessa
— ao amor que me desfaz,
à fé que me refaz, à chama que insiste mesmo quando tudo em mim é cinza.


Se caminho é porque
algo maior me chama pelo nome,
e aceito perder-me para que outros se encontrem em mim.
Que minha dor seja ponte,
que meu silêncio seja abrigo,
que meu cansaço ensine alguém
a descansar.


Não me pertenço
— e nisso encontro paz.
Vivo como quem se derrama,
não como quem se guarda.
Se algo em mim tiver valor,
que seja apenas isto:
ter amado até o fim,
sem poupar o coração.

Ser emo nunca foi uma fase ou um mero modismo pra mim. Mesmo antes de conhecer essa palavra, já era a personificação do seu significado. O emo, tanto o original, enquanto vertente do rock, como no aspecto do estilo, assim como modo de ser, sempre me agradaram e foram parte de mim. Conheci um pouco antes de se tornar um modismo, e nunca neguei ser e gostar.
Quando gosto de algo, não me importa se ninguém conhece, se ninguém gosta, se é uma "moda do momento" ou se é extremamente popular. Pra mim, a única coisa que sempre importou foi se eu gostei ou não. Se me identifico, se aquilo conversa com o meu mundo particular, se me agrada.
Lembro de uma amiga que dizia que quando eu estivesse um pouco mais velha, veria como não gostaria mais do emo e nem me afirmaria como tal. Bom, ela se enganou. Fui, sou e sempre serei emo. Keep emo alive! Mantenha o emo vivo! Viva a cena alternativa!
- Marcela Lobato

Entre o que faço e o que sou

Hoje eu machuquei a mim mesmo
pra sentir na pele,
pra ver se ainda existo.

Como um masoquista,
buscando um sinal de existência
além do que entrego.

Porque ajudar virou língua materna,
e eu já não sei falar comigo
sem traduzir tudo em cuidado.

Eu me pergunto:
quem sou eu
quando ninguém precisa de mim?

Quando o silêncio não pede escuta,
quando não há dor pra organizar,
quando não há ninguém
na beira do abismo?

Sou eu…
ou sou só a ponte?

Carrego nomes, histórias,
fragmentos de gente
que deixaram pedaços em mim
como quem passa e não volta.

E no fim,
quem junta os meus?

Disseram que o caminho
é seguir em frente,
mas ninguém explicou
como voltar pra dentro.

Qual estrada leva a mim
sem passar por outro primeiro?

E se eu chegar lá,
nesse tal de “eu”,
vai ter alguém esperando?
Ou só o eco
de tudo que fui pros outros?

Tenho medo de ser abrigo
e nunca casa.

Tenho medo de ser caminho
e nunca destino.

Mas hoje…
no meio desse ruído quebrado,
percebi algo pequeno
quase imperceptível:

eu ainda sinto.

E talvez isso
não seja só dor.

Talvez seja um resto de mim
que não foi embora,
uma sombra
carregando um fio de luz.

E se ainda há resto,
há começo.

Mesmo que lento.
Mesmo que torto.
Mesmo que só.

Ou talvez…
não seja solidão.

Talvez eu tenha me escolhido
pela primeira vez
e chamado isso de vazio,

quando, no fundo,
era só um silêncio seletivo
pra ver os outros crescerem

enquanto eu
ainda aprendia
a nascer de novo,
como quem encontra
um desconhecido no espelho.

Aprendendo a existir
sem precisar caber
em alguém.

E hoje,
quando me machuquei
e percebi que ainda sentia,

não foi só dor.

Foi como lembrar
que existe luz
mesmo no lugar
onde eu me perdi.

E pela primeira vez,
eu não corri.

Fiquei.

E talvez…
seja isso começar:

não me abandonar
quando só resta
eu

Oxalá se pudesse provocar em mim mesmo, uma suave alegria que me levasse a apossar de uma parresia contundente, para poder imitar o grande apóstolo em seu texto idiomático dirigido aos Coríntios em sua primeira carta, no remate do capítulo e versículo 9,16.


Ai de mim, digo eu, em pobre ortodoxia que se transforma em triste desejo de meu quietismo estimulado neste epílogo, por sentimentos de difícil compreensão humana...