Ricardo Dias dos Santos
A música…a música…a música…a música…aquela “esfera quadrada” que sobe e desce entre o Homem e os Céus
O meu corpo é um castigo
Uma estância e um abrigo
O meu corpo é meu amigo
Ás vezes também inimigo
Sinto o peso do meu mundo
Nunca o céu desceu tão fundo
Morre um pouco todos dias
De nada vale as homilias
É um templo que se esconde de ti
Dentro de si próprio
É um templo que se agarra a ti
Quando a vida foge
Corpo
Lágrimas,
São o reflexo do teu rosto, fruto do mês de Agosto e de aquilo que há-de vir
Lágrimas,
São as lembranças do teu jeito, aperto e dor bem junto ao peito e o que sobra de mim
Lágrimas,
São a canção que se perdeu e tudo aquilo que era meu, perdeu-se a noite e o luar
Lágrimas,
Sigo o meu rumo mar adentro, contigo no pensamento, não penses que amar tem fim
Não esperes por mim
A dor não tem fim
Não esperes por mim
A vida é assim
Parto rumo ao sentimento
Acompanhada de mim própria
Deixo a tristeza á beira mar
Enquanto grito de revolta
Nesta embarcação que me leva
Até ao fim do horizonte
Em busca de conforto e um momento
Sentir que estou bem longe de ti
“Amor/Traição”
E depois..vem o Amor
E com o Amor..a Desgraça
Amor,
Traição
Perdão?
Nunca
A desgraça de perder a Liberdade
Deixar de ser Eu, nesta busca
(Perder-me em ti, em troca de nada
Ou em troca de algo que eu nunca fui)
Amor,
Traição
Perdão?
Nunca
E agora..vem a Solidão
E com a Solidão..a Esperança
Foram sementes que nenhuma flor brotou
Mesmo que regadas com as minhas lágrimas
Deixaste as marcas em quem um dia sonhou
Desencantado Amor que nunca em ti morou
Parei e perguntei ao vento se havia mais alguém a caminho. No entanto, o vento continuou a assobiar.
A Queda
O sucesso abrupto, escalado ao passo de Hermes ou Mercúrio, devolve ao indivíduo uma falsa sensação de poder e controle.
Essa fugaz emancipação corrompe a lei da evolução estruturada, e por sua vez solidamente sustentada.
Nesta fase de ilusório esplendor, o indivíduo afasta-se do seu próprio reflexo em busca de uma visão globalmente estonteante.
Qual Icarus num rasgado voo em ascensão ao Sol, embalado nesta emoção claustrofobica que lhe asfixia a Razão.
A queda será a sua eterna recompensa.
