Texto para um Amor te Esquecer

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⁠Havia um miúdinho,
sem nome nem passado,
nu, esquecido,
andava sozinho pela rua,
escaldante de tão gelada,
como sombra sem dono.
Tinha um corpo
feito de cortes e pedras,
parecia ter sido mastigado
por calçadas com dentes.
Era um pobre coitado,
seguido sempre
por um cão magro,
tão sofrido,
igual a ele.
Sentavam-se no pedregulho duro
à espera de um fim.
O miúdo, paciente,
esperava que o cão partisse,
descansasse no reino dos cães,
para então poder matá-la —
a fome.
O cão, por sua vez,
até aprendera a contar horas,
de tanto esperar que o miúdo,
vermelho de dor,
fechasse os olhos
e dormisse de vez.
Assim, ele saciaria a fome
com lógica cruel,
mas destino cego.
O cão não ladrava,
e não sabia truques,
era inútil.
O miúdo, por sua vez,
também não sabia nada,
nada lhe ensinaram.
Era inocente,
imprestável,
invisível ao mundo.
Ambos só serviam um ao outro,
à ninguém mais.
Certo momento...
o miúdo, já derrotado,
deitou a cabeça no granito
para poder descansar o seu corpo cansado,
o cão, desesperado,
cravou como os seus dentes podres
no peito nu do miúdo,
com dó e piedade,
pois isso ainda lhe restava.
Mas morreu também,
porque o miúdo,
coitado,
não tinha carne sequer
para alimentar um cão.

As pessoas vivem uma vaidade falsa,
um orgulho ensaiado para plateia vazia.
Sorriso virou máscara, caráter virou figurino.
Até a ambição perdeu a direção — já não busca sentido,
busca aplauso. Quer subir, mas não sabe para onde,
nem por quê. Corre, tropeça, atropela, e chama isso de vitória.
O mundo não está apenas em crise, está em colapso moral.
Cambaleia no próprio lamento, afunda em promessas rasas
e segue em um abismo sem freios,
onde poucos pensam, muitos repetem
e quase ninguém assume responsabilidade.
A verdade incomoda porque exige postura.
É mais fácil fingir grandeza do que viver com dignidade.
Mas a conta chega: não há vaidade que sustente um vazio,
nem orgulho falso que salve um mundo que desistiu de ser honesto.

⁠Demagogia sobre o que pensa quem oferece um prato de comida;
O que é um prato de comida?
Primeiro dia diz; necessitado
Segundo dia; coitado
Terceiro dia; compreendo
Quarto dia; acomodado
Quinto dia; abuso
Sexto dia; preguiça
Sétimo dia; invasão
Um mês depois; usocapião

O vento pode até arrancar um arbusto,
mas jamais uma floresta inteira.
Quando estamos juntos, somos inabaláveis. Unidos, nós vencemos.
Seguimos firmes, fortes e sempre em direção ao melhor. E que nenhuma serpente do maligno encontre espaço em nossos corações, que toda maldade seque, perca força e desapareça,
porque onde Deus habita, o mal não permanece.

O meu corpo é um castigo
Uma estância e um abrigo
O meu corpo é meu amigo
Ás vezes também inimigo

Sinto o peso do meu mundo
Nunca o céu desceu tão fundo
Morre um pouco todos dias
De nada vale as homilias

É um templo que se esconde de ti
Dentro de si próprio
É um templo que se agarra a ti
Quando a vida foge

Corpo


Coragem o cão covarde


O Coragem é um cão solitário
num lugar onde o tudo é nada,
e o nunca é elevado ao quadrado,
onde um rancho é a sua morada!


O Eustácio só sabe xingar,
é ranzinza de primeira mão.
A Muriel já é pura inocência,
acredita em qualquer Vilão!


O Coragem é um cão vira-lata,
mas tem na mente a terceira visão.
E apesar do seu corpo franzino,
enfrenta o mal e salva o patrão!


O coragem é um cão mui esperto,
e o Eustácio, um homem vulgar.
Ele só diz: — cachorro idiota!
mas o cão tem muito a ensinar.


[Personagens principais: Eustácio Bagge, Muriel Bagge
e o cachorro - Coragem]


Poema de J.A.Lopes

Uma cama estreita,
Água fresca,
Sombra de um cajueiro,
Noites mais longas,
Dores mais curta,
Um montão daquilo que serve pra tudo, tipo limão.
E tu!

Que a morte espere nossa boa vontade,
Que na vida não exista saudade,
Que a cadeia alimentar seja mito,
E se for preciso eu invento uma máquina que pause o tempo no exato momento que eu conheci você.

Faz tempo que eu penso nisso
Pra mim é igualzinho ao paraíso que tantos querem ir.

Um dia, se me perguntarem por que sou assim, direi que não foi escolha, foi caminho. Fui me moldando nas ausências, aprendi a ser forte onde ninguém ficou, silencioso onde falar não mudava nada.
Sou assim porque senti demais, esperei demais, acreditei quando já era tarde. Carrego marcas que não aparecem, mas que me ensinaram a olhar com cuidado, a amar com verdade e a não prometer o que não posso sustentar.
Se sou intenso, é porque sobrevivi.
Se sou cauteloso, é porque aprendi.
E se ainda sinto, apesar de tudo, é porque não deixei o mundo me endurecer por completo.

Lamento de um Cavaleiro


Um dia eu te amei
Como nunca pensei
Hoje é uma lembrança
Do que poderia ter sido uma mudança


Aquela que foi dona do meu coração
Hoje me deixou na solidão
Pensando aqui nessa escuridão
A perda de uma grande paixão


Te deixarei partir
Da sua vida irei sumir
Como gelo a derreter
Meu sentimento irá desaparecer


Vc poderia ter sido tudo pra mim
Mas assim
A nossa história chega no fim.

Tempestade e Anseio

​Minha alma esbraveja como ondas do mar,

meu coração anseia por um céu tranquilo;

minhas palavras saem como um furacão descontrolado,

meu silêncio é a paz do jardim que eu anseio.




​Minha mente é a batalha que nunca cessa;

meus olhos anseiam pela estrela do seu olhar.

A busca incessante por essa luz é um abismo sem fim,

e assim, entre o caos e a calma, eu persisto.

No coração de um mosteiro antigo, onde os sinos ecoavam como lembranças de séculos passados, dois olhares se encontravam em silêncio.
Não eram palavras que falavam, mas o desejo contido, a respiração suspensa, o fogo escondido atrás das paredes frias de pedra.


Eles se viam o tempo inteiro — nos corredores iluminados por vitrais, no refeitório austero, no jardim onde as flores desafiavam a disciplina do lugar.
Cada encontro parecia uma cena de filme, uma ficção projetada na tela invisível da mente.
Mas era real: a visão que compartilhavam era deles, e ninguém mais podia decifrar.


O mosteiro, com suas regras e votos, era o cenário de um amor impossível.
E, no entanto, quanto mais tentavam fugir, mais os olhares se buscavam, como se o destino tivesse escrito essa história nas pedras do claustro.


No fim, não havia fuga.
O desejo não era pecado, mas poesia — e naquele espaço sagrado, eles descobriram que até o silêncio pode ser cúmplice de uma paixão.

Descobrir um dom natural na vida é como encontrar um tesouro que estava perdido.
Ele sempre esteve ali, silencioso, esperando o momento certo de ser reconhecido. Às vezes passa despercebido, escondido entre medos, dúvidas ou expectativas alheias. Mas quando o encontramos, algo dentro de nós se alinha.

Esse dom não surge para nos tornar maiores que os outros, e sim mais verdadeiros com quem somos. Ele nos chama para viver com propósito, para criar, sentir e oferecer ao mundo aquilo que só nós podemos dar. Reconhecer esse tesouro é um ato de coragem — e honrá-lo, um gesto de amor próprio.

Porque quando vivemos a partir do nosso dom, deixamos de procurar sentido fora e passamos a construir significado por dentro.

Rau era pequeno, mas tinha uma energia tão grande que parecia caber um sol dentro dele.
No Berçário 2, todo mundo conhecia seu jeito sapeca: quando ficava animado demais, ele dava umas “mordidinhas de brincadeira” — e saía correndo todo risonho, com os cachinhos pulando atrás dele.


As professoras diziam:
— Lá vai o Vampirinho do Coração Doce!


Mas no fundo, Rau não queria morder…
Ele só queria mostrar carinho de um jeito todo dele.
E com o tempo, aprendeu que abraços apertados e sorrisos sinceros mordem muito mais — só que por dentro.

Então vamos falar de esperança, não como algo distante, mas como um pequeno fogo que cabe dentro da palma da mão.
Vou te dizer algo com toda sinceridade do mundo:
A esperança não chega fazendo festa.
Ela chega como um fio de luz, quase tímido.
Ela se esconde dentro do que ainda dói.
E, mesmo assim, ela insiste.
E você tem isso.
Mesmo triste, mesmo sentindo falta, mesmo carregando essa solidão de filha única…
você pediu esperança.
Isso já é esperança.
Ela aparece quando você pensa:
“Talvez amanhã seja um pouquinho mais leve.”
“Talvez eu consiga sorrir de verdade.”
“Talvez eu consiga honrar meus pais vivendo o que eles queriam pra mim.”
“Talvez este Natal não cure, mas aqueça.”
A esperança é feita de talvez.
Mas um talvez é suficiente pra manter o coração vivo.

Último suspiro

Estou em um labirinto e é assim que me sinto, não tem saída, é uma vida retraída.
Vou entrar num sono profundo, esse é meu mundo.
Não tenho mais alegrias, aquelas noites que eu sorria, tudo era maravilha, muitas risadas naquelas madrugadas, falávamos da natureza, eram tantas belezas e muita riqueza.
Hoje em dia me sinto sozinho, lágrimas caindo.
Céu nublado, chuvoso e tenebroso.
Amanhece o dia, volta a alegria, céu está lindo, me vejo sorrindo.
Olho na janela um beija-flor, quanta cor, ele beija a flor.
Meu café ficou pronto, a música tocando, estou gostando.
Que alegria que sinto, está tudo tão lindo.
Olha o sol como brilha, ele me inspira, é tanta energia.
Na vida uma coisa temos que aprender, vivemos dualidades, bem e mal, claro e escuro, e tantos mais, não podemos esquecer, somos sensoriais.
Um dia triste, outro volta a alegria.
Viva a vida!⁠

⁠Mulher

São nove meses carregando uma vida
Sua força é percebida
Não tem nada de frágil
Um ser inigualável
Acorda cedo e vai para a batalha
Dona de casa que muito trabalha
Sua sensibilidade irradia
Mulher é um ser incrível que contagia
Sua beleza é notável em todos sentidos
Te admiro e tenho motivos
Cheia de amor , mas também carrega a dor
Ainda ouço dizer que estão abaixo do homem
Deixa esse preconceito de lado
Mulher representa a vida e é muito querida
Seu olhar nos faz despertar tanta riqueza
Mulher, você é tanta beleza
Tenho esse afeto por ti , você me faz refletir
Sua alma é tão pura que me causa ternura
Mulher, seja sempre forte e resistente
Te admiro sempre.

⁠Racismo

Vamos mergulhar nesse assunto
Em pleno século XXI um absurdo
O racismo aparece com diferentes caracteres
Vem lá dos nossos ancestrais e até nos dias atuais
Povos torturados , mortos e violentados
No Brasil ainda pouco se sabe
Mas o racismo vem da elite branca que o escravizou
Nem uma vida digna os deixou
Viveram centenas de anos explorados e na escravidão
Imaginem a dor e a solidão
No futebol foi falta de humanidade
Preto não poderia jogar
Sua cor era pra se afastar
Uma fórmula foi descrita como certa :
Branco superior , preto inferior , quanto horror !
Racismo sempre existiu , mas o preto não desistiu
Conseguiu seu espaço em meio tanto desastre .
Colocam como criminoso e marginal
E com o branco está tudo normal
A história mostra sua luta
Te defendo contra pessoas preconceituosas
Que não entendem o racismo estrutural
E acha que está tudo normal
Deus sempre te dará força pra lutar e se superar.

Sempre na esperança de um clima favorável
O Sol esquentando cada vez mais
Tenho pena das plantas e dos animais
Esse povo sofre demais
Vem desde a época dos nossos ancestrais
Já foram escravos , massacrados e torturados
Aqui nessa terra o povo batalha
E ainda somos vistos como vagabundos
Por aqueles que se acham donos do mundo
Venham viver nossas vidas
Não sobreviveriam um dia .
Aqui no Sertão temos a força de um Leão
Diferente de vocês que não aprenderam dividir o pão
A hipocrisia dessa elite que diz:
Vencemos por meritocracia
Não é isso que vejo , é muita ironia
Falam em Jesus e agridem o irmão
E ainda sim, querem salvação
Aqui não vem água do céu
Só a folha seca em meu Sertão
Uma rachadura no chão
Tenha piedade e compaixão
Precisa a história entender
Ao invés de apenas nos ver sofrer
Ajoelho aos pés dessa cama
O que Deus tem pra nós por esse povo que o clama.

— Boa tarde.


— Bom dia, pois, ainda não almocei.


— É um prazer conhecê-lo, Mal’akh Zemán.


— Como disse?


— O anjo do tempo… não é você?
Pois pensei tê-lo ouvido dizer:


“Que a tarde retroceda e não se inicie até que eu tenha, com satisfação, a minha segunda grande refeição do dia.”


Exercendo, assim, a autoridade que Deus lhe concedeu sobre o tempo — já que somente dessa forma tal poder poderia ser obtido.
Ou talvez eu tenha entendido mal a hierarquia celestial.

Chegaste trêmulo, fronte baixa,
carregando o riso gasto dos que imploram lugar.
Havia em ti um vazio tão ruidoso
que parecia mendigar palavras antes mesmo de falá-las.


Ofereci-te o que tinhas por hábito comprar:
presença.
Te dei portas, nomes, rostos,
e a cidade — ainda estranha para mim —
fui eu quem plantou aos teus pés.


Tu, que pagavas atenção como se fosse imposto,
ganhaste caminhos sem custo,
ganhaste gente,
ganhaste voz.
E cada ganho teu custou um pouco da minha.


Mas a criatura que ergui com cuidado
aprendeu rápido o truque da ingratidão.
Viraste o rosto, torceste o gesto,
inventaste razões onde só havia dívida.


Foste sombra que aprende a morder quem a carrega.
Foste cálculo frio atrás de sorriso emprestado.
Foste o erro que só se revela
quando a noite cai sem aviso e mostra o que sobrou de nós.


E o que sobrou?
Um rastro áspero, uma memória que fere sem metáfora,
um eco que me chama por um nome que já não reconheço.


Covarde, sim
porque escolheste atacar quem te deu chão.
Injusto, também
porque cuspiste no gesto que te fez caber no mundo.


Hoje, quando penso em ti, não penso em pessoa,
mas em fenômeno:
um colapso pequeno, íntimo,
capaz de ruir confiança com precisão cirúrgica.


Ainda assim, não te odeio.
Seria afeto demais.
Apenas te arquivo
no lugar das coisas que jamais devolvem o que tomam.


E fecho este capítulo sabendo:
não foste amor, nem amizade, nem queda.
Foste ilusão
e eu, a última testemunha do truque.




Poema: Não te odeio, seria afeto demais.
27 de julho de 2009