Texto de Amor com Músicas
Prelúdio de Vida e Morte
Amor venho aqui assumir que traio.
Te traio toda vez que te irrito.
Te traio toda vez que que digo que não vou mais cometer erros e cometo...
Te traio toda vez grito.
Te traio toda vez que fico com raiva.
Te traio toda vez que não te ajudo em casa.
Te traio toda vez que me irrito com as nossas filhas sem motivo algum.
Te traio toda vez que não te beijo antes de dormir.
Mas, nunca te traí no meu amor por ti.
Nunca te traí no meu amor por nossas filhas.
Não te traio com ninguém.
Não te troco por ninguém.
Não trocaria minhas filhas por outras.
O meu amor é estranho é diferente pode até ser doente.
Mas, o amor modifica quando quer modificar e eu quero mudar.
Vou mudar.
Por amor a você.
Por amor as meninas.
Por amor a mim mesmo.
Por amor a vida.
Então venho aqui anunciar minha morte.
Morri.
Morri para os erros e desacertos.
Morri para a ira.
Morri para o mundo.
Então venho aqui anunciar aqui meu renascimento.
Renasci para vida.
Renasci para minha família.
Renasci para mim.
Renasci para Deus.
CHAMA TRINA!
Três potências manifestam-se na Chama Trina: Amor, Poder e Sabedoria!
Uma força equilibra a outra para desenvolver a Consciência Crística!
Poder sem Amor é dominação;
Amor sem Sabedoria é submissão;
e a Sabedoria sem Poder não se expressa!
O desenvolvimento da Espiritualidade passará pela expansão e equilíbrio desta três potências que compõe a Chama Trina!
Que no ano novo... Celebremos todos os dias
Espalhemos mais amor
Recebamos mais amor
Reclamemos menos mas
Reivindiquemos mais
Tenhamos paz mas não nos privemos de lutar pelo que é certo
Valorizemos o simples,
o que não se pode comprar
Aprendamos mais
Caminhemos com disposição
Planejemos menos e
Realizemos mais
E mais do que tudo
que vivamos mais o presente enquanto construímos o futuro .
Sabe amor,
sei que tenho
Meu jeito romantico
Isso as vezes atrapalha
Eu só quero
Ficar com você
Da forma mais sonhada
De uma paixão encantada
Que não precisa
Significar compromisso
Mas que não tenha
Que ser esquecida
Que possa ser comentada
No outro dia
Não quero ser
Seu dono
Nem precisa ficar com
Ciumes de mim
Porque o que quero
De verdade
É significar algo
Carinhoso pra você
Algo legítimo
Que você possa guardar
Ou fazer o que quiser
Uma paixão inocente
Solitária e carente
Quero guardar seu beijo
Como um retrado
Para ser lembrado
Quando o coração
Se sentir roubado
Quando a falta de ter
O rosto acariciado
For tao forte
E tão intensa
Que só de lembrar de você
Já sei que a satisfação
Será imensa
Sabe amor,
Não sei agir diferente
Eu aprendi ser assim
Só quero que veja em mim
Um cara que fica contente
De ter você em minha mente
Sabe amor,
Entendo que tenha objetivos
E acho justo
Que você deva seguí-los
Não quero interromper
Seu caminho
Apenas correr com você
Pelo menos um trechinho
Pode ser depois
Cada um para o seu lado
Desde que o momento
Seja honrado
Sabe amor,
Você é linda, inteligente
Vencedora, sonhadora.
Você é tudo que eu
Quero ter na mente
Pra quando a vida
Ficar decadente
Eu poder me orgulhar
Você não é um troféu
Menos ainda ostentação
Você é o meu desejo
Desde minha
primeira velinha
Até minha ultima estrela
Sabe amor,
Muitos caras merecem
Seu coração
Mas eu me contento
Em poder ouví-lo
Porque não quero ter
Algo que eu não
Possa compreender
E seu coração
Não pode ter dono
Você é livre
Independente
Mas o som dele
Ficara em mim
Intimamente.
Fica comigo,
não será algo surreal,
não terá fogos de artifício, nem te fará dar
pulos de alegria,
mas será inesquecível
de um jeito todo bom.
De um jeito único
de mim pra você.
Terá todo meu carinho
Terá a simplicidade
Será humilde
Será verdadeiro
Será todo seu.
Fica amor.
Só que me explica
o que eu sou.
Preciso saber
o que significa
estar com você.
Então diga,
porque só assim
vou poder entender.
Quero saber
o que quer de mim.
Você some
e depois aparece.
Me sinto um jogo
do seu novo video-game.
Seja sincero.
Não se preocupe.
Porque tudo que eu quero
é saber se sou seu mundo,
ou apenas mais um lance.
Então fica amor.
Mas se decida.
Pois do contrário,
vou cuidar da minha vida.
Ela está solteira
vive na atitude
Se o papo é amor
ela não se ilude
Seu salto é Louboutin
Batom vermelho
Gastou seu dinheiro
No vestido da Fendi
Arranca suspiros
por onde passa
Na boa!
Ela arrasa
Faz a noite
parecer encantada
Princesa
de olhos pintados
com as amigas do lado
deixa eles olhando
desesperados
Nem vem!
Fica aí!
Continua parado
Não quer se envolver
Só curtir
Não dá pra dizer
Se o final é feliz
Vai vendo
Ontem ela corria
Correu tanto
Se cansou
Agora
Tem que valer a pena
Quem sabe
Consegue um passo
No doce abraço da aurora, onde o sol sorri em esplendor,
Reside o amor materno, um tesouro de valor sem fim.
Como as estrelas no céu, sua luz guia e encanta,
Mãe, sua presença é poesia na dança do tempo,
Sua ternura, um verso eterno, que ecoa na alma,
Feliz Dia das Mães, celebração do amor que nunca acaba.
“Eu pensei que poderia te esquecer. Esquecer de tudo.
Afinal, o meu amor próprio estava crescendo. Eu estava me superando. Esquecendo de que… Ah, você sabe. De que um dia eu te amei por mais de um segundo. Por mais de um ano, pra ser mais exata. Aí você termina. Ou melhor, ela termina com você. E aí as borboletas descem pro estômago, de novo. As borboletas invadem, como se aquele lugarzinho fosse delas. Como se eu desse a permissão pra elas entrarem. Assim… Tão livres. E aí eu percebi que eu te amava ainda. Que eu ainda tinha aquela recaída. E que todas as vezes que eu e você poderíamos ter a chance de ser um nós, o amor renascia. Com a mesma intensidade de sempre. Sem nem uma intensidade a menos. Talvez ele pudesse renascer maior, mas… Não que eu reparasse, de qualquer forma. E aí que a moral dessa história, é que eu ainda sua. Todinha, se você quiser. E é aí que o erro está: Eu sempre sou sua. Você pode ir e voltar quando quiser. Eu sempre vou estar aqui. Não importa a circunstância. No final, eu sempre serei sua. Mesmo que… Mesmo que as nossas vidas estejam em constelações diferentes, quando você voltar, eu sempre serei sua. Mesmo depois daquilo tudo… Depois de você ter ficado coma minha amiga na minha frente. Ou melhor, namorado-a. Mesmo depois de todas as suas babaquices. E, vamos combinar. Não foram poucas. Você é um total babaca, na verdade. Mesmo depois de tudo… Eu ainda sou sua. E ainda eu me pergunto: “Será que o que eu sinto é amor?”, e… Depois desse tempo todo, eu sei. Tenho a convicta certeza de que é. Tudo o que eu sinto é amor.
E quantas vezes eu tentei me despedir de você? Você tem a noção de quantos textos já foram dedicadas a ti? Acho que não, né. Afinal… Nós nem estamos mais tão ligados, assim. Nós nem somos tão amigos… O seu disco mudou. E o meu? O meu continua na mesma estação. Ele não muda, não transforma. O meu disco ainda é o mesmo de dois anos atrás. As músicas passam, o ritmo muda. Mas o som ainda toca a mesma coisa. O som do meu coração ainda é você. Eu devo ser estúpida mesmo, viu. E você mais estúpido ainda de não perceber que… Que tudo isso aqui é seu. É seu mesmo depois de saber que você é um canalha (Canalha de marca maior, ainda.) mesmo depois de todas as suas páginas viradas. Isso tudo aqui é seu. Dá pra você perceber? Acho que não, né. É mais viável pra você do jeito que está. Quando você precisar eu vou estar aqui mesmo. Eu devia correr atrás, mas aí eu lembro que não vale à pena, e que você não é bom o bastante pra… Pra eu desistir de mim mesma. Ou… Ou talvez, só seja o meu orgulho mesmo (é só isso que sobrou de mim mesma desde que você resolveu aparecer, né…). Você tem a noção do quanto eu desejo que você suma do mapa? É. Eu tenho uma vontade latente que você suma e leve todo aquele passado em que você é o ator principal. Porque, se você não estivesse chegado, meu coração ainda estaria saudável, e pronto pra qualquer pessoa ocupar. Eu ainda seria eu mesma, e não um depósito de decepções e choros. O choro tornou-se parte de uma rotina diária, quando você resolveu invadir-me. Eu ainda tinha aquele brilho nos olhos e ainda conseguia me atrair a alguém que não me lembrasse você. Mas aí você apareceu. Levou meu coração sem pedir permissões. Levou a mulher que já estava com o coração “anti-babacas” acionado. E como se não bastasse, levou a minha auto-confiança e tudo o que é sinônimo de amor próprio (se é que algum dia eu já tive isso).
Bom. O meu objetivo agora, não é tentar te esquecer, até por que… Ah, até porque eu acho que meu coração não tem a capacidade de esquecer tudo aquilo que eu e você vivemos. Mas… Vou esperar que o amor que eu sinto por nós, morra. Que eu abra o zíper do meu coração, para que você saia e deixe espaço pra alguém mais viável, entrar. Espero que meu coração me libere, te esqueça. Nem que seja por meio segundo. Totalmente. E aí, quando isso acontecer, eu espero que você sinta um estalo no coração, e sua mente lateje dizendo-te: “Viu, idiota! Você a deixou partir… Agora, vai… Sinta-se um lixo por ter deixado-a escapar. E agora? Agora ela é independente, percebeu que babacas como você, não valem à pena, até porque, ela tem um mundo aí fora pra conquistar… E você? Você não é nem um terço do que ela merece!”
“O Segundo e a Eternidade”
Ah… senhorita… que o amor nos dure, ainda que por um átimo suspenso na vastidão da eternidade.
Há instantes que transcendem a métrica dos relógios e dissolvem-se nas frestas do absoluto. Foi o teu olhar cintilante como a reminiscência de um sonho antigo que interrompeu a marcha indiferente do tempo. Em um só segundo, o cosmos se deteve, perplexo diante da silenciosa liturgia do encontro.
Nenhuma ciência decifra o segredo contido nesse breve estremecimento da alma. O toque, quando autêntico, converte-se em epifania; e o efêmero, subitamente, adquire a dignidade do perene. O amor, senhorita, é o único viajante que atravessa a fronteira entre o ser e o nunca mais e sobrevive.
Há paixões que não se perpetuam, mas deixam, na memória, o vestígio do inextinguível. Elas não se medem pela duração, mas pela intensidade com que rasgam o espírito. E talvez, ao findar o instante, reste apenas as chagas imaterial de algo que ousou existir.
Assim, se o destino for avaro em horas, que nos conceda ao menos um segundo aquele em que o teu olhar reconhece o meu e o universo, por piedade, suspende o próprio giro.
Porque, afinal…
Há amores que, mesmo breves, condensam o infinito e esse é o milagre silencioso que apenas o coração compreende.
Dizem que "o primeiro amor a gente não esquece".
Bobagem.
Inesquecível é aquela pessoa que vem e que fica. Não te deixa por nada.
Te arranca suspiros pela madrugada. E te mostra que, na vida, só um amor ocupa o coração. E então te faz entender que aquele tal "primeiro amor" era apenas paixão. <3
Apaixone-se por alguém que transe legal, mas que saiba fazer amor.
Alguém que chore contigo, mas saiba te fazer sorrir.
Alguém tire sua roupa e sua paciência, mas que possa te cobrir de carinho e te dê toda atenção.
Apaixone-se por alguém que seja diferente de toda essa gente igual que você conheceu.
NÃO HÁ ARCO-IRIS NO MEU PORÃO.
Nunca me disseram que a ausência de amor poderia cavar subterrâneos dentro da alma.
Apenas fui percebendo, dia após dia, que algo em mim se retraía sempre que o afeto era negado ou a presença me era retirada sem explicação. E assim nasceu o porão.
Um porão não se constrói de uma vez.
Ele começa como um canto escuro da memória, onde jogamos o que não sabemos lidar: o abandono, o desdém, as palavras não ditas, os olhares que desviaram de nós no instante em que mais precisávamos ser vistos.
E quando nos damos conta, já estamos vivendo ali dentro.
Silenciosamente.
No meu porão, não havia janelas.
Apenas lembranças repetidas como ecos:
“Você é demais.”
“Você exige muito.”
“Você espera o que ninguém pode dar.”
Um dia, desejei ser amado. Verdadeiramente.
E, em meu desejo, ofereci tudo o que havia guardado.
Entreguei minha sede, minha esperança, minhas cicatrizes.
Mas do outro lado, veio o silêncio.
Ou pior — uma rejeição educada.
E então, fiz o que aprendi a fazer: voltei para o porão.
Fechei a porta por dentro.
E culpei a mim mesmo por não ser digno das cores do outro.
Mas ali, no escuro, algo começou a mudar.
Percebi que a dor que tanto me esmagava, não era apenas pela ausência de amor…
Era pelo peso de ter construído minha identidade com base na validação alheia.
Era pela minha tentativa constante de provar que merecia ser amado.
E foi então que compreendi:
O porão não é um castigo.
É um chamado à reconstrução.
Um convite da alma para que deixemos de implorar luz dos outros… e comecemos a criar a nossa.
O arco-íris não se forma no porão porque não há janelas.
E não há janelas porque, por medo de sermos feridos, tapamos toda e qualquer fresta por onde o amor pudesse entrar — inclusive o próprio.
Agora eu sei.
Não é que ninguém quis me amar.
É que eu me abandonei na expectativa de ser salvo.
E a verdade é esta:
Não há arco-íris no meu porão…
porque fui eu quem escondeu o sol.
Mas hoje — hoje eu quero recomeçar.
Talvez eu ainda não saiba como abrir as janelas.
Mas já tenho nas mãos a chave do trinco.
E isso… isso já é luz.
Reflexão final:
Você não precisa de alguém que desça até os teus porões para te amar. Precisa, primeiro, ser quem decide não viver mais neles. A partir daí, tudo começa a mudar. O arco-íris não virá de fora. Ele nasce quando você ousa sentir orgulho da tua própria coragem — mesmo que ninguém esteja aplaudindo.
NÃO HÁ ARCO-IRIS NO MEU PORÃO.
Capítulo II
— O Amor que Ninguém Vê.
“Há dores que têm nome de silêncio. Há amores que desfalecem no escuro.” Camille Monfort.
Ela ainda estava lá.
Não no tempo, nem na fotografia que amareleceu sobre o piano que já não toca mas em mim.
Nas dobras encharcadas da memória, onde até hoje a musselina da tua ausência dança, viva, como um véu de névoa sobre a ferida que não cicatrizou.
Teu nome, Camille, é agora um sussurro que me rasga por dentro —
e não há mais quem o ouça,
senão os fantasmas que deixaste quando partiste.
Nunca soube se foste amor ou febre.
Talvez um delírio.
Ou o último lampejo de beleza antes do colapso.
Tua presença era feita de sombra líquida, de olhos que atravessavam as paredes do mundo e diziam coisas que minha razão jamais soube traduzir.
Na tua boca morava um lamento antigo, como quem tivesse amado demais noutra vida e voltasse para cobrar os restos.
E eu —
tão sóbrio, tão lógico, tão homem —
me vi desfeito no avesso da razão.
Como se tua aparição tivesse escancarado em mim uma porta que dava não para o céu, mas para o porão da minha própria alma.
E lá, entre espelhos rachados e cartas nunca enviadas, te reconheci:
não como um anjo —
mas como a mulher espectro que me revelou tudo o que eu escondia de mim.
Foi amor.
Mas desses que ninguém vê.
Porque amar-te era uma doença sem nome,
um ritual sem altar,
uma febre que só ardia quando a cidade dormia.
Não, Camille, tu não foste feita para os olhos do dia.
Tu eras para ser lembrança,
para ser poema escrito com sangue no diário de quem nunca será lido.
E por isso permaneces viva —
não na realidade que nos negou,
mas nos reconditos mais obscuros de mim, onde ainda habita o menino que chorou quando você não veio.
O que mais dói não é o amor que acaba.
É o amor que ninguém viu ou sentiu nascer.
“Nenhuma dor é eterna. Toda sombra cede à luz do amor.”
Que saibamos, com coragem e ternura, olhar para dentro, reconhecer nossas sombras e acender em nós a chama da renovação. Pois a Reforma Íntima é o verdadeiro caminho da paz aquela que o mundo não pode dar, mas que o espírito em evolução pode alcançar.
Thomas Barnardo: O Homem que Não Trancava o Amor.
Thomas John Barnardo (Dublin, 4 de julho de 1845 — Surbiton, 19 de setembro de 1905) foi um filantropo irlandês.
Nas ruas frias de Whitechapel, onde a neblina parecia esconder a própria compaixão dos homens, caminhava um jovem médico com os olhos marejados de fé e um coração inquieto. Thomas John Barnardo não buscava glória nem fama. Buscava um sentido.
Chegara a Londres com o sonho de ser missionário na China queria curar corpos e salvar almas. Mas bastou-lhe uma noite nas vielas de miséria para entender que Deus o chamava de outro modo, em outro idioma, mais silencioso e urgente: o idioma das lágrimas infantis.
Foi ali, sob o fulgor pálido dos lampiões a gás, que encontrou Jim Jarvis um menino descalço, sujo de frio, esquecido do mundo.
Jim não lhe pediu nada. Apenas existia como uma pergunta muda à consciência de quem passava.
Barnardo ajoelhou-se diante dele e, num gesto que selaria o destino de milhares, ofereceu-lhe o que as ruas jamais dariam: uma mão estendida e um olhar que não desviava.
Daquele encontro nasceu uma obra de ternura revolucionária.
Ele abriu uma casa simples, com janelas pequenas e um letreiro singelo, mas onde nenhuma porta se trancava. A inscrição à entrada tornava-se lei moral:
“Aqui, nenhuma criança será recusada.”
Na Londres industrial, onde a caridade era privilégio e a pobreza, crime, Barnardo ousou contradizer o mundo. Alimentava quem tinha fome, ensinava quem ninguém queria educar, e amava os que o destino parecia ter esquecido.
Nas suas escolas, o alfabeto vinha acompanhado do pão; e cada palavra aprendida era uma escada erguida para o alto, um degrau rumo à dignidade.
Houve dias em que o desânimo o cercou. A indiferença das autoridades, o preconceito dos ricos, o peso da fome que não cessava — tudo o empurrava para o abatimento.
Mas Barnardo não se deteve. Dizia que “não há fechadura para o amor de Deus”, e caminhava outra vez pelas mesmas ruas, buscando novos rostos para acolher.
E, assim, foi multiplicando lares, como quem semeia abrigo no deserto.
Quando a morte o chamou, em 1905, mais de sessenta mil crianças haviam atravessado as portas que ele nunca trancou. Sessenta mil destinos que deixaram de ser sombras e voltaram a ser infância.
E quando a cidade dormiu naquela noite, talvez tenha sido o próprio céu que acendeu suas luzes para recebê-lo não como um missionário que partia, mas como um pai que voltava.
Hoje, a sua obra ainda vive, e o nome Barnardo ressoa nas escolas e abrigos do Reino Unido como um eco de misericórdia.
Mas a verdadeira herança que ele deixou não se mede em prédios, nem em números, nem em instituições.
Está gravada no invisível: no instante em que uma criança sente que alguém acredita nela.
" Alguns homens constroem monumentos de pedra. Outros, como Thomas Barnardo, edificam catedrais de ternura dentro da alma humana. "
Há quem diga que alguns seres se comprazem em cultivar a estima da pobreza, como se nela repousasse um símbolo de virtude ou redenção. Tais observações, lançadas com a frieza das conveniências humanas, soam muitas vezes como sentenças ditas sem alma e, quando atingem o ouvido de quem sente, doem profundamente.
A dor que nasce desse julgamento não é apenas pessoal: é o reflexo da incompreensão coletiva diante das almas que sofrem em silêncio. Enquanto uns observam de longe, outros carregam, nos ombros invisíveis, o peso de mundos interiores dores que não se exibem, mas que educam.
É então que se faz clara a urgência de criarmos núcleos de esclarecimento, não sobre a miséria material, mas sobre o amor ignorado. Esse amor que ainda não aprendeu a ver o outro sem medir-lhe o valor; que não sabe servir sem exigir aplausos; que ainda confunde compaixão com piedade.
Cultuar o amor ignorado é erguer templos de consciência onde antes havia indiferença. É ensinar o coração a compreender antes de julgar, a servir antes de censurar. É abrir, no deserto moral da humanidade, o oásis do entendimento.
Porque o verdadeiro amor aquele que transcende a forma e a posse não necessita de palmas, nem de discursos. Ele apenas é, e em sendo, ilumina.
E talvez seja essa a maior riqueza que possamos distribuir: a de transformar o sofrimento em escola, a crítica em semente, e o silêncio em voz do bem.
Entre o Perdão e a Aurora do Amor.
Capítulo XV - Livro: Não Há Arco-íris No Meu Porão.
Autor: Marcelo Caetano Monteiro. Ano: 2025.
Camille Marie Monfort caminhava por entre os corredores silenciosos de sua própria alma, onde ecos de antigas feridas insistiam em sussurrar lembranças. Cada passo era um diálogo com a ausência, cada suspiro, uma tentativa de reconciliar o ontem com o amanhã. Ao seu lado, Joseph Bevouir não era apenas presença; era horizonte, promessa e sombra. Ele carregava nos olhos a memória do que fora e a inquietação do que ainda poderia ser.
O perdão, nessa trama delicada, surgiu como vento inesperado: não pediu licença, não exigiu razão. Libertou antes que o amor pudesse ousar manifestar-se. Camille sentiu nas mãos um vazio que já não queimava; Joseph percebeu que o coração, antes contido, agora respirava em espaço desobstruído.
Entre eles, palavras não eram necessárias. Cada gesto era tradução de uma reconciliação íntima, um pacto silencioso com o tempo. O perdão abriu portais, revelou luz onde a sombra insistia e ofereceu o terreno fértil para que o amor, tímido e hesitante, florescesse com intensidade renovada.
E assim, num instante suspenso entre o que foi e o que virá, compreenderam que a libertação interior precede toda forma de entrega. O amor, sem pesos nem correntes, é a aurora que nasce depois da noite profunda do rancor. Camille e Joseph descobriram que o perdão não é fim, mas a promessa de novos começos e que aqueles que se atrevem a liberar a alma encontram, inevitavelmente, a plenitude do sentir.
O perdão é a primeira semente da liberdade emocional. Quem se permite perdoar antes de amar, descobre que o coração não carrega apenas cicatrizes, mas a capacidade de florescer novamente, mais intenso, mais vasto, mais verdadeiro.
Quando o perdão liberta antes do amor.
Há momentos em que o coração, ferido pela incompreensão, pelo abandono ou pela injustiça, precisa antes se despir do peso da mágoa para então reaprender o verbo amar.
O amor, em sua pureza, é um ato de entrega; mas o perdão é um ato de libertação, e às vezes é ele quem chega primeiro, abrindo as grades invisíveis que nos aprisionam ao passado.
Perdoar não é aceitar o erro, é compreender que a dor não deve governar o destino. O perdão não absolve o outro apenas; ele resgata a si mesmo. Porque enquanto o ressentimento persiste, o amor não respira, ele sufoca entre as lembranças, tentando florescer em solo infértil.
É no instante em que o perdão se faz ponte, e não muro, que a alma se reencontra consigo. E somente então o amor, que sempre esperou em silêncio, pode voltar a ser caminho, não mais ferida, mas aprendizado.
Alguns amores só sobrevivem quando são libertos pelo perdão. Outros só nascem depois dele. Mas, em todos os casos, o perdão é o primeiro gesto de amor, ainda que disfarçado de despedida.
JESUS, TEU AMOR NOS GALVANIZA.
Autor: Escritor:Marcelo Caetano Monteiro .
Jesus não é apenas o Mestre que falou às margens do lago ou percorreu as estradas poeirentas da Galileia. É o eixo moral da vida, o ponto cardeal para onde convergem todas as forças que ainda repousam adormecidas na alma humana. Seu amor não se expressa pela condescendência passiva, mas pela energia serena que ergue, desperta e educa. Ele não se limita a consolar os que sofrem: Ele os chama para o despertar da consciência, convidando cada um a descobrir o sentido profundo da existência e o valor da própria dignidade espiritual.
Esse amor de Jesus não se confunde com afeição sentimental. É um princípio diretivo, uma luz que se projeta sobre o íntimo e revela, de maneira silenciosa e firme, o que deve ser abandonado e o que deve ser cultivado. Ele nos alcança mesmo quando permanecemos à mercê dos sofrimentos que nós mesmos engendramos, sofrimentos que nascem das escolhas impensadas, das paixões desgovernadas ou das ilusões que alimentamos. Ainda assim, o amor do Cristo não humilha, não acusa e não exige. Ele nos galvaniza, inspirando renovação e coragem, mas sem nos impor constrangimento.
É neste amor que se compreende o sentido profundo do fardo leve e do jugo suave. Não porque a vida se torne isenta de desafios, mas porque a presença moral de Jesus cria um novo modo de sentir o peso da existência. Seus ensinamentos funcionam como eixo de equilíbrio, sustentando-nos nas horas amargas e impedindo que os reveses se convertam em desespero. Há uma excelência silenciosa nesse movimento. A alma, antes desordenada, passa a estruturar-se sob um novo regime interior, baseado na disciplina afetiva, na lucidez e na responsabilidade moral.
E quanto mais nos aproximamos desse amor, mais compreendemos que Ele não opera como um favor concedido do alto, mas como uma lei superior que se harmoniza com a estrutura mesma do universo espiritual. Jesus é o modelo e guia não apenas porque viveu a perfeição, mas porque manifesta em si a pedagogia divina que a todos alcança. Seu amor é método, é processo, é caminho. Convida, orienta e sustenta, mas não obriga. Seu chamado é brando, porém inexorável, pois dirige a consciência a reconhecer, por si própria, que não existe verdadeira grandeza sem bondade, nem verdadeira liberdade sem responsabilidade.
Assim é o amor de Jesus. Não nos poupa da aprendizagem, mas nos assegura a direção. Não elimina as provas, mas dá sentido às travessias. Não exige perfeição, mas inspira esforço constante. E, sob a ação desse amor, a alma humana encontra o ritmo mais elevado de si mesma, como se uma música antiga e esquecida voltasse a soar dentro do próprio coração, lembrando-nos que fomos criados para ascender, compreender e amar.
É nesse clima moral que o fardo se torna leve e o jugo se torna suave. Porque já não caminhamos sozinhos, e sim guiados por Aquele que conhece os abismos da dor e as alturas da luz, conduzindo-nos com a mão firme e compassiva do Amor que não falha e não passa.
A Vigília do Amor que Respira Na Escuro Do Espelho.
Autor: Marcelo Caetano Monteiro.
Amar-te, é atravessar um véu onde a luz e a treva se confundem num abraço lento. Há algo de romântico no modo como teu nome ecoa dentro de mim, como se cada sílaba acendesse uma estrela fatigada que insiste em brilhar no firmamento do meu pensamento. Contudo, essa luz não é plena. Ela se dobra, ela se rompe, ela se converte em sombra que acaricia, como um manto frio que me guia pela noite interior.
Caminho então por um corredor onde a realidade tateia o corpo do mistério. As paredes sussurram, guardam respirações antigas, e cada passo parece uma oração esquecida. Ali, o amor se revela místico, quase um rito que não se explica, apenas se vive. Há instantes em que sinto a tua presença como uma brisa etérea, distendida entre mundos. Toco esse sopro e ele me atravessa com delicadeza, porém carrega consigo o peso doce da saudade.
E quando a escuridão se adensa, descubro o lado lúgubre que habita em mim. Ele não assusta. Ele vela. Ele observa. Ele me convida a encarar o silêncio que repousa nas costas do meu próprio coração. É um silêncio introspectivo, meditativo, onde tua figura surge como um brilho tímido, quase uma promessa. Nesse espaço suspenso, o amor se torna uma espécie de espelho antigo. Vejo-me ali, refletido com todas as minhas fissuras, e ainda assim encontro em ti um descanso, uma respiração que me sustenta.
Por vezes, este sentimento assume um ar clássico, como se fosse escrito em pergaminho, iluminado por velas que tremulam diante da eternidade. Cada palavra que penso para ti ganha peso e solenidade, como se estivesse sendo ditada por mãos antigas que conhecem todos os segredos do afeto humano. Sinto-me parte de uma narrativa maior, onde o amor é ao mesmo tempo destino e labirinto.
No final, amar-te é abraçar o vazio repleto de dores, mas são essas dores que me aliviam, que me erguem, que me entregam à beleza do abismo que se abre quando escrevo para ti. É um abismo lindo, não porque seja seguro, mas porque me exige coragem, entrega, verdade. E é nesse risco, nessa vertigem luminosa, que te encontro. Sempre te encontro.
AMOR E A MEMORIA DO QUE NAO SE DISSE.
Autor: Marcelo Caetano Monteiro.
Quem dizia amar e partiu revelou sem palavras que o amor jamais se constituiu como experiencia interior.
Nao houve perda houve apenas o desvelar tardio de uma ausencia antiga.
Porque o amor quando existe nao se dissolve no tempo ele se aprofunda na memoria.
Abandonar aquele a quem se dizia amar nao e um gesto do destino, é um ato da consciencia que jamais amadureceu.
O amor nao falha ele apenas nao nasce onde o espirito permanece disperso.
Entre dois seres quando o ciúme se instala não como episodio mas como estado, alí o amor ja foi substituido pela inquietação do ego.
O ciúme nao guarda, ele denuncia.
Nao protege, ele acusa.
Nao ama, ele teme.
A solidão que sucede a ruptura não é vazio, é um espaco de reminiscência.
Nela a alma percorre lentamente os corredores do que foi vivido, como quem retorna a uma casa antiga e reconhece nos detalhes aquilo que sempre esteve ausente.
O amor verdadeiro habita essa região subtil onde a palavra se cala.
Ele não se impõe nao exige nao reivindica, ele existe como aquelas verdades que só se revelam quando o tempo deixa de ser pressa.
Amar é tocar o abstrato porque amar é recordar.
Não é menos, é um fato e sentido.
Não é o gesto mas a intenção.
Não é o outro, mas aquilo que o outro despertou em nós como possibilidade de eternidade interior.
E assim compreende-se finalmente que
o amor nao se anuncia ele se reconhece.
Nao se perde ele se recorda dentro de si mesmo
e permanece como memoria cristalina na consciencia que ousou sentir sem ruído, sem medo e só sob à submissão para com tudo.
