Texto com a Palavra Ouse Ousar Ousadia Alma
Nesse mundo,
assim como é...
todo dia
a palavra perdida
mata a poesia da vida...
ou a poesia encontra
a palavra certa
para sobreviver...
Nesse mundo
árido e ruidoso,
a cada dia morre
uma poesia,
estrangulada
pela palavra errada
fria, vazia, desalmada...
Mas às vezes,
num sopro de lucidez ou milagre,
a poesia se ergue das cinzas,
encontra a palavra exata,
e respira vida...
Nesse mundo imperfeito,
há dias em que as palavras
se perdem
e a poesia se cala,
ferida...
Mas quando uma palavra
encontra o seu lugar
no coração do verso,
a vida volta a pulsar
em forma de poesia...
✍©️@MiriamDaCosta
Sou fascinada pela palavra
em estado bruto,
antes da forma,
antes do adorno,
nua, crua e cortante
quando ela ainda sabe golpear.
A palavra que toca fundo,
que atravessa,
que deixa marcas.
Escuto-a ao contrário,
como quem busca
o eco secreto do sentido,
e nesse movimento
me deixo avassalar
avassalando.
Quando preciso vesti-la,
faço-o com deleite,
como quem escolhe
um tecido tênue
para a própria alma.
Mas meu amor maior
é pelo seu avesso silencioso,
aquele que só responde
quando tocado no escuro,
onde os significados sangram
em sentimentos vivos.
Sou excessiva
e visceral na linguagem
e delicada no gesto,
habito o extremo
e me encanto com a ternura.
Vai entender…
sou palavra em contradição viva.
E nessa contradição linguística,
entre visceral e tênue,
os meus versos harmonizam-se
na minha essência.
✍©️@MiriamDaCosta
A Palavra de Deus sempre me ensinou: “Seja forte e corajosa”. Durante toda a vida, fui chamada de forte por aqueles que não conhecem a minha história por inteiro. Mas a verdade é que eu não sou forte o tempo todo, apenas nunca deixei de permanecer em pé.
Já enfrentei lutas, como qualquer pessoa que agora me lê. Atravessei mares sem saber nadar. Construí pontes sem ter materiais nas mãos; pontes erguidas apenas pela imaginação e pela fé.
Vesti a armadura da força, e talvez tenha sido ela que, aos poucos, me construiu por dentro. Medos? Eu tenho. Sempre tive. Mas a coragem nunca me faltou. Alguns medos eu guardei em silêncio, outros rasguei como papel.
Ser forte não é não sentir medo. Ser forte é continuar enfrentando, mesmo sem saber se vai perder ou ganhar.
Nildinha Freitas
HIPOCRISIA SOCIAL
A palavra hipocrisia, em sua origem, denota a representação de uma personalidade diferente de quem a representa. Em cena, cômica ou trágica, atores mascarados desempenham bem ou mal um papel, fingem ser outra pessoa, contra sua própria natureza.
O fato é que todos nós vivemos em um grande, porem medíocre teatro, e a representação perfeita de quem realmente somos é proibida.
Ao nascer neste palco de loucos, somos convidados a representar, com máscara de hipocrisia aquilo que agrada ao mundo.. Então aceitamos, uns menos convencidos que outros do papel que terá que representar, outros afoitos vão além do enredo, do texto escrito pela circunstância histórico-cultural.
Se do nada, nada pode sair, penso que tudo que criamos poderia ser de outra matéria, caso este destino fosse escrito e encenado de outra maneira.
Texto diário para o blog evandocarmo.com
A guerra
é a maior demonstração
de falência da racionalidade.
É quando a palavra
é substituída pelo projétil,
o argumento pela pólvora,
a diplomacia pelo luto.
É o ápice
da inteligência técnica
e o abismo
da inteligência ética.
Porque pensar
é construir pontes.
Guerrear
é dinamitar margens.
Quando a razão
adoece,
quem sangra
é a humanidade.
A guerra
é a resposta imediata
dos parvos.
E no fim,
sempre no fim,
resta a pergunta
que poderia ter sido feita
antes do primeiro disparo...
✍©️@MiriamDaCosta
O que é matemática?
Quando a gente ouve a palavra matemática, muita gente logo pensa em conta difícil, número grande, fórmula complicada… e aí já dá vontade de fechar o caderno. Mas a verdade é que a matemática é bem mais próxima da nossa vida do que parece. A matemática nasce quando a gente conta, compara, mede e toma decisões. Ela aparece quando alguém divide um pão para todo mundo comer igual. Quando calcula quanto vai gastar no mercado.
Quando olha o relógio para não perder a hora do trabalho.
Quando planeja o mês para o dinheiro dar até o final.
Mesmo quem diz “não sei matemática” já usa matemática todos os dias — só não chama ela por esse nome.
A matemática também é uma forma de organizar o pensamento.
Ela ensina a gente a raciocinar com calma, a resolver problemas passo a passo, a não desistir logo no primeiro erro. E errar, aqui, faz parte do caminho — ninguém aprende a andar sem tropeçar.
Não é só sobre números.
É sobre pensar, entender, procurar soluções.
É como um treino para o cérebro, do mesmo jeito que exercício é treino para o corpo.
A matemática não exige pressa, exige persistência.
Ela não escolhe idade, nem passado escolar.
Ela não pergunta se você parou de estudar antes — ela só pede uma coisa: disposição para tentar de novo.
E talvez o mais bonito seja isso:
cada vez que você entende um cálculo, resolve um problema ou percebe que “não era tão impossível assim”, você prova para si mesmo que é capaz.
E isso vai muito além da matemática.
No fundo, aprender matemática é aprender a confiar mais em si, a enfrentar desafios e a perceber que o conhecimento não tem prazo de validade.
A matemática não é um bicho-papão.
Ela é uma companheira silenciosa que sempre esteve com você — agora é só aprender a enxergá-la com outros olhos.
Durante milênios, a palavra ‘mulher’ foi usada para descrever uma realidade biológica: o sexo feminino da espécie humana. Mas nas últimas décadas, surgiu uma nova forma de entender essa palavra, não apenas como biologia, mas como identidade.
E é aqui que nasce uma das discussões mais complexas do nosso tempo. De um lado, pessoas afirmam que ser mulher é, antes de tudo, uma experiência interior, uma identidade vivida.
De outro, há quem diga que a palavra ‘mulher’ não pode ser separada do corpo, da biologia, da história material de quem nasce do sexo feminino.
O conflito não é apenas político.
É filosófico.
Estamos discutindo uma pergunta antiga da filosofia: o que define aquilo que algo é?
É a natureza?
É a experiência?
É a linguagem que escolhemos usar?
Quando uma sociedade redefine palavras fundamentais, como homem, mulher, sexo ou gênero, ela não está apenas mudando um vocabulário. Ela está reorganizando categorias inteiras da realidade social. E toda mudança desse tipo inevitavelmente gera tensão, dúvidas e debates.
Quando uma época perde a coragem de encarar a realidade, começa a reinventar as palavras para não ter que enfrentá-la.
No meio da bagunça,
alguém ri comigo
e o mundo fica menor.
Uma palavra boba,
um “idiota” dito com sorriso,
e tudo perde o peso.
Tem gente que não chega fazendo promessa,
chega ficando.
Que não cuida com discursos,
cuida com presença.
Com algumas risadas,
eu encontro abrigo.
Com algumas pessoas,
ser quem eu sou basta.
Se a vida às vezes cansa,
é porque esquece de avisar
que ainda existem encontros
que salvam o dia
sem fazer barulho.
A oração, a leitura, a meditação e o estudo da Palavra de Deus são um remédio eficaz para a desintoxicação virtual, porque nos afastam do excesso que distrai a mente e nos aproximam da presença de Deus, renovando o coração, purificando os pensamentos e alinhando a vida com a vontade do SENHOR.
(Cf: Josué 1.8; Filipenses 4.8)
Cala palavra
Fala gesto
Move corpo
Torto
Pira palavra
Gesto pára
Corpo sente
Frio
Cada palavra
Gesto fala
Corpo move
Quente
Se eu fosse razão
Não seria emoção
Se eu fosse regra
Não seria surpresa
Se eu fosse eterna
Não seria saudade
Se eu fosse eu
Se eu fosse eu, diria: te vivo,
sem medo da palavra, sem ensaio.
Se eu fosse eu, me amaria mais,
com menos culpa e menos atraso.
Se eu fosse eu, não seria loira,
nem moldaria o cabelo ao olhar alheio.
Se eu fosse eu, não odiaria o ouro,
nem carregaria rótulos que não são meus.
Se eu fosse eu, não teria fama,
nem nomes que não escolhi vestir.
Se eu fosse eu, talvez fosse melhor pra você,
ou apenas verdadeira o bastante pra existir.
Se eu fosse eu, choraria tudo
o que aprendi cedo demais a calar.
Se eu fosse eu, talvez meus pais
me enxergassem além do que é fácil notar.
Mas eu sou.
Só escondo o que pulsa no coração.
Você teria interesse em saber?
Em quebrar meu medo de dizer?
Se eu fosse eu, não perguntaria.
Se eu pudesse ser eu…
o que eu faria?
Ela e o Jardim
Ela tinha mãos de cuidado
e um sorriso que abraçava sem dizer palavra.
Amava o jardim
como quem conversa com a vida,
entre ervas, frutos e silêncio.
Faltava uma rosa vermelha…
e mesmo com o corpo cansado,
foi com coragem que ela plantou esperança na terra.
O tempo levou sua presença,
mas não levou seu amor.
Porque um ano depois,
a rosa floresceu —
como ela sempre foi:
forte, bonita
e impossível de esquecer.
O nome dela era Irma.
O Significado do Amor
Amor não é palavra dita ao vento,
nem promessa feita na pressa do momento.
É escolha diária, silenciosa e firme,
é ficar quando tudo parece partir.
É tocar as cicatrizes sem medo,
beijar as falhas como quem encontra abrigo.
É enxergar o caos no outro
e ainda assim chamar de lar.
Amor é paciência que não se cansa,
é mão estendida no meio da tempestade.
É olhar nos teus olhos e reconhecer
que o meu futuro começa aí.
E se me perguntarem qual é o seu significado,
eu não direi conceitos, nem teorias bonitas.
Direi apenas o teu nome —
porque amar, para mim, é você.
Quero viver o extraordinário
ao lado de uma mulher
que não tenha medo da palavra seriedade.
Não por falta de leveza,
mas porque já entendeu que
Pamar de verdade é escolher ficar.
Quero alguém que veja meu silêncio
e não tente consertá-lo, apenas caminhe comigo.
Que toque minhas cicatrizes com respeito, sabendo que cada uma delas é prova de que eu senti fundo.
Não busco um amor perfeito,
busco um amor inteiro.
Daqueles que crescem na conversa tardia, no cuidado simples,
no “fica” que não precisa ser dito.
Porque o extraordinário não está no excesso, mas na constância de dois corações maduros.
E se for pra amar, que seja assim:
sem jogos, sem medo, sem fuga
— sério, intenso e verdadeiro.
Não basta ouvir o som da Tua voz,
Se ela morre antes de virar chão.
A Palavra é semente viva em nós,
Pede mãos, passos e direção.
Há quem escute e se engane no espelho,
Vê a verdade e logo a deixa cair.
Mas Tua voz não é eco passageiro,
É caminho que chama a seguir.
Ensina-nos a viver o que lemos,
A transformar o verbo em ação.
Que o amor seja gesto pequeno,
E a fé, movimento do coração.
Pois ouvir sem viver é silêncio disfarçado,
É fé sem corpo, sem luz, sem raiz.
Queremos ser Palavra encarnada,
Praticantes do amor que Tu dizes.
Ouço Tua voz ecoar no meu interior,
Tua Palavra é viva, é luz, é correção.
Não quero ser apenas mais um ouvinte, Senhor,
Que concorda com os lábios, mas nega com a ação.
Como um espelho que revela quem eu sou,
Tua verdade mostra o que preciso mudar.
Não me deixe esquecer o que em mim Tu tocou,
Ensina-me a viver o que aprendi ao Te escutar.
Eu quero viver o que eu prego,
Ser a Palavra em movimento.
Não só ouvir, mas obedecer,
Que minha fé tenha vida em cada passo que eu der.
Eu não quero me enganar,
Quero a verdade em mim reinar.
Guarda a minha boca, purifica o meu falar,
Que minhas palavras reflitam o Teu amor.
Que minha religião seja vida no agir,
E não aparência sem temor.
Transforma-me por inteiro, Senhor.
Ser emo nunca foi uma fase ou um mero modismo pra mim. Mesmo antes de conhecer essa palavra, já era a personificação do seu significado. O emo, tanto o original, enquanto vertente do rock, como no aspecto do estilo, assim como modo de ser, sempre me agradaram e foram parte de mim. Conheci um pouco antes de se tornar um modismo, e nunca neguei ser e gostar.
Quando gosto de algo, não me importa se ninguém conhece, se ninguém gosta, se é uma "moda do momento" ou se é extremamente popular. Pra mim, a única coisa que sempre importou foi se eu gostei ou não. Se me identifico, se aquilo conversa com o meu mundo particular, se me agrada.
Lembro de uma amiga que dizia que quando eu estivesse um pouco mais velha, veria como não gostaria mais do emo e nem me afirmaria como tal. Bom, ela se enganou. Fui, sou e sempre serei emo. Keep emo alive! Mantenha o emo vivo! Viva a cena alternativa!
- Marcela Lobato
Soneto de Nenhuma Dor
Nenhuma dor dói mais que dor nenhuma,
Nenhuma palavra pode até ser um soneto,
Nenhum sorriso não quer dizer tristeza,
Nenhuma verdade torna o silêncio obsoleto.
Nenhuma dor me traz a solidão,
Nenhuma ausência me faz sentir sozinho,
Tanta paixão me deu nenhum amor,
A solitude amplia meu caminho.
Nenhum ocaso me faz pensar que é tarde,
Nenhuma verdade me faz refém do medo,
Nenhum perdão me ameniza a mágoa.
Nenhuma lembrança é a dor que ainda arde,
Nenhuma saudade tem o gosto azedo,
Nenhuma agrura me arranha a alma.
Cetemque é palavra de vocabulário degradativo.
Meio que um pronome-verbo-impositivo.
Quando usado, só tem a 1ª pessoa:
eu, eu, eu.
Mas é um EU diferente.
Um tipo de acusativo mal conjugado.
Eu cetemqueio não existe.
Nós cetemqueamos é um coach triste
Seu cetemqueado, dá até pra xingar.
O infinitivo, sem sentido, seria cetemquear...
mas não há.
Em 2ª pessoa fica redundante.
É obvio que o cetemque é só pra tu.
É obvio que o cetemque é só pra você!
E em 3ª pessoa? Ele, ela...?
Ah, nesse caso a mudança seria toda radical:
Eletemque toma forma fofocal
e hiperboliza o lexical.
Quem se esconde atrás da mentira,
acaba deixando o rastro no chão.
A palavra pode até enganar,
mas o olhar sempre entrega a intenção.
Mentir para descobrir é tropeço,
é cavar buraco no próprio terreno.
Porque a verdade, cedo ou tarde,
bate à porta sem pedir terreno.
E quem pensa que mente por esperteza,
não percebe que mente a si mesmo primeiro.
A mentira pode até abrir uma porta,
mas nunca leva a um destino verdadeiro.
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