Texto de Praias

Cerca de 770 texto de Praias

Lamento por Orelha


Na areia da praia ficou o silêncio,
onde antes corria teu riso canino.
Orelha, amigo de olhar sincero,
te tiraram a vida num ato tão vil, tão mesquinho.


Não foi a natureza, nem o tempo,
foi a mão cruel que não soube amar.
Covardia não vence lealdade,
nem apaga o bem que soubeste deixar.


Teu latido ainda ecoa no vento,
teu afeto mora em quem soube te ver.
Descansa em paz, pequeno guerreiro,
há uma justiça maior a te acolher.


Quem ama jamais esquece,
quem sente, jamais se cala.
Orelha vive na memória
e no clamor de toda alma que não se conforma.

Dente de Leite

Eu fui na praia passear com minha vó
Veio uma concha na onda bateu no dente da frente

Que era de leite tão molinho meu xodó
E eu já tinha prometido pra minha vó de presente

Mas eu engoli o dente
Engoli o dente
Que eu já tinha prometido
Pra minha vó de presente

Eu engoli o dente
Engoli o dente
Que eu já tinha prometido
Pra minha vó de presente

Tenho uma profunda sintonia
com a praia assim:
nublada, deserta,
serena e silenciosa.


Há algo nela de sublime
que toca as veias
da minha inspiração.


Sinto uma simbiose visceral
com a paisagem
cinérea, solitária,
entregue ao próprio silêncio
e à própria paz.


Há uma serenidade antiga
que não pede sol
nem testemunhas.
Algo nela é sagrado:
o céu contido,
as pedras em vigília,
o mar que sussurra versos.


É ali, nesse quase-nada,
que minha inspiração
encontra o tudo,
nas veias abertas,
e pulsa
sem pressa
sem expectadores.
✍©️@MiriamDaCosta

Hoje acordei com vontade
de pegar o meu barco
e navegar...


Chegando na praia
lembrei que eu só tenho
um barquinho de papel...


Peguei a minha caneta
e começei a remar
no meu batel...


E fui singrando as águas
do que mora em mim
marés de memórias
ventos de saudades
maresia de inspiração
sem fim...


Cada verso
uma onda
cada pausa
um farol
e o sol
se fez verso
no meu
papel batel...


Remando com a caneta
furei as veias do papel
meu barquinho
sangrava versos
mas seguia
( teimoso)
no vendaval
das entranhas...


Não era mar
era voragem
não era água
era o meu
lirismo aflorado...


E mesmo assim
fiz da luta
o leme
das cicatrizes
o casco
e avancei
porque naufragar
também é escrever...


E quando enfim
meu barquinho
afundou
no silêncio
mais profundo
de mim
descobri
não era o fim
era o começo
do poema
que eu suei
para existir...


@MiriamDaCosta

Na Praia de Itaipu,
o mar não grita,
ele conversa baixo
com quem sabe escutar.


Aqui,
na Região Oceânica de Niterói
o horizonte verde
não é promessa turística,
é confidência.


Eles correm
como se o mundo
não tivesse muros e portão
como se a areia
fosse extensão do peito
e a liberdade
não precisasse de plateia.


O vento penteia o pelo,
a onda beija as patas,
e o tempo,
(Ah, o Tempo!)
desaprende a pressa.


Entre a restinga e a espuma
há um pacto silencioso:
coabitar é respeitar
o ritmo das marés.


Eles,
como eu,
amam a praia deserta.


E eu,
amo vê-los livres,
longe do ruído humano,
longe do excesso,
longe da invasão dos sem noção.


Na Praia de Itaipu,
até o silêncio tem corpo.
E a liberdade
anda de quatro patas
ao lado da minha alma. 🐾🌊
✍©️@MiriamDaCosta

Ode à Mariazinha da Praia das Conchinhas
(Erê/Entidade da Umbanda)



Erêzinha minha, tão queridinha,
com sua meiguice e carinho,
nunca me deixa só no meu caminhar,
sorri como a brisa fresquinha
que beija a maré baixinha...


pequena guardiã da areia dourada,
dança e trabalha entre conchas
estrelas do mar e brincadeiras
sua voz é brisa, sua presença é estrada,
que conduz a alma cansada...


nos olhos pequeninos
traz a profundidade do Oceano,
na pele o sol desenha um manto,
e em cada gesto tão puro e singelo
há um refúgio doce e belo...


Mariazinha, criança do mar,
és poesia que insiste em ficar,
como concha que guarda segredo antigo,
como onda que sempre retorna ao abrigo...


Erêzinha da praia e da espuma,
nascida do primeiro sussuro da maré,
com tua doçura me atravessas
como raio de sol nos dias cinérios...


Nunca me deixas só!
és faísquinha de luz e és clarão,
és concha que ressoa o meu silêncio,
és mar sereno dentro do meu coração...


Mariazinha, tua meiguice alenta e cura,
teu carinho é sol que ilumina a noite
para que o dia seja tenro
sobre a areia escaldante da vida...


Trazes nos olhos o mistério do Oceano,
e nos pés a dança inquieta das marés
tu não caminhas;
tu adoças os caminhos,
e me obrigas a seguir,
mesmo quando o meu coração
quer naufragar...


És a guardiã das conchinhas,
mas em cada uma delas
há um pedaço meu
que o Mar te confiou...


Mariazinha, menina doce do mar,
com teu sorriso miúdo,
acolhes meu passo cansado
como quem sabe o peso do silêncio...


És conchinha guardada na palma,
tesouro pequeno, mas infinito,
presença que o Oceano me dôou
para que eu nunca esquecesse
a ternura escondida
nas marés da vida...


Teu carinho é brisa leve,
que me envolve sem nada pedir
e tua presença é farol discreto,
luzinha que não deixa a solidão
se tornar escuridão em mim...


Mariazinha, tão queridinha,
és infância que retorna em onda mansa,
és a poesia que se escreve sozinha
na areia úmida da minha lembrança...


Mariazinha da Praia das Conchinhas
a te dedico essa ode cheia de riminhas
para agradecer do fundo do coração
todo o teu carinho e proteção ...


Salve a tua Praia e as tuas conchinhas!
✍©️@MiriamDaCosta

O oásis silencioso


A praia completamente desnudada
da caótica presença humana
é um dos meus oásis.


Ali,
o vento não disputa espaço com vozes,
nem o mar precisa gritar
para ser ouvido.


A areia repousa em sua própria epiderme,
sem marcas de exibicionismo e vaidade,
sem rastros de pressa, gritaria e estresse.


E eu,
descalça de rumores do mundo,
finalmente me reconheço
na vastidão simples
de existir em simbiose com Ele,
o mar.


✍©️@MiriamDaCosta

Te vi lá na praia, com o vento bagunçando o cabelo e um brilho diferente no olhar — impossível não reparar em você.
Linda ao extremo, daquelas que não passam despercebidas e ficam na memória mesmo depois que o momento acaba… e que dá vontade de viver tudo de novo só pra te ver mais uma vez.

Ela é Ela


Ela é linda e intensa como a praia, mas calma como o som da chuva.
Ela não é minha, não é de ninguém.
É um pássaro livre, que não pode ser pego. Ela é aventura
E, ao mesmo tempo, é o sono que vem de noite.
Ela é simpática, mas, quando quer, sabe ser grossa.
Ela é animada, mas algo pequeno estraga seu dia.
Ela é linda como o luar.
É apaixonada como o coelho que habita a Lua.
E se agarra à ideia de que existem cores neon, mas também há as neutras.
Ela é feliz e radiante como o sol,
Mas intensa como o rock.
Ela é tudo e nada.

Eu quero ironizar, afinal, hoje é domingo.
Dia de batizado, piquenique e praia cheia
Eu quero muito sorrir e florir.
Porque não tenho certeza
De nada do amanhã.
Então, hoje eu serei alegria.
Sorrirei para a maresia.
Enganar as preocupações,
Que são somente minhas.
Deixo-as guardadas na gaveta,
Com o relógio que hoje não faz cócegas.
Que a maresia leve embora a dúvida,
E traga no lugar o cheiro de bolo e a leveza.
Se amanhã o mundo for de ponta-cabeça,
Hoje eu planto flores na certeza,
De que o sorriso, ironicamente, é a única defesa.
Aproveite o seu domingo!
Com esperança, luz e Fé 💖

EU E O MAR...


Sol , mar , praia
Tudo é silêncio
Espaço vazio
areia quente ,
mar a me chamar
Prefiro ficar
debaixo do guarda sol
a sós com minha água de coco
Saboreando aquele momento
toque do vento
murmúrio do mar...
Deus a me espreitar
Eu a louvar ..

edite lima , Novembro/2019.

Um tempo nas praias do Ceará
(Mauro 1Evaristo)

Ela me fala de BH
E uma vontade de chorar,
Dos dias tristes em Paris
Onde cria seria feliz.

Falou de amores que deixou pra lá,
Um tempo nas praias do Ceará,
Falou que tudo fez sentido
Ao parar de brigar consigo.

Falou que sonhos são para sonhar,
Vida para viver,
Tudo melhora a quem sabe agradecer,

Sorriu, contemplando o luar,
Tanta coisa para eu aprimorar,
Mas gratidão não se deve esquecer.

feradapoesia.blogspot.com

ESPELHOS PARTIDOS À BEIRA DO MAR.
A cena ocorre à beira da praia, numa noite em que a lua se desfaz sobre a água, refletida em pequenos fragmentos de mar como se o próprio céu tivesse quebrado um espelho. O narrador, dilacerado pela ausência, conversa com a amada que já não está entre os vivos e com o filho que o oceano tomou. O vento arrasta vozes indistintas, confundindo-se com o soluço incessante das ondas.
NARRADOR:
Meu filho me amava... Sim, ele verdadeiramente me amava. Agora, diante de nossos espelhos partidos, sorrimos como quem ainda tenta recompor os fragmentos de um impossível. E eu sei... sei que, nesta hora, ele me procura, lá em alto-mar, onde repousam segredos que nenhum de nós ousou desvendar.
AMADA (voz etérea, surgindo entre as rajadas da brisa):
Não chores tanto, meu bem. O mar apenas devolve aquilo que nunca nos pertenceu inteiramente.
NARRADOR:
E que me resta, senão ir buscá-lo? Ele me encantava com aqueles olhos de esmeralda viva... Ah, não partas, meu amor! Se fores, talvez nunca mais me encontres. Foi aqui, nesta praia, que nosso filho te esperou durante quatro noites, sustentado apenas pela fé — essa última lâmpada dos desesperados — de que regressarias.
Mas tu jamais voltaste ao nosso casebre, tão singelo, tão pequeno, e ainda assim aceso pelas chamas de um amor que parecia capaz de desafiar o próprio destino.
AMADA:
A esperança que nele ardeu também me sustentou. Mas o tempo é breve para aqueles que se amam demasiadamente e parece infinito para aqueles que permanecem esperando em silêncio.
NARRADOR (ajoelhando-se na areia):
Por isso te suplico: não vás!
Mas aqueles olhos... Ah, aqueles olhos! Deus os quis para Si antes mesmo que tivéssemos aprendido a compreendê-los. Foram uma dádiva breve, como as flores que desabrocham somente para adornar um instante e, depois, entregam ao vento a sua última fragrância.
AMADA (a voz se afastando, quase confundida com o rumor das ondas):
Então espera...
Espera-me como esperaste o retorno impossível. Espera-me até que as ondas levem a última chama que ainda te arde no peito.
Porque, quando a brisa cessar e a noite recolher seus últimos murmúrios, nós três seremos apenas um só sopro — indivisível, silencioso — respirando eternamente no coração de Deus.
NARRADOR (em lágrimas, contemplando o mar):
Eu esperarei.
Pelo filho que partiu.
Por ti, meu eterno amor.
Esperarei enquanto houver mar, enquanto houver lua, enquanto alguma estrela se atrever a permanecer acesa sobre estas águas.
E, quando a última brisa me levar...
quando a areia apagar meus passos...
quando já não houver voz capaz de chamar por ninguém...
restará apenas o mistério.
E talvez, no centro desse mistério, eu finalmente encontre vocês dois.

"O casamento fracassou, mas ele, não! Ficou com a casa de praia, com a cobertura na Zona Sul e com o carrão. A 'Bruxa Veia', disse ele, 'ficou com a ex-sogra (dele), com os ex-cunhados (dele) e com a Kombi 66.' "
Frase Minha 0645, Criada no Ano 2013


USE, MAS DÊ BOM EXEMPLO.
CITE A FONTE E O AUTOR:
thudocomh.blogspot.com

A praia pode
estar deserta,
Você nunca
estará sozinho,
No coração
sou presença
que não
se ausenta
nem quando
o olhar
se distancia.

Eia a indecência
que te aquece
como o sol,
aos teus lábios
é sal e oceano
que te intensa!...

O silêncio é
a proposital
forma de
trazer a tona
o que arrepia,
e para você:
sou o sublime,
o apelo,
o que levita
e a tua fantasia.

Itapema

⁠As asas deste poema
são de ultraleve,
ele sobrevoa as praias
e rios de pedra
angulosa em tupi,
Todos amam viver aqui.

O teu povo carijó
e a herança dos açores
são parte sublime
da História Brasileira:
a nossa memória guerreira.

Foste Vila de Santo Antônio
de Lisboa e Arraial Tapera,
Itapema o teu nome rima
por fortuna com poema:
a tua alma não é pequena.

Charmosa rainha atlântica
do Litoral Norte Catarinense,
cheia de charme e beleza
que sempre captura o coração
da gente com toda a destreza.

Morar em Itapema é
deixar-se brindar e envolver
todos os dias por toda
essa sedução e riqueza
agraciadas por fortuna pela Natureza.

É fogo!
Dia de praia, fogo de palha.
... Queimava-me por dentro
Só pode ser azia
Meus passos foram seguidos por minha sombra
Transpirava no caminho
Antes do mar; Suor...

Paixão que não queima
É beijo de lábios enrijecidos,
Mas tudo bem... Não precisa incendiar
Por que, eu me vejo frio.
Só meus versos são piromaníacos

Fogo queima: Pelos, mãos, dedos
Carros, casas, fósforos e papéis
... Sol é estrela incendiária!
E do céu: Queima, aquece, ilumina desperta
Bronzeia, descasca e resseca.
E haja protetor solar...

Inserida por ThallesNathan

RECIFE, MINHA CASA...

Recife de lindas praias,
Como adorno, lindas mulheres pelas calçadas,
Provocando a paixão aos homens em seus olhares.

Recife capital do carnaval,
Festas do frevo e do maracatu, de euforia sem igual,
Reunindo foliões por toda a madrugada do Galo.

Recife de belas praças,
Avenidas, viadutos e pontes que se entrelaçam,
Até metrô existe cortando a cidade.

Recife de grandes prédios,
Bem armados em seu concreto,
De fachadas com arquitetura de causar inveja.

Recife de grandes negócios,
Lojas, indústrias e fabricas... Muitas de grande porte,
Investimento SUAPE, que à economia traz grande suporte.

Recife, minha casa,
Distante dela sinto que o tempo passa,
Por desejá-la, gostaria que o passado voltasse.

Inserida por ricardodavisdavis

Walk life

Veja, meu bem. Preste Atenção em como eu ando na praia.
Acho delicioso o contato das ondas, águas enérgicas batendo contra meus pés.
Eu caminho alegre, sentindo tudo, deliciando-me com a brisa, apreciando a temperatura da água, e a massagem no seu movimento.
Sinto o sol aquecendo o meu corpo todo. Quente como ternos abraços.
Mas a medida da minha felicidade é a medida do meu cuidado e medo.
Sempre gostei de mar.
Porém sempre tive medo de suas criaturas, estranhas demais pra mim sempre acostumada com animais de colo, peludos e barulhentos.
Aquelas pequenas Criaturas despertam me curiosidade como despertam medo.
Medo do desconhecido.
Medo de suas escamas e conchas pontudas.
Pode ser uma medo criado na infância. Quando eu ia com sede demais ao pote e nem aproveitava o caminho até ele. Nessa época, eu abusada como era (e ainda costumo ser), eu me atirava ao mundo sem pena ou pensamentos. Deitava na roseira sem ver se tinha espinhos. Num desses meus abusos queimei me no encontro com uma Água-viva.
Nada letal, aqui estou, nem cicatrizes.
Só o medo da dor again. Só o trauma.
Assim, quando eu ando em uma praia, vou feliz, degustando cada detalhe, mas com os pés sempre desviando dessas criaturas do mar.
Os pés sempre com medo de se machucar enquanto os olhos admiram as nuvens e as ondas.
Na vida, a caminhada segue do mesmo jeito.
Aproveito cada dia, cada minuto. Sem medo de ser feliz.
O cuidado fica para aquilo que me fará sofrer, que irá doer.
É nisso que o medo vem.
A demais, pra mim, viver não tem segredos.
E só desviar das conchas pontudas, de Águas-vivas.






Mas no final tudo se aproveita, até a dor do aprendizado.

Inserida por MichelyOliveira

Solidão

Sentado à praia sobre uma lembrança. Olhando no horizonte, no alcance de minha visão poder avistar. Na solidão sempre estou em frente ao mar, solitário e sem rumo onde só sou útil para guiar, assim estou te esperando voltar. A felicidade que na maré se foi por não me levar.
Ficarei sentado e escreverei poemas estúpidas esperando a maré me alcançar ou o tempo me derrubar. Não serei lembranças para ninguém e todos me apagarão de suas memórias e, só os navegantes temerão por minha morte.
E você se perguntará quem fui, mas já não terá sentido, porque sou apenas um farol, que ainda está sentado em frente ao mar e só será feliz, quando a maré levar.

Inserida por Leivanio