Tarde
Chegarei lá de qualquer forma. Tenho o auxílio de uns e a oposição de outros. Mais tarde, lembrarei de todos.
— Cedo ou tarde você descobrirá a diferença entre saber o caminho e percorrer o caminho.
— Eu lhe mostro a porta, mas é você que tem que atravessá-la.
— Não acredito em destino. Porque não gosto da idéia de não poder controlar minha vida.
De súbito sabemos que é já tarde.
Quando a luz se faz outra, quando os ramos da árvore que somos soltam folhas e o sangue que tínhamos não arde como ardia, sabemos que viemos e que vamos. Que não será aqui a nossa festa.
De súbito chegamos a saber que andávamos sozinhos. De súbito vemos sem sombra alguma que não existe aquilo em que nos apoiávamos. A solidão deixou de ser um nome apenas. Tocamo-la, empurra-nos e agride-nos. Dói. Dói tanto! E parece-nos que há um mundo inteiro a gritar de dor, e que à nossa volta quase todos sofrem e são sós.
Temos de ter, necessariamente, uma alma. Se não, onde se alojaria este frio que não está no corpo?
Rimos e sabemos que não é verdade. Falamos e sabemos que não somos nós quem fala. Já não acreditamos naquilo que todos dizem. Os jornais caem-nos das mãos. Sabemos que aquilo que todos fazem conduz ao vazio que todos têm.
Poderíamos continuar adormecidos, distraídos, entretidos. Como os outros. Mas naquele momento vemos com clareza que tudo terá de ser diferente. Que teremos de fazer qualquer coisa semelhante a levantarmo-nos de um charco. Qualquer coisa como empreender uma viagem até ao castelo distante onde temos uma herança de nobreza a receber.
O tempo que nos resta é de aventura. E temos de andar depressa. Não sabemos se esse tempo que ainda temos é bastante.
E de súbito descobrimos que temos de escolher aquilo que antes havíamos desprezado. Há uma imensa fome de verdade a gritar sem ruído, uma vontade grande de não mais ter medo, o reconhecimento de que é preciso baixar a fronte e pedir ajuda. E perguntar o caminho.
Ficamos a saber que pouco se aproveita de tudo o que fizemos, de tudo o que nos deram, de tudo o que conseguimos. E há um poema, que devíamos ter dito e não dissemos, a morder a recordação dos nossos gestos. As mãos, vazias, tristemente caídas ao longo do corpo. Mãos talvez sujas. Sujas talvez de dores alheias.
E o fundo de nós vomita para diante do nosso olhar aquelas coisas que fizemos e tínhamos tentado esquecer. São, algumas delas, figuras monstruosas, muito negras, que se agitam numa dança animalesca. Não as queremos, mas estão cá dentro. São obra nossa.
Detestarmo-nos a nós mesmos é bastante mais fácil do que parece, mas sabemos que também isso é um ponto da viagem e que não nos podemos deter aí.
Agora o tempo que nos resta deve ser povoado de espingardas. Lutar contra nós mesmos era o que devíamos ter aprendido desde o início. Todo o tempo deve ser agora de coragem. De combate. Os nossos direitos, o conforto e a segurança? Deixem-nos rir… Já não caímos nisso! Doravante o tempo é de buscar deveres dos bons. De complicar a vida. De dar até que comece a doer-nos.
E, depois, continuar até que doa mais. Até que doa tudo. Não queremos perder nem mais uma gota de alegria, nem mais um fio de sol na alma, nem mais um instante do tempo que nos resta.
Iluminado
Vi o meu sentido confundido, iluminado
Vi o sol enluarar, quando viu você
Vi a tarde inteira, a Sexta-feira, o feriado
Esperando o amor chegar e trazer você
Você chegou querendo
Tudo que o tempo não te deu
E que levou de você;
Sem saber que você já sou eu
Agora não entendo
O meu relógio o amor tirou
Mas sei que o meu coração
Tá batendo mais forte
Porque você chegou
Tarde de mais
Sei que é tarde para dizer que ainda penso em você, tarde de mais para lembrar de todas coisas boas que passamos juntos, tarde de mais para me perguntar que se por algum motivo te machuquei, tarde para te pedir perdão, sei que isso não levaria a nada, mas a lembrança que tive de você nesta manha de sábado, foi inspiração, não só inspiração para fazer esta carta. Mas inspiração para que eu aprendesse a da valor as coisas, não coisas materiais, mas sim coisas surreais, coisas que vão alem do que só mais um sentimento, coisas como o amor, é por isso que nunca alguém na vida descreveu exatamente o que é o amor, porque o amor é sentimento inexplicável, qual outro sentimento espera dois anos para se perceber? Que outra coisa te faria imaginar como seria a sua vida com ou sem você?
É mais o que adianta, é tarde de mais...
Mas seria tarde para dizer que penso até hoje em você, será que isso é amor ou saudade?
Mas existe amor sem saudade?
Será que existe outra coisa que vai alem do que o amor? Ou o amor vai alem do que todas as coisas?
E será que eu estaria perdendo o meu tempo escrevendo essa carta, pois por ser tarde de mais, você não daria a mínima, por ser tarde de mais você não a leria, por ser tarde de mais você jogaria ela em um canto ou até mesmo em uma caixa, e ela ficaria lá com muitas outras cartas, somente esperando o dia em que você lembrasse dela, e a lesse com muita atenção, AE SIM SERIA TARDE DE MAIS.
"Em meio a essa tarde de quinta-feira e esse silêncio absurdo... tento me refazer. Tento colocar meus sentimentos no lugar e defini-los. O difícil é conseguir descobrir o que sinto, o que tem dentro de mim. É uma mistura de saudade, vontade de viver e de desistir do amor! Há quem diga que não tenho coração, e que nunca irei me apaixonar. Calma, respira. Eles não sabem o que dizem. Na verdade, tudo que sinto eu guardo pra mim. Por isso estou assim hoje... tão triste, tão só."
Em um mundo feito para o mais apto, quem sobreviverá? Mais cedo ou mais tarde, você entenderá que somos o resultado da seleção social, a culminação natural da ordem aceita por você e por todos. Somos o futuro, somos o inevitável.
Melhor não praticar uma ação prejudicial, pois uma ação condenável atormentará mais tarde. Melhor praticar uma ação benéfica – que, praticada, não atormenta.
Podemos escapar ilesos por algum tempo, porém mais cedo ou mais tarde essa mistura inflamável de ignorância e poder vai explodir na nossa cara.
Era engraçado, refletiu mais tarde, como a vida de alguém podia mudar num único instante, como tudo podia ser de um jeito num minuto e, no seguinte, simplesmente se transformar em algo... diferente.
Mais uma chance
Olhei para trás tarde demais
Para ver a estrela cadente
Adormeci
E nunca vi o sol morrer
Eu tinha seu amor como certo
Mas a sorte sempre esteve do meu lado
Olhei para trás tarde demais e você tinha
ido embora
Então me dê mais uma chance
Querido , se você se importa comigo
Deixe-me ganhar o seu amor
Porque você sempre esteve lá para mim
Se você se importa comigo
Esteja lá para mim
Eu gosto de bancar
A rainha de copas
E nunca achei que perderia
eu jogo dados
Mas nunca mostro minhas mãos
Eu planejei tudo tão perfeitamente
De modo que você nunca deixaria uma
garota como eu
eu fui boba , mas agora entendo
Eis a lei da Terra
Você brinca com fogo e sai queimado
Eis a lição que aprendi
Que você não sabe o que tem até que perde
Então mede mais uma chance
Querido , se você se importa comigo
Deixe-me ganhar o seu amor
Porque você sempre esteve lá para mim
Dê-me mais uma chance
Diga-me que ainda não é tarde
Deixe-me ganhar o seu amor
Querido , por favor não hesite
Se você se importa
Esteja lá para mim
Dê-me mais uma chance
CRÔNICA DE UM AMOR NÃO VIVIDO
Era um tarde normal como outra qualquer, na correria do dia a dia cheia de papéis na mão ela não percebeu a presença dele no café. Uma amiga a chamou, para falar algo que ela nem lembra mais, nem do assunto e nem da amiga.
Quando virou seus olhares se cruzaram. Ele levava a xícara até a boca. Ela congelou, paralisou, sentiu seu coração bater descompassado. Quem era ele? Por alguns minutos imaginou milhares de coisas juntos. Poderiam ter se conhecido no café, na fila do banco, num barzinho ou restaurante, trocariam uma conversa sobre o quanto detestam fila, ou que ela detesta comida japonesa. Ou quem sabe até em uma dessas festas estranhas com "gente esquisita", ouvindo música sertaneja que ele odeia. Talvez trocariam telefones. Talvez.
Mas a verdade verdadeira é que nada tinha importância, nem ela nem ele se importavam com o dia que aconteceu, isso era pequeno demais perto do que sentiam.
Nunca tiraram uma self, nem fizeram declarações públicas e amor nas redes sociais, não passaram um final de semana viajando, aquela viagem romântica.
A família dele nunca soube o quanto ela o amava e nem a dela o quanto ela era engraçado, porque nisso combinavam eram engraçadinhos, sempre com uma piadinha na manga. A gatinha dele nunca deitou no colo dela, não assistiram nenhum capítulo da novela das oito juntos, e nem discutiram sobre o galão de água que ela esqueceu de comprar.
Ele nunca fez aquele franguinho especial para ela e nem ela o seu famoso risoto de parmesão. Nunca passaram uma noite e conchinha, e ela sempre quis saber como aquele rostinho lindo ficava quando dormia. Nunca se deixaram sentir além da linha amarela. E não o fizeram porque não deixaram que isso acontecesse. Sabiam ser seus pares perfeitos. Mas no fundo não acreditavam nisso.
Acostumaram a viver um amor clandestino. E perderam a chance de sentir aquela paz que o amor traz. Optaram, ou não, pelas noites mal dormidas do que uma vida bem vivida.
Um dia cansados dessa clandestinidade, se despediram prematuramente. Escolheram a vida longe um do outro ao invés do para sempre até o final. Não deixaram o amor acontecer na vida real.
Ela hoje se sente só. Chora pela viagem que não fez com ele e pelos passeios de mãos dadas que tanto sonhou. Ele? Bom ele continua vivendo sua vida procurando quem sabe encontrar um amor que ele acha que ainda não encontrou... Parafraseando Frejat. Que aliás escreveu muitas das músicas deles...
O que eles não entenderam é que precisavam ter tido mais coragem para olhar além de si mesmos...
sou um soluço perdido, abafado... nas horas rajadas de vento de mais uma tarde do viver... vendo o quanto tarde é a vida... que tarda é a morte... mas que a tarde tornou-se passado.
Um sorriso,
Uma inspiração,
Um gole de café,
Uma emoção.
Uma tarde,
Chuva caindo pelo chão,
Cheiro de saudade,
Um sorriso,
Uma inspiração.
"Se acordo muito cedo, fico de mau humor. Se acordo muito tarde, fico de mau humor. Talvez não seja uma questão de horário, mas de mundo."
O amor acontece. Numa tarde ensolarada, em uma pequena demonstração de carinho, em uma ligação inesperada ou até mesmo em um voto de confiança. O amor acontece quando só pelo fato das mãos terem se tocado, as pernas estremecem de imediato. Acontece quando os olhares se encontram e só por isso irradiam-se. O amor acontece quando antes de dormir, você pensa numa pessoa em especial. E reza para que ela fique bem. O amor acontece nos pequenos detalhes, nas palavras doces que proferimos e depois não lembramos mais. O amor não esquece. O amor acontece e nem sempre é detectado. Ele bate a nossa porta como se fosse um cãozinho abandonado. O amor acontece nas mensagens afetivas, e nas mensagens subliminares. Acontece e faz-se acontecer nas situações mais diversas. É descoberto só a longo prazo. Faz-se notório depois de tempo, mesmo deixando pequenas evidências. Assim como as estações. Mudam, e fazem ser percebidas só no decorrer dos dias. Aquele calor do verão começa a ser substituído pelas brisas do outono e de repente, estamos em meio a uma ventania. Exatamente assim, é o amor. Ele se esconde por trás das palavras doces e dos encantamentos. Ele está incluso nos sorrisos bobos. O amor acontece para todos os tipos de pessoas, em todo tipo de lugar. O amor acontece quando menos esperamos, quando achamos que não acontecerá mais. Acontece por que tem que acontecer. E quando acontece, o amor prevalece.
