Texto para um Bebe

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⁠Sinto-me incompreendida.
Mas não lamento por isso.
Há algo de esplêndido em ser um enigma aos olhos do mundo, desde que eu mesma saiba decifrar quem sou.

E eu sei.

Há momentos em que minha consciência de mim mesma se torna tão nítida que beira a liberdade.
Uma liberdade estranha, que não se prende ao tempo nem ao espaço.
Ela apenas paira sobre mim, dentro de mim. Como uma presença que observa em silêncio.

Por vezes, essa liberdade se afasta.
E quando percebo, estou presa outra vez.
Correntes invisíveis, não sei de onde surgem, tentam me conter.
Mas eu resisto.

Penso: será que parar me faria bem?
Talvez.
Ou talvez me arrastasse de volta para os becos escuros da minha mente, onde me perco de mim mesma.

Por isso sigo.
Não interrompo os sintomas da liberdade, deixo que ela se manifeste, mesmo quando assusta, mesmo quando me desorganiza.

Sei que sou incompreendida por olhos comuns.
Mas isso não me entristece.
Afinal, diante dos meus próprios olhos, reconheço: há beleza na minha excentricidade.

Inserida por Riber

⁠Houve um tempo em que eu queria saber tudo.
E, quando não sabia, não me sentia inferior aos outros; me sentia inferior a mim mesma.
Colocava um fardo sobre os ombros, como se só valesse alguma coisa se pudesse provar, a mim mesma, que era capaz.
Capaz de quê?
De tudo, talvez.
De tudo ao mesmo tempo.

Eu me enveredei por caminhos difíceis não por vocação, mas por negligência comigo mesma.
Não parava para respirar.
Não me importava se estava bem.
O importante era vencer... mesmo sem saber exatamente o que ou quem eu estava tentando vencer.

Até que, por força de alguns acontecimentos, me vi de frente com o espelho da verdade, e descobri que não era capaz de tudo.
Na verdade, percebi que não era capaz de quase nada.
E não por fraqueza. Mas porque sou humana.

Teimosa como sempre fui, demorei para enxergar o óbvio.
Mas quando tirei o véu; aquele véu espesso da arrogância disfarçada de autocobrança, fui atravessada por um sentimento impossível de descrever.
Me vi pequena.
Uma formiga diante do universo.
Um grão de mostarda na palma de Deus.

E, paradoxalmente, foi ao me reconhecer tão pequena que comecei, enfim, a existir de verdade.
Vi-me como alguém. Alguém que erra... e continuará errando.
Alguém que sente; e cujos sentimentos influenciam tudo: o ritmo, o foco, o desempenho.
Alguém que não sabe de tudo, e o pouco que sabe, sabe porque Deus, em Sua graça, permitiu.

Quando entendi isso, o peso escorregou dos meus ombros.
Não era mais uma batalha por merecimento.
Era a busca por ser, ser quem sou, com limites, com dúvidas, com perguntas sem resposta.

E foi nesse dia que descobri o que tantos passam a vida tentando encontrar: descobri quem eu sou.

Para encerrar, adapto as palavras de Newton:
O que sabemos é uma molécula de água.
O que achamos que sabemos… é um oceano.

E como disse Sócrates, com toda a sabedoria de quem já mergulhou nesse mar:
"Só sei que nada sei."

Inserida por Riber


"Dói Mais Sem Você"

Ah...
Se um dia pudesse no tempo voltar
Sem mágoas, sem culpas
Sem cheiro de bar
Deixar seu perfume me embriagar
Ao fundo tocando a nossa canção
Nós dois sendo um só
Fusão de paixão

Mas...
A saudade machuca não consigo dormir
Se hospeda em meu peito, só pra me ferir
Eu saio às ruas para não enlouquecer
Mas tudo que olho, me lembra você

Eu, de longe te vejo no canto de um bar
Também suas mágoas querendo afogar

Me olha com dor, desespero e vontade
Vem ao meu encontro com ansiedade
Me jogo em teus braços, te sinto tremer
Se sofro contigo, dói mais sem você
(BIS)

Ahh, ahh, ahh, ahh, ahh!

Me olha com dor, desespero e vontade
Vem ao meu encontro com ansiedade
Me jogo em teus braços, te sinto tremer
Se sofro contigo, dói mais sem você

(Letra e música Denise Fraga Loba)
(Inverno 1997)

Inserida por denise_fraga_loba

⁠Chamo de "falta de emoção" aquilo que ainda não sei nomear.
É uma presença vazia, um sentimento sem forma, sem cor, sem raiz.
Não sei de onde vem, tampouco o que quer me dizer. Só sei que se instala. Silenciosamente.
E fico esperando que passe, como se a alma respirasse por impulso até que outro sentimento mais forte venha e ocupe seu lugar.

No meio desse vácuo, me torno mais analítica.
Começo a observar o mundo com olhos mais calmos, como se tudo ao redor pudesse me ensinar algo sobre mim.
Foi assim que reparei em meu gato.
E nele vi, não um animal de estimação, mas um reflexo.

Demorei a tê-lo. Não por falta de vontade, mas por resistência alheia.
Quando finalmente chegou, entendi de imediato por que sempre o desejei.

Gatos são estranhos à espera.
Amam a rotina.
Buscam afeto, mas apenas quando o silêncio pesa demais.

Percebi que éramos semelhantes.
Sou alguém que demorou a entender o que é afeto.
Guardo sentimentos em caixas seladas, como quem tenta proteger o mundo do que sente.
Mas quando a caixa cai, o estrago é incêndio: tudo arde de uma vez só.

Gatos, ao menos, não fingem.
Eles sentem e demonstram.
Se querem carinho, pedem.
Se algo muda sem aviso, se retraem.
Mas quando estão bem, vibram com uma intensidade que ninguém consegue conter.
São fiéis à própria natureza.

Talvez meu gato seja assim porque herdou a minha essência.
Talvez ele apenas a reflita com mais pureza.
Ele me ensina, com cada olhar e cada silêncio, a ser mais sincera com o que habita em mim.

E é aí que reside a beleza:
na humildade de aprender com o improvável.
Na coragem de admitir que a vida nos ensina pelos cantos.
E que crescer é, muitas vezes, parar de tentar entender tudo e apenas sentir.

Afinal, somos eternos aprendizes.
E o mundo, uma sala de aula infinita.

Aprendemos nos gestos mínimos.
E crescemos quando deixamos o orgulho ceder lugar à verdade.

Esse é o caminho:
ver com a alma,
sentir com o espírito,
e reconhecer, na simplicidade, a grandeza de viver.

Inserida por Riber

⁠Primeiro foi um besouro.
Achei que fosse azar. Matei. Fechei a janela.
No dia seguinte, não a abri; crente que o problema estava resolvido.
Doce ilusão. Dois dias depois, outro invadiu.
Dessa vez, mandei pelo ralo. Fiquei irritada. E por birra, deixei a janela escancarada.
Três horas. Mais um. O último.

Foi então que percebi: talvez não fosse acaso.
Nem sinal, nem maldição. Só consequência.
Eu deixava a janela aberta sempre na hora do banho.
E besouros, os danados, aproveitavam o descuido.
Fechei a janela. Nunca mais entraram.
Simples. Tão simples que parece lição de vida.

A gente insiste em chamar de destino o que é apenas resultado.
Janelas se abrem.
Mas não se mantêm assim para sempre.
Às vezes a oportunidade entra voando, discreta como um inseto.
Outras, você nem nota que ela passou.
E quando percebe, a janela já está trancada.
Você bate. Grita. Esperneia.
Só que ela não abre.
Só dói.

Por isso, um conselho:
não espere o vidro.
Viva o agora como quem sabe que as janelas fecham;
sem aviso, sem hora, sem retorno.

Inserida por Riber

⁠Um simples ponto.
Pequeno, quase imperceptível,
mas com a força de quem encerra.
Encerrar não é apagar;
é colocar o ponto exato onde a frase cumpriu seu papel.
E talvez, por isso mesmo, o fim de uma fase nunca seja apenas um fim.
É a pausa antes da próxima linha.

Hoje, concluo o parágrafo chamado "ensino médio".
Guardo entre suas linhas três anos que me transformaram.
Neles, fui vírgula, reticência, até mesmo travessão.
Mudei de tom, troquei de pele, aprendi a silenciar e a falar.
Conheci gente que virou parte do meu vocabulário afetivo,
professores que riscaram certezas e reescreveram caminhos.

Sou grata.
Pelas mudanças que me incomodaram,
mas me prepararam.
Pelas frases difíceis que quase não consegui terminar,
mas terminei.
Pelos capítulos que doeram e, mesmo assim, me ensinaram
a não desistir da história.

Agora, com o coração calmo e os olhos acesos,
inicio o parágrafo seguinte.
Título provisório: faculdade.
E quem sabe onde essa nova narrativa me leve?

Mas se há algo que aprendi com os pontos finais,
é que o adeus nunca é ausência,
é memória que permanece entre as páginas.

E essa parte de mim que agora se despede
ficará para sempre guardada.
Com saudade, com ternura,
e com um ponto final que não apaga,
mas ilumina
o que vem depois.

Dez - 2021

Inserida por Riber

⁠Fui filho sem pai,
com um pai vivo.
E isso, por mais estranho que soe,
dói mais que a morte.
Porque a ausência escolhida tem outro peso:
o da rejeição.
Aprendi cedo a não esperar.
A construir minha identidade sem referência,
a ser homem sem espelho.
E mesmo assim, segui.
Hoje não te culpo.
Mas também não te carrego.
Só levo seu nome no papel.
Na alma, carrego a coragem de não repetir sua história.

Inserida por gabriel_mellone

⁠O vazio: como preenchê-lo em nós? O que podemos preencher em nossas vidas? Como um copo, o corpo pode ser preenchido com qualquer coisa. Uma alma sem fé é como um vazio. Preencha a essência com o espírito de Deus. Uma alma vazia pode ser corrompida. Deus ama a todos nós; abra sua vida para Ele.
Rosinei Nascimento Alves
Ótimo dia!
Deus abençoe sempre 🙏🏾
Tenhamos fé!

Inserida por ROSINEI48

⁠Para viver um grande amor, é preciso fechar todas as portas do coração, quebrar barreiras construídas ao longo do tempo. É preciso não esquecer que ninguém vem perfeito para nós!
É preciso ver o outro com os olhos da alma e se deixar cativar. Existem pessoas que são um sonho pelo qual a gente dormiria a vida inteira.
Mas o destino vem e nos acorda violentamente e nos leva aquele sonho tão bom.
Existem pessoas que são estrelas doces, luz que enfeitam e iluminam as noites escuras de nossas vidas, mas vem o amanhecer e nos rouba com toda sua claridade aquela estrela tão linda.

Inserida por adrian_felipe_1

⁠APENAS UM POEMA

Um poema com traços vibrantes
De versos que agrade os leitores
Despido de aplausos e louvores
Que prenda os olhos por instantes.

Aquele poema que traz sentimento
No grito de uma melodia
Deixar explodir a minha fantasia
Um poema escrito sem fingimento.

No êxtase da paixão se despir
Arrancar suas vestes com ousadia
No suspiro de uma doce magia
No poema de amor não vale fingir.

Nem tão pouco a falsidade
Mesmo que o poema seja atrevido
Com aquele verso bem exibido
Ele sempre diz a verdade.

Autoria Irá Rodrigues.

Inserida por ira_rodrigues

⁠O último eco antes do silêncio comer a si mesmo seria o som de um grilo, suave, natural, como quem ignora a linguagem.

Um espelho sonha que é agua. Quando acorda está inundado de peixes.

A cor do tempo é transparente e impede que o tempo conte mentira, limitando seu alcance sem precisar sangrá-lo.

Se a lógica fosse uma escultura de vidro, permaneceria intacta, para além da impossibilidade de voar. Se suas asas é a razão, ela impera soberana.

Um livro que lê o leitor, descobre um homem falho, cuja limitação remete ao ventre de sua mãe e se prolonga no infinito. O livro choraria de

O infinito ferido é um vaso perfeitamente restaurado, que humano nenhum vê onde ele se cortou.

Um oráculo sem voz aponta as rachaduras na pedra, como quem alerta o homem de suas rachaduras humanas.

Inserida por monalisa_1

ELE NÃO SE CURVA, NEM SE MASCARA

O sofrimento não destrói um homem. Ele revela.
Revela quem é casca e quem é raiz.
Quem foge, quem culpa, quem se vitimiza — e quem encara.

Alguns vão quebrar. Outros vão rastejar por dentro da própria alma, e voltar de lá sem ilusões, sem máscaras.
Esses já não querem felicidade de prateleira, nem paz de feed.
Eles querem a verdade, mesmo que ela arrebente os ossos.

Hoje todo mundo posa de bom. Mas bondade que nunca foi testada é só conveniência.
Dá fome, dá medo, dá desespero — e você vai ver o que o ser humano é capaz de fazer achando que está certo.

Você diz que é firme, que tem valores, que não se corrompe...
Mas nunca teve que escolher entre tua moral e tua sobrevivência, né?

Então não se iluda: quem nunca foi lançado no fundo do poço não se conhece de verdade.
É no escuro, sem ninguém, que o caráter aparece.
Quem volta desse lugar já não vive pra agradar.
Vive pra ser real.

— Purificação

⁠Aqueles olhos, falam de um amor que vive mais no pensamento do que na realidade…
O artista se apega nos olhos de alguém que ele ama tanto, mas que parece distante, uma pessoa que talvez nunca tenha sido dele de verdade.
E mesmo enfrentando o medo, o estresse e a solidão das ruas.
O sorriso, e o olhar dessa pessoa, sempre foram o refúgio dele, só que tudo isso acontece no sonho...

Inserida por Anteros

⁠"Entre o Corpo e a Consciência"

Cuido do corpo como quem cuida de um templo —
não por vaidade, mas por respeito..
Alimento-me bem, não para mostrar beleza ao mundo,
mas para oferecer saúde à minha alma..
Depilo a pele, como quem descasca a casca do peso,
buscando leveza, toque, sensações —
não para os outros, mas para mim..
Corro, treino, respiro fundo...
Cada gota de suor é um poema de superação silenciosa,
um grito que diz: “Estou vivo e estou presente"..

Não me deito com qualquer prazer,
porque meu corpo é lar, e não palco..
Não entrego o que é íntimo a mãos vazias..
Procuro o mesmo em outra alma:
alguém que veja no próprio corpo uma semente,
não um produto..
Que respire com profundidade,
que não tema o silêncio,
que entenda que se amar é diferente de se exibir..

Anseio por uma mulher que se cuide não por obrigação,
mas por amor-próprio,
que lave o rosto como quem acaricia a própria história,
que depile por querer sentir o vento,
não para agradar um olhar que não sabe sentir..

Desejo o corpo limpo sim,
mas desejo mais ainda, a mente limpa,
o coração leve, a alma que dança..

Procuro a beleza da delicadeza,
a firmeza na sensibilidade..
Alguém que veja prazer como poesia,
e o toque como um diálogo sagrado..
Que entenda que o desejo não é pressa,
mas um caminho —
e que o corpo é só um dos portais..

Eu sou o que um dia não tive:
o adulto que acolhe a criança,
que não repete a dor,
mas a transforma em amor..

E talvez, ao encontrar essa mulher que também se curou,
eu reconheça nela a mesma busca:
a de quem cuida do corpo como cuida do espírito,
a de quem ama com profundidade,
porque aprendeu — como eu —
que a verdadeira beleza
não se vê apenas,
mas se sente..

Inserida por Salatiel

⁠Chega a um ponto tão extremo do pensamento crítico, que a inteligência está em um nível tão alto, que é impossível pensar sem criticar, sem filosofar, sem buscar a verdade..
Conversas rasas se tornam entediantes..
E pessoas fracas mentalmente se tornam repugnantes..
As pessoas chegam até a te chamar de louco, mas você somente chegou a um nível superior mentalmente..

Inserida por Salatiel

⁠O Conto da Tulipa
Era uma vez um coração que, mesmo calejado, ainda pulsava com a esperança de um jardim.
Entre tantos espinhos, ele sonhava com uma flor - não qualquer flor, mas uma tulipa.
Singela, delicada, mas firme.
Nascida não por acaso, mas por destino.
A vida, com suas voltas silenciosas, traçou caminhos tortuosos.
O coração caminhou por invernos e verões, carregando em si a memória de algo que ainda não havia vivido, mas que, de alguma forma, já reconhecia.
E então, um dia comum ou talvez um dia mágico disfarçado de comum ela surgiu.
Como se o universo abrisse um portal breve entre o acaso e o eterno, ali estava a tulipa.
Não era extravagante, não era barulhenta.
Era sutil, como o toque do vento na pele.
Mas seu perfume atravessava as paredes da alma.
Ela não precisava dizer: o olhar falava, os gestos escreviam versos no ar.
O coração, antes desconfiado, se dobrou sem resistência.
Pois amar aquela flor era como respirar depois de muito tempo submerso.
Era como lembrar-se do próprio nome ao ouvi-lo pela primeira vez.
Juntos, criaram um jardim onde palavras se deitavam como sementes, e gestos brotavam em árvores de afeto.
Houve dias de sol e tempestades também - mas até a chuva parecia poesia quando caía entre os dois.
E se o mundo os viu como apenas mais um casal, o coração sabia: aquela era a sua primavera eterna.
A tulipa, que florescia até nos silêncios, era o amor com nome, pele, riso e alma. Era Alva Beleza Que Despertou - flor que nasceu para florescer no coração certo.
Não como parte do jardim, mas como o próprio motivo dele existir. A tulipa rara que, entre tantas, era a única.
E assim nasceu o conto - não o de fadas, mas o da flor que venceu o tempo, da alma que encontrou abrigo, do amor que não precisou de fantasia, porque já era milagre o bastante ser real.
Fim.

Inserida por Anteros

Com a voz embargada,
ouço o meu silencio interno.
Um sussurro dentro de mim quer dizer algo,em volta nada definido.

Quando sombras me cercam e
tudo fica cinza
eu choro e passa.

Não olho o caminho que percorri,
assim faço com minhas angústias e tristezas,
é comum este estado
e normal este momento,
mas existe uma força que luta
e abre meus horizontes,
percebo que dai sai meu novo amanhecer
cheio de luz e de vontades,
e sorrio, sorrio muito.

Inserida por luaempoemas

⁠O coro e o desaforo do moço fazem parte da idade, mas não podem ser soltos ao gosto.

Exigem um esboço — de limites, de rumo, de estrada —, pois sem norte, a juventude se perde na própria pisada.

Cabe ao adulto, com firmeza, tato e sabedoria, ser guia, para que o impulso não vire ruína; sem freio, a juventude se atropela na própria sina.

Inserida por I004145959


Não é o diabo que te destrói.
É a tua aliança secreta com ele.
Todo pecado tem um altar dentro do silêncio.
Você diz que ama a Deus, mas negocia com o inferno em suaves prestações.
E quando a cobrança vem, você chama de “provação”.
Não, é só a fatura do que você fingiu que não fez.

⁠"Pai, Laços de Amor e Vida"

Em teus braços, descobri o alicerce
de um mundo que pulsava no compasso do teu peito.
Teu silêncio era reza antiga e prece,
teu olhar — farol aceso sobre o meu leito.

Antes da palavra, ouvi teu coração:
era ele que traduzia o amor sem voz.
Nos teus gestos, aprendi a direção;
nos teus passos, a coragem — e nela, fomos heróis.

Tu és a seiva da raiz primeira,
rocha serena, onde a vida se faz forte.
Tua presença é luz que, inteira,
não se apaga... nem na sombra da morte.

És o semblante do Pai que tudo vê,
dom celeste entre o humano e o divino.
Teu abraço é ponte que me sustém de pé:
é lar, é chão, é caminho cristalino.

Pai, és tempo que o tempo não destrói,
memória viva em cada flor que brota.
No pulsar da alma, és som que não se dói,
és amor bordado na minha rota.

E, se um dia o vento apagar tua voz,
que ecoem em mim teu riso e tua estrada.
Pois onde fores, levo-te dentro de nós:
vida entrelaçada... eternamente entrelaçada.

Inserida por rosangela_montano_1