Texto para o Namorado Se Ligar

Cerca de 2221 texto para o Namorado Se Ligar

Série II- Pensar o nosso tempo
Texto VIII – Poder

O poder teme mais o pensamento do que a rebelião. Apesar de rebeliões iniciarem através de pensamentos.

O facto é que a rebelião pode ser reprimida; o pensamento, não.

Por isso, a crítica é congelada, a Filosofia qualquerizada e a palavra reduzida a ruído. Um povo que pensa torna-se difícil de governar pela mentira.

Pensar é um ato solidário, mesmo quando silencioso.

Pensar o Nosso Tempo


Texto VII – Educação


A educação não falha por falta de programas.
Falha quando esquece o humano.


Ensina-se para o exame, para o número, para a estatística. Raramente para a consciência. Quando a escola exime-se de formar o pensamento crítico, passa a produzir obediência acefálica.


Educar é mais do que instruir: é formar sujeitos.

Exercícios de Pensar


Texto I: Pensar


Pensar, hoje, é um ato raro. Por isso, poucas almas se dispõem a levá-lo avante.
Não porque a inteligência tenha desaparecido, mas porque a pressa domina muitos.


Pensar exige repouso, e o repouso é visto como luxo. Exige dúvida, e a dúvida incomoda quem vive sob cuidados intensivos de certezas prontas demais. Por isso, pensar tornou-se uma resistência silenciosa.


Como todos os textos, este não pretende convencer ninguém. Quer apenas lembrar que, o pensamento à deriva, a vida transforma-se em repetição.




#ExercíciosDePensar

Exercícios De Pensar


Texto II – Ensinar


Ensinar não é entulhar respostas.
É atiçar inquietações duráveis.


O ensino que preze ser bom não molda repetidores de conteúdos, mas sujeitos capazes de perguntar quando todos se calam por medo de serem silenciados.


Por isso, ensinar Filosofia nunca foi neutro: ou desperta consciências, ou é reduzido a formalidade vazia.


Ensinar é uma aventura. Mas é também um compromisso com o futuro.

Exercícios de Pensar


Texto III – Escrever


Escrevo porque o silêncio, às vezes, mente. E porque há verdades que só existem quando encontram palavras.


A minha escrita não resolve o mundo, mas impede que ele se torne completamente opaco.


Cada texto é uma tentativa imperfeita de dar testemunho ao tempo, antes que ele se perca. Escrevo para não apodrecer por dentro.


E, se possível, para partilhar essa podridão consigo, que me lê.

Exercícios de Pensar


Texto IV – Filosofia


A Filosofia não serve para decorar conceitos, mas para desinstalar o que parece óbvio.


Ela começa quando desconfiamos do que parece natural e perguntamos quem ganha com o silêncio, com a exclusão, com a ignorância.


Por isso, a Filosofia é sempre um incómodo: começa quando não aceitamos que o mundo é como é porque tinha que ser assim mesmo.


Filosofar serve para contrariar.


— Ramos António Amine

Exercícios de Pensar


Texto V – Esperança


A esperança não é ingenuidade.
É uma escolha ética.


Esperar, neste sentido, é continuar a pensar, ensinar e escrever mesmo quando o cenário é adverso. É acreditar que a palavra ainda pode formar consciências e que o pensamento ainda pode humanizar.


A esperança, quando pensa, torna-se resistência.


— Ramos António Amine
Professor

SÉRIE II

Pensar o Nosso Tempo

Texto VI – O Tempo

O nosso tempo não é neutro.
Ele educa, molda e condiciona.

Vivemos num tempo que valoriza a pressa e duvida da profundidade. Tudo deve ser líquido, inclusive o pensamento. Mas o humano não amadurece à pressa.

Pensar o tempo é recusar ser apenas seu avalanche.

Falar é fácil. Ser, nem todo mundo aguenta.


Hoje em dia, todo mundo tem um texto pronto na ponta da língua. Promessas bonitas, discursos ensaiados, frases de efeito. Mas na hora de mostrar com atitude, cadê? Sumiu.


Não me impressiono com palavras. Já vi muita gente falar de lealdade e agir com falsidade. Gente que prega respeito, mas vive julgando. Que diz “tamo junto”, mas torce contra. Quer minha distância? É simples: seja hipócrita. Porque pra mim, falar sem viver é só barulho vazio.


Atitudee é o que separa quem é de verdade de quem só representa, E eu escolho estar perto de quem vive o que diz e não de quem só sabe escrever bonito.


By Evans Araújo ✍️

ALMA QUE ESCREVE

Ser como eu...
precisar da emoção
para escrever ou o texto
sai estéril e vazio.

Se jogar nas palavras,
como se precisasse de ar.

Sentir e deixar...
a dor te atravessar.

O conhecimento das letras
usados apenas pela necessidade
de esboçar sua emoção,
sentimentos, intensidade e dor.
Tons de desespero
descritos em frases.

Todos somos solitários,
só não percebemos o quanto
isto nos afeta
e transformam loucos
em poetas.

Andréa

Muitos aplicam exegese
e hermenêutica rigorosas enquanto
o texto não confronta estruturas, poder ou finanças.
Quando o assunto envolve dinheiro,
o método muda.
O texto deixa de ser interpretado
e passa a ser utilizado.
O resultado não é ensino bíblico,
mas uma homilética moldada por interesses.

A Chave e o Abismo
Na teia das palavras, um livro se ergue,
Sagrado texto onde a alma converge.
Mas quando a mente tateia, a visão se turva,
A interpretação falha, a intenção se curva.
Se o entendimento erra, por má-fé ou pressa,
Um grande risco à frágil fé atravessa.
Vidas de esperança, em terreno incerto,
Veem seu porto seguro virar deserto.
A verdade é um farol, não é uma chama breve,
E a leitura do texto, que a alma eleve,
Jamais poderá ser um capricho pessoal,
Para que o seu valor real resplandeça, afinal.
Que a Bíblia, fonte clara, em si se explique e mostre,
Onde o sentido é puro, e não onde o eu se prostre.
Pois na verdade una, a essência se revela,
Luz que a todos guia, fiel e singela.


⁠ass Roseli schionato Ribeiro

Não excluam suas responsabilidades como pais
Texto de JaneFernandaNogueira

Falaram, numa postagem que li, que a origem da violência é decorrente do ensino ideológico nas escolas e que isso vem de anos, não me lembro de ter tido sequer uma aula sobre como agredir, matar alguém ou como entrar em uma escola e fazer uma chacina.
Ps: Sempre fui aluna de escola pública.
A violência é intrínseca do ser humano, faz parte dele desde os tempos primórdios. O homem é um animal domesticável, ou seja, cabe à família dar a base, estruturar essa nova mente para que se torne um animal sociável e equilibrado. Porém, muitas famílias apenas mimam seus filhos, dando à eles apenas bens materiais (celular, ps1,2,3,4..., xbox... carro do ano, crédito ilimitado...) como se apenas isso bastasse, sem dizer que, quando o filho comete erros, esses pais os defendem ao invés de criticar e tirar suas regalias.
Muitos pais simplesmente não tem paciência para cuidar, tratam com total descaso, agressões de todos os tipos ou abandonam a responsabilidade de educar, deixando as crianças crescerem de qualquer jeito, sem uma estrutura psicológica e emocional fortalecidos. Na primeira crise existencial, por volta dos 12, 14 anos, essas crianças desenvolverão distúrbios psicóticos, por não ter tido nenhum apoio da família.
Isso não tem nada a ver com ensino ideológico, mas com a falta de capacidade e responsabilidade dos pais que negligenciaram seus próprios filhos.
Sem mais!
#JaneFernandaN

Texto: Voz ao fundo
Autor: Levy Cosmo Silva


Tenho que sair disso tudo
De tudo o que é negativo
Ainda que pareça absurdo
Cuidado com seus ditos amigos.


Clamo a pedir sabedoria
Para encarar qualquer dilema
Sempre a desafiar nosso dia
Nos livrando do mau esquema


O que me lembra o sistema?
Injustiça, corrupção, violência
Todos sabem a raiz do problema
E se acomodam com a indecência


Repare no hospital e vai ver
O mesmo está nas escolas
Toda estrutura a perecer
A culpa é dos pedintes de esmolas?


A sociedade alimenta o mal
Em busca de maior lucro
Pensando ser isso normal
Assim vão acabando o mundo


Nada de se conformar
Resista de servir a elite
Temos o poder de fiscalizar
Lutemos contra o mal que persiste.


(Levy Cosmo Silva)

PRÉVIA DA CRÔNICA "CONSERVAR O QUÊ?"
O que você vai descobrir neste texto:🪞 Um espelho da nossa mente. O texto vai além da política partidária. Ele mexe com a nossa psicologia individual. O público verá o "conservador" como aquela parte de nós que tem medo do novo, que se apega a velhos hábitos, mágoas passadas e certezas antigas apenas por medo de mudar e se reinventar.🏛️ Uma crítica à rigidez social. Na esfera pública, o público entenderá o texto como um manifesto contra o apego cego a tradições que sufocam a liberdade. O autor usa a história para provar que a sociedade só avança quando deixa para trás preconceitos que antes eram vistos como "verdades eternas".🍃 O valor da evolução. A mensagem central que o público levará é que a vida é movimento. Valores não são fósseis para serem guardados em museus, mas organismos vivos que precisam evoluir para continuar servindo à dignidade humana.


CONSERVAR O QUÊ?


Há gente que acorda todos os dias com um museu dentro da cabeça. Passa cera nas relíquias, limpa a poeira das certezas herdadas e chama isso de virtude. Confunde idade com sabedoria e tradição com verdade, como se o tempo fosse um cartório capaz de autenticar qualquer absurdo.
A vida, porém, nunca assinou esse contrato.
O mundo muda sem pedir licença. Mudam as cidades, as palavras, os amores, a ciência, a fome, as revoltas e até Deus muda de rosto conforme a necessidade dos homens. Só o conservador insiste em conversar com fantasmas, convencido de que existe um passado perfeito esperando para ser ressuscitado.
Não existe.
O passado era apenas um presente cheio de problemas que alguém romantizou depois de morto.
Há uma estranha melancolia em quem vive olhando pelo retrovisor. Enquanto outros tropeçam, erram, reinventam-se e seguem adiante, ele vigia comportamentos, fiscaliza desejos e sonha em transformar a existência num quartel onde cada um saiba exatamente o seu lugar. A liberdade dos outros lhe parece um insulto pessoal.
Talvez porque a liberdade sempre seja ofensiva para quem precisa de grades para se sentir seguro.
É curioso. Chamam isso de conservar valores. Mas valores nunca foram fósseis. São organismos vivos. Nascem, amadurecem, adoecem e, quando deixam de servir à dignidade humana, morrem. Foi assim com a escravidão, com a submissão das mulheres, com a perseguição religiosa e com tantas outras "verdades eternas" que hoje envergonham a história.
O conservador não teme apenas a mudança.
Teme descobrir que passou a vida inteira defendendo ruínas.
E talvez seja esse o verdadeiro peso que carrega: não o de proteger o mundo, mas o de sustentar um edifício que já caiu, fingindo que ainda há gente morando lá dentro.

Sgto. Rosa,

O texto que compartilho com o senhora traz uma breve reflexão sobre a nossa constante busca pela felicidade. Penso que não exista uma fórmula exata para alcançá-la. Vivemos em um processo contínuo de procura: buscamos paz espiritual, equilíbrio mental, sentido para a existência e serenidade para enfrentar os desafios da vida.Essa busca nos mantém atentos, vivendo o delicado equilíbrio entre as escolhas que fazemos e as consequências que delas surgem. O livre-arbítrio, embora seja uma das maiores expressões da nossa liberdade, também representa uma grande responsabilidade, pois cada decisão molda o caminho que percorremos.Talvez a felicidade não seja um estado permanente de euforia, mas uma harmonia entre a consciência, o corpo e o mundo ao nosso redor. Contemplar o belo nos aproxima dessa harmonia, enquanto a liberdade de escolher nos permite trilhar caminhos que favoreçam uma vida mais plena. Ainda assim, por sermos humanos, experimentamos a felicidade em instantes, e é justamente essa alternância que torna esses momentos tão valiosos.Desde o instante em que rompemos o cordão umbilical, iniciamos a mais longa de todas as jornadas: a busca por nossa própria essência. Cortar as amarras da dependência é o primeiro ato de coragem; os demais surgem sempre que escolhemos seguir adiante, mesmo sem enxergar todo o caminho.
Trocar o certo pelo duvidoso nunca é fácil. Toda decisão transformadora nos convida a deixar para trás antigas certezas e a abraçar o desconhecido. É justamente nesse encontro com o novo que a vida revela horizontes antes invisíveis.Quem ousa romper com o óbvio descobre que o destino não pertence aos conformados, mas àqueles que têm coragem de recomeçar. Cada ruptura carrega a semente de um novo florescer, e cada passo dado com consciência nos aproxima da pessoa que somos chamados a ser.E eu lhe deixo uma pergunta, Sgto. Rosa: o que o senhora precisa para ser verdadeiramente feliz? Talvez a resposta não esteja em um destino final, mas na maneira como escolhe viver cada etapa da caminhada.
Que sua jornada espiritual seja iluminada pela paz, fortalecida pela fé e conduzida pela sabedoria. Que, a cada amanhecer, seu coração encontre serenidade para seguir em frente e esperança para acreditar que os mais belos horizontes sempre aguardam aqueles que não deixam de caminhar.

Que Deus o abençoe, hoje e sempre.

21/07/2026.
Ass: Gilson.

Sou a-pai-x-na-da por este texto de Shakespeare:

"Você diz que ama a chuva, mas você abre seu guarda-chuva quando chove.
Você diz que ama o sol, mas você procura um ponto de sombra quando o sol brilha.
Você diz que ama o vento, mas você fecha as janelas quando o vento sopra.]
É por isso que eu tenho medo. Você também diz que me ama".

Hoje pensei que ele casa muito bem com: "A palavra convence, mas o exemplo arrasta. Não se preocupe porque seus filhos não te escutam, mas te observam todo o dia” da Madre Teresa de Calcuta...

Então não venha dizer que me ama... estou de olho mesmo é nas suas atitudes

só me apaixonar de novo quando esse texto fizer sentido

Às vezes eu fico tentando lembrar do momento exato em que você deixou de ser alguém que eu conhecia para se tornar o lugar onde meus pensamentos descansavam.

E eu nunca encontro.

Talvez porque essas coisas nunca aconteçam de uma vez.

Ninguém se apaixona num instante.

A gente vai se acostumando com a presença do outro sem perceber.

Primeiro sente falta de uma conversa.

Depois de uma risada específica.

Depois de um “chegou em casa?” no fim da noite.

Quando percebe, a ausência daquela pessoa já faz mais barulho do que a presença de qualquer outra.

O mais bonito é que você nunca tentou ser extraordinária.

Você nunca precisou.

Nunca precisou dizer as palavras certas.

Nem inventar versões melhores de si.

Eu gostava justamente das pequenas distrações.

Do jeito que você esquecia o que estava contando porque outra ideia aparecia no meio da frase.

Do jeito que seu riso chegava um pouco antes da piada terminar.

Do jeito que você olhava para o céu sempre que precisava pensar.

Você nunca percebeu, mas eram essas coisas que me faziam acreditar que o mundo ainda sabia criar alguém pela primeira vez.

Eu passei tanto tempo procurando pessoas que me impressionassem, que esqueci como era encontrar alguém que simplesmente me deixasse em paz.

Você nunca ocupou espaço demais.

Você preenchia os espaços que já existiam.

Como a luz entrando pela janela sem pedir licença.

Como uma música baixa tocando em outro cômodo da casa.

Você não mudava quem eu era.

Só fazia parecer que eu sempre estive caminhando na direção certa, mesmo quando tinha certeza de que estava perdido.

Às vezes isso ainda me assusta.

Porque existem encontros que parecem improváveis demais.

Penso em todas as decisões pequenas que precisaram acontecer para que nós existíssemos ao mesmo tempo, no mesmo lugar, olhando um para o outro.

Se eu tivesse acordado dez minutos mais tarde.

Se você tivesse escolhido outra rua.

Se qualquer conversa da sua vida tivesse durado um pouco mais.

Talvez nós nunca soubéssemos que o outro existia.

E, mesmo assim, de alguma forma, existimos.

É estranho sentir gratidão por algo que ninguém planejou.

Você apareceu sem fazer promessas.

Sem dizer que ficaria para sempre.

E talvez tenha sido exatamente isso que tornou tudo tão bonito.

Porque nunca foi sobre vencer o tempo.

Foi sobre existir dentro dele.

Sobre dividir cafés que esfriavam porque a conversa era mais importante.

Sobre caminhar sem destino porque nenhum lugar parecia melhor do que andar ao seu lado.

Sobre descobrir que algumas pessoas não chegam para transformar nossa vida em um filme.

Elas chegam para transformar uma terça-feira qualquer na lembrança mais bonita que você vai carregar por anos.

No fim, acho que o amor nunca foi encontrar alguém perfeito.

Foi encontrar alguém que faz o acaso parecer delicado.

Alguém que olha para você de um jeito tão simples que, por alguns segundos, todas as dúvidas que o mundo construiu deixam de fazer sentido.

E então você percebe que passou a vida inteira procurando grandes sinais.

Quando, na verdade, o maior deles estava escondido na tranquilidade de poder olhar para alguém e pensar, sem precisar dizer em voz alta:

Como foi que, entre bilhões de pessoas, a vida resolveu me apresentar justamente você?

Spurgeon sobre Rm 9.22-23:


“Nosso texto é extraído de Romanos 9:22-23. (...) Esta passagem não diz coisa alguma sobre Deus destinar homens à destruição. Os homens se preparam a si mesmos para a destruição. Deus nada tem a ver com isso".
C. H. Spurgeon - Sermões sobre salvação (Jacó e Esaú, editora PES. 2014, p. 104.)

Quando o Texto Me Lê

Eu pensei que escrevia
para dizer ao mundo.
Mas escrevo
para escutar
o que ainda não sei.

A palavra sai achando
que sabe o caminho,
desfila segura,
convencida.

Até que eu volto.
Leio.
E o texto me olha de volta.

Ler o que escrevi
é chegar atrasado
a mim mesmo.
Um espelho sem rosto,
só gesto,
só intenção escancarada.

O medo se esconde
em frases longas,
cheias de vírgulas,
com medo do fim.

A coragem aparece
sem alarde,
num verbo simples
que não pede desculpa.

Enquanto escrevo,
defendo ideias.
Quando leio,
negocio com elas.

Descubro palavras
que não eram minhas
apenas passaram.
E verdades pequenas
que se sentaram
e ficaram.

O texto pergunta,
com ironia mansa:
Era isso mesmo?

Às vezes dói reler.
A genialidade de ontem
vira eco vazio hoje.
Outras vezes assusta:
fui eu
que escrevi isso?

Sim.
Fui eu.
Naquele dia.
Com aquele peso.
Com aquela lucidez possível.

O texto não mente:
ele registra o movimento.

Escrever não acaba
no ponto final.
Começa
quando o autor
vira leitor.

Ali,
o texto também escreve.
Aponta.
Ensina.
Cutuca.

Não grita.
Mas fica.

Quem não relê
perde metade da aula.
Porque escrever é falar.
E reler
é escutar.

E quase sempre
é na escuta
que a gente aprende.

No fim,
eu queria ensinar alguém.
Mas o papel, paciente,
me mostrou:

o aluno
era eu.