Texto em versos
O Herói
Os tambores da luta gritaram
E os sinos da terra tocaram
Dos deuses a grande fúria
Veio o fim da eterna injúria
O menino da nuvem nasceu
Com a adaga divina em mãos
E quando a sombra cresceu
Lutou ao lado de irmãos
As árvores da vida choravam
E os rios da morte cantavam
O lobo noturno era atroz
E a flecha de fogo veloz
O homem do menino veio
E a adaga à espada luziu
O mal que era inteiro
Tornou-se um fraco vazio
As lanças e escudos se ergueram
A esperança num belo clarão
Os ossos das trevas tremeram
Perante o poderoso guardião
Por anos lutou pelos campos
Montanhas do medo livrou
Por mares e rios navegou
Quebrou os mais altos encantos
Dos reinos tomou a coroa
Dos homens virou o senhor
Da era tornou-se a proa
Das sombras tornou-se o terror
Mas o tempo sua glória abalou
Na vasta planície de ouro
Sua última batalha lutou
E sucumbiu a coroa de louro
Seus feitos e honra viveram
E o herói foi sempre louvado
Como o rei do trono dourado
Cujos anos nunca morreram.
O Anjo Negro
Anjo negro, estrela do crepúsculo
Fala agora onde estás
Tira minha alma desse reduto
Pois somente tu me alegrarás
Estende tua mão agora
Tira de mim esse peso
Não deixa que nasça a aurora
Mata esse medo
Por sobre o chão de pedra negra
Eu logo hei de caminhar
E a luz que passa a fina seda
Com minhas mãos hei de apagar
Me envolve em teu abraço
E me dá com a adaga forte
Faz do meu passo
A casa de tua sorte.
Crepúsculo do Mundo
Onde está a espada?
Onde está a coragem?
A princesa encantada
O salvador de passagem
O tempo já levou
Ou a verdade se encarregou?
Sendo a areia ou a visão
Findaram a bela criação
Onde está a doce arte?
As linhas fortes da alma
Ou o som do sol da tarde
Sofreram dor ou trauma?
A sinfonia alta e regente
Fugiu do encontro com a aurora
A flauta que erguia a serpente
Fez dela uma sombra de outrora
Onde está o sábio
Aquele da mente hábil?
Outra vítima do humano
Que fez da coruja um pelicano
O mestre dos quatro elementos
Já fraco, menor e antigo
Fez do vácuo profundo um amigo
E sumiu como um grão aos ventos
Onde está o rei guerreiro?
O senhor da honra e da glória
Sucumbiu no ouro da vitória
E o nada virou seu inteiro
A torre dos homens caiu
E a árvore da vida secou
O leão das sombras rugiu
Quando a cova do mundo fechou.
A janela
O belo símbolo da esperança
A que traz a luz e o vento
E o doce riso da criança
O velho que olha de dentro
A moça que fica debruçada
Olhando as vidas da calçada
O pássaro nela se senta
E a beleza dali aumenta
Com seu mais puro canto
Olha para fora da janela
E faz dela a tua porta
Para um mundo de encanto
Curarás qualquer mazela
Ou árvore que cresça torta
Tu verás um outro lado
Poderás lançar o dado
Com a tua sorte a testar
E com o pássaro a cantar.
A ponte da vida
Aos passos vagos e curtos
O homem na longa travessia
Enfrenta todos os vultos
Das ideias ele se sacia
As pontes da própria mente
Que ligam o gênio presente
Em sua genialidade total
Essa tão viva e também fatal
Ele atravessa a árdua ponte
As dificuldades do caminho
Endurecerem sua fria fronte
Fazem da água o vinho
O filósofo cumpre seu destino
Eleva-se ao saber divino
À outra margem tendo chegado
Vive então do bem dourado.
Juro que eu não sabia
seus olhos inversos contradizem a alma,
persuadindo o cérebro e contesta
com as suas palavras avessas.
Sabia que o prisma da minha mente
muito antes de mim
traduziu suas inverdades
seus códigos
sua ternura
A noite cai, a madrugada é fria
os ossos...Ai os ossos...Liberta-me,
e ai os inversos não persuadis a verdade.
Como alimentarei ao lobo sedento
alimento, alimento, alimento,
Vivos noturnos depois que o corpo
descansa nas noites frias.
Não Sol, não se aproxime
deixe o meu lobo vagar
na penumbra da noite,
em busca da lua,
em busca da luz,
alimento, alimento, alimento,
e o sol mais que depressa
põe meu lobo junto ao corpo.
Acordo, acordo, acordo... Acordos
simplesmente espero a próxima lua chegar
e o meu lobo voltar;
a vagar, a vagar, a vagar.
Pensava na verdade
nada mais que a sua verdade
somente expelida pelos seus lábios
em uma só direção; a minha.
E eu, simplesmente eu, acreditava
que a sua verdade era
a única que sobrepunha a minha verdade.
Verdade, somente verdade.
A sua verdade nunca foi nem
nunca será a minha verdade.
Mas, descobri também que a sua verdade
não é verdade nem para você próprio pois,
a minha verdade é o que nos alimenta.
A dor da perda é real quando se tem certeza de que se perdeu para sempre...
A dor da perda é real quando se tem certeza que mesmo tendo encontrado um tesouro valioso e o vento vem e sopra-o para longe...longe...longe...
é assim o amor como um prisma... Uma faisca ultrapassa e transcende a distância tamanha que ele se perde no infinito...
Ter o tesouro devolta é uma tarefa árdua e as vezes quase impossível pois o tesouro criou asas e foi embora e assim são as coisas importantes...
São tão importantes que se perdem no espaço tempo...
Houve um tempo em que tudo era silêncio pois
mesmo existindo a melodia real não havia
ninguém para ouvi-la, senti-la ou adimirá-la.
Houve um tempo em que tudo era a melodia real
e mesmo assim os ouvidos humanos ainda se exauriam
de dor e angústia impossibilitando a sensibilidade do
espírito.
Houve um tempo em que o silêncio e a melodia unificaram-se
em um dos mais belos acordes infinitos de alma o que tranpôs
o sentimento irraigado na alma para o espaço tempo humano
e assim se refletiu o amor.
A ausência da melodia real faz com que a música penetre no
mais no vago e não consiga extrair o sentimento.
Há quem diga que a melodia real eleva o corpo,
aniquila as dores, sensibiliza a alma, refina o pensamento,
dilacera os cascões dolorosos e fétidos da obsessão, monitoriza
a vida e faz-se a luz.
Haverá um momento que a mais pura e fina melodia chegará aos ouvidos
do tempo que se acalmará diante de tamanho sentimento chamado amor
e até ele tentará parar por sí só e não conseguirá porque tudo gira em torno do
espírito e não do acaso.
Nesse exato momento tive a sensação que amar nunca é demais só que o amor fica tão bem guardado dentro de mim, como uma coisa muito valiosa e é com toda a minha certeza. Quando o sentimento do amor vem atona ele não se mostra frágil, nem gracioso, nem singular.
O amor é totalmente plural e inestimável. Seja o amor a Deus, o amor ao próximo, o amor à família, o amor a religião.
O amor move tudo, é intenso, é ímpar e plural ao mesmo tempo. É a ressignificação da alma, da vida, da morte, do corpo e também do espírito.
Nunca é tarde para se dizer "Eu te amo". Aprendi a usar esta pequena frase de tanta polêmica universal e hoje posso me apropriar da mesma em sã consciência.
Cancioneiro sonhador.
(Marcel Sena)
O cair em um sonho embalado por simples e belas canções
Que por horas seu tempo furtado, ouvindo rimas e versos cantados
Em uma noite embriagada de sensações.
O nascer do sol no cerrado, dando rumos a um refrão.
Aventureiro de estradas, rodando dias e madrugadas
Inspirado por sua amada a sempre fiel canção.
Como um sabiá entoando, um canto por garoa.
O violão implora para que sua voz ecoe.
Cá de longe observo um sabiá a cantar
Num sonho me embalo para sua voz escutar
Saberás que não és sonho, quando aplausos ouvires
Saberás que não és sonho, quando o pranto dos olhos descerem
Saberei que não é sonho, quando a cá regressar
E desperto a dizer, meu cantar venceu por você.
Cuiabá, de setembro de 2016
Vejo uma graciosidade calorosa
vinda do teu olhar,
claramente, consegues abrigar
um jeito meigo e intenso,
assim, possuis uma desenvoltura
muito peculiar que segue o ritmo
do vento
que dançacomo uma brisa suave
ou no compasso de um tornado
de acordo com cada momento,
sempre com espontaneidade
e com o encantamento
dos teus belos traços.
Deste modo, entro num deslumbramento tãodeleitante
que percorre os meus pensamentos
e os transforma em versos emocionantes
que fornecem-me vitalidade,
deixam parado o tempo
causando um lapso oportuno
na minha realidade.
Vejo uma pintura divina
com um tom de naturalidade,
uma arte viva pintada
com cores belas e expressivas,
mostrando um nítido primor
em cada detalhe.
Desta maneira expresso
a beleza de um fim de tarde
em plena hora mágica
que traz num frescor de vivacidade,
uma sensação necessária
de uma genuína felicidade.
Portanto, uma linda visão
que por deixar meus olhos afagados,
consegue ser abraçada
pelos meus pensamentos,
fazendo com que a inspiração
venha de bom grado
e resulte em versos carregados de sentimentos.
Ao ficar olhando atenciosamente para para ti, alcanço uma satisfação incomparável, percebendo a vida que há nos teus olhos, admirando a grandeza dos teus lindos cabelos cacheados, passeando pela precisão da tua face com traços atraentes, harmoniosos e imaginando a suavidade da tua pele e o calor da tua fogosidade.
E aproveitando um momento deleitável como este, raro e oportuno, desfruto o máximo que posso da tua vivacidade, da tua almejada presença nos meus pensamentos, um mundo incansável, caloroso, que quer que estejas por perto, autêntica, graciosa, presente de corpo e alma, do jeito que estás nos meus versos, que vêm da minha mente intensamente inspirada.
Tudo é tão real com tantos detalhes que, talvez, em outra realidade, estamos juntos, participando de uma mutualidade de acertos e falhas, de respeito, de verdades, de atos e palavras, de nossos sentimentos profundos, afetos sinceramente demonstrados, a junção dos nossos mundos, felizmente, conectados.
Seria mais saudável com certeza se desses a mesma ou até mais importância aos teus acertos do que aquela que dás as tuas falhas, valorizando os vários momentos que acendeste o teu sorriso, mostrando a tua força quando querias derramar algumas lágrimas porque estavas com o coração bastante aflito.
Transitando por uma jornada que não foi fácil, muitas vezes solitária, minada por imaturidade, muitas decepções, necessidades materiais, psicológicas e emocionais, fazendo de cada dia que foi passando, uma vitória graças a bondade do Senhor, portanto, sejas grato a Ele e também reconhece o teu valor.
Não quero que esqueças de Deus, das pessoas que foram importantes e das que ainda são para que chegaste até aqui, mas precisas manter vivo o teu amor próprio, perceber que a tua existência não é em vão e sim um propósito divino que independe da tua perfeição, a qual nem existe, assim, tenhas compreensão, não te martirizes.
Estes versos fazem parte do que tenho disso isso a mim mesmo num diálogo recorrente, considerando que não mantenho com facilidade, percebo, porém, constantemente esqueço, trato-me com frieza, enxergando apenas os meus erros, como se Deus não estivesse comigo, o que não é verdade, uma danosa perceção que podes ignorá-la ou encontrar alguma identificação.
Sou embevecido prontamente por teus encantos, observando cada parte com afinco, adentrando gradativamente num mundo caloroso, rico com uma fonte de avivamento que causa um efeito inconfundível, por conseguinte, consegues morada nos meus pensamentos pela vontade que surge de estar contigo.
És com certeza uma bela paisagem viva, criada divinamente, que possui um olhar expressivo que instiga, um brilho reluzente nos cabelos, um rosto belo e delicado, uma boca pequena e graciosa, um espírito liberto, assim, uma mulher naturalmente charmosa que a minha mente a traz para perto.
Uma natureza cativante, espontânea, estonteante com curvas, formas, cores intensas, perfume apaixonante, detalhes que carregam doçura e ardência, um nexo emocionante, cuja essência coloco agora nestes versos, palavras e sentimentos que denotam o meu apreço.
Assim que posiciono a minha atenção para ti, sou abraçado por uma inevitável fascinação, minha pupilas se dilatam de imediato, considerando a sutileza do teu rosto, a robustez dos teus lábios, a cintilação dos teus olhos, um primor inegável.
O mesmo que está fascinado por um lindo quadro sem moldura, despertando pensamentos, sendo generosamente avivado por uma mistura de sentimentos e traços, uma dose sensata de loucura num momento acalorado.
Podes pensar que sou exagerado, mas na verdade, sou sincero e falando a teu respeito, não seria diferente, então, falo o que sinto e aquilo que vejo, caso contrário, não faria sentido estes meus versos, seriam como palavras soltas ao vento.
Obviamente, não estou isento do equívoco, mas, sinceramente, encontro em ti, um equilíbrio instigante por seres docemente selvagem, uma mulher livre e carinhosa, que guarda amor e vivacidade no íntimo, ternura e esperteza nos olhos, detalhes profusamente vívidos.
Revelas uma graciosidade delicada, atraente, vestida de liberdade com uma personalidade prudente e uma naturalidade emocionante e impetuosa como as ondas do mar, os teus cabelos soltos, tocados pelos ventos, uma junção muito salutar, um rico avivamento pra o mundo a tua volta, pra quem souber te observar.
Não tens nenhuma obrigação de satisfazer a minha percepção a teu respeito, todavia, a tua presença instiga tanto que, mesmo sujeito ao engano, não consigo controlar meus pensamentos, que ficam tão à vontade transitando pela minha que logo são transformados em versos, conscientes e sinceros.
A tarde está chuvosa, uma chuva forte que antes foi anunciada por trovões como se o céu tivesse alguma coisa a dizer motivado por suas profundas emoções, um lindo desabafo que causa diversas sensações.
É possível ouvir o som agradável estranhamente harmônico das nuvens que choram lá fora, banhando com suas gotas que avivam e emocionam ao trazerem um raro equilíbrio que é momentâneo, mas muito significativo.
Em pouco tempo, começam a chover versos seguindo o exemplo celeste ao desabafarem os sentimentos que sente o poeta, sendo o mais sincero que consegue com si mesmo de uma maneira calorosa, simples e intensa.
