Texto Literario sobre Jovens
Vejo o vazio das pessoas vazias
Conversam sobre outras pessoas, nunca sobre elas mesmas
São conversas rasas, recheadas de esquecimento
Esquecidos de quem são
Vivem sobrevivendo
Sem olhar para dentro
A inveja é minha vizinha
Ela olha e pensa:
“Eu queria ser você, mas eu não sou”.
Mal sabe as dores que carrego e já suportei
Porém, a paz que habita em mim transcende o ego da matéria
O brilho incomoda quem está no escuro
Quem está no escuro, mal se enxerga
Vê a beleza do outro com aspecto negativo
Esquece-se de lapidar a si mesmo.
"Nem todo sorriso nasce da alegria,
alguns são muralhas erguidas sobre a dor.
Há batalhas silenciosas travadas no peito
que o mundo nunca aprende a ouvir.
A vida não entrega fardos por engano —
cada peso carrega a medida exata da força
que habita quem o sustenta.
Nada é maior do que quem se levanta.
A mente é território sagrado:
quem a domina, reescreve o próprio destino.
O futuro não acontece —
ele é escolhido, passo a passo, decisão a decisão.
Vi nos teus olhos o aço da coragem,
a calma de quem já caiu e ainda assim permanece de pé.
Uma mulher forte não pede permissão ao mundo,
ela avança, mesmo quando duvidam.
Siga em frente.
Não espere aplausos de mentes pequenas.
Os tolos rejeitam o brilho que não conseguem alcançar,
mas os fortes reconhecem os fortes —
e foi isso que me fez parar e te enxergar."
Eu era criança
quando via imagens
quando escutava fatos
sobre o nazismo...
e perplexa
me perguntava
que ser humano
seria capaz
de apoiar tamanha
monstruosidade...
Cresci
e o tempo respondeu
sem piedade
mostrando-me
os rostos
as vozes
as mãos
que repetem
a mesma crueldade
com novos nomes
com velhas violências
com a mesma frieza
disfarçada de discurso...
E assim compreendi
que os monstros
não ficaram no passado
eles caminham entre nós...
✍©️ @MiriamDaCosta
* Sobre a Honestidade Intelectual *
A honestidade intelectual
é uma condição necessária
ou uma necessidade condicionada?!...
Talvez seja as duas...
Porque há quem nasça
com o ímpeto de ser lúcido,
e há quem só ouse sê-lo
quando o ambiente permite,
ou quando o peso da própria mentira
se torna insuportável...
Ser intelectualmente honesto
é caminhar descalço
sobre o chão áspero da verdade...
É resistir à tentação das certezas confortáveis
e à sedução da máscara que agrada...
É desnudar o pensamento,
deixando o orgulho em ruínas,
para encarar o espelho sem adornos,
onde só o que é verdadeiro permanece de pé...
E por que é tão difícil?!
Porque a honestidade intelectual
exige coragem ,
a coragem de contrariar o próprio ego,
de rever o que se acreditava inabalável,
de não se curvar ao aplauso
nem ao consenso...
Poucos suportam
o silêncio que ela impõe,
e menos ainda,
o isolamento que ela provoca...
Mas os que a praticam,
ainda que sangrem por dentro,
sabem que é melhor doer na verdade
do que viver anestesiado na mentira...
✍©️@MiriamDaCosta
É Natal!
Evito falar sobre essa data e o seu real significado (ou seja, a comemoração do nascimento de Jesus Cristo).
E, mais ainda, evito ficar repetindo para todos: "Feliz Natal!".
Vejo tanta hipocrisia e falsidade nesse ritual linguístico de fim de ano.
Sim… é Natal.
E o que eu penso e escrevo a respeito
traz uma lucidez que dói em mim e pode ferir os outros, como quase tudo o que é cruamente honesto, e que costuma golpear algumas pessoas.
O “Feliz Natal” virou um mantra automático,
esvaziado de real presença e de sentimento,
repetido por bocas que não se dispõem
ao mínimo gesto natalino de verdade:
sentimento, empatia, escuta, coerência e humanidade.
Celebra-se uma data que deveria simbolizar
a ruptura com a lógica da violência,
do acúmulo e da exclusão, mas…pratica-se exatamente o oposto, embrulhado em luzes, comilanças, consumo e frases prontas.
E há algo muito coerente no meu evitar esse ritual, quando ele se torna falso.
O meu silêncio, nesse caso, é mais ético que a saudação mecânica.
Jesus, se tomado verdadeiramente a sério,
seria profundamente incômodo hoje.
Ele não caberia nos shoppings lotados,
nos discursos moralistas, nem nas felicitações ( na maioria das vezes) vazias enviadas por obrigação familiar e social
Meu incômodo com essa data não é rejeição ao sagrado. É, ao contrário, respeito.
Respeito por não banalizar o que deveria ser vivido com sentimento e reflexão, e não repetido automaticamente.
Talvez o meu Natal seja esse:
não o da frase dita, mas o da consciência
que se recusa a fingir.
E esse fato, mesmo sem “Feliz Natal”,
é profundamente verdadeiro.
Quantas “Marias” (mulheres solteiras, grávidas
e destinadas à fuga) ainda existem?
Quantos “Jesus” ainda nascem em situações precárias por causa do preconceito e da desumanidade?
Quantos “Josés”, no mundo de hoje,
acolhem uma “Maria” (solteira e grávida) e reconhecem o bebê como um pai?
São tantas as perguntas…
mas prefiro terminar por aqui.
Saúde e serenidade a todos.
Fiquem em paz 🕊
Sejam paz 🕊
✍©️@MiriamDaCosta
Pedra e Cume — Capricórnio
És montanha que não teme o inverno,
Passo firme sobre pedras incertas.
Tens nos olhos o horizonte distante,
E nos ombros, a paciência do tempo.
Teu trabalho é ponte que não cede,
Tua ambição, fogo sob o gelo.
Sabes construir com mãos seguras,
E transformar sonho em obra concreta.
Mas… oh, Capricórnio, o peso da meta
Às vezes te rouba o sol da jornada.
Tua seriedade ergue muralhas,
E teu silêncio, desertos à volta.
A prudência que te protege
Também pode te prender no mesmo chão.
E teu apego à ordem
Por vezes engessa o voo.
És rocha que sustenta e protege,
Mas também penhasco que assusta.
Virtude e defeito se esculpem em ti,
Na ascensão sem fim de ser Capricórnio.
*Vaidade. Um breve comentário.*
Muito se fala sobre a vaidade. Acusamos, reconhecemos, mantemos e, ao final, não trabalhamos o seu real significado e a transformação que essa palavra pode promover em nós. Costumamos usá-la de forma pejorativa, então vejamos o seu conceito.
A palavra vaidade tem origem no latim "vanitas", que deriva de "vanus" e significa: vazio, oco ou sem substância. Assim, o valor da vaidade é um retumbante nada.
Se de tudo podemos tirar uma lição, do nada filosófico, verificamos correntes de pensamento que acreditam que nada existe; a exemplo: o niilismo metafísico, o solipsismo e o ceticismo pirrônico.
Através desses estudos, podemos confrontar a existência, seja no plano das coisas concretas, no niilismo metafísico; seja na existência somente da mente, no solipsismo; ou na dúvida constante acerca da realidade, no ceticismo pirrônico.
Ora! Mas esse nada existencial filosófico não possui relação com a vaidade, à qual gostamos de nos referir. Pois a associação da palavra vaidade, que hoje nutrimos, está intrinsecamente ligada ao narciso que nos cerca. Então vejamos.
Comecemos com um resumo contido nos livros sagrados.
Na Bíblia, Eclesiastes: "Vaidade das vaidades, tudo é vaidade". Aqui, ela expressa a futilidade e a ilusão das coisas terrenas, sendo um aviso sobre a efemeridade da vida e a busca por valores vãos.
No Alcorão (Islamismo): A palavra "vaidade" está associada ao orgulho e à arrogância, que são suas manifestações. Alerta para que a submissão a Deus e a retidão moral sejam maiores do que a valorização excessiva dos bens materiais ou do status social.
No Hinduísmo: A vaidade está ligada ao conceito de ego e ao apego às ilusões do mundo material. A busca por glória pessoal e posses é considerada uma distração do verdadeiro objetivo da vida, que é alcançar a libertação do ciclo de reencarnações e realizar a unidade com o Absoluto.
No Budismo: A vaidade e o orgulho são vistas como manifestações do apego ao "eu" ilusório e uma das principais causas do sofrimento. O budismo ensina a reconhecer a transitoriedade das coisas, bem como a impermanência das coisas materiais e até da própria identidade.
Em síntese, podemos dizer que a palavra vaidade, pelos apontamentos dos livros sagrados, traz sinônimos como: futilidade, ilusão, orgulho, arrogância, ego e apego.
Se os livros sagrados apontam essas características em nós para serem trabalhadas, é porque esses traços estão contidos em nossa essência. E a vaidade não é algo que podemos combater com tanta facilidade, pois, se ela está associada ao ego, à ilusão, ao orgulho, ao apego e às coisas fúteis, que estão enraizadas em nós, então... como combatê-la?
Ora, se eu troco um telefone por um melhor, isso é vaidade, pois dificilmente será por necessidade. Se uma mulher ou um homem se vestem bem, isso é vaidade, pois estão se vestindo para os outros. Se eu cuido do corpo buscando uma estética superior, isso é vaidade, pois nunca é apenas pela saúde. Enfim, tudo é vaidade.
Se esse “nada” é capaz de nos destruir tanto, imagine se tivesse substância!
Agora, a vaidade que podemos combater com certa facilidade é a vaidade que enxergamos nos outros. Costumamos apontar pessoas como vaidosas e colocamos sinais de reprovação. Mas só conseguimos enxergar aquilo que também possuímos. Portanto, toda vez que atribuírem a alguém o título de vaidoso ou disserem que há vaidades, lembrem-se e reflitam sobre o próprio estágio de desenvolvimento, pois ao apontar um dedo, três voltam para nós.
Como dizia Friedrich Nietzsche: *“A vaidade dos outros só vai contra o nosso gosto quando vai contra a nossa vaidade.”*
Graça e Paz.
Reflitam para uma vida melhor.
Massako 🐢
Sobre o crescimento e o tempo...
O tempo realmente é um agente esclarecedor. Julgamos saber de tudo, mas não ousamos viver no presente. Buscar o que há de melhor na vida nos aterroriza, porque no fundo sabemos que precisamos ser a pessoa que faz com que o melhor seja concretizado.
Porém, nem todos estão dispostos a ser essa pessoa, pois em cada um há um abismo que precisa ser vencido para que sejamos libertos.
E essa talvez seja a resposta pra encontrar a luz. No fim, o crescimento precisa dar sentido a dor.
Quando permitimos sentir o incomodo (ou mesmo a dor)da mudança, podemos ter a chance de ver algo extraordinário acontecer: o nosso crescimento.
Estava refletindo sobre a frase “cuide do seu jardim que as borboletas vêm”, e isso é, de certa forma, real. Quando você faz o seu trabalho bem feito, não para ser validado pelo seu chefe, mas para você mesmo perceber que fez e fez bem, você se supera.
Há satisfação em estar verdadeiramente entregue ao que faz, em entregar algo bem-feito, com mais do que o esperado e com vontade. Além de se sentir bem, isso é percebido.
Agora, tente fazer tudo apenas para cumprir prazo, só por obrigação, “correndo atrás das borboletas”. Não funciona. A frustração é constante.
Quando você sabe que fez e fez bem, não precisa de ninguém para dizer isso, porque tem a capacidade de se analisar de forma ativa.
Poema sobre a morte
A morte é um mistério profundo,
um enigma sem solução.
Ela vem sem aviso prévio,
sem convite ou permissão.
A morte é como uma sombra,
que nos segue por toda a vida.
Ela nos leva para o desconhecido,
sem deixar pistas ou saídas.
E quando a morte chega,
ela leva tudo o que temos.
Deixando apenas lembranças,
e um vazio que não podemos preencher.
Mas talvez a morte não seja o fim,
apenas uma transformação.
Uma passagem para outro lugar,
um renascimento para a eternidade.
Então, não tenha medo da morte,
ela é apenas uma parte da vida.
Abrace-a com coragem e dignidade,
e viva cada momento com intensidade.
O acaso
Caneta, papel, café e uma vela acesa sobre a mesa,
depois da explosão sobraram alguns estilhaços, pedaços de você estão espalhados entre as linhas,
a uma voz que já não ouso ouvir, não por medo mas por saber os efeitos colaterais da colisão causada,
os desejos não podem sufocar as esperanças, não podem ser mais fortes do que a sabedoria encontrada no silêncio,
atravessar um iceberg com a tocha acesa não foi um feito, foi uma versão do meu futuro encarando a realidade sem desistir,
e caso aconteça o acaso de eu encontrar um novo amor por um acaso, estarei vibrante na mesma órbita de enfrentamento dos olhares e sentimentos.
Destino implacável
Na busca de um norte, passos foram dados sobre o gelo e sem piedade o destino foi implacável,
Laços que se rompem, olhares perdidos na neblina, dias esquecidos nos juramentos em vão,
O uivo do lobo solitário é ouvido e a distancia a presa sente na alma o frio da sua derrota,
Vencer as quedas, a ausência e a crueldade das palavras deixadas sangrou os gritos do desespero, no entanto foi o suficiente para aquecer o abrigo forjado no silêncio,
No retorno, a jornada pela sobrevivência matou versões antigas, superou marcas e limites e apresentou na ponta da lança o reembolso do tempo.
Amar é compartilhar as certezas da vida com as devidas felicidades;
Amar é gentileza sobre-humana que transparece a pureza da alma;
Amar é respeito à flor da pele que desabrocha o pecado aceitável;
Amar é sensibilidade e importância que o próprio limite possa dar ao próximo;
Amar é admiração a vida no qual engrandece o coração alheio;
Sobre todas as coisas que retém os sentimentos há verdades que desatam o coração com realismo e sinceridade entre carinhos;
O amor transpõe qual quer revolução que esteja submergido além do que possa entender;
Mas entretanto pode-se captar a importância que direciona ao jubilo da felicidade;
Para reconhecer que se sabe amar com infinidade sem dúvidas consequente;
Vivem te avaliando geralmente:não é sobre você, é sobre o que você carrega!
Não suportam ver alguém permanecer firme mesmo ferido.
Não entendem a tua entrega a Deus, então tentam te reduzir.
Julgam porque não conseguem discernir.
Isso aconteceu com Jesus: “E espiavam-no, se o curaria no sábado, para o acusarem” (Marcos 3:2). Viu? Eles também ficaram vigiando Jesus, esperando um erro. Se fizeram isso com o Filho de Deus, imagina com você? Essa guerra não é natural, é espiritual.
Guarde seu coração.
Erros
Pensando sobre a minha atual situação
Eu sei exatamente aonde eu errei
Se eu tivesse te deixado no mesmo ano, que começamos a nos envolver
A minha vida hoje, seria completamente diferente
Eu teria tudo que sempre sonhei, desde criança
Não sei se seria feliz, como quando estive com você
Mas, analisando toda a situação, amar você, estar com você por 10 anos
Não valeram tanto a pena, pelo quanto eu sofri ao te perder
Amar você, foi como respirar, como se a minha vida tivesse um sentido, um motivo pra viver
E perder você foi brutal, foi devastador
Não sei se algum dia serei completa novamente
Porquê quando me deixou, uma parte de mim morreu
Uma parte de mim, deixou de existir
Por muito tempo, não soube quem eu sou
E recomeçar sem você, ainda é um desafio
Mesmo depois de tantos anos, ainda não descobri o porquê
Por que não fui o suficiente pra você
Por que teve que me deixar
Por que o quê tínhamos não era bom o bastante pra você
Eu não fiz o suficiente no nosso relacionamento?!
O que você queria de mim?
Esse sentimento de não ser boa o bastante pra ninguém, me persegue até hoje
Parece que depois de você, ninguém tem um interesse genuíno em se envolver comigo
Todos querem só o raso, nunca se envolver profundamente comigo
E não sei, se sou eu que escolho as pessoas erradas
Ou eu sou a pessoa errada, foi culpa minha?
Ser abandonada, ser deixada para trás
18 de dezembro de 2025
A Flor que Brotou na Rocha
No fundo do poço, onde a luz não chegava,
caminhei sobre espinhos, meu passo vacilava;
a dor era meu companheiro, o medo a sombra fiel,
cada respiração lenta, cada sonho quase teiel.
As paredes erguiam-se altas, sem jeito de transpor,
o coração batia fraco, mas não deixou de pulsar;
resisti aos ventos fortes, à chuva que não parava,
guardei em meu peito pequeno, uma chama que não apagava.
Havia dias de desespero, onde tudo parecia fim,
mas a voz dentro de mim dizia: "não deixes de lutar, irmã".
E aos poucos fui erguendo, passo a passo, com força nova,
rompendo as correntes antigas, que me prendiam na solidão viva.
Hoje vejo o sol brilhante, sinto a terra sob os pés,
a flor que eu cultivei no peito, finalmente despontou e floresceu.
Passei pela tempestade, superei o que parecia impossível de vencer,
pois na minha própria força, encontrei o caminho para me libertar.
Asas do Mesmo Pássaro
Esquerda e direita: asas do mesmo pássaro voraz, que voa alto sobre o rebanho adormecido. Elas batem em uníssono, fingindo oposição, enquanto o bico ceifa as liberdades que prometem defender. Os acéfalos, massa de manobra cega, agitam bandeiras opostas como se batalhassem por destinos distintos, mas servem ao mesmo voo predatório, manipulados por narrativas que os mantêm no chão, pisoteando uns aos outros em nome de ídolos vazios. Enquanto isso, desperta quem vê a gaiola: o multilateralismo, essa teia de tratados e cúpulas que escraviza nações soberanas a elites invisíveis. Esses visionários, que ousam questionar o consenso globalizado, são tachados de antidemocráticos, marginais, conspiracionistas. Silenciados por algoritmos, censurados em púlpitos digitais, exilados do debate público. O pássaro, incomodado, bica
os que ameaçam revelar suas penas sujas de ouro e poder. Mas o voo cessa quando as asas se rebelam contra o corpo e o rebanho, enfim, ergue os olhos para o céu.
"Beba o café enquanto ele está quente.
Reflita sobre a sabedoria da água que não discute, desvia-se dos obstáculos.
Fale com calma,
saboreando cada palavra.
Abrace-se.
Ame -se.
Cuide-se.
Aprenda que ninguém fará nada por você se você não fizer primeiro."
Haredita Angel
31.10.25
A visão e a indignação seletivas dizem muito menos sobre o mundo
e muito mais sobre quem olha para ele.
Pensar isso é reconhecer que, muitas vezes,
a indignação não nasce da injustiça em si,
mas da conveniência.
Indigna-se quando dói no próprio território,
silencia-se quando o dano beneficia, protege ou confirma crenças.
A visão seletiva é uma forma sofisticada
de cegueira:
olha, mas não vê;
vê, mas escolhe esquecer.
E o que dizer?
Que a indignação seletiva não é ética,
é estratégia.
Não é consciência,
é cálculo moral.
Não é empatia,
é espelho.
Ela grita contra certos absurdos
enquanto cochicha cumplicidades
diante de outros.
Aponta o dedo com uma mão
e tapa os próprios olhos com a outra.
Talvez a frase mais honesta seja esta:
Quem escolhe quando se indignar
já escolheu de que lado não está.
✍©️@MiriamDaCosta
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