Texto para um Bebe
Pelos contos que eu não conto
Dá um desconto ao meu silencio
Não conto dos versos tristes
Não conto da estrela cadente,
Dos girassóis reluzentes
Que reluzem nos meus contos,
Não conto do meu silencio
Pois assim não o seria,
Não conto da minha alegria,
Que não valem nem um conto,
Pelos contos que eu não conto,
Conto pelos e apelos
Só não conto meus segredos
Pelos contos que eu não conto
Nada se complica,
A vida explicará,
A ansiedade se acalma com beijos,
Se aquieta com um olhar
Não esquece: esquece os problemas,
Leia os meus poemas,
Esquece que a vida é pequena
Mas tua alma é do tamanho da tua consciência,
A dívida algema a paixão...
Eu tenho a noite e a noite me tem
O resto é poesia, é um trem na via
Entre satélites, meteoros e planetas
Procurando a emoção
Nada se complicará, a vida explica
Acontece porque tem que acontecer
A noite tece um fascínio,
Abriga os facínoras
E tudo de mal que se premedita,
Mas pela manhã brilha a aurora
INDIFERENÇA
Vejo tão silente tua fria presença
Tua voz silente a dizer coisa nenhuma,
Um zelo diferente que desarruma,
Que muda, martela minha sentença
A solidão m'espera, me espera a lua
Com seus mistérios banais que insinua
A vida é tão triste, triste é a existência
Na sensação extraordinária de sua essência
Aceito a indiferença e o desprezo
O gosto amargo que ficou na alma
Do que um dia doce me excitava
E o que eu imaginava que era apreço
É o doce da lembrança que me falta
Da tênue ilusão que me acalantava
quem já teve um amor verdadeiro
um dia e perdeu
herdou nos olhos a nostalgia...
mas perdeu seus horizontese suas referências
minha primavera, minha Vera prima
eles verão este inverno no meu olhar
eles verão o meu outono e outras estações
fases de lua e suas consequências
eles verão e eu inverno a derramar
o amor que transbordou no tempo e na saudade
quem já teve um amor verdadeiro e um dia perdeu
jamais será triste
triste é quem um amor verdadeiro nunca viveu
mas quem pode entender o amor,
o amor é um deus
ou se vive o amor e tem fé...
ou não vive e padece
e se torna um ateu
preciso lembrar que o amor me esqueceu
e que os sonhos que eu tinha
não são mais sonhos meus
PULAR ESTRELAS
Dá cá um pouco desse hálito,
Dessa beleza cálida,
Orvalha o beijar,
Me acena a esperança
De ter algum dia a esperança,
A alegria de orvalhar ...
Ah, o mundo é belo nesse olhar;
Eu sei de tudo do sobretudo
Feliz que envolve essa pele de seda,
Do absurdo de crocodilos, de abacaxis,
Tatus e mandacarus; paradoxo
Ao cetim das maçãs do teu rosto,
Eu gosto das peras dos teus seios,
Amamentam a minha libido
Eu sou atrevido no sonhar
Dá cá um pouco do teu olhar
E olha a lua comigo
Que eu te ensino a pular estrelas ,
Ser leve como colibris e libélulas,
Para provar que a vida pode ser bela...
TRÊS DIAS
Um dia eu morri por três dias
E no paraíso minha tia Zilda ainda falava
De Engenheiro Pedreira como se fosse uma
Daquelas longínquas cidade do faroeste americano
Imaginei que tudo fosse um engano
E no meu sonho vi no jardim do paraíso
Jésse e seu irmão Frank James
Pensei: -que que esses salteadores fazem aqui?
Vi José "Malamuerte" Almada,
Caçador de recompensa
Que apavorava no Novo México;
E um punhado de ladrões de gado
Que sitiavam Tombstone, no Arizona
"O que esses bandidos fazem aqui no céu?
Parecia meio cruel mas ali mesmo no Guandu
No leito caudaloso do rio, os presuntos boiavam
Levando o terror causando calafrio
Era a faxina que o esquadrão da morte
Executava nas cercanias
Muita gente morreu para essa limpeza,
Talvez mais do que devia,
Mas ninguém nada via, ninguém nada sabia...
E pela manhã a sabiá cantava,
As flores floresciam
E tia Zilda aguava as trepadeiras,
As samambaias e as flores do jardim
Cantava uma canção antiga
Como se fosse eterna a vida, e a vida era assim...
A BADALADABALADADABALAACHADA
AFizera um verso esquisito que chamava de funk
Usava um cabelo esquisito e se dizia punk
Mas durante a madrugada,
Durante a "parada,"
Uma súbita parada, intuía o perigo
Mas naquela onda, chapado tinha uma insana valentia...
A badalada balada da bala achada
Aconteceria para a tristeza de poucos e de muitos a alegria
A badalada balada da rajada
Aquilo não era funk
Aquilo não tinha nada de punk
Mas dançava esquisito aquele som aflito
Cheio de brilhos mas sem nenhum estribilho
Ágata, a gata namorada, amante sem morada
Cecília, a filha sorria suave uma valsa
A dizer "te amo" muda de ritmo, de vida
Mas a rajada, aquilo não era funk
Mas sacudia um balanço, um frio, um sono
Um abandono na madrugada...
Uma sirene gritava um desespero
Mas "já era tarde..." alguém dizia...
No final da tarde de um sábado
tinha um riso meigo,
o Silvio Santos,
os santos de brancos e negros
tínhamos os cinemas
e as praças de Nova Iguaçu;
um olho na mira
e o indicador no gatilho
e a me acolher
a solidão de Del Castilho
foram tantos os enganos
santos e profanos
a ilusão tem sua ternura,
suas loucuras
suas promessas
seus encantos
estou tão sozinho
a rasgar o cetim do passado
no final da tarde de um sábado
pensando amanhã é domingo
e o que foi lindo... se foi lindo, se foi.
faz um vento frio, tão frio...
daqueles que tira a noção,
sinto um vazio mais vazio
que a própria solidão;
talvez isso seja não ser mais ninguém,
talvez eu seja exatamente isso,
este não ser exatamente nada,
mas este frio é um sinal
de que enquanto eu sentir esse vento
uma força superior conduz esta nau...
POEMA DE AMOR
Não é tão fácil escrever um poema
Escrever um poema não é tão fácil assim
Você reza três novenas pro santo do dia
E três novenas pra são Serafim
Pensa na namorada que um dia foi embora
Na solidão que invadiu os seus dias
Diga que tudo isso faz parte da vida,
Que no mais, tudo é belo, que tudo é alegria
Então comece falando da beleza do amor,
Do seu sorriso de luz e dos olhos de céu
E se a vida amarga um pouquinho,
Não chega a ser amarga como um copo de fel,
Fale da esperança que você tem,
E se não tem nenhuma, tem esperança de ter
E se você tem ou não tem tudo isso
Um poema de amor você pode escrever...
VIDA DIDÁTICA
Eram pilhas de livros: problemas um, problemas dois, problemas três;
Tinha as coisas do arquivo pra se guardar todo mês,
O controle do estoque; do que foi gasto com limpeza,
Nossa vida didática não era assim uma beleza.
Afora a solidão, tinha o Gandhi, espesso e de letras pequeninas
Nunca tive coragem de ler tanta filosofia;
Me encantava mais com os seios e as pernas das meninas
Da confecção, meu coração sozinho perdido nos decotes,
Vida sem perspectivas a fazer e desfazer pacotes
Fui sempre tão romântico na minha solidão,
Fui sempre tão sozinho no meu sonhar
Sempre sonhei na simplicidade de ser feliz por amor, de ser livre por viver...
Gandhi, não aprendi filosofia não, minha vida era didática demais
Os livros que não li empacotei e enchi caminhões
Que conduziram aos ricões mais distantes deste meu país
Minha filosofia era lutar; porquê? eu não sei...
Talvez por Aquela força sutil do amor...
Aquela força sutil e irrefreável do amor...
Aquela força inabalável que soprava na brisa
Depois de um dia de trabalho pensando no baralho
E na companhia fraterna e palavras suaves de ternas filosofias...
ÓPERA
Eu não tenho nada e eles pensam que eu nada tenho
Mas tem um grilo que cricrila pela noite afora
Ele conversa sobre os medos da noite
E tem os gatos; e os gatos cantam
Como só os gatos sabem de ópera
E eu roubo-lhes as vidas
Já tenho sete, afora o infarto
Conversei com Deus nesse dia
Vi Maria na última travessia da Dutra
Eu não tenho nada e eles pensam que eu nada tenho
Mas o negro que vejo no antigo engenho
Tem cicatrizes nas costas,
Mas tem prosas bonitas de Angola
E derrama poesia quando fala de sinhá
E quando não fala de nada
Eu percebo o meu Brasil moreno
Tão rico, tão grande, tão pobre e pequeno
Que eu namoro as namoradas que não são minhas
E as minhas namoradas não namoram comigo
E eles pensam que eu não tenho nada e eu nada tenho
Porque o que eu tenho é sentar na calçada
E olhar a lua, as estrelas e o firmamento
E tudo isso já pertence a russos e americanos
Eu não tenho nada e eles pensam que eu nada tenho
Mas eu tenho a magia das palavras
Essa coisa que me instiga e me oferece a ilusão mambembe
De que eu de nada preciso
Que o resto é abstrato, o resto é engano...
MORANGO
Eu ainda tinha um ideal
Mas esse capitalismo consumia os sonhos
E o que eu escrevia era romântico demais
Pra filosofias tão ocidentais;
Eu ainda não me estabelecera,
Aliás meu sonho era exatamente a instabilidade;
O azul anil desse vazio me acolhia
Como um astronauta perdido
Entre morcegos, meteoros e cometas...
A ilusão é o meu pilar,
A abstração é se realizar...
As tuas narinas me atraiam
E a tua língua parecia um morango
Dançando como uma oferenda
Ao som das tuas palavras;
Abstrato, eu te possuiria por todos os poros,
Astronauta eu te levaria a virgem
E virgem você me levaria a qualquer devaneio
Eu ainda tinha um ideal
Quando não tinha ideia do que era a castidade,
Como ela consome o que temos de casto,
Minha via láctea era teus seios
E hoje eu ceio os tão bem nos meus sonhos
Quando eu falo de abstração
Não é aquilo que eu falo aos teus ouvidos,
O que eu falo se derrama sólido entre sussurros
Embaçando a luz do abajur
Abstrato não é o que respinga no teu rosto
Que humilha, profana, mas apraz
Abstrato é o que trava na garganta
Ao perceber que perdemos a ingenuidade
Sem ingenuidade perdemos nossos sonhos
E sem sonhos castramos os ideais...
AO ALÉM
Meia noite e meia, de repente um arrepio
Não é febre, não é frio
Sei perfeitamente o que conduz a lua cheia
Essa abstração aos meus medos, alheia
É a intimidade entre mim e o além
Quem sabe os meus segredos
Sabe que um dia eu já morri também
Ah, eu amo vocês!
Vocês que já foram, mas vigiam os meus passos
E os passos que ouço, a cortina que balança...
Os sussurros no ouvido...
São todos os que me amam e se importam comigo
Provavelmente, ela vivia num jardim a contemplar as flores , a acariciá-las, e, entre um suspiro e outro, algumas confidências; isso mesmo, tinha certeza que lhe falaria do seu fascínio pelas luzes da manhã, aqueles primeiros raios que despontavam antes do corpo solar; que refletiam no espelho de um lago, na lâmina de um rio ou verdejavam sobre alguma floresta. Talvez caminhasse a beira de uma praia solitária como uma recém-nascida manhã pudesse; imaginando um conto, uma história bonita que contaria pra alguém com certa graça, acrescentando algum humor ou drama, uma pequena mentira que só embelezaria o que já fosse belo. Por certo era uma imaginação fértil e caminharia por um cemitério imaginando que todos que cruzassem consigo já tinham morrido e não olharia pra trás com medo de ter essa certeza. Talvez fosse assim, alguém eloquente a quem todos esperariam silenciosos afim de ouvir algo interessanre; e se calasse o suspense do silencio cairia todo sobre si mesmo. quiçá às madrugadas imaginasse sonetos trágicos de paixões insanas; essas loucuras do cotidiano que acabam nas manchetes dos programas policiais, ou luxurias inconfessáveis que passariam por sua cabeça nalgum desejo secreto que jamais revelaria.
Algum dia apareceria com os traços ordinários como os de qualquer ser vivente, uma timidez simplória dos seres limitados; voz pausada, própria dos que pensam muito, ou dos que não têm muita certeza do que vão dizer; e aquele ser divino interior em pura ebulição ali no peito, transpirava, sussurrava, suspirava e tinha as mesmas carências, os mesmos medos e inseguranças; aquele ser capaz de todas as loucuras, todos os pecados e todos os perdões por paixão e por amor deixaria de ser só uma miragem nos meus delírios...
Na adolescência eu era um anjo triste
Desses que perambulam,
que caem, que existem
melancólicos, sonhadores,cinzentos
Como os finais de tardes dos dias invernosos
A minha solidão respingava nas vidraças
Como a neblina fria jogada pelo vento
Que doía fundo na minha carapaça
E a minha angústia,
a dor daquele sentimento
A solidão de me sentir sozinho
Não era solitária, era uma multidão
E como cada um faz seu rumo, seu destino
De fazer da multidão, a sua poesia
Aquele garoto triste um dia teve o tino
VILA-VELHA
De madrugada um atrito,
detritos no beco,
no gueto zumbidos
paredes e dez mil ouvidos
viver sonhando não posso
meus ossos estão doloridos,
meus olhos estão diluídos
sonho sim, devia não sonhar assim
mas a nave me pega
a ave me eleva, ave Maria...
haveria alguma possibilidade
de não haver um AVC,
ave Cesar, avença,
avestruz, avestruzes,
arre égua, arre ema
minhas plantações de milho e mastruz
avenca, cabelo-de-anjo,
cabelo-de-vênus,
crisântemos, acácias. lírios,
as vespas visitam
os cálices por todo o jardim
às vésperas do fim
have you ever seen the rain
no nordeste não é assim,
alimentamos mais o espírito com a fome
e mais a alma com o que nos consome
mas guardamos sorrisos
de grandes invernos,
fartura de ternuras e abraços
que exercitam os nossos membros
e tornam fortes os nossos braços
você já viu o arco-íris
have you ever seen the rain
no olhar, na íris de alguém
EU VI
eu vi um homem que não era mais homem
e tinha um olhar que não era mais seu
e tinha a ausência de todos os fantasmas
e tinha a asma de todos os gatos
e tinha os mistérios dos cemitérios
a pele morta, sem vida,
dentes sem precedentes
um odor inconcebível;
não era mais um ser vivente,
por mais que parecesse gente,
não era um cachorro,
os cachorros são felizes e são gratos,
os gatos têm orgulho,
era maior que um rato em tamanho,
mas revirava o lixo
com a ânsia desse bicho
eu vi um homem que não era mais homem
ou vi um bicho que não era mais bicho
Eu fiz um samba tão triste
que quando saiu minha escola
desabou um temporal
chuva, vento e trovoada
e a minha batucada
parecia um berimbau
a letra do samba enredo
citava mistérios e segredos
de um sobrenatural
sob o frio tive medo
tremi voz, pernas e dedos
suei frio e passei mal
ASQUEROSOS...
Um homem não é um bicho;
um homem tem que amar,
se apaixonar, sonhar, ter um ideal;
e dentro desse ideal deve estar pautado
uma comunidade digna, uma sociedade capaz.
Um homem não pode vender sua consciência
e se tornar um corrupto
como um tumor maligno que mata uma nação.
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