Texto Qm sou eu
Sonho...
Às vezes eu sonho;
A brisa entra pela porta do quarto
E areja o meu sonho...
O café ferve e cheira
Alimentando o meu sonho
O sol invade pela manhã
O meu quarto e acorda o meu sonho,
Mas a brisa continua arejando,
O sol aquecendo,
O café cheirando,
Ela esfrega os olhos...
E me fala de sonhos...
Hoje eu abro o meu guarda-roupa,
Visto a melhor roupa e guardo a minha alma;
Num cabide penduro minha sensibilidade,
Cadê os meus poemas que perambulavam
Nas meias-solas do meu sapato,
Era bom sonhar com o beijo eterno,
Eu que não tinha jeans muito menos terno;
Mas era tão bom sonhar com as ancas
Generosas nas praças suburbanas;
Aquele meu romantismo em busca do inconcebível
Do que parecia inalcançável
Era o que me punha de pé toda manhã,
Cadê aquele jovem sonhador que cheirava a contouré
E mascava chichetes de hortelã;
Hoje os dias são tão violentos, a vida é tão rápida;
Alguns amores não resistem à alguns encontros
Alguns adolescentes se perdem nos desencontros
Mas aquele jovem, que ouvia baladas com a alma cheia de sonhos
Pippers nos bolsos de uma topeka
E um montreal fubento machucando o calcanar...
Descrevia bem os bons desejos de viver e de amar
Eu sei que a noite é só a noite,
é só a noite, é a noite só,
mas a noite é uma eternidade,
uma eternidade, bem maior
que as coisas longas que se alongam
por estradas empoeiradas...
sabe, essas coisas incertas
que só as paixões suportam,
porque mais distantes que as paixões
só as paixões distantes,
só as estradas empoeiradas,
só a noite, só a noite, só a noite só...
Sempre digo pra mim mesmo
que não é fácil ter setenta anos anos
meus documentos não dizem que eu tenho setenta anos...
mas quando eu tinha trinta eu já imaginava isso,
as lembranças pesam, as saudades machucam,
acho que já tenho oitenta; olhando adolescentes de hoje
penso que já nasci adulto, eu não fazia muito barulho,
eu não achava tudo engraçado, eu me encantava com as manhãs,
com o céu azul e as colinas, eu gostava de pensar,
não nas coisas que os adultos de hoje pensam,
talvez eu não seja normal, penso que já tenho cinco séculos...
quem normal pensaria que é eterno, quem normal pensaria que é Deus
depois que eu aprendi a ser feliz, toda esta ansiedade me devora
depois que eu descobri que não sou só, sinto me tão solitário
olhava o céu sozinho como se as estrelas fossem minhas, agora olho a lua e os astros e nada me pertence; quero te contar algum segredo, mas não é mais segredo o que eu quero... segredo é a ilusão que me mantém vivo, essa coisa que grita no meu silencio; eu não tenho mais controle do meu descontrole, agora eu penso, eu tenho certeza dessa incerteza, esse cair é o que me ampara...
ACREDITAR
No meu sonhar só vejo teu olhar
só beijo teu umbigo
eu sigo meu desejo
e mais do que sonhar
eu quero acreditar
que acreditar nessa paixão
que longe do que eu penso; eu penso longe
eu quero acreditar que existe vida...
e mesmo com o olhar perdido,
o meu olhar que cai com o sol...
que cai com a tua ausência,
com os absurdos do dia a dia...
tem uma luz que conduz a crer
que o amor é que ilumina
Eu vou escrever o teu olhar e essa coisa que me dá dó
como a calmaria sinistra do Guandu conduzindo dejetos,
presuntos e fetos sem nenhum B.O
mas me leva nessa dor, me leva nessa dor
que o mundo é pequeno e arbitrário
nada é tão bonito, nada é explicitamente
definitivo como num epitáfio
a felicidade flutua nas brisas e marolas,
mas o amor se perde na imensidão dos que tem asas;
algum dia estaremos sozinhos ao nível do horizonte,
sem perceber que o futuro chegou e o passado foi ontem,
mas as canções eternas serão nossas trilhas sonoras
um dia olharemos o rio como dádiva divina que enriquece a alma
O que é que está acontecendo comigo
o gato que eu era em cima do telhado
de repente soltou seu miado
e sardinha, a piranha que dormia na calha
se espreguiçara indiferente
o meu olhar quarenta e tres
só vale dez por cento dos dez por cento que valia
Aceb, o mulçumano,
não entendia eu te amo
como eu entendia Aceb e sua filosofia...
o que acontece comigo
não olho mais o por do sol como eu olhara um dia
não arquiteto o teto sob estrelas
e tê-la, somente tê-la é minha obsessão,
só resta-me uma vida, só uma vida, das sete que se presumira
a brisa que leva seu perfume, leva a minha existência
e o felino que habitava este coração
caminha silencioso sob o firmamento riscado por meteoros buscando entender o que acontece...
E quando for verdade o que não for verdade
eu levo dessa cidade o que não for cidade
eu levo o tempo que eu não tenho
pelo tempo que eu tenho perdido...
eu acredito tanto que a vida pode mudar,
se mudarmos um tanto nesse acreditar;
ah, podemos ser felizes sim
mesmo se só restar um olhar, um aceno, uma canção...
a vida é pródiga, a existência profícua...
temos a lua e o tobogã, a esperança e mente sã...
e o lago que eu imagino,
eu atravesso a nado como se fosse um menino,
mas, nada nada assim no nada...
o que não existe além do que eu imagino
se a estrada é o sonho e o caminho é caminhar,
ainda sou um menino de cinquenta anos,
tenho minhas fantasias, ainda faço planos
ainda me apaixono às vezes, às vezes sete vezes por dia...
dezessete vezes por dia eu acredito nesta rebeldia
de me acreditar menino, de me acreditar poeta.
a minha verdade não é minha
e a minha essência é multidão
eu brinco de ciranda ao redor da montanha
de mãos dadas comigo mesmo
penso que sou feliz e isso é tão longínquo
que os rios me carregam
e as estradas me conduzem
em fila indiana até que eu caia de um crepúsculo
e ressurja no nascente e os primatas
que eu fui eram tão ternos,
tinham a ternura das tristezas e das indecisões
e isso fazia deles seres melhores do que hoje somos
agora eu fico sozinho comigo mesmo e os meus cromossomos
ora refletindo, ora contemplando
e eu me pergunto: será que eu não sou Deus?
porque afinal de contas, eu também sou solitário,
eu também sou triste, fico perdido no que me constitui
e no que compõe o meu DNA.
Primata? -Não, os dias gloriosos se foram;
preservei daquele símio só o angustiante prazer
de se entregar a paixão... e quando ela passa
iluminando o vale com sua aura, eu brinco de ciranda
de mãos dadas comigo mesmo ao redor da montanha
até que ela o encontra sob a copa de uma amendoeira frondosa
se abraçam terna e loucamente apaixonados
a fazer piscar de acanhamento astros há mil anos luz ...
e eu fico pensando: ah, se eu não fosse Deus...
ainda é cedo, mas o medo que eu tenho não tem noção de tempo
de clima ou de temperatura
o medo que tenho chove com sol e se aquece com a chuva
o medo que eu tenho não tem olhos nem ouvidos
ainda é cedo pra ter medo, mas o medo que tenho acorda tão cedo
sem noção de emoção ou sentimento, sem segredos nas periferias
Fincada na areia eu patinava o mar que serpenteava a areia que era fincada por mim e se abraçava entre meus dedos dos pés. Andava rumo ao norte e estendia a vista à direita enquanto um ou outro peixe pululava entre as quebras das ondas.
E cruzava eu a areia, o mar, o peixe e um ou outro pescador que lançava a rede ao mar, água até à virilha salgada, ou lançava sua vara, fincado à areia -"Boa noite" -"O que se pesca aqui?".
Olhava acima, pipas serpenteavam o céu que devorava o mar que serpenteava a areia. Não eram pipas, mas morcegos presos à linhas seguradas por crianças que corriam e riam esgoeladamente.
A lua cheia banhava a todos, impassível por ter visto tudo. Vez em quando, o farol amarelo de um avião iniciava sua procura no mar até que suas várias agulhas me encontrassem. Pescadora eu, as cravava em meus olhos e o arrastava mar afora até que pousasse em minha nuca.
Me despedia, sem querer ir, mas sem ter mais o que percorrer, fechando os olhos e erguendo queixo acima. Meia volta: -"Boa noite" -"O que se pesca aqui?".
4 de fevereiro, 2023. Praia em Vitória
Teço tu, mas não me comprometo.
Irresistível na sua singularidade. Irrestível.
Sem que eu saboreie o suor da sua mente ou do teu corpo... e a vida passa.
E outros chegam e não me compram, desgraçadamente.
Enquanto isto te teço com zelo, mas mui discretamente.
Quando um dia te ver despir-se displicentemente (as pessoas se despem o tempo todo. É o que elas fazem. Seja no motel, buteco ou banco das decadentes Universidades) é capaz que não te reconheça.
Mas, por você, desço do meu pedestalzinho de pessimismo cômodo:
E se você for melhor que meus melhores tecidos?
Será meu eternamente.
Ontem tecia para ele que sentia que o conhecia de outras vidas - sem que eu mesma acreditasse na minha própria teoria. Pilantragem misturada à romance barato. Assumo minha mediocridade, e a assumo já sem tanta vontade de esmurrar a cabeça numa porta alheia ao lado do Satélite. Fiz isso hoje por graça, e se ele riu está tudo certo.
Hoje um outro ele me disse o mesmo.
Bom, ou os peixes fora d'água convergem em teoria, ainda que não necessariamente acreditem nela (e vai lá saber o que diabos são os tais "peixes fora d'água") ou as também tais "outras vidas" são excelentes para nos livrar do tédio desta.
A pergunta que não quer calar é: vivi ontem de maneira mais tesuda que vivo hoje?
31/03/2024. Ouro Preto.
'É bobagem sabe, mas eu choro. Choro pelo amor que não tive, choro pela saudade de quem se foi e não voltará jamais...(os que estão com papai do céu) .
Choro pela falta de carater de uns, a falta de doçura de outros.
Choro pela falta de humanidade, pela falta de paz, pela corrupçao, racismo, doenças, dor, violência.
Choro pela carência de não estar com meus xodozentos pais. Também tenho muitas horas de risos, muito mesmo; mais até nestes momentos se rio muito... Choro.'
—By Coelhinha
Proteja minh'alma dos anseios dos impios;
para que eu seje mais do que eu mesma queira ser.
Não tenho tempo para mediocridades...na verdade um intelecto puro odeia a repetição. Vive buscando novidades. Uma vez encontrado este conhecimento ele não fica repassando e repassando...
“isso eu já sabia”, ele sempre diz, sigue buscando."
—By Coelhinha
Quando eu era criança, meus sonhos eram desinibidos.
Então fui incentivada mesmo sendo tímida a explorar minha personalidade e aproveitar as oportunidades envolventes que a vida pode me dar e vieram do meu jeito e a cada dia continuo lutando e vencendo da minha maneira.
Em busca não só da felicidade, mais do caminho certo da minha metamorfose humana em ser melhor do que já foi e o dia do amanhã, ser melhor ainda do que sou.
—By Coelhinha
O engraçado da vida é que com o tempo todos nós mudamos ... e eu mudei. Sei que para alguns mudei para melhor ou pior depende de quem tenho afinidade... Minha sensualidade estava reprimida com pessoas que me apagavam ou até mesmo por inveja ou sei la por parte de familia de ex, fazia eu me sentir que não era eu mesma. Como é bom ser eu, ou melhor voltar a ser quem sempre fui e não me deixavam ser.
—By Coelhinha
“Se você ficou de me fazer um favor e eu nunca sai te cobrando nem reclamei de algo que eu sabia que você poderia ter feito e não fez porque (NÃO QUIZ)!!! Me faz ao menos um favor? Pede e só sabe pedir... Fica na sua... não me peça nada. Assim evitamos trocas de cobranças. Como disse Ronaud: O nosso problema é querermos satisfazer a expectativas dos outros e esperar que os outros satisfaçam as nossas..”
—By Coelhinha
“Eu tenho a inteira convicção de que tudo que tive que passar em lutas nesta vida: lágrimas, decepções colhidas, perdas frustrantes, dores, sorrisos, conquistas, alegrias, vitórias. Foi exatamente para lembrar de tudo que passei. Ganhei mais força, conquistei mais sabedoria, adquire experiência. E ter a certeza que tenho muito a receber e muito mais ainda em aprender. Que a luta só termina quando um desiste de vencer. Muitas vezes não é os fortes e espertos os que vencem uma batalha, mais sim os que persistem em crê que vai conseguir.”
—By Coelhinha
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