Te quero demais
É difícil demais construir um prédio sem primeiro edificar as bases para subir o restante dos andares.
Muitas pessoas vivem em cadeiras de ferro, fazendo-se ocupadas demais, balançando seus problemas mentais de um lado para o outro, aprisionadas e sem soluções.
No progresso mecânico, industrial ou farmacêutico, há barulhos, poluições e receitas demais que atrapalham o crescimento da fé e da confiança dos homens na Palavra de Deus.
É fácil demais ser cristão dentro do prédio da igreja; o difícil é cada um viver nas ruas da vida, testemunhando o que aprendeu quando disseram: Amém.
Há pessoas espertas demais em seus ramos de negócio;
ao se contradizerem são convidadas a entrar em um novo negócio: a se retirarem da presença dos astutos.
Três degraus altos e perigosos demais para o homem petulante: arrogância, maldade e avareza. De qualquer posição a sua queda será também muito trágica.
Os líderes mais fracos da igreja são aqueles que sabem demais e não fazem nada, sem tomar as devidas providências de amor, respeito e apreço pelos seus membros espiritualmente necessitados.
O mundo está cheio de lixo cultural, porque as pessoas falam demais o que não prestam e forçam outras a seguirem suas infelizes experiências.
A tecnologia mais avançada da minha existência cobra caro demais para valorizar os seus admiradores e sem custo algum para desprezar os seus inventores.
Muitos dizem: “Não coloque uma criança nesse mundo, ele é cruel demais.”
Mas me pergunto: desde quando o mundo foi gentil?
A história não começou com paz, nem com justiça. A vida nunca foi entregue em bandeja.
Desde os tempos antigos, o mundo é rude, violento, impiedoso. E ainda assim, fomos em frente. Geramos, lutamos, ensinamos, amamos.
A recusa em ter filhos, muitas vezes, não vem de compaixão pura — vem de feridas abertas.
Vem de quem não superou o que viveu. De quem, em vez de ver a própria dor como uma forja que os tornou mais fortes, só vê os escombros de si mesmo.
Não é o mundo que impede a vida — é o medo não curado, a tristeza que não encontrou sentido.
Mas e se... e se ensinássemos nossos filhos a serem melhores do que nós?
E se a próxima geração não fosse apenas herdeira do trauma, mas portadora da transformação?
Se uma mãe me perguntasse:
“Vale a pena trazer um filho para esse mundo?”
Eu diria: “Sim. Ele merece existir. E o mundo precisa dele.”
Não porque o mundo será fácil, mas porque uma família forte, enraizada no amor, na verdade e na coragem, pode torná-lo inabalável.
O lar é trincheira e templo. Onde houver afeto e estrutura, haverá resistência.
O mundo não precisa ser perfeito para merecer uma nova vida.
Ele precisa de pessoas dispostas a enfrentá-lo.
E uma criança, ao nascer, carrega a promessa silenciosa de que, apesar de tudo, ainda há esperança.
“O ritmo da vida, tal como o de uma canção, deve ser colocado no passo certo, nem lento demais ao ponto de causar desânimo, nem tampouco demasiado acelerado que leve ao tropeço”
Ney P. Batista
Apr/26/2021
