Tenho um ser que Mora dentro de Mim
A Coroa de Vidro
Deixo o teu palco e apago a luz,
cansei de ser plateia do teu ego.
O teu amor é um fardo que conduz
a um labirinto onde eu andava cego.
Quebras o espelho onde te achavas rainha,
pois meu reflexo não te serve mais.
No teu teatro a decisão foi minha,
não serei eco dos teus próprios ais.
Tua coroa é fria, feita de gelo,
brilha por fora, mas não tem calor.
Usavas minha vida como um adereço,
chamando de posse o que era amor.
Resta-te o trono da tua vaidade,
no altar vazio que você ergueu.
Retomo meus passos, minha verdade:
quem perdeu tudo hoje não fui eu.
Contei-te o meu poder, revelei o meu ser, mas no fundo, a única certeza foi o permanecer.
Este sentimento tenebroso que envolve os meus ombros, controla os meus abraços e dicta as minhas lágrimas. Um sufoco silencioso, uma dor escondida e uma tentativa perdida.
Hoje jamais diria ser subjetiva, sem pensar duas vezes na minha vida. Portanto, tu, escuridão do meu dia, devolve a minha perceção e deixa esta fantasia.
Olho para aquela sala cheia de pessoas e a única coisa que me perturba, não é a presença de alguém, mas a falta de ninguém.
Procuro razões para o que fizeste, não sei bem no que te meteste, mas no fundo foste só mais um mestre.
A vida é dura e cruel, fecha os olhos e sê fiel. Perceberás que a sobrevivência não depende do teu poço, mas sim daquele esboço.
Faça tudo que tiver que ser feito com muita intensidade e verdade, seguindo no teu ritmo em sintonia com a proteção de Deus...
ATALHO PARA SER LUZ
Dar importância à vida de seu semelhante é o caminho mais sábio para fazer a sua brilhar. Você os enternece de uma forma tão esplendorosa. Não retenha nada; seja um doador e receptor. Quanto mais você se doa, mais o Céu se expande para celebrar a sua história!
Lu Lena / 2026
ECO DAS CINZAS
(O Legado do Efêmero)
Eu faço minha história agora, para ser lembrada na memória de quem ler meus manuscritos jogados ao vento... após minhaimpermanênciano tempo.
Lu Lena / 2026
O POUSO RASANTE DO SER
(Diálogos entre o cosmos e o abismo de si)
O meu “eu” atrelou-se à Terra e minha forma etérea decolou em uma viagem astral. Vi-me em uma linda nave espacial. Avistei viajores do tempo e o incomensurável arco-íris no cosmos. Então, encontrei a Deusa Ísis, que me disse:
— Vieste buscar o tesouro? Não o encontrarás aqui, pois ele está incrustado nas encostas mais íngremes do teu subconsciente.
Atrelagem em pouso rasante. Um sonho que desperta!
Lu Lena / 2026
O AVESSO DO RASCUNHO
(Entre marcas de expressão, a liberdade de ser essência lapidada)
Ontem, eu era um rascunho mal traçado. Hoje, quando olho no espelho, vejo marcas de expressão, rugas e fios brancos que sinalizam: sou uma sobrevivente de um passado que marcou e machucou, mas que também me fez feliz. Tive minha evolução!
Na tela do celular, distraio-me brincando com as letras até formar minha poesia e os escritos que quero deixar como legado — para que se lembrem de que minha essência, agora lapidada, permanece. Entre uma rolagem e outra, observo o sol que parece ser de plástico, enquanto rego, com lágrimas secas, o meu próprio caos.
Vivo num mundo caótico onde a esperança se renova a cada adormecer; pois é no sono que, desprendida da matéria, sou totalmente liberta.
Lu Lena / 2026
A CHAMA QUE NÃO SE APAGA
Quem trata a esperança como vela morre no escuro; ela tem que ser incêndio para que ninguém ouse chegar perto e tentar apagar.
Lu Lena / 2026
ALMA DE PLUMA
(A arte de se tornar leve para ser conduzido pela vida)
Refunda tua alma nesse barro chamado Terra, em formato de uma pluma, para que tenha leveza e possa flutuar no céu e Deus soprar aos ventos o teu nome quando a tempestade for anunciada...
Lu Lena / 2026
Não espere ser, você já é! Lembre-se, Jesus morreu na Cruz e ressuscitou em ti a essência da luz.
Lu Lena
O Avesso da Dor
Cansei de ser raiz.
Quero ser a árvore frondosa
que dá sombra e frutos
aos meus algozes.
Eles adubaram a terra árida
onde germinou a vida
que agora, plena,
habita em mim.
Lu Lena
POR QUE?
Já que não era pra ser, cruzou no meu caminho, por que?
Agora fico desse jeito, corpo e alma pendurada em voce…
Cuidado com excesso de empolgação, quem pensa ser artilheiro da vida pode errar a bola na hora do gol...
O VOO DO SER
(Entre o sopro e a luz)
Sou como uma nuvem passageira,
Sem forma fixa, sem peso ou chão;
Voo livre que separa o tempo
da finitude.
Nesse toque divino me desfaço,
Desprendo-me das amarras de quem julguei ser,
Deixando o ego perdido
Para um novo sentido poder florescer.
E finalmente, dentro dessa luz, me encontro,
Pois no ponto mais alto me liberto
Dessa impermanência no infinito.
Lanço um suspiro ao campo estelar que sorri para mim,
No sopro que acabo de soltar.
É nos dedos de Deus que me encontro,
Como um verso escrito em pleno ar,
No silêncio que desata esse nó da existência
E me ensina o segredo de apenas estar.
Lu Lena / 2026
A ARTE DE SOLTAR AS ÂNCORAS
(Entre o conforto da companhia e a liberdade do ser)
Observei, olhando para o horizonte, o sol ao longe e pensei na lua. Mesmo distantes, nunca se encontram. Foi então que veio esta reflexão: como a presença do outro, aos poucos, pode nos fazer desaprender a caminhar lado a lado, sem perder o próprio eixo?
Ser independente é garantir que, caso todos os outros partam — seja vínculo familiar ou não —, teremos a nós mesmos. Isso quer dizer que devemos ser livres e não depender de ninguém. Às vezes, essa dependência surge porque o outro facilita nossa vida e nós nos acomodamos. Passamos a nos aproximar, ou nos deixar aproximar, por essa escolha — ou melhor, por esse comodismo de estar sem agir.
Essa conexão inconscientemente passa a ser: "por favor, me preencha, mas saiba que sou completo; caminhar ao seu lado me dá segurança, mas sei que um dia terei que me libertar". Porque, no fim das contas, nascer e morrer só nos lembra que somos essências únicas e responsáveis pela nossa caminhada. Afinal, a liberdade reside em saber soltar o que prende e permitir que flua, com leveza, tudo o que a vida nos entrega.
Lu Lena / 2026
O INTERDITO DO SER
(Quando a resiliência se torna uma cela invisível.)
Muitas vezes possuímos a força necessária, mas enfrentamos circunstâncias tão adversas que nos retiram o direito ao sentir; há uma interdição externa que nos nega essa permissão.
A vida vai passando, e os ponteiros do relógio parecem cavalos selvagens correndo na praia deserta, com sede urgente de um oásis. São como os dias que nascem e morrem: às vezes nos exigem o encilho, mas em outros nos negam o fôlego.
Então, erguemos castelos de resiliência sobre terrenos movediços, dunas disformes e mares agitados. Sob o peso do dever, os ombros aprendem uma postura que não admite o tremor.
Temos, inevitavelmente, a força — essa força bruta, quase descomunal, que nos mantém de pé quando tudo ao redor desmorona. Mas é uma força solitária que ninguém vê; só a gente sente e observa, desprovida de alento.
As circunstâncias são como carcereiras invisíveis que impõem o silêncio aos nossos afetos. É a pressa do mundo, o rigor do papel que desempenhamos, a interdição de quem nos olha esperando apenas a solução, nunca o cansaço. O mundo nos aplaude a armadura, mas ignora a pele que pulsa por baixo dela.
Negam-nos a permissão. Dizem que o sentir é um luxo para tempos de bonança, um desvio de rota para quem tem pressa em chegar. E assim seguimos: fortes por fora, mas com um deserto de palavras não ditas por dentro. Pois a dor que não encontra o direito de ser sentida não desaparece; ela apenas se acumula nas frestas da nossa estrutura, esperando o dia em que a força, finalmente, se canse de ser apenas pedra e reivindique o seu sagrado direito de pulsar.
Porque a vida, tal qual uma vertente de rio, não foi feita para ficar represada em armaduras; ela nasce para contornar obstáculos e, enfim, desaguar no sentir.
Lu Lena / 2026
O SOM DAS CASCAS SOB OS PÉS
(Os desafios invisíveis da maternidade atípica)
Ser mãe atípica é viver em um território de incertezas: nunca sabemos quando o vento da crise vai soprar, mas sentimos quando ele balança o nosso chão.
É caminhar constantemente sobre ovos, sentindo o estalo delicado de cada um sob os nossos passos. Viver nesse universo é desafiar a lógica: é tentar acolher as cascas que se esfarelam e montar um quebra-cabeça cujas peças parecem ganhar novas formas a cada dia.
Não há trégua, não há mapa. Resta-nos o silêncio das lágrimas que secaram, enquanto aguardamos, com o coração alerta, o próximo estalo.
Lu Lena / 2026
O RASCUNHO DO CRIADOR
(Para encontrar a essência no solo fértil do ser)
Mergulho dentro de mim mesma e fico submersa. É um mergulho vertical em busca do âmago da minha própria essência. Deixo que o sopro do destino me direcione para o caminho que o Criador rascunhou e soprou ao vento, desde que eu era semente plantada em solo fértil e germinei raiz, esperando a floração.
Lu Lena / 2026
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