Texto para um Amor te Esquecer
Esmalte Craquelado
Faiscava mais
Que um colar de strass,
Vinha embriagante
Pruma mente sã.
Vestindo um tubo
Monocromado,
Equilibrando
Em teu scarpan.
Teu esmalte craquelado
É tão vivaz,
Expondo claramente
Aonde estás.
Teu todo abrilhantado
É tão particular,
Expondo claramente
Onde pretende estar.
Vestindo um tubo
Monocromado,
Equilibrando
Em teu scarpan,
Vinha embriagante
Pruma mente sã.
Teu esmalte craquelado
É tão vivaz,
Expondo claramente
Aonde estás.
Teu todo abrilhantado
É tão particular,
Expondo claramente
Onde pretende estar.
Cumulus Omnium
(o acúmulo de todas
as coisas)
Eu sou Mais um Amanhecer,
o Elo Solene,
(Des) rimando.
Sou O último registro da raça humana,
a Áspera Seda.
Sou a Impressão Intensa,
Eu sou CONECTATUM.
A Linha (Tênue)
Rompida,
Piekarzewicz.
Eu sou as Crônicas de um Espelho Meu
E os Fabulosos Contos Perdidos
Do Vale Encontrado.
A Esplêndida Face Magnífica.
Sou o
Delírio Absoluto da Multidão Atônita,
o Pacífico em Brasas
e o
Atlas do Cosmos para Noites Nebulosas.
Sou eu, o Mestre dos Pretextos.
Diário de um
Blazar
A colisão das galáxias,
suprema manifestação
de energia produz,
até então encontrada
no infinito cosmo,
aglomeração rigorosa da luz.
porém, os astrônomos
para o lado errado,
apontaram seus telescópios,
enquanto a verdade definitiva,
se encontrava no próprio
sentido inverso,
essa tal resposta
no espaço profundo,
se mantinha oculta
em nosso sistema interno,
nada é mais poderoso
no universo,
que o inextinguível,
amor materno.
As Duas Faces de um Poema (ou O Poema Torpe Regenerado)
Sou seu pior inimigo,
Seu maior adversário,
Sou o perigo iminente
Espreitando ao teu redor.
Sou tudo que odeia,
Tudo que despreza,
A discordância implacável,
Tua repugnância mor.
Sou aversão e inversão,
Te decepciono, te desprezo,
Interdito teus caminhos
Interferindo no florescer.
Definho e apodreço,
Numa poça degradada,
Sou degradante e degrado-te,
Eu sou Você.
Sou seu melhor aliado,
Seu maior companheiro,
Sou a força pulsante
Estremecendo teu interior.
Sou tudo que ama,
Tudo que acolhe,
A culminância sensível,
Tua fortaleza indolor.
Sou decisão e precisão,
Te impulsiono, te inspiro,
Catapulto teu progresso
Alavancando o alvorecer.
Renovo e rejuvenesço,
Num útero regenerado,
Sou regenerante e regenero-te,
Nós somos você.
(Michel F.M. - Pairar Incansável da Fênix Sublime) ©
Microconto de um Tardígrado
agora, de repente,
numa missão verborrágica,
eles te querem eficiente.
eficiente,
como o sistema
não foi com você,
como o governo
nunca foi com você.
eficiente,
como a empresa
não foi com você,
como a esperança
jamais será com você.
eficiente, eficiente...
insignificante e indestrutível.
mas em minha micro
condição, sou paciente.
entre o hecatombe
e as doses de radiação,
desafio a ciência.
aguardava por isso,
organismo insistente,
te ofereço retribuição,
ao invés de eficiência.
(Michel F.M. - Pairar Incansável da Fênix Sublime) ©
Nocaute para Canhoto
todo bom poema,
consistente e digno,
é um punho vívido
do apanhador vivido.
dança pelos flancos,
avança no meio,
o segredo é suportar,
socos sucessivos.
cruzado, jab, direto,
vem como um golpe triplo,
murro na têmpora, estômago,
boca, do sistema opressivo,
deixe que o topo se empolgue,
jogue pra eles o favoritismo.
desfecho dos filmes,
nós nascemos nas bordas,
de clinch em clinch,
cambaleamos firmes,
conhecemos a lona,
nós amamos as cordas.
embrenhados na lama,
emergimos do lodo,
desorientá-los primeiro,
para enfim, desdentá-los todos.
Michel F.M. - Pairar Incansável da Fênix Sublime ©
Primeiros Batimentos
de um Corpo sem Vida
a fábula do sonâmbulo
desperto, pode significar
o que você quiser.
mas há uma questão,
que nunca é relativa:
existem sempre
duas versões
da história.
a primeira
é aquela que
o opressor conta
e a segunda
é a que ele oculta.
10/10/23
Desandando a Massa e Vivendo nos Intervalos
fazer o mínimo é um exagero
demasiado. nossa meta
é não fazer sequer o mínimo.
todavia, nos propomos
atrapalhar a todos,
sempre que possível.
dedique-se ao incômodo,
semeie o desconforto,
seja picante e caótico.
produza nada,
contribua com ninguém,
seja um maldito colaborador.
concorde com o regresso,
colabore com a desordem,
semeie apatia e impotência.
viemos para empurrá-los do pedestal,
jogá-los ladeira abaixo,
rasgar tuas vestes caras,
furar teus pneus importados,
perder todo o seu lucro,
esgotar teus rendimentos.
derrubar tuas fronteiras,
queimar tuas bandeiras,
apagar seus slogans.
desprezamos tuas corporações,
odiamos alegremente tuas marcas,
martelaremos forte tuas máscaras.
socamos o desempenho
bem no meio da cara,
almejamos o prejuízo,
investimos para a falência.
por fim, namastêfoda-se
a esta pesada filhadaputagem.
somos a infecção generalizada
em sua bolha perfeita,
pomposa e purulenta, vazando.
que a fantástica fábrica de ilusões
exploda e seus pedaços decorem
o céu estrelado.
que toda certeza se torne um talvez
e que a noite nasça iluminada,
uma última vez, neste sonho desintegrado.
(Michel F.M. - Ensaio sobre a Distração [Trilogia] 13/10/23)
Vibrante Estupidez Corpulenta
de um Recipiente Vazio
duas semanas
após as eleições,
ele havia abandonado
completamente
sua pátria amada.
aquele outrora
grande patriota viril,
traído por seus
indecentes líderes,
encontrava-se agora
impotente.
não que não fosse
outrora.
nunca mais
cantaria o hino
de tua nação
desolada,
do qual não se lembrava
das palavras
e nem sequer
algum dia as compreendera.
(Michel F.M. - Ensaio sobre a Distração - 25/10/23)
As Aventuras da Chapeuzinho Crescida ou O Depoimento de um Lobo Domesticado
dos pés à cabeça
quis desejá-la,
da cabeça aos pés
quis absorvê-la.
dos pés à cabeça
quis saboreá-la,
da cabeça aos pés
assim, eu quis tê-la;
entretê-la.
ela me converteu
dos pés à cabeça,
da cabeça aos pés
ela me dominou.
a fera enjaulada
estava abatida,
deixou-se abater,
na fúria incontida.
um conto de fadas
sem nenhum paralelo,
a saliva molhada
num beijo sincero.
foi o filme mais lindo
que jamais filmaram,
o desenho mais vívido
guardado no peito.
foi o sonho mais belo
que nunca sonharam,
o Morango mais doce,
em seu mais doce efeito.
(Michel F.M. - Trilogia Ensaio sobre a Distração - 29/10/23)
Outro Evento de Extinção
Neste Pequenino Orbe Azul
você implodiu a minha vida
de um jeito diferente,
e se eu tivesse
uma máquina do tempo,
faria tudo do mesmo jeito,
exatamente.
porque apesar de toda vida,
nalgum momento chegar ao fim,
nesta pequenez valiosa,
até mesmo as tuas moléculas
brilharam para mim.
e assim sobrevivemos
ao inverno nuclear,
afinal, os corpos celestes
queimam tudo ao seu redor,
antes de acabar.
(Michel F.M. - Trilogia Ensaio sobre a Distração - 31/10/23)
Um Cataclisma de Cada Vez
a vida adulta
é um gigante tão cruel,
mas há beleza
mesmo nesta batalha terrível.
me conte em detalhes,
as utopias que tem colecionado.
relate a mim, os devaneios
tantos que armazenaste.
coloridas quimeras
e fabulação,
a fantasmagoria
das fantásticas ficções
fantasiosas.
pois sou desprovido
de imaginação,
um reles sonhador
desmemoriado,
que em sua jornada
desesperada pelos sonhos,
ainda não aprendeu a sonhar.
(Michel F.M. - Trilogia Ensaio sobre a Distração - 05/11/23)
[De um biscoito da sorte
encontrado na sarjeta]
se foram
quase todos os tipos.
você já tentou
com o tipo namorado.
já tentou com o tipo marido.
com aqueles
que juraram fidelidade
e comprometimento.
e chegamos até aqui.
mas, há algo inédito.
que tal, tentar com o poeta.
sem compromissos
ou arrependimentos.
ele vai te amar
apaixonadamente,
como nenhum outro
jamais poderia.
mas sem vínculos
convencionais.
sem alianças ou papéis,
sem contratos ou convidados.
sem promessas.
só o poeta, você
e toda a poesia
que puder suportar.
(Michel F.M. - Trilogia Ensaio sobre a Distração - 05/11/23)
[O Marco Zero de um Ponto Morto]
enfim,
compreendeste
tudo.
este é o glorioso destino
da humanidade,
um bando de desgraçados
solitários,
fazendo barulho
coletivamente
pra se distrair,
incomodando a todos,
enquanto sofrem
em silêncio,
desejando o amor
que nunca tiveram.
(Michel F.M. - Trilogia Ensaio sobre a Distração - 16/11/23)
[Enquanto houvesse algo
que nunca fosse inventado]
sou um escritor
extremamente
preguiçoso.
não quero saber
nada sobre literatura,
não me interessam
os autores,
não quero saber
nada sobre poesia.
nunca termino
um livro,
nunca penso
sobre escrever,
exceto,
quando estou escrevendo.
quando escrevo,
sou a pessoa
mais determinada
que já conheci
e já conheci
muita gente determinada.
quando escrevo,
me torno a sinergia gritante,
ecoando incessante,
a concentração das forças
que convergem,
divergem e dissipam.
me torno
a manifestação avassaladora,
da poderosa máquina
neurobiológica.
a sensualidade manifesta,
materializada sinapticamente,
no acasalamento dos neurônios.
18/11/23
[Mesmo os retrocessos
servem para avançar]
jamais tive
um raciocínio rápido,
satisfatoriamente
acelerado e dinâmico.
só avanço lentamente,
me apoiando nas pausas.
cada vírgula,
me sustenta com louvor.
e mesmo os retrocessos
servem para avançar.
pontos fixos
e flutuantes,
independente
de sua origem,
são minha ancoragem.
me auxiliam na tarefa
pesarosa e excessivamente
desgastante,
de prosseguir,
neste relance inesperado
da compreensão.
22/11/23
[Inflamada Labareda Solar ou A Verdade Inoxidável de um Mundo Corrosivo]
levanta-te e anda,
pois tua exploração
não se dará sozinha.
houve um momento
bem específico,
em que eu até gostava
do meu trabalho.
mas ter que trabalhar
72 horas por semana,
durante anos a fio
para sobreviver,
modifica perspectivas.
de forma lastimável,
para pura
e simplesmente
continuar existindo.
torturando-se
voluntariamente
e voluntariando-se
à tortura,
ou sendo obrigado
a isso, de tal maneira
manipulativa, que passa
a crer que a escolha é tua,
que foi sua opção,
rastejar como um verme
nojento.
enquanto os
verdadeiros parasitas
repulsivos-purulentos
vazam e abusam das cifras,
se lambuzando em cifrões.
jogam com as vidas alheias,
extraindo a dignidade dos seres,
desfilando em tapetes macios,
alimentam o moedor de carne.
se encontram
sempre num cio necrófilo,
movidos a pílulas azuis,
vestem gravatas
pomposas e dirigem
a maquinaria
da morte.
mas nada faz diferença,
ou apenas nos fizeram
pensar que nada
nunca faz ?!
receber o mínimo
e pagar o máximo pra existir,
entretanto, nem existimos de fato,
em nossa nano-sub-existência.
dívidas criadas por uma
conjuntura que
sadicamente te endivida,
para mantê-lo
aprisionado a ela,
num fluxo ininterrupto
de sucção.
a degeneração
da pessoa humana
em cliente.
e a composição
da clientela doente,
de um mundo diagnosticado
clinicamente em sua psicopatia.
sim, alguns de nós
estão cientes,
ainda conscientes.
consumidores
sendo consumidos,
pelos mesmos produtos
que eles consomem.
num ciclo inquebrantável
de uma autoimolação,
destituída de propósito.
até o teu desfalecimento
completo, para que rostos
sem fisionomia se beneficiem
do teu sacrifício inútil.
fazem com que repensemos
alguns valores, que em
nenhum momento foram nossos.
isso faz com que qualquer um,
desgoste de qualquer coisa.
23/11/23
Hoje é um dia especial. Hoje é o dia de fazer um par de anos. Muitos parabéns serão dados e recebidos. Não tantos quanto tudo que se viveu até agora. Fazer aniversário é especial, um marco, uma memória, uma alegria cheia de significados.
Meu desejo é que estejas feliz, que sejas feliz, que conquiste tudo que sonhou. Sei bem que tu mereces tudo e muito mais.
Parabéns!
Com carinho
Para começar o dia um café!
Café se toma novo como novo todo dia é. Não importa se hoje esta em um lugar diferente ou corriqueiro, se encontrará pessoas novas ou as de sempre, se o amor é o mesmo ou apenas possibilidade. O aroma pode parecer o mesmo, mas a experiência de cada momento é unica. Depende de você mover-se no mesmo lugar ou mover-se de lugar!
#behappy
A noite chega e como um filtro de sentimentos muda os planos, as retas e os ângulos.
A ansiedade some, desaparece na curva do olhar e se perde de vista.
A vista, de horizonte se muda, leva suas tralhas a vislumbrar outras serras. Observa trilhas cortadas como veias nas encostas, nos vales e nos cânions.
Ali percebe desenhos a se formar, alguns explicados e outros incompreensíveis além da própria percepção.
Na noite que tudo escurecia a lua insistia em alumiar, sombrear e dar outros contornos aos planos, retas e ângulos.
Sentado na pedra, o coração devagar, deixava a energia entrar, a energia trazida no ar com seus cheiros e perfumes daquele lugar.
A mente vazia apenas percebia que aquele arrepiar, a cada lufada e inspirar, adentrava e lavava, levava as pedras e trazia alma, abria o sorriso sem nada explicar.
Ali percebeu-se único, indivíduo, partícula, parte de tudo que o ar alimentava e alimentava o ar.
