Texto de Duplo Sentido
Meu Pai
Foi difícil chamá-lo de pai
Foi difícil me expressar
Muito não foi dito!
Só sentido... Faltou o toque!
Silêncio das palavras faladas
Movimento das palavras escritas
Ele era um poeta
Poetas não falam. Sentem!
Será essa explicação da ausência?
Quanta sensibilidade! Quanta sabedoria!
Fraqueza? Irresponsabilidade?
Claro! Quem não as tem?
Foi humano e errou sim
Errou e sofreu
Sofreu e sentiu
Sentiu e escreveu
Palavras lindas!
Que ficarão para sempre
Na lembrança de cada pessoa
Que soube enxergar o Manuel
De maneira única
Cada um com o seu olhar
Soube criar a imagem
De “Manuéis” diferentes
E era assim mesmo que ele gostava
De ser diferente para cada um.
Relógio do tempo
Vivendo as horas com tantas histórias, comecei a pensar no sentido do relógio. Um caminho percorrido que não depende de distância... Um vazio que invade os espaços... E que a simples lembrança pode preencher uma voraz saudade, de pessoas que há muito tempo não via. Mesmo que distante em uma volta constante no sentido do relógio vivendo as horas, outra vez comecei a lembrar das velhas historias.
O sentido das coisas não consiste em expectativas criadas, mas em propósitos traçados.
Não basta termos um norte, se não tivermos um farol que nos guie até lá. Objetivos nunca se tornarão conquistas, enquanto mantivermos somente em nossas mentes.
A busca incessante nos trará um cansaço desgastante, porém resultará numa vitória emocionante.
Lutar nem sempre exige uma arma, às vezes precisamos apenas de um passo a frente para vencer uma batalha.
O verdadeiro sentido da empatia acontece quando:
A vitória do outro é uma conquista pra você;
A dor do próximo te machuca;
A felicidade de alguém te alegra;
O frio de um mendigo te incomoda;
A tristeza de alguém te entristece;
A cura de um doente te deixa feliz;
A fome de uma pessoa te comove;
A injustiça de alguém te revolta;
A lágrima derrama te emociona;
O sofrimento de uma pessoa te causa dor;
Quando entendemos que não somos melhores e o melhor é o que podemos oferecer.
O sentido da inspiração é a identificação,
Muito mais que digitar, escrever ou pincelar
É um ato de tocar!
O peito arde, a mente ferve até que se expresse
Ao se expressar, logo iremos nos deparar
Com alguém que precisa dessa leitura para se confortar!
Palavras que traz conforto e que causa confronto
Que traz felicidade e que mostra a verdade.
O verdadeiro sentido do espírito natalino,
Vai muito além de um dia comemorativo.
O cenário não é o comércio e sim o berço,
Não foi coberto com roupas importadas,
Mas com trapos e palhas.
A luz que O iluminou não foram fogos fluorescentes, foi a estrela cadente.
Nasceu para trazer luz, porém morreu numa cruz.
Sua cabeça não foi coberta com o gorro do noel,
Mas com uma coroa cruel.
Mais que comemorar o Seu nascimento,
É viver todos os dias o Seu renascimento.
Quando...
Quando as coisas começarem a não fazer mais sentido;
Quando tudo o que gostávamos, começa a não ter mais nenhum significado;
Quando o que fazíamos com amor, passa a ser um fardo;
Quando o que pensávamos que era amor, deixa dúvidas;
Quando as pessoas ao teu redor não entenderem o motivo da tua estada ao lado delas;
Quando a raiva começa a nos dominar, chegou o momento de parar, pensar e ir em busca de novos caminhos.
A vida possibilita, mostra, ensina, aponta, dá sinais, porém se não estivermos atentos ou não entendermos o significado do seu ensinamento, chegou a hora de partir.
O que é uma perda? Posso chegar a diversas definições,
mas se eu pergunto: qual o sentido de se perder alguém que amamos?
Posso tentar obter uma explicação pela ciências ou
pelas mais diversas formas de crenças, mas
o que possam me explicar não vai me convencer,
porque a dor que fica não permite eu entender.
Não entendo a inevitabilidade do que é natural
e essa certeza me põe em um poço de porquês,
aos quais nunca consigo entender.
Por isso busco responder: Na verdade eu preciso mesmo procurar entender ou apenas aceitar o que não se pode deter?
O Sentido da Vida
Certa vez, quando era criança
Eu pisei na areia
E ao perceber
a marca dos meus pés
Primeiramente pensei
Que elas não estariam mais ali
No dia seguinte
Mas logo em seguida eu pensei
Que antes que o dia terminasse
Poderia ocorrer
um desenlace qualquer
E eu também não estar mais aqui
Antes que sumissem
As marcas dos meus pés
Em pouco tempo
Não restaria nada de mim
E foi assim, desse jeito
Que ao invés de sentir-me triste
ou com medo
Percebi o quanto era feliz
Pois eu havia acabado
de desvendar um segredo:
Eu fazia parte de um todo
Eu era um grão de areia
deixando marcas da areia
Fincando as estacas
Que se tornariam os alicerces
do meu próprio entendimento
Pois, aquele momento
Foi quando eu me senti
Muito próximo Daquela Inteligência
Que Exerce, por Excelência
Todo o Poder de movimentar
Este Universo
Meus passos
Eram iguais a todos os passos
Se deixamos marcas ou não
Essas, tem que estar no coração
daqueles que vão estar aqui
depois de nós
Pois
No dia em que partirmos
Permaneceremos
de alguma forma
Na areia, que marca o tempo
No vento que carrega a areia
Na luz do Sol
Que nos entrega a vida
E a energia que alimenta esta Terra
Pois a vida é uma bela história
Que não faz nenhum sentido
Quando nascemos
É preciso que a gente
Pise antes na areia
Pra dar um sentido à vida
Pois ela terá o sentido
Que a gente der à ela
Edson Ricardo Paiva
No som do silêncio
Eu ouço o ruído
das coisas que penso
Muita coisa faz sentido
Outras apenas se sente
E tanto se sente
Que o corpo fica dormente
O som do silêncio
Se torna um zunido
Uma coisa constante
Como as coisas que penso
E se penso tanto agora
Talvez seja porque não pensei
Quando era hora
A hora voa
Flutua no som do silêncio
Talvez a vida não seja boa
O mente atordoa e se esquece
Talvez de cansaço
Talvez seja entrega
Tarde demais pra pensar na vida
Ouvindo cada vez mais longe
O ruído das coisas distantes
Que mereciam ter sido esquecidas
Adormeço ao som do silêncio.
Edson Ricardo Paiva.
A tarde me convida a fazer nada
Olho pro Mundo, obra mal acabada
Esse convite tem um sentido profundo
é chegada a hora dos noves fora
Meu conhecimento, muito raso nesse assunto
Mesmo no Céu, nada se move
O dia todo eu passo à toa
A noite perde a validade
Este tempo sem qualidade
Não permite ao menos que a garoa
Que vejo cair distante
Me possa servir de distração
Fazer desenhos com a ponta dos dedos
Nos vidros da janela
de maneira singela
Disfarçar esses meus medos
Ledo engano
Nem mesmo a água de todos os mares
Seria capaz
de convercer-me a desistir
de todos aqueles planos
Ano a ano, a cada dia mais longe
Perto de mim, somente a tarde
Que me faz lembrar
Que agora é tarde
Pra fazer desenhos
Fazer planos
Pintar vasos
De repente a chuva vem
e nesse caso
Haverá de ficar por anos
Eu pensava
Que tudo na vida
Podia fazer sentido
Conforme a vida vai passando
A gente percebe que não sente
Que aos poucos vai perdendo
Muita coisa que realmente interessa
O tempo passa
E apesar de passar
Sem nenhuma pressa
Quando a gente olha os tempos idos
Percebe que a vida passou
Rapidamente
A vida passa de repente
Repentinamente
Sem fazer sentido
Ela te escapa e passa
pelos cinco sentidos
Sem ao menos ser sentida
Inesperadamente
a gente olha e sente
Que a vida passa
e Parece que passou por mim
Com muita pressa.
Nunca saberemos
O Real Sentido desta vida
Jamais encontraremos
A real utilidade
daquela jóia preferida
Que transforma
um simples feixe de luz
Naquela coisa colorida
Espalhada em raios divinos
Jamais enxergaremos nada
Enquanto não conseguirmos
Ser simplesmente
Aquele bando de meninos descalços
Correndo felizes na estrada
E de vez em quando
Rindo largamente
dos percalços que a vida traz
Jamais encontraremos
Essa paz, tão procurada
Que encontrávamos às vezes
Num bilhete de namorada
Ou numa roupa complicada
Que um simples colchete fechava
O tempo com a sua maldade
Carregou pra longe...muito longe
Alguma coisa muito boa e pura
Que hoje
A gente tanto procura
E não tem
Mas queria ter
E que, por malícia ou saudade
Convencionamos chamá-la
de Simplicidade.
Quanto mais, em minha vida
Eu procurei descobrir
O valor, o sentido e também
Uma forma de viver sob a Luz
Tanto mais eu descobri
Que não decido meu destino
Há uma força maior
Muito superior a mim e a tudo
E então, simplesmente me leva
Me serve de escudo
Me afasta das trevas
Mas me fez viver a vida toda
sob a cruz
Cruzou meu destino
Com pessoas
A quem eu não queria conhecer
Fez-me cruzar
Com projéteis ogivais
de ponta em cruz
Levou-me a cruzamentos
sem saída
apenas para ver me decidir
e conduzir-me novamente
a caminho de outra cruz
A Cruz que carreguei
Se chama vida
Lugar de pouca Luz
Se fui feliz
Este não era meu destino
Não nesta vida
Aonde já se encontrava
escrita e decidida
Espero ao menos
Que algo tenha valido
Nesta escura busca
Aonde me parece
Ter sido apenas eu
A entender o sentido
da Cruz que Deus me deu.
Qual é o Sentido da Vida?
E o propósito da eterna busca
Pela Luz, que quando alcançada
Há de ofuscar a vista
Por que a Eterna necessidade
Em buscar uma verdade
Que o coração impressione
Por mais que você questione
A vida sempre será
Uma infinita questão
Sem resposta ou solução
Apesar dessa natureza
De a gente sempre encontrar
Uma certeza duvidosa
Não há coração que guarde
Pra sempre com o mesmo frescor
Resposta obtida ontem
Para a pergunta de amanhã
Pensamentos isolados
Trazem respostas Malsãs
Sempre urge inserir novos dados
Extrair a raiz quadrada
Fazer novas apostas e buscar
Respostas
Que não conduzem
À nada
Nada haverá ao final da Jornada
Se na base da equação
Não for adicionada
A propriedade que há em tudo
E deveria fazer saber
Que todas as coisas
Sempre necessitarão
Através de comunhão
Ser divididas e fazer
Todas as pessoas
realmente se sentirem
Amadas em igual medida.
Quanto menos sentido faz a vida
Mais necessário se faz vivê-la
As descobertas diárias e casuais
Me impulsionam querer
Aquilo que eu sei
Que não alcançarei jamais
O vento sopra em todos os sentidos
Todas as emoções que podem ser sentidas
Passam por mim
Deixando o coração assim...ressentido
Perdidas as experiências vividas
Hoje parecem ser melhores
Que no tempo em que povoavam minha vida
Que passa assim...sem sentido.
Um amor com sentido.
Eu quero um amor que me ame
Um amor que não me amou
Pois, a bem da verdade
Não existiu, não ensinou-me amar
Eu, por não saber o amor
Não o sei dizer como é
Eu quero que um amor me queira
Sem saber que me quer
Um amor que ame sem pensar
Que chame meu nome
De maneira inconsciente
Que fique contente ao saber de mim
Sem saber nada a meu respeito
E que mesmo assim
Esse amor me ame do mesmo jeito
Que acorde com saudade
Que se deite tarde da noite
Feliz por saber que existo
Triste por eu não estar por perto
Um amor que espreite
Atrás da grade da janela
Esperando eu passar
Tentando ser discreta
Feliz por me amar
E que não desperte suspeita
Que ama
Mas que ame sem medo
E que tenha grata esperança em meu lugar
Pois viver sem ser amado e nem querido
É coisa que cansa, mas não mata
Mas, em virtude dos amores ruins
Que eu sei que existem nesse mundo
E quando a gente pensa
Num amor que sempre quis
E sabe possível haver amor assim
Meu espírito feliz, consente
E é nesse momento
Que a vida passa a fazer sentido.
Edson Ricardo Paiva
Este mundo é um lugar
Onde as coisas, de vez em quando
Fazem sentido
Basta olhar
Que quando não se entende um olhar
Não adianta dizer palavra
E mesmo assim
A gente as escreve
Pensando que assim
Pode ser que lá no fim do mundo
Pode ser que lá no fim da vida
Deve ter algum sentido pra tudo isso
Senão não teria um motivo qualquer
Nem sequer pra ter nascido
Neste mundo
Um lugar onde as coisas
Normalmente fora de lugar
Aguardando arrumação
Que a gente quase nunca
Encontra tempo suficiente para fazê-la
É triste, é muito triste
Quando se percebe, que fatalmente
Mesmo assim
Há de se ouvir um sentido
No ruido que vem das estrelas
Mudas, perenemente mudas
Meus Deus
Este mundo precisa é de ajuda.
Edson Ricardo Paiva.
Não tive medo da vida
Pois quando aprendi
O sentido da palavra medo
Eu estava muito ocupado
Vencendo todas as dificuldades
Que, por si só
Teriam destruído a vida de muitos
Não tive tempo de sentir medo
Pois o tempo não parou pra isso
Nem busquei uma causa, razão
e nem motivo e nem sentido
A vida passou tão depressa
Que só nesta fase da vida
É que me ocorre o pensamento
Do quanto teria sido inútil
Ter tido o medo que quase senti
Pois a vida não parou pra ser perfeita
Por isso foi sendo refeita todo dia
Qual fosse um castelo de areia
Quando a gente tenta e tenta
E não tem por onde
Pois quando não venta forte
Vem sempre uma onda
De modo que no fim da tarde
A gente percebe
Que nem tudo está perdido
Há uma palavra escondida no vento
O tempo, sem pressa ensina
Que a beleza das coisas
São como promessas, escritas na areia
Mas quando a gente tanto insiste
Em tentar fazê-las
Aprende a fazer desenhos
Nas estrelas que o Céu ponteiam
Por isso não tenho medo
e também não me sinto triste
Existem mais delas no firmamento
do que todas as areias sem firmeza
Que o vento, sem dó
Carrega por entre os dedos
Talvez, por não ter sentido medo
É que descobri
O sentido da palavra vida.
Edson Ricardo Paiva.
Eu tento entender
O sentido de as portas se fecharem
No momento em que cortinas se levantam
Eu tento dar sentido às minhas preces
Minha oração sem ruido
Dirigido em direção à torre
Onde quando era menino
Tinha um sino que me entristecia
Eu tento entender
O que se passava no meu coração
Naqueles dias
Porque não havia ainda a porta certa
Mas a melodia dos sinos
Eram como lindas portas
Que se achavam sempre abertas
E na tarde havia luzes coloridas
Flutuando como borboletas
Quando eu me lembro
De ter me sentido triste naqueles dias
Rebuscando estrelas de madrugada
Sem buscar o sentido da vida
Sonhando voos inexistentes
Num tempo em que se percebe
Que não há razão para a pressa
Nem proteção, quando portas se fecham
Pois, de alguma forma
A alma viaja no tempo
E sobe na torre do sino
E atravessa transparentes cortinas
Tudo isso ao mesmo tempo
Como luzes coloridas
Invisíveis pra essa vida
Breves insetos
Borboletas atrevidas
Quietas
Qual se fossem setas envenenadas
Alma que não se vê, nem se viu
Mas quando também não se ouve
O ruido dos sinos morre
A janela se fecha também lá na torre
Ficou tudo na tarde passada
Muda, sombria
E é só nesse dia
Que se escuta à porta a batida
Mas a alma já está de partida
Sem um ultimo olhar
Despedidas
E o sentido da vida é nada.
Edson Ricardo Paiva
