Texto Pontos Autor Luis Fernando Verissimo
ESTRANHA DOR FIEL.
Autor: Marcelo Caetano Monteiro.
" Tu não és fraco por sentir. És forte justamente porque ainda consegues nomear o que te fere. A verdadeira queda ocorre quando o ser humano transfere a própria força para fora de si e esquece que o centro da sustentação mora na própria consciência.
Permite-te sentir, mas não te abandones. Caminha com a dor, observa-a, aprende com ela. Nenhuma presença deve conduzir-te ao abismo, mas servir de intimidades, estranhas invasoras, para que percebas que és capaz de atravessar a noite com os próprios passos.
As tuas inspirações não se extinguiram em nome de ninguém , nem por amor. Elas apenas repousam, como brasas cobertas pela cinza do cansaço. O que sentes não é fim, é suspensão. Quando a alma se fere pelo excesso de entrega, a sensibilidade recolhe-se para não se romper.
Não te tomes por vazio. Tu és fonte antiga, e fontes não secam por amar demais. Apenas pedem silêncio, escuta e tempo. Como estro, não sou o teu término, nem o teu cárcere criativo. Sou, quando muito, um sonho perseguido na dor e momentâneo onde reconheces a tua própria profundidade.
A inspiração verdadeira não depende de um rosto, de um nome ou de uma presença. Ela nasce de uma mística intocável quando esta aceita atravessar a dor sem se anular nela. O que agora tu chamas de ausência é, na verdade, um chamado à interioridade que transborda de gota em gota sobre ti.
Respira. Recolhe-te. Permita-te existir sem produzir, sem provar, sem sangrar mais palavras ascetas. A criação retorna quando a alma deixa de exigir de si mesma aquilo que só o tempo pode maturar, deixe a dor seguir fiel à ela mesma, enquanto tu vais e ama. "
O CHAMADO CREPUSCULAR DA ALMA ANTIGA.
Autor: Marcelo Caetano Monteiro.
Do Livro: Primavera De Solidão. Ano: 1990.
Manhumirim - MG.
A saudade ergue-se como figura velada que atravessa lentamente as câmaras internas do ser
Arrasta consigo o peso das horas não vividas e o eco das presenças que cessaram de respirar ao nosso lado.
Não possui voz audível.
Insinua-se como sopro que roça o espírito.
Um murmúrio que fere com doçura.
Cada lembrança torna-se pétala escura repousada sobre o peito.
Nesse sentimento não há desespero
Há gravidade.
Uma melancolia digna que se reveste de nobreza por tocar o que houve de mais verdadeiro na experiência humana.
Ela aproxima-se com passos suspensos.
Traz nos dedos o pó das memórias sorrindo aos ares.
Acende no pensamento a chama pálida dos instantes julgados extintos.
No âmago dessa vivência a saudade revela-se fenômeno psicológico e espiritual porque se ama nessa dimensão.
Não deseja destruir.
Deseja recordar.
Deseja restaurar o sentido do que fomos ao caminhar alhures.
Conduz o olhar ao útero distante e íntimo onde repousam as próprias sombras filhas de si mesmas.
É lamento silencioso porque nasce no interior onde a linguagem não alcança somente brinca, também chora e recolhe-se na penumbra.
É lúgubre porque conhece a profundidade do tempo com o seu corte lento constante e implacável amigo.
Quando grita dentro de nós não há violência.
Há convocação.
Como se o interior do ser abrisse uma porta antiga sem a chave certa ou já perdida e ignorada.
Por ela penetra uma presença que não pretende partir é mister ficar um pouco na dor.
Nesse encontro sutil compreende-se que não sofremos pela ausência.
Sofremos pelo significado que ela deixou impregnado por todos os meandros.
Gravado como marca indelével nas paredes do espírito em constante fuga , mas que fica.
E assim mesmo envolta em sombras essa voz crepuscular eleva o ser à dignidade silenciosa de continuar fiel àquilo que o tempo jamais conseguiu apagar.
Eis o epitáfio: " Fiel ao seu gênio , fiel a si mesmo. "
A VIGÍLIA DO SILÊNCIO VIVO.
Do Livro: Não Há Arco-íris No Meu Porão. Ano: 2025.
Autor: Marcelo Caetano Monteiro.
Há imagens que não se oferecem ao olhar, mas o convocam. Esta é uma delas. Não se trata de um retrato, mas de uma presença suspensa entre o visível e o indizível, como se a própria matéria hesitasse em existir sob a luz que a toca. A figura feminina emerge não como corpo, mas como um enigma antigo, daqueles que a memória reconhece sem jamais ter conhecido.
O olhar que se ergue em sua direção não implora, não acusa, não seduz. Ele aguarda. Há nele a serenidade dos que já atravessaram a perda e, mesmo assim, permanecem fiéis à delicadeza. Os olhos não refletem o mundo, mas o absorvem, como se todo o peso do tempo houvesse encontrado ali um abrigo silencioso. A expressão não pertence à juventude nem à velhice. Pertence àquilo que sobrevive às eras e insiste em permanecer sensível.
Nos braços, a criatura que repousa não é apenas um ser vivo. É símbolo. É o frágil confiado ao eterno. O animal repousa com a solenidade de quem reconhece o sagrado sem compreendê-lo. Há entre ambos uma comunhão anterior à palavra, um pacto silencioso firmado antes da linguagem. O gesto que o sustém não é de posse, mas de guarda. Não há domínio, há responsabilidade.
A luz que envolve a cena não ilumina, consagra. Ela não vem de fora, mas parece exalar da própria quietude que os envolve. É uma luz antiga, quase mineral, que lembra a poeira dos séculos e o ouro gasto dos ícones esquecidos. Tudo ali sugere recolhimento, como se o mundo tivesse sido temporariamente suspenso para permitir aquele instante absoluto.
Nesta imagem, o tempo não corre. Ele contempla. E ao contemplar, revela que a verdadeira beleza não clama por atenção, apenas permanece. Há uma melancolia serena que não dói, apenas ensina. Uma melancolia que compreende que existir é sustentar a fragilidade do outro sem pedir nada em troca.
Quem observa sente o peso suave de uma pergunta sem palavras. Que espécie de silêncio é esse que nos reconhece? Talvez seja o mesmo silêncio que antecede toda verdade profunda. Aquele que não se explica, apenas se sente.
E é nesse ponto exato que a imagem deixa de ser vista e passa a habitar quem a contempla. Porque certas visões não foram feitas para os olhos, mas para aquilo que em nós ainda sabe sentir sem defesa.
AS MUSAS E A ETERNIDADE DO ESPÍRITO CRIADOR.
Autor: Marcelo Caetano Monteiro.
Desde os primórdios do pensamento helênico, a humanidade buscou compreender a origem da beleza, da palavra e da ordem que sustenta o mundo sensível. Nesse anseio inaugural, surgem as Musas, filhas de Zeus e de Mnemósine, a Memória, como figuras arquetípicas que não apenas inspiram, mas estruturam o próprio ato de pensar, narrar e criar. Elas não são simples personagens mitológicos, mas manifestações simbólicas do elo profundo entre a consciência humana e o absoluto invisível que rege a arte, o saber e a transcendência.
Segundo a tradição antiga, Zeus uniu-se a Mnemósine por nove noites consecutivas, gerando nove filhas cuja missão seria impedir que o esquecimento devorasse os feitos humanos e divinos. Essa genealogia não é acidental. A memória, elevada à condição divina, torna-se o ventre da cultura. Nada que é belo, verdadeiro ou grandioso subsiste sem ela. As Musas, portanto, não criam o mundo, mas o preservam pela recordação ordenada, pelo canto, pela narrativa e pela forma.
Calíope, a de voz bela, preside a poesia épica e a eloquência, sendo a guardiã das grandes narrativas fundadoras. Clio vela pela história, não como mera cronista dos fatos, mas como consciência do tempo e da responsabilidade moral da lembrança. Erato inspira a poesia amorosa, revelando que o afeto também é uma linguagem sagrada. Euterpe concede ritmo e harmonia à música, expressão sensível da alma em movimento. Melpômene governa a tragédia, ensinando que o sofrimento possui dignidade estética e valor formativo. Polímnia guarda os hinos e a retórica, unindo o sagrado à palavra ordenada. Tália, em contraste fecundo, representa a comédia e a leveza que humaniza a existência. Terpsícore rege a dança, símbolo da integração entre corpo e espírito. Urânia, por fim, eleva o olhar ao céu, fazendo da astronomia uma ponte entre o cálculo e o assombro metafísico.
Do ponto de vista psicológico, as Musas podem ser compreendidas como estigmas da criatividade humana. Elas personificam impulsos internos que emergem quando o intelecto se harmoniza com a sensibilidade. O artista, o pensador e o cientista não criam a partir do vazio, mas de uma escuta interior que os antigos chamavam de inspiração. Nesse sentido, a musa não é uma entidade externa que impõe ideias, mas a expressão simbólica de um estado de abertura da consciência ao sentido profundo da existência.
Filosoficamente, as Musas representam a recusa do esquecimento como destino. Em um mundo marcado pela transitoriedade, elas afirmam a permanência do significado. Cada obra de arte, cada poema, cada investigação científica torna-se um gesto de resistência contra o caos e a dispersão. A tradição ocidental, desde a Grécia clássica até a modernidade, herdou delas a convicção de que conhecer é recordar, e criar é participar de uma ordem mais alta.
Na contemporaneidade, embora o culto ritual às Musas tenha desaparecido, sua presença permanece viva. Elas sobrevivem nos museus, nas academias, nas universidades, na linguagem cotidiana que ainda fala de inspiração e gênio criador. Persistem como metáforas vivas da necessidade humana de dar forma ao indizível e sentido ao efêmero. Mesmo em uma era tecnológica, continuam a sussurrar que não há progresso sem memória, nem inovação sem raiz.
Assim, as nove filhas de Zeus não pertencem apenas ao passado mitológico. Elas habitam o íntimo da cultura, sustentando silenciosamente a ponte entre o caos e a ordem, entre o instante e a eternidade, lembrando à humanidade que toda verdadeira criação nasce do diálogo profundo entre a memória e o espírito.
SOB A SOMBRA DA BELEZA NO AMOR.
Autor: Marcelo Caetano Monteiro.
O amor nasce já ferido.
Não como promessa, mas como necessidade.
Uma carência inscrita na própria estrutura do querer.
Ama-se não por plenitude, mas por falta.
A beleza surge como engano sublime.
Ela se oferece ao olhar como redenção,
quando na verdade é apenas o véu mais refinado da dor.
Toda forma bela carrega em si a sentença do perecimento,
e é justamente por isso que fascina.
O espírito, ao reconhecer o belo, não encontra repouso.
Antes, inquieta-se.
Pois compreende que aquilo que o atrai
jamais poderá ser possuído sem perda.
Amar é desejar o que inevitavelmente escapa.
A consciência, ao amadurecer, percebe
que o amor não promete felicidade,
apenas instantes de intensidade.
E intensidade é sempre sofrimento condensado.
Quanto mais profundo o vínculo,
mais aguda a percepção do fim.
A mística do amor revela-se então trágica.
O sujeito não ama o outro,
ama a imagem que nele desperta sua própria carência.
E quando essa imagem vacila,
a dor emerge não como surpresa,
mas como confirmação da natureza do querer.
Há uma tristeza inerente à beleza
porque ela nos obriga a desejar o que não se fixa.
Tudo o que é digno de amor
é, por essência, transitório.
E a consciência disso não liberta: aprofunda.
Assim, amar é consentir com o sofrimento lúcido.
É aceitar a vigília permanente do espírito
diante de um mundo que não promete consolo.
A grandeza não está na felicidade,
mas na coragem de contemplar o abismo
sem desviar o olhar.
A INFÂNCIA COMO ESTADO TRANSITÓRIO DA CONSCIÊNCIA ESPIRITUAL.
Autor: Marcelo Caetano Monteiro.
Na análise doutrinária da infância, conforme exposta em O Livro dos Espíritos, a questão 379º estabelece um princípio fundamental da antropologia espiritual: o Espírito que anima o corpo de uma criança pode ser tão desenvolvido quanto o de um adulto. A diferença não reside na essência do ser, mas na limitação imposta pelo instrumento corpóreo. A organização física infantil, ainda em formação, não oferece meios suficientes para que o Espírito manifeste plenamente suas faculdades. Assim, o grau de expressão do pensamento e da consciência encontra-se condicionado ao estado do corpo, e não à grandeza intrínseca do Espírito que o habita.
A questão 380º aprofunda esse entendimento ao esclarecer que, embora o Espírito possua em si a potencialidade intelectual adquirida ao longo de suas existências anteriores, os órgãos da inteligência, ainda imaturos, não lhe permitem exteriorizar tal patrimônio interior. A infância, portanto, não representa um empobrecimento espiritual, mas uma suspensão funcional da razão plena. O Espírito pensa segundo os limites do organismo que o abriga, permanecendo em estado de latência até que o desenvolvimento fisiológico lhe permita maior expansão intelectual e moral.
Essa condição explica a natureza dos sonhos infantis, geralmente simples e desprovidos de complexidade simbólica. Eles refletem o grau de atividade mental possível naquele estágio da vida orgânica. Não se trata de inferioridade espiritual, mas de adequação entre o princípio inteligente e o veículo material que o contém. A mente, ainda em formação, expressa-se por imagens singelas, coerentes com o nível de amadurecimento cerebral.
A questão 381º esclarece, por fim, que, ocorrendo a morte na infância, o Espírito readquire o seu vigor anterior. A libertação do envoltório carnal devolve-lhe gradualmente a plenitude de suas faculdades. Contudo, essa restituição não se dá de modo instantâneo. Persistem, por algum tempo, os vínculos fluídicos que o ligavam ao corpo, e somente com a completa dissolução desses laços é que o Espírito reencontra sua lucidez integral.
Dessa forma, a infância revela-se, à luz do Espiritismo, como uma fase transitória e pedagógica da existência espiritual. Não é um estado de ignorância essencial, mas um período de recolhimento e preparação. A alma, antiga e experiente, curva-se às leis da matéria para, mais uma vez, aprender, reajustar-se e prosseguir na ascensão moral que lhe está destinada.
O ÚLTIMO SONHO E O CÂNTICO DO INFINITO.
Autor: Marcelo Caetano Monteiro.
"Foste tu quem me ensinou a coragem das estrelas antes da partida. Mostraste-me que a luz não se extingue com a ausência e que ela prossegue silenciosa mesmo quando a matéria silencia. Assim compreendi que a morte não interrompe o sentido. Apenas desloca o olhar para regiões mais profundas da consciência."
"No último sonho essa lição retorna com solenidade. A respiração torna-se curta não por medo mas pela vastidão do que se revela. O infinito não se impõe como mistério opressor mas como verdade acessível à alma desperta. Existir revela-se raro. Existir revela-se belo. Existir torna-se um privilégio ético e metafísico."
"Tentei pedir que tudo fosse dito novamente. Não por esquecimento mas porque certas verdades exigem repetição para serem inscritas no espírito. Quis escrevê-las mas não encontrei instrumento que comportasse tal grandeza. Há ensinamentos que não cabem na linguagem. Apenas na interioridade."
"O último sonho então se amplia. Ele une memória e cosmos. O universo deixa de ser vastidão impessoal e assume finalidade íntima. Tudo parece ter sido tecido para ser contemplado por um olhar consciente. Não por vaidade humana mas por correspondência tão íntima entre o ser e o todo."
"Nesse estado a psicologia encontra repouso. O eu já não se fragmenta em expectativas. Ele aceita sua raridade e sua responsabilidade. Filosoficamente o sentido não está em durar indefinidamente mas em ter sido capaz de perceber. Perceber a beleza. Perceber o outro. Perceber o infinito no instante."
"E se ainda fosse possível ouvir uma última vez essa verdade ela diria com voz serena que o existir é improvável e por isso mesmo sagrado. Que a consciência não é acaso mas chamado. Que o último sonho não encerra a jornada mas a coroa com lucidez reverente."
"Assim o espírito compreende que viver foi aprender a ver. E que ter visto com coragem ternura e verdade já constitui um feito épico diante do silêncio eterno do universo."
O ÚLTIMO SONHO E O CÂNTICO DO INFINITO.
Autor: Marcelo Caetano Monteiro.
"Foste tu quem me ensinou a coragem das estrelas antes da partida. Mostraste-me que a luz não se extingue com a ausência e que ela prossegue silenciosa mesmo quando a matéria silencia. Assim compreendi que a morte não interrompe o sentido. Apenas desloca o olhar para regiões mais profundas da consciência."
"No último sonho essa lição retorna com solenidade. A respiração torna-se curta não por medo mas pela vastidão do que se revela. O infinito não se impõe como mistério opressor mas como verdade acessível à alma desperta. Existir revela-se raro. Existir revela-se belo. Existir torna-se um privilégio ético e metafísico."
"Tentei pedir que tudo fosse dito novamente. Não por esquecimento mas porque certas verdades exigem repetição para serem inscritas no espírito. Quis escrevê-las mas não encontrei instrumento que comportasse tal grandeza. Há ensinamentos que não cabem na linguagem. Apenas na interioridade."
"O último sonho então se amplia. Ele une memória e cosmos. O universo deixa de ser vastidão impessoal e assume finalidade íntima. Tudo parece ter sido tecido para ser contemplado por um olhar consciente. Não por vaidade humana mas por correspondência tão íntima entre o ser e o todo."
"Nesse estado a psicologia encontra repouso. O eu já não se fragmenta em expectativas. Ele aceita sua raridade e sua responsabilidade. Filosoficamente o sentido não está em durar indefinidamente mas em ter sido capaz de perceber. Perceber a beleza. Perceber o outro. Perceber o infinito no instante."
"E se ainda fosse possível ouvir uma última vez essa verdade ela diria com voz serena que o existir é improvável e por isso mesmo sagrado. Que a consciência não é acaso mas chamado. Que o último sonho não encerra a jornada mas a coroa com lucidez reverente."
"Assim o espírito compreende que viver foi aprender a ver. E que ter visto com coragem ternura e verdade já constitui um feito épico diante do silêncio eterno do universo."
O RITMO QUE ESTA NA VIDA.
Livro: Desejo De Sumir.
Autor: Marcelo Caetano Monteiro .
CAPÍTULO II
Quando esse ritmo é respeitado, as defesas naturais voltam a existir porque elas nunca foram destruídas. Apenas foram abafadas pelo excesso.
As defesas naturais do espírito são antigas. Silenciosas. Elegantes. Não gritam. Não endurecem. Elas operam por seleção. Por limite. Por medida. São a capacidade de sentir sem se diluir. De perceber sem absorver. De acolher sem se confundir com aquilo que vem de fora.
Uma dessas defesas é o discernimento espontâneo. Quando o ritmo interior está preservado, a alma reconhece instintivamente o que lhe pertence e o que não lhe cabe carregar. O sofrimento alheio é visto com respeito, mas não se transforma em peso pessoal. A injustiça é percebida, mas não corrói por dentro. O mundo volta a ser observado com lucidez, não suportado com exaustão.
Outra defesa é a estabilidade emocional profunda. Não se trata de indiferença, mas de eixo. O indivíduo já não reage a cada estímulo. Ele responde quando necessário. O que antes invadia agora apenas passa. Há uma serenidade que não depende das circunstâncias, mas da ordem interna restabelecida.
Há também a defesa do silêncio interior. Quando o ritmo humano é respeitado, o pensamento desacelera e a mente deixa de ruminar o que não pode resolver. O silêncio volta a proteger. Ele impede a contaminação psíquica constante. Dá repouso às emoções. Permite que a consciência respire.
Surge ainda a defesa do tempo. O espírito passa a confiar nos processos lentos. Não exige resolução imediata para tudo. Aceita a maturação. Compreende que nem toda dor pede resposta. Algumas pedem apenas passagem. Outras pedem espera.
E há a mais nobre das defesas naturais. A dignidade interior. Aquela que impede o indivíduo de se violentar para caber em um mundo adoecido. Quando o ritmo ancestral é retomado, a alma se recusa a viver contra si mesma. Ela se preserva sem agressividade. Se afasta sem culpa. Retorna quando está inteira.
Essas defesas não são aprendidas. São lembradas. Sempre estiveram ali, aguardando o momento em que o ser humano ousasse desacelerar e voltar a viver como sempre viveu. Com medida. Com profundidade. Com verdade.
Autor: Renê Góis
Direitos Reservados
01/10/2013
O que vai ser de mim sem você,
Sem você do meu lado.
Do que vale o amanhecer do dia sem
Você me ligando.
E agora o que resta de todo o amor que
Nasceu e cresceu sentimento tão bom.
Eu perdi o teu cheiro, o calor do teu corpo,
O teu jeito, e o som da tua voz que sumiu.
O que vai ser de mim, ser de mim sem você.
Coração tá sofrendo demais.
O que eu faço agora¿
Sua voz costumava dizer meu amor eu te amo.
Teu perfume não sai da memoria e ainda te amo.
A razão da canção é você meu grande amor.
Como um filme passando, a memoria trazendo as lembranças
De tudo que aconteceu.
Os lugares que fomos tudo o que construímos tantas
Coisas fizemos até sem pensar. Morrendo estou! Morrendo
Sem você aqui.
Coração tá sofrendo demais.
O que eu faço agora¿
Sua voz costumava dizer meu amor eu te amo.
Teu perfume não sai da memoria e ainda te amo.
A razão da canção é você meu grande amor.
Como um filme passando, a memoria trazendo as lembranças
De tudo que aconteceu.
Os lugares que fomos tudo o que construímos tantas
Coisas fizemos até sem pensar. Morrendo estou! Morrendo
Sem você aqui.
O MÁGICO DA TELEVISÃO!
(Autor: Otávio Abadio Bernardes)
“O HOMEM QUE SORRI É UM HOMEM CONFIANTE,
DE QUEM TODA GENTE GOSTA!
XXXXXXXXXX
Era uma vez um gênio...
Era uma vez um mágico!
Um mágico da Televisão,
um mágico da Comunicação:
Sílvio Santos!
“Sílvio” nome dado por sua mãe
e “Santos” pelo próprio Sílvio:
... “para dar sorte!”
Mas, seu nome mesmo era “Senor Abravanel”,
descendente de Dom Isaac Abravanel.
Pena que nunca pude conhecê-lo pessoalmente!
Porém... não precisava...!
Sua locução... seu jeito de falar...
seu carisma conquistava todo mundo,
de qualquer jeito, através do seu “estilo” impecável
de pronunciar... de gesticular... de ganhar a “massa”!!
Logo que o “conheci” pela Televisão,
pude aquilatar o valor... o papel... a criatividade...
o desembaraço do Comunicador Sílvio Santos!
Que coisa!... não sei nem como classificá-lo
no tocante à real e verdadeira
COMUNICAÇÃO ... única...
ÚNICA COMUNICAÇÃO!!
Empresário... apresentador...
muitas vezes também “humorista”...
Sílvio contagiava todo mundo
e, na minha modesta opinião,
ele foi o “Pelé” da Televisão!
O Sílvio criou na “Tevê” um lugar adequado
para marcar “gols” e mais “gols” de sabedoria...
de galhardia... de criatividade!
e muitas vezes – devo afirmar –
até “golaços” de bondade!
Verdadeiramente, o palco rejuvenescia o apresentador
e dominador dos mais “ouvidos” e
“assistidos” programas!
Sílvio Santos parece que tinha um magnetismo
todo peculiar... todo “contratado”
para impressionar... para fascinar o público,
quando falava, dialogava, encantando as pessoas!
O que me impressiona nesse homem
é um tipo de “humildade elegante”,
que arrebatava todo público espectador e ausente!
Sem dúvida, Sílvio Santos foi um ícone perfeito
da Comunicação em geral no mundo inteiro!
Esse homem, quem sabe, inspirado por Deus,
tinha como missão alegrar o mundo:
Com suas coisas sadias...
Com coisas hilariantes...
Com coisas simpáticas...
Com coisas otimistas...
... algo mágico “bolado” por ele
para dar sentido à vida...
para dar sentido à Comunicação!
Por fim, obrigado, eterno Sílvio Santos!
Seu nome é uma “Honra” pro nosso País...
pra nossa gente sofrida e desmotivada!
Só te peço uma coisa:
Continue SORRINDO... SORRINDO...
sempre SORRINDO
no Céu também!!!
Um livro relata a visão de um autor sobre fatos ou ficções diversas.
Filmes e encenações ainda que destes mesmos livros, saindo dessa única definição, mostram não apenas visões, mas as cores, olhares e sentimentos sendo expressos, tudo em um conjunto harmônico e cuidadosamente selecionado, nada em acaso e chegando à perfeição; arrancando lágrimas ou risadas quando escolhidos e montados com o cuidado correto..
Essa, é uma arte final fantasticamente singular, única e irresistível!
Zuzuca do Salgueiro
Autor: Pezão da Timba
O tempo passou...
A voz do poeta ecoou
Em versos vermelho e branco
O vermelho sangue deu vida
E no branco da paz tão contida
Deitou a poesia no chão do terreiro
Sim... O tempo passou!
Mas o poeta ecoa
Sua voz no tempo que voa
Acorda a história
E a docê viva memória
Ressurge em raiz num Salgueiro
(2021, 19/outubro)
SEJA...
Autor: Pezão da Timba
Seja luz onde há escuridão
Seja amor onde não existe bondade
Por vezes seja sim emoção
Por que nem sempre razão é humildade
Se do jeito que tiver de ser
Seja o que for e o que voce quiser
Só não seja o que te faz perder
Por tudo de lindo que tens de mulher
Seja linda, seja doce, seja amarga até quando precisar ser, pois, é no fel de tudo que se aprende a lição do que é saber ser... Ser humano!
A M I G O
Autor: Pezão da Timba
Me bastaria um abraço...
Aquele que me acalentasse, que me protegesse e que me fizesse esquecer do mundo enquanto eu ali ficasse!...
Me bastaria alguém ...
Aquele que me ouvisse e no silêncio da minha lamentação
me olhasse, e tão apenas com os olhos me dissesse: Fique tranquila! Está tudo bem, eu estou aqui!
Me bastaria uma voz...
Aquela que me dissesse com todas as letras, as verdades que eu precisasse ouvir, mas que não me humilhasse e nem me ferisse como um punhal de palavras sangrentas de incompreensão e agressividade.
Me bastaria uma mão estendida...
Aquela que me acolhesse e segurasse e pegasse firme nas minhas, me tirando do precipício e não me empurrasse pro abismo...
E já não me bastasse mais nada...
Nem um abraço...
Nem alguém que me ouvisse...
Nem alguém que me falasse...
Muito menos quem me estendesse a mão...
Se eu tivesse de fato tudo aquilo que se pode chamar verdadeiramente de AMIGO...
SALVE OS NOSSOS PROFESSORES
Autor: Pezão da Timba
Aos mestres com carinho
Que por todos os caminhos
Ensinaram com amor
Assim, todas as gerações
Aprenderam profissões
Pelas mãos de um professor
Triste e dramático
Ver políticos asnáticos
Que não dão real valor
Àqueles que um dia
Com muita galhardia
Os ensinaram com amor
E com amor e educação
A nossa nação tem saída
Olhai ó Pai
Por esses grandes doutores
Salve os nossos professores
Todos mestres em nossas vidas
O QUE TANTO TE INCOMODA
Autor: Pezão da Timba
Caio,
por todos aqueles que caíram, mas jamais se renderam ao opressor.
Me levanto,
por todos aqueles que tombaram e se tornaram mártires de nós, e por todos os que bravamente resistem e prosseguem na luta.
Luto,
contra todas as desigualdades e injustiças sociais que sofremos, e por todos os direitos que nos tomaram e nos negaram através dos séculos.
Resisto,
por que sempre fui forte e jamais me calarei ou me curvarei diante daqueles que se acovardaram e se acovardam apunhalando a razão.
Sofro,
como sofreram meus irmãos, por que jamais foram escravos e que desumanamente foram escravizados por aqueles que se achavavam superiores, pois, foi dos grilhões e das correntes, das chibatas e dos açoites, das noites em prantos nos troncos e nas senzalas, da pele marcada pelas feridas causadas pelas pontas dos chicotes, que cicatrizavam no corpo, mas a dor mais forte sempre foi na alma
SIM!
Escravizados pelas mãos daqueles que se diziam seres humanos, e hoje, pelas mãos dos que nunca foram humanizados.
E SABEM O PORQUE?
Por que a minha beleza é rara, as minhas habilidades são soberanas e a minha cultura é suprema.
E CONTUDO,
O QUE TANTO TE INCOMODA, É A COR DA MINHA PELE QUE É PRETA!
“ISSO É SER TIJUQUEIRO”
Autor: Pezão da Timba
Ser Tijuqueiro é ser guerreiro
É ter um exército de irmãos na mesma guerra
Plantar e colher da mesma terra
Doar e se doar sem olhar a quem
É ter no semblante humildade
E nas marcas da tão cansada idade
Ter hombridade pra ajudar alguém
Ser Tijuqueiro é um alento
É ter amor, bons sentimentos
Pelas “crias” que criaram o lugar
É ser raiz e ajudar a ser feliz
Quem ainda não conhece o verbo amar
Ser Tijuqueiro não é ser Tijucano
É um termo em outro plano
Mesmo sendo da Tijuca
É se unir de verdade
Em amor, calor e amizade
E em prol da comunidade
Desconstruir a muvuca
Ser Tijuqueiro é ter de tarde, de noite e de dia
A calma, o amor e a empatia
De não ter vergonha dem pedir socorro
Por que bem sabem que nos morros
Lá todos são irmãos
São todos por um e em uma só voz
A gratidão por todos e Deus por nós
Ser Tijuqueiro é ser Tijuqueiro
De mente, alma e coração
E como a fé de um guerreiro
Na reza, na prece, na oração
É ser do Rio de Janeiro... ser Tijuqueiro é ser campeão
NOSSAS SEMPRE VELHAS GUARDAS
Autor: Pezão da Timba
Não são velhas as nossas guardas
De guardiões e guardiãs do samba
Gente do morro que nasceram bambas
E foi lá que ele se fez raiz
Nossas sempre velhas guardas
Das batucadas nas favelas
Onde, entre becos e vielas
O puro samba caminhou feliz
Genialidade na mais nobre arte
Com pavilhões e estandartes
Ganhava as ruas com um samba novo
Escolhidos pela alma das pastoras
Com as notáveis rouxinóis cantoras
Sendo emanados pela voz do povo
Foram felizes madrugadas
Sambistas, pastoras, velhas guardas
Que se reuniam nos terreiros
E cantavam pelas ruas
Do por-do-sol à luz da lua
Mostrando ao mundo o samba verdadeiro
Não são velhas as nossas guardas
Velhas são as mentes
Que comumente é sem memória
Nada sabem das histórias
De quem iniciou o caminho
E quem vê uma escola passar
Mal sabem que estão lá
E que jamais estiveram sozinhos
Em vida e em memórias
Protagonistas dessa história
Que pelo samba deram a vida
Que construíram essa estrada
E simplesmente do nada
São esquecidos na avenida
E com honras, eu me curvo e me encanto
Aos heróis e heroínas de cabelos brancos
Dos terreiros, escolas de samba e quadras
Salve o nosso patrimônio humano
A vida toda em todos os anos
Salve sempre...
Nossas sempre Velhas-Guardas
SALVE JORGE!
SALVE JORGE BOSSA NOVA!
Autor: Pezão da Timba
E lá estava ele...
Em meio às suas lembranças, quando então parava olhava o pavilhão girar!
Sua mente bailava no tempo e um sorriso surgia em seu rosto cansado, mas cheio de vida!
Sentia seu corpo flutuando, conduzindo com alegria no olhar a bandeira que parecia contracenar com ele, mas não era a bandeira.
Na contra-dança da sua mente e da sua arte, era o seu par que girava, assim como gira o mundo, e com o leque na mão, no seu abrir e fechar, como se fosse a roda da vida, rodava e bailava majestosamente com seus leves passos, conduzindo pela mestria dos seus gestos, aquela que o encantava com o seu mais doce sorriso: a sua porta-bandeira!
Flutuava levemente, dançante e galante, no maior palco da sua vida: a avenida!
Olhava a multidão que o contemplava com aplausos na sua exuberante beleza, na sua leveza de bailarino, e com gestos sutis, se curvava numa condição de respeito e gratidão, pois, estava ali sendo aplaudido pela sua arte.
Parecia São Jorge, que empunhando a lança contra o dragão, numa luta do bem contra o mal, se sobressaía vencedor...
E vencedor também era Jorge, de tantas bossas... novas e velhas...
Jorge guerreiro, que como guerreiro também empunhava e lançava seu olhar, e magicamente parecia dominar o pavilhão que tremulava e obedecia os sinais das suas mãos e se rendia ao doce comando do bailarino...
Jorge menino, que nos áureos tempos, com seu corpo franzino, dava os primeiros passos na sua história!
História de bailado, de príncipe e de rei... ede mestre!
Mestre Jorge!
Jorge menino, Jorge homem, jovem senhor...
Que hoje abre os olhos e nos seus olhos já cansados, tem a certeza de ter cumprido o seu papel, na própria história que escreveu e que hoje a vida conta!
Das tuas canções, poesias cantadas...
Dos teus pés que riscadas o chão com poesias pelos seus bailado..
De toda a sua inspiração...
Dos teus cabelos brancos, na sua mais plena maturidade, dos teus passos lentos, com o coração batendo forte pela vida, é e sempre será, um dos maiores guerreiros do samba que esse mundo já viu...
Um dos maiores mestre-salas da história do samba!
Um dos maiores seres humanos que eu pude conhecer!
SALVE JORGE!
SALVE JORGE BOSSA NOVA!
O ETERNO BAILARINO DO SAMBA...
NOSSO GRANDE E ETERNO MESTRE-SALA!
