Talvez
"Talvez a gente não mude tanto ao longo dos anos quanto a gente acredite que mude. Talvez a gente só aprenda a disfarçar."
“Quando a vida lhe dá algo que você não merece, sempre exige algo que talvez você ainda nem possua.”
Talvez a chave para abrir determinadas portas não se encontre em suas mãos, mas sim em seus olhos, em seu sorriso, em seus gestos.
Talvez pelo fato de você ser assim, cheia de dúvidas sobre si e não me permitir esclarecê-las, eu tenha me atraído tanto.
Hoje estou feliz, ainda não sei o porquê.
Talvez por ter lembrado de tudo, dos momentos que tive com você.
Apesar das desilões ainda te tenho em meu pensamento,
Mas a sua ausência para mim, ainda é um tormento.
Conviva mais com pessoas que você ame, porque talvez amanhã você só irar amar, mas não irar conviver com ela. Então dê valor! principalmente pra quem te dá valor.
Talvez se todos tivessemos ainda o coração dos tempos de criança, perdoar seria um passo tão curto que todos conseguiriamos dar.
Talvez por ter chegado aos 50 anos, esse outonozinho da alma de dias quentes e noites frias, muitas coisas dão sinais de ter clareado na minha cabeça irrequieta. Gostaria que meus filhos soubessem disso. Soubessem que, tão logo nasceram, se tornaram o sentido, a prioridade absoluta e a principal fonte de alegria de minha vida. Queria que perdoassem meus tropeços, incertezas e imprevidência. E que aceitassem meus desejos e votos a seguir como um presente singelo que, sem saber, vim fabricando até aqui a cada um de meus dias.
Entre tantas outras coisas que, como pai, lhes desejo, gostaria que Paulo e Pedro descobrissem que o infinito é uma palavra séria. Que certas estrelas ficam tão longe nos confins do Universo que, no momento em que as vemos, a luz delas já se apagou há muito, muito tempo. Muito além do que conseguimos enxergar, elas já morreram. Mas continuam e continuarão brilhando, céu afora, sabe-se lá por quantos milhões de anos ainda.
Considerem, filhos, que nesse infindável vazio flutuante, nosso planetinha gira, banhado pelos raios do sol. E que nesse planetinha – e, por enquanto, ao que se saiba, apenas nele – a vida se entrelaça de bilhões de formas imagináveis. Como, talvez, em nenhum outro lugar de toda essa vastidão misteriosa que nos circunda.
Nunca se esqueçam de que essa explosão de vida, a natureza, é tão fascinante quanto cruel. Pode ser a paisagem irretocável que nos comove – e também a fúria que, num piscar de olhos, a devasta. São os filhotes com sua doçura cativante e frágil – mas também criaturas que devoram implacavelmente umas às outras. Na natureza, a curto, médio ou longo prazos, depende, toda forma de existência vive ao relento. Feito as estrelas, estão condenadas a um dia deixar de brilhar. Tudo passa. Tudo precisa passar. Não tem jeito. É assim.
Que essa aparente fatalidade, filhos, não os assuste. Ao contrário. Tomara que ela os faça perceber quanto nós, seres humanos, somos privilegiados. Por podermos contemplar a criação e a evolução sentados num camarote. Por estarmos no topo de uma cadeia alimentar, uma vantagem que, na pior das hipóteses e na imensa maioria dos casos, nos poupa da condição de presas.
Não podemos destruir as pontes que atravessamos e deixamos para trás, pois, talvez precisemos voltar.
Talvez seria bom termos uma máquina do tempo no qual parássemos algo bom ao lado de uma pessoa boa, mas acho melhor não, pois se parasse o tempo eu não poderia repetir isso várias vezes e ser feliz.
