Texto eu Amo meu Namorado
À COR DA MINHA PELE...!
A cor da minha pele é negra seu moço
Mas nem por isso sou bandido
Nem tão pouco suspeito do que ei de me acusar
A cor da minha pele é negra seu moço
O meu cabelo é naturalmente crespo
E não ruim como foi acusado no conceito do preconceito
A cor da minha pele é negra seu moço
Mas em uma escola um dia fui estudar
Onde lá aprendi a ler, a escrever, e a minha cidadania exercitar
A cor da minha pele é negra seu moço
A minha religião por crença e fé é o candomblé
Nem por isso Deus deixou de ser criador e Jesus o meu salvador
A cor da minha pele é negra seu moço
Misturada com a cor do meu sangue
Sangue vermelho da mesma cor que a cor do sangue do senhor
A cor da minha pele é negra seu moço
Mas quando o dia da morte pra nós dois chegar
A minha cor e a do senhor pra terra de nada vai importar.
Manollo Ferreira
Caatinga
~ Conjuntura Ambiental ~
A Mata Branca…
À sombra da mais rubra flor amarela em brilho
Emana-se em vida ao proferir da época
Porquanto se quiseras verde estiveras cinza
De quando se fizeras cinza estiveras verde
Por consequente for do tempo estar
Revelando-se em essência o colorir em traço
À bruta pedra a se brotar em seiva
Implodindo em cores a ascender ao tom
Entoada na macambira, no umbuzeiro, no mulungu,
Na umburana, na catingueira, na faveleira, no umburuçu, na flor roseira do mandacaru,
Na carreira ligeira da cobra corredeira, do tatu, do teiú, do calango, do preá, do caititu, no voo rasante da coruja buraqueira, do carcará do nambu…
Do bem-te-vi,
Quem bem te quis te ver por lá…
Na caatinga a se pronunciar…
Bem-te-vi feliz por estar
Emoldurada num cenário de riqueza, força, vivacidade e beleza…!
Meio Ambiente
~ Ofegante Por Viver ~
Raios de sol... Lua a cintilar...
No frio... Ao calor...
A fauna
A flora
Respira!
Biodiversidade
O vento... No ar...
A terra em água... Riachos... Rios... Ao mar
Animais
Vegetais
Micro
Macro
Ser vivo
Respira!
Ecossistema em existência
Num sopro do tempo inspira
A andar
A nadar
A voar
A rastejar
A vegetar
Na natureza em perseverança do não pra vida expirar
Num mundo por esperança a fecundar
A gerar
A criar
A plantar
A preservar
O meio ambiente
A respirar...
À Vida No Morrer... Na Morte Do Viver...!
A vida se sorve em moles goles
A se deixar vivente no teu ventre a se estender
Alimentando-se de se, a se fazer na sede do nascer... Renascer
Na imensidão do instante, não mais tão constante
No tudo de tudo que se tem no que tem a se conceder
À vida no morrer que se tem na morte do viver
~ Brincando De Ser Criança ~
Brincando de sorrir,
De correr, de pular, de voar
Brincando de aprender
De fazer fazendo, de criar
Brincando de imaginar,
De desenhar a vida
De colorir o mundo
De se pintar
Brincando de faz de conta
Brincando de se contar
De viajar, de interpretar, de inventar.
Brincando de ser criança
Na brincadeira do brincar...
Um Enterro, E Um Defunto Que Nada Tem Para Se Lembrar...!
!... Um defunto bem arrumado, um caixão bem modelado, flores belas e perfumadas, velas em castiçais a flamejar... Chororô, um aperto de mão, um abraço de consolação... Consternação...!
... De boca em boca, surgem versões de como o defunto morreu... Foi assim... Foi assado... Foi de morte morrida... Foi de morte matada...
_ Era gente boa !
_ Era boa gente, mas...
... No agora descomedido vão da sala de estar, repousa o defunto, alheio a tudo e a todos: Aos pesares, aos choros, as preces, ao valor e modelo das vestes e do caixão, ao perfume e a beleza das flores em sua coloração, à luz e ao calor das velas em meio ao corpo falecido na escuridão... Forma-se um aglomerado, gente que entra, gente que sai, gente que junta, muita gente, sussurrando, chorando, rezando, ‘curiando’...
... O velório estende-se pela noite... Café, chá... Cachaça...!
Uma fogueira surge em apelação a uma reunião para quem da noite vai velar... Um gole de cachaça aqui, outro acolá, alguém conta uma piada... Risos... Mais alguns goles aqui, outros goles acolá, mais algumas piadas a se contar... Gargalhadas !... E um defunto sozinho, no descomedido vão da sala de estar, sem ninguém a contemplar...
... Dorme a noite, esvai-se o entusiasmo, esvazia-se a fogueira em fumaça e cinzas, surge o dia, e novos personagens chegam para a próxima cena encenar.
... Castiçais vazios, flores murchas, um defunto, um caixão, mais abraços de consolação... Consternação... !
De boca em boca, surgem versões de como o defunto morreu... Foi assim... Foi assado... Foi de morte morrida... Foi de morte matada...
_ Era gente boa !
_ Era boa gente, mas...
... Sai o enterro, segue o cortejo, de mão em mão é levado o caixão, rezas e choros sonorizam a tristeza, atraindo pessoas conhecidas do defunto, ou não. Seguindo em procissão, norteia-se o destino do desafortunado ao arrastar dos pés a poeira o chão.
À distância, um pequeno cemitério é de se ver: Cruzes e catacumbas a se elevarem em prece. Ao chegar, pronta já é de estar, uma cova cavada, sem o uso das mãos, sete palmos medidos sem medição...
De boca em boca, por mais uma vez, surgem versões de como morreu o defunto... Foi assim... Foi assado... Foi de morte morrida... Foi de morte matada...
_ Era gente boa !
_ Era boa gente, mas...
Um alvoroço se faz na última hora de o defunto enterrar... Era gente discutindo, era gente rezando, era gente chorando, era gente gritando, que o defunto errado estava, com a cabeça pra frente, com os pés pra trás, que dos pés se fazia a entrada, que dos pés também se fazia a saída... Era gente discutindo, era gente gritando, era gente rezando, era gente chorando, era gente enterrada, era gente enterrando, era gente morrendo, era gente vivendo... Foi-se um Enterro, E Um Defunto Que Nada Tem Para Se Lembrar.
Permita-me...
Permita-me caminhar pelos teus passos
À deriva por me ter na imensidão
Sem destino no teu mundo eu me achar
Sonho e vida a fluir pelas estrelas
O desejo de nunca ter um fim
Um com o outro, corações por se fundir
Celebrando o que mais me faz querer
Saciar ao teu lado, a minha sede insaciável de viver
Defronte Com O Racismo
Já fui julgado e condenado sob a batuta de um olhar,
Por carregar na cor da pele a negação como afirmação
Já fui citado no silêncio da resposta,
Por carregar na cor da pele a razão reputada na segregação
Já fui vitima do título de vitimismo,
Por carregar na cor da pele a dor da discriminação
Que Nada Me Tire...
Que nada me tire o sonho que me faz sonhar
Que nada me tire o deslumbre da imensidão que habita o meu olhar
Que nada me tire à alegria do riso que me faz sorrir
Que nada me tire a música que apraz o meu paladar
Que nada me tire o caminho que faz caminhar
Que nada me tire o tempo de retornar para continuar
Que nada me tire à fé que me faz perseverar
Que nada me tire da meta que tenho por atingir
Que nada me tire à órbita da poesia que me faz girar
Que nada me tire o sentido que me faz sentir
Que nada me tire o fim antes mesmo de começar...
...Novos Tempos, Velhos Começos...
Inicio de outros tempos
Pensamentos a se moldarem
À jornada de um ato
Ao alcance de um passo
De uma mão a se fechar
Demarcando a imensidão
No estalido de um olhar
Por se ter em compleição
O instante a fecundar
Em formas, cores, sons e movimentos...
Implodindo em sentimentos
No espaço por pedaços
O sentido dos sentidos
Que se faz ecoar
Dentre os fins e seus outros desfechos
Novos inícios e velhos começos
Um ciclo no círculo a se formar
Sentimentos Intercalados
O que eu sinto por você, não podem meus lábios para o mundo revelar,
Nem mesmo por meio de epístolas posso me expressar,
Nem tão pouco por gestos tenho como meus desejos confessar.
Aos olhos em segredo a te contemplar,
Mesmo em silêncio não posso se quer pra ti me declarar.
Sem perguntar-me o porquê, de tudo do que deverás estar,
Faço-me prisioneiro do pensar, já que de nada adiantará,
Se eu e você não pudermos do mesmo sentimento juntos vivenciar.•.
Eu sou o cordão rompido do umbigo
Estou na seiva do mandacaru
Sou a respiração de um povo sofrido
Eu sou a cena do assalto ao amor
Sou uma canção cantada por índios
Uma visão que teve um xamã
Eu sou a bera do abismo
A esquiva da dor
Eu sou a quebra do ismo
Um bicho solto eu sou
Sou a escuridão
A anti matéria
Um coração pulsando na selva
Sobrevivente vivendo na guerra
Alma vivente, o bruxo das ervas
Eu sou o fogo do mundo e as cinzas
Sou eu quem gira o mundo
Eu sou os prazeres da vida
Eu sou um tesouro perdido
Fui eu que me perdi
Sou eu a saída
Dou por mim a pensar em tudo e dou por mim a pensar em nada
Dou por mim a sentir tudo e dou por mim a sentir nada
Dou por mim a falar acerca de tudo e dou por mim a falar acerca de nada
Dou por mim a escutar tudo e dou por mim a escutar rigorosamente nada
Dou por mim a fazer tudo e dou por mim a fazer nada
Dou por mim a partir e dou por mim a regressar
E entre o meio desses extremos vou verdadeiramente existindo, ciente de tudo aquilo que pretendo e de tudo aquilo que não pretendo
O Passado que um dia foi Presente e Futuro
O Presente que um dia foi Passado e que um dia será Futuro
O Futuro que um dia foi Presente e Passado
Simplesmente Ser
A DICOTOMIA DA SOLIDÃO
Todo aquele que se conhecer a si próprio será imune ao caos organizado que a solidão acarreta.
Prisão para uns ou Liberdade para outros, a solidão é como uma espécie de faca com dois gumes. Ora mata e elimina as turbulências externas que entram pelos nossos poros adentro, ora corta e separa o trigo do joio quando estamos perante as nossas mais diversas dúvidas existenciais.
A solidão, por assim dizer, também revela uma sombria ou luminosa dualidade. Digamos que, uma espécie de arauto da desgraça ou fortuna, que invade o nosso espaço interior e exterior quando a própria nos persegue em modo de delito involuntário ou quando a procuramos incessantemente de livre e expontânea vontade.
Reza a regra que a solidão já matou tantos quanto salvou e já salvou tantos quanto matou se dela fizermos um amigo que nos escuta sem julgamento.
Reza também o dito que “mais vale só que mal acompanhado” mas no entanto também Amália Rodrigues um dia disse que preferia estar mal acompanhada do que só.
Eu por mim cá estarei para a receber ou procurar, sempre que os sentidos e os momentos assim ordenarem.
UM PRETO EU-LÍRICO QUE SE QUESTIONA
Ser um Nêgo Nerd tipo A,
Custa caro.
Mas vale a pena.
No escuro ele mostra seu lado doce.
Sou mais que corpo, sou mente.
Sou um sujeito subjetivo. Sou um indivíduo que quer a nêga também depois da cama.
Pode até faltar água no sertão,
Porém sobra nos olhos do negão.
A vida nunca será linear. Sempre será escrita em linhas tortas.
Há um homem por trás dos óculos.
Há um homem por detrás da barba, há um homem preto por trás da cor, Drummond. É o avesso da pele. Esse homem não é tão sério, tão viril, tão violento assim. O homem por trás do óculos e da barba.
O homem por trás do óculos é negro, é negro.
O 'europeu' é tão egocêntrico que tem um "eu" no início e no final da palavra.
Mas meu eu-lírico diante disso não se rebaixa.
Se a periferia soubesse que o maior escritor brasileiro veio de lá, a narrativa seria outra.
Bato no peito e digo: Colombo, sou quilombo, sou África!
Enfim, continuamos em casa, nesse país sangrento,
onde o sangue está escorrendo por debaixo da porta, quanto estamos comendo e bebendo.
Não me identifico com o que eu faço.
Quando volto do trabalho, não sobra eu.
Perguntou-me: cadê aquele negro sonhador, cheio de saúde, que escrevia poema de amor a mão? Não corro mais atrás da bola. Cadê eu?
Na minha ótica, vejo essa armação:
Enxergo com "meus próprios olhos" absurda carga horária passar lentamente.
Os dias têm que ser abreviados.
Porque sofremos muito, Deus meu!
A literatura denuncia isso com amor, com mimese. Por hora, com catarse.
Eu, caro poeta, não estou só. Mas sós.
Com Deus? Perguntou-me porque o abandonei?!
O racismo não acabou. Mas todos têm letramento Racial Crítico. Superamos! Supomos...
Mas o negro continua descendo e subindo a favela.
Continua pintando com seu sangue os muros e grandes construções. Continua pondo fogo na cana até ficar da sua cor, e o que ganha, não compra um quilo do açúcar pretinho.
...Sem ocupar espaços de poder.
O negro continua, continua, idetitarista.
Quero crer que é possível lançar luz sobre as sombras da utopia, poeta.
O que fora dito, não é só ideias. É uma antropofagia da sua lírica.
O desejo só cabe no peito de quem não pode fazer nada.
Eu sem você,
Você sem eu,
É á mesma frase que se repete, mas é sério isso não é brincadeira.
Eu sem você é como o Andrei sem felicidade.
E você sem eu é como à tristeza da minha infelicidade sem você por isso eu desisto de viver mas não desisto de você.
No vale da tristeza passei
Mas você eu encontrei
Feliz eu fiquei
Onde eu for ti levarei
Alegre ou triste ti amarei
E pensando bem sabe, até imaginei
Nós dois do outro lado do universo de mãos dadas ao observando o trem da felicidade que nós veio a utilizar pra hoje nós está onde nós sempre almejava chegar
Então oque te falo é meu amor pra sempre vou te amar.
Eu sempre acreditei no amor
No amor sempre vou acreditar
Em você previ o nosso futuro!
Você em mim não quis acreditar
Ousou de coisas bobas até de irmão me Quis chamar.
Em minha frente se recusou
Mas não deixei de acreditar!
Pois o amor quando é verdadeiro
Passa o tempo que passar
A dificuldade que for ele sempre está disposto pronto a enfrentar!
Os dias passaram e as noites foram em claro
Pedindo ajuda sem saber oque faço sem deixar pistas ou seja os rastros quando
Consegui tirar um dia de lazer no interior ao seu lado, onde tudo começou e de fato foi o primeiro passo
Você me libertou de uma vida, onde eu sei que um dia me arrependeria!
Você venceu meu amor e deixou tudo fluir
Quando apenas pensou entre eu e você deixar o amor realmente existir!
Eu sem você...
Sou o mar sem o verde
que o torna esmeralda...
Posso ser tantas coisas
sem sentido...Sou o rio
sem o mar e sem a Lua
A beijar sua nascente...
Posso ser eu...a chorar
e soluçar pelos cantos...
Sou a dama da Noite
a suspirar sem o vento,
que lhe arranca perfume ...
Se canto não me encanto.
Se me procuro me encontro
vagando solta no tempo...
Sou noite sem estrelas...
Que espera o raiar do dia
para lhe trazer alento...
sou a vida de quem sonha
sem esperança de realizar...
Novamente eu...
Sol da manhã eu só...
Fugas em tardes nubladas
Á noite eu ...As estrelas...
Tenho uma queda pela saudade
Pela magia da espera...
Por aquele canto, que a lua ilumina
Tantas vezes...Foi nosso!
Não me preocupo com a ausência
A vida é louca rsrs tem ventos...
Levam e trazem coisas...Amores...
Que passam ...Perfumam...
Outros que levam nosso sorriso...
Mas nos deixam aquela certeza
Que vai trazer de volta...
O sol mais brilhante de todos...
Aquela tarde mais quente ...
E o canto, sem lugar para luz da lua ...
E do tamanho do infinito essa saudade
Esse frio na alma e o tempo tentando me convencer que só respiro se for por nós dois
As noites intermináveis com meus pensamentos tropeçando nas estrelas
Que um dia contemplei em seu olhar
Tento viver onde meus sonhos terminam
Uma imensidão de juras sem esperança
Só eu sei o tempo em que passo sonhando
Onde sem brilho o sol insiste em me fazer
Querer o impossível ...Voltas e voltas...
E novamente aqui zelando da minha saudade
Meus únicos momentos nossos.
(Z.M)
