Texto para um Amor te Esquecer
"O poeta é um fingidor".
Mente tão decentemente
Que parece que não mente
Quando fala de amor.
Os que escutam sua fala
Na vida passam a pensar
Que o que de fato vale
É a ilusão de amar.
Como se possível fosse
Entender falsa razão
Daquele que ama e mente
Que pensa que finge e sente
Que engana o coração
SAMBA PERFEITO
Eu fiz um samba quadrado
Na mesa de um botequim
Só que a mesa era redonda
E o samba ficou ruim.
Um samba sem parceria
Não consegue agradar
É preciso poesia
para o mundo encantar.
Todo mundo quer um samba
Mas a vida é uma dureza
Estão queimando a Amazônia
Destruindo a natureza.
Todo mundo quer sambar
Mas o mundo é uma tristeza
Como pode o poeta inventar
Um samba bom?
Sem a letra do Vinicius
E sem a música do Tom?
Um samba pra ser perfeito
Não escolhe ocasião
Não precisa de instrumentos
Cavaquinho ou violão
Ele vive lá no peito
E se tratado com jeito
Pula pra palma da mão.
Eu fiz um samba quadrado
Na mesa de um botequim
Só que a mesa era redonda
E o samba ficou ruim.
DEPOIS DO ARCO-ÍRIS
Depois do arco-íris
há um horizonte,
infinitamente azul
sobre a imensidão do mar
onde tudo é permitido
para quem sabe sonhar
para quem sabe ouvir o coração
um mundo pleno e colorido
onde todos pintam
com as cores da imaginação.
Depois do arco-íris
não há regra de conduta
desrespeito ou punição
a vida não tem fim
o sol nunca se põe
o amor é livre e belo
o verde e o amarelo
são símbolos de união.
Depois do arco-íris
há vida inteligente
passado e presente
se unem com razão
a mente se ilumina
o verso encontra a rima
no abraço entre irmão.
UM AMIGO
Poetas em erros e acertos
tentam descrever a amizade,
fazem comparações
entre um amigo e outras coisas
com severa vaidade.
Quando a vida nos arrasta
para um vendaval profundo
é normal pensar que tudo é vazio,
sem importância no mundo.
Aí surge um velho amigo,
que nos conhece tão bem
simplesmente diz: estou aqui
estende a mão e nos puxa
daquele poço sem fundo.
Poetas sempre ficarão devendo
a definição perfeita de um amigo
é coisa que vem do alto
palavras serão sempre curtas
ineficazes, falíveis
posto que um amigo
é um irmão, um ser invisível
como um sorriso de criança
mesmo que esteja ausente
pela simples lembrança de que ele existe
pode nos tirar do abismo
e nos acordar com um fio de esperança
Quando um escritor se propõe a escrever um romance, ele pensa: “Vou fazer assim, mas perde totalmente o controle do enredo, quem de fato assume o comando é um narrador onisciente, que abusa da condição de criador de realidades inimagináveis. Uma vez de posse do escopo, estando definido o rumo a ser tomado, personagens escolhidos e nomeados, então já temos uma história, história que será revelada a cada página. O Autor, quando entrega-se completamente à voz que escuta do narrador, não pode mais mensurar as medidas da obra que pensa que escreve.
Evan do Carmo. Autor de 30 livros. entre prosa e poesia..
A mídia é imparcial
eu li ontem no jornal,
porém hoje na TV
ouvi um crítico dizer
que o candidato
é até bonito, mas não é perito
não tem qualificação.
E por ser filho do nordeste
homem rude, cabra da peste
sofrerá oposição,
da elite brasileira
tão distinta e ordeira
que lhe mandou pra prisão.
Mas a emenda foi pior
que o soneto,
e hoje tanto branco como preto
dá perdão, pede socorro
da zona Sul até o morro
não faz mais a distinção
quer um tolo presidente
mesmo que seja um
parente do lendário
Lampião.
O livro é um produto
discretamente impoluto,
subjetivamente curto,
ideias soltas
de um ser inculto.
Semente jogadas
em terra infértil
que se não germina
a culpa é do solo
e não do semeador
como iscas atiradas ao mar
quem recolhe a linha
nunca sabe o que figou
em seu anzol
neste mar de gente
quem escreve
é como um pescador
TRÁGICA COMÉDIA
Numa corda feito um laço
Como rede de arrasto
Atraídos pelo pasto
Pra comer um pão dormido
Pelo verme preterido
Na mesa de um ser nefasto
Como gado na campina
Ora em baixo ora em cima
O povo sempre é ferrado
Recebe a marca da fera
Da pantera insaciável
Mas se tem pão,
Se tem circo
A formar o mesmo ciclo
Em torno do antigo mito
Que outrora já morreu
O povo segue encantado
Sobre a mesa enfeitiçado
Bebe vinho adulterado
Se embriaga e vai pro céu.
Mas se tem pão,
Se tem circo
Ou auxílio estatal
A barriga satisfeita
De esquerda ou de direita
Não importa a desfeita
Deste monstro colossal.
Eu sou poeta e não minto
E neste verso sucinto
Digo de fato quem sou
Sou avesso à ideologia
De qualquer forma ou valia
Sou anônimo cantador
Quero que tudo se exploda
Nesta luta imbecil
Não sou branco
Nem vermelho
Amarelo ou azul anil.
Passa o homem e fica a terra
Onde sempre se enterra
Todo louco varonil
Revolucionários tolos
Nero's incendiários,
Napoleões sedentários
Todos vão para o funil.
Eu sou poeta e descordo
De tudo que ora vejo
Não sou desta vil seara
Tenho sempre outro desejo
Que a paz um dia chegue
Não por obra de doutores
De filósofos pensadores
Ou políticos estrangeiros
Mas a paz é uma utopia
Que o homem insiste em ver
Lá na frente, no horizonte
Lá na serra, atrás do monte
Um arco-íris a crescer.
Como boi atrás do pasto
Numa corda, por um laço
Atraídos ao nefasto
Detentor deste poder.
Eu queria sim de fato
Ensinar para o meu neto
Que sempre vence o afeto
Mas o mundo diz que não.
Sempre vence a vilania
Ou a cruel covardia
E a pureza sadia não cresce no coração.
Morre o homem, morre o pato
Morre até o cão amigo
Esta vida é um perigo
E a paz é uma ilusão.
Morre até homem valente
Morre o soldado e o tenente
Morre até o capitão.
Morrem sem ver o futuro
Que almejamos pelo muro
Desta infeliz geração.
O sistema que criamos
Neste toma-lá-dá-cá
Nesta via de mão dupla
Nunca pode prosperar.
O homem sempre é o rato
Nesta peça de teatro
Sob nova direção
O diretor é o gato
Mas sempre quem paga o pato
É o miserável cão.
Não se muda a natureza das coisas
Dizer para um ser humano que ele não deve falar o que pensa, que não deve desenvolver sua autocrítica ou que ele não deve protestar contra o que lhe oprime, é o mesmo que esperar raciocínio lógico de um animal ou querer transformar a natureza das coisas, e esperar que uma pedra fale, ou que um burro cante, toque um instrumento, coisas desse tipo.
Portanto, lutar contra a natureza do homem é impedir que ele seja de fato um ser pensante e livre. Mas o que querem as ideologias, crenças e costumes? É justamente isso, enquadrar todos os homens em um molde ideal. E são tantas as formas de limitar o pensamento: Por meio de crenças, especialmente os sistemas universais, que têm como base a dicotomia entre bem e mal ─ assim, por força tentam impedir o pensamento livre, fora do padrão estabelecido, por lei ou código moral. Parece-me uma grande tolice insistir nisso, pois não se muda a natureza do homem, assim como não se muda a natureza das pedras, pedras são pedras e homens são homens.
Mesmo que ocorra algum evento coletivo, aparentemente bem- sucedido, e isso é comum, sobretudo nas religiões, onde parece que todos pensam igual, porém a realidade é bem diferente. Há uma minoria que resiste ao cabresto, e mesmo que seja de forma discreta emite suas próprias ideias e impressões de mundo.
Mas, com que objetivo escrevo isso? É especialmente para relatar o que tenho observado por anos. Com as vivências que tive, pude fazer um estudo pessoal sobre pessoas bem próximas de mim, além do fato de que analisando minha conduta neste contexto, posso afirmar que nunca nenhum sistema aos quais me expus foram bem-sucedidos em mudar meu modo de viver, de olhar e entender as coisas. Não abro e nem abrirei mão do que sou, sou livre para pensar, viver e dizer muito do que sei a respeito do homem. Como pensador ou não todos têm direito à fala. Penso que o respeito pelo outro envolve deixar que ele se expresse, que diga o que sente, não importa se concordamos ou não.
PERDEU MANÉ
Perdeu mané, perdeu mané
o mundo dá volta, você sabe como é.
Um dia a gente soube, outro dia a gente cai
e neste carrossel gigante é o povo que se contrai.
O sistema dita o jogo
e a sociedade aceita
aparece um novo mito
que escraviza e se deleita.
Cego que se faz de guia
com um julgo mais pesado
oferece uma esmola
pelo estado consagrado.
Assim as coisas se encaixam
se tiver o que comer
a gente volta a sorrir
a seguir um líder fraco
que nos ensina a mentir.
O mundo me faz piada
e me chama de imbecil
povo tolo que se rende
ao comando varonil
de qualquer tirano tonto
que do abismo surgiu.
Perdeu mané, perdeu mané
é hora de acordar
o jogo que foi proposto
com suas peças a girar
resgatou uma nação
das mãos de um mito morto
agora é hora de rir
de um rei por lei deposto.
FRUTO DE UM ABORTO
A Besta surgiu do abismo.
Não era besta,
Nem era homem.
Mas tinha aspecto
De lobisomem
Saiu do Rio,
Como seu arauto
E para tal função
Foi para o planalto.
Não tinha voz,
E foi rejeitado
No breu ostracismo,
Dedicou-se ao um culto
De mito morto,
Regando a semente
De um neofascismo,
Onde fez crescer
Fruto de um aborto.
A dor persiste, como um abismo de saudade.
Parece até maldade o teu silêncio.
A falta dos teus braços
me sufoca, a falta do teu corpo
me revolta.
O mundo é triste, o tempo insiste em me dizer
que é tudo em vão.
Que o amor ideal
não existe, o que resiste,
e não desiste é a solidão.
Um cão amarrado e com fome
até ladra mais morde
esperneia mas não come
se alguém não lhe soltar
lá de cima veio a ordem
para o homem dominar.
Não é a força que nos faz
superior ao animal
é a luz da inteligência
que ilumina nossa mente
para um estágio imanente
pra escolher o bem o ou mal.
Hoje, enquanto caminhava,
vi as pessoas com um sorriso largo no rosto
Ao contrário de outros dias,
todas desejaram-me um dia bom.
Me perguntei, qual a razão?
De repente me lembrei da questão
universal do bem contra o mal.
É que as 72 horas terminaram-se
e não veio o Armagedom.
Um blues para iranete
Ó baby não se canse
Não pare de escutar
Eu tenho muita história
Que quero lhe contar .
Nasci no fim do mundo
No averso do planeta
A lua não existe
O sol já não esquenta.
Lá não tem mar nem sal
A chuva é escassa
E o fruto colossal
Na mesa é a pimenta.
Então você pergunta
Como fugi pra cá
No entanto não se espante
Com o que eu vou falar
Peguei carona às cegas
No rabo do cometa
Que de cem em cem anos
Sempre passa por lá.
O outro é fazendeiro
Mas não sabe plantar
O seu humor é ímpar
De fato é singular
Difícil é ouvi-lo
E o riso segurar.
É homem organizado
Que não perde o padrão
Pra gente como eu
Mantém a porta aberta
Também seu coração.
O baby não se canse
Não pare de escutar
Eu tenho outra história
Que quero lhe contar
Eu encontrei um homem
Na por da Igreja
Me disse estar com fome
Sem teto uma tristeza
Lhe ofereci comida
De pronto recusou
Falou com arrogância
Na vida eu sou doutor
A vida é bolo amargo
Sem cereja 🍒
Não quero piedade
Prefiro uma cerveja 🍺
O baby não se canse
Não pare de escutar
Eu tenho outra história
Que quero lhe contar
Eu era um anjo torto
Estava quase morto
Quando te conheci
Você me deu guarida
Amor, casa e comida
Curou minha ferida
Me fez até sorrir
Oh Baby não se canse
Não pare de escutar
Eu tenho outra história
Que quero lhe contar...
Agora chega hora
Que devo confessar
O meu amor por ti
É brilho estelar
É um piscar de olhos
De Deus na eternidade
Com reciprocidade
Jamais se apagará.
Tributo para Elvis
Eu pensei
que amar
fosse ilusão
mas me enganei
agora tenho um coração..
Não foi fácil
assumir esta paixão
mesmo querendo
quem dava as cartas
era a razão.
Eu nunca pensei
em amar assim
mas você mostrou
qual será meu fim.
Hoje eu sei
que não vivo sem você
pra que negar
se é com você
que eu quero estar .
Hoje eu sou
dependente
desse vc amor
você me diz
eu sou feliz
eu também sou.
Eu nunca pensei
em amar assim
mas você mostrou
qual será meu fim.
DISTRAÇÃO
Como um vaso raro
A vida eu encaro
E pouco a pouco
Não raro
Perco-me
E distraio-me
Olhando o mundo.
Assim iludo-me
Com a projeção da alegria
Bebo em goles fartos
O vinho da fantasia
Então esqueço-me
Por um segundo
Que nada do que temos é nosso
E que nada posso alterar
Neste mar profundo.
A distração não é perene
Basta olhar em volta
O caos em movimento
Produzindo morte
Revolta e desalento
Impossível suportar o verbo
Cortando o ar
Ceifando a vida
Roubando a sorte
Dos inocentes
Que Esperam sempre o dia seguinte
Pobres ouvintes passivos
Da palavra esperança
De que o amanhã
Trará a realização do sonho
Do homem adulto
E da criança.
A IDADE DA RAZÃO
Aos 58 anos, penso, talvez, que seja a hora de escrever um livro maduro, cheio de experiências reais, experiências que acumulei durante toda minha vida. Contudo, não sei por onde começar. Qual seria o titulo deste livro? Notas do Subsolo, ou um simplório Zé Ninguém?
Um poeta, pois é assim que defino-me, não deve encher o mundo de miséria, nós temos a obrigação moral de incutir nos homens a ideia abismal de que a humanidade tem conserto. Logo concluo que um romance realista seria de pouca ou de nenhuma importância neste momento. A vida anda muito difícil pra muita gente, precisamos de fantasia, de ilusão, mesmo que passageira, a ilusão nos alimenta de esperança, e esta esperança, não raro muito fugaz, pode aliviar a dor emocional das guerras em curso, e, sobretudo do cataclisma que foi o holocausto e a recente pandemia.
O vinho e a poesia ilude, mas cura, se usados na medida certa.
Eu sou um poeta boêmio
E Ipanema é meu refúgio certo
Onde a musa carioca me inspira
E o ritmo Bossa Nova me encanta
Em meio às garotas douradas
Que caminham pela areia fina
Eu vejo a beleza da vida noturna
Lembrando de Tom Jobim e Vinícius de Moraes
Com acordes dissonantes inconscientes
Minhas notas musicais se fundem
Com a brisa do mar e as ondas da saudade
Em uma Bossa Nova de amor e paixão
Ipanema é meu lar, minha morada
Onde a noite se torna minha amada
E a boemia transforma em poesia
Cada respirar desta bela cidade.
Disse-me um amigo , que minha poesia lhe emudecia a razão. Quis saber de onde vinha toda minha inspiração.. Faço poema como quem morre. Com lágrimas e sangue, força estética e ardor.
O que corre em minhas veias.
Escrevo com o coração na mão, os versos fluem como água de um rio, que nunca para de correr.
Não me preocupo com as rimas, nem com as métricas, apenas deixo a alma falar mais alto, como um grito de liberdade.
Cada palavra é um pedaço de mim, uma história que precisa ser contada.
Às vezes é triste, outras vezes é de amor, mas sempre é uma reflexão do mundo que me cerca.
Minha poesia é minha voz, minha luz, minha sombra. É um pedaço do meu ser que jamais se apaga.
E se cala um dia, que seja porque já disse tudo o que tinha pra dizer. Que a poesia continue vivendo, talvez em outras mãos, mas sempre presente em meu coração.
