Tag viagem
As viagens são sempre novos aprendizados, saímos do círculo do próprio conforto e não nos sentimos velhos e cansados.
Vejo você...
Mas uma viagem e nós dois no cenário,
eu vc e a fogueira acesa sobre a mesa com a vista linda do por do sol a beira mar,
teus olhos meu coração, tua boca minha respiração, teus sorrisos a minha admiração,
um momento único, a praia eternizada nas memorias, o teu perfume atravessando os tempos e a tua voz confundindo o hoje do ontem em apenas um fechar de olhos.
E, eu que não sei viver sem as palavras:
Pensadas, desenhadas, modeladas,
Coreografadas, texturizadas, rimadas,
Cantadas, faladas ou escritas...
Apagar o verdadeiro sentido
das diferentes linguagens,
Seria como passar a borracha
nas genuínas, e mais incríveis viagens!
Quero sair da cidade
Pro sertão vou viajar
O botão do paletó
Quero desabotoar
Calçar a minha chinela
Ver o campo da janela
No roçado descansar
aos meus amigos Dagmar [Dagão] e ZéRosival: a vida é a história que escrevemos, todos os dias; a viagem, dessa vida, é a paisagem que colecionamos.
sou 'xonado' por nossa "Trinca de Três, que não quebra nunca'. vocês estão na viagem que essa vida me proporciona, todos os dias.
Na viagem da vida, compensa levar na bagagem tudo o que é agradável, que promove crescimento pessoal, boas interações, descartando os fardos desnecessários, para que o tour seja gratificante e maravilhoso dia após dia!
Sonhamos com a existência de uma forma de viajar no tempo.
Espero que alcancemos o tempo em que não sonharemos mais com isso.
A morte é o nosso passaporte, para gozo eterno ou tormento eterno.Cuide do seu destino em vida,para não ter decepção ao chegar no destino dos seus atos.
A cada segundo, a viagem encurta à medida que me aproximo um pouco dessa coisa, essa síntese da graça celestial.
A PONTE II
Quando vou ao interior
Passo por cima da ponte.
Altitude elevada...
Atravesso o grande monte.
E pra não ficar ao léu,
Bato na porta do céu,
Bem na linha do horizonte.
A viagem de negócios é a negação da viagem. Acho que seria melhor chamar de “deslocamento comercial”.
[RELATOS DE VIAGEM COMO FONTES POLIFÔNICAS]
A polifonia implícita de algumas fontes historiográficas pode ser exemplificado pelos relatos de viagem – como aqueles que foram produzidos desde o início da modernidade por viajantes europeus que estiveram na América, Ásia e África, e que, assim, registraram suas impressões sobre os novos mundos culturais, sociais e ambientais com os quais estavam se defrontando nas suas viagens pelos novos mundos e oceanos. Neste tipo de textos que são os relatos de viagem, existem claramente duas ou mais culturas em confronto. Há o olhar cultural trazido pelo viajante que registra o relato, mas há também a cultura que é percebida e registrada, e que termina por encontrar sua própria voz através do discurso do viajante, embora nem sempre sendo compreendida pelo mesmo e, via de regra, gerando contradições e interações, estranhamentos e deslumbramentos.
Retenhamos em mente o exemplo do explorador europeu do século XIX que visita tribos indígenas com padrões culturais bem distintos dos seus e procura registrá-los, às vezes utilizando seus próprios filtros e adaptações, empenhando-se sempre em encontrar na sua própria língua e dialetos sociais conhecidos as palavras que poderão expressar de maneira adequada ou aproximada aquelas realidades para ele tão desconhecidas. Posto isto, apesar das dificuldades e estranhamentos que podem ocorrer ao se falar sobre um “outro”, há uma cultura que consegue se expressar através da outra na dialética estabelecida pelo viajante que relata e pela cultura e população que é retratada. A polifonia, neste caso, dá-se de alguma maneira por camadas, ou ao menos através de rugosidades, pois o relato cultural produzido por um certo sujeito histórico-social recobre uma outra cultura, para a qual ele abre espaço através do seu próprio relato.
[extraído de 'Fontes Históricas - introdução aos seus usos historiográficos'. Petrópolis: Editora Vozes, 2019, p.285].
[RELATOS DE VIAGEM COMO FONTES DE POLIFONIA IMPLÍCITA]
A polifonia explícita, nas fontes históricas, é bem perceptível já a uma primeira leitura, a exemplo dos jornais e processos criminais, que costumam segregar os diferentes discursos e vozes sociais em espaços bem definidos no interior da configuração textual maior que é o jornal ou o processo que está sendo examinado. O olhar historiográfico, mesmo inexperiente, facilmente percebe cada voz em um território próprio e bem definido, onde as vozes dialogam mas sem se misturar ou se emaranhar umas com as outras.
Mas a polifonia implícita requer maior experiência historiográfica para ser decifrada. Pensemos aqui nestes tipos de fontes dialógicas que se expressam através das camadas de alteridade, como é o caso daquelas nas quais um determinado agente histórico ocupou-se de pôr por escrito as falas, as ações e os comportamentos de outros, muitas vezes em discurso indireto ou através de uma fala encoberta. Essas são dialógicas não apenas porque são várias estas “falas de outros”, mas também porque o mediador, o compilador da fonte ou o agente discursivo que elabora um texto sobre o texto, representa ele mesmo também uma voz – quando não um complexo de várias vozes, já que através do mediador pode estar falando também uma instituição, uma prática estabelecida, uma comunidade profissional - uma cultura! -, para além de sua própria fala pessoal.
Os relatos de viagem, que podem ser indicados como um bom exemplar do dialogismo implícito, podem constituir um exemplo mais do que oportuno. Pensemos naqueles viajantes europeus que estiveram percorrendo a África, a América do Sul e particularmente o Brasil – considerando que isso atendia a uma nova moda romântica bastante em voga no século XIX. Estes viajantes entram em contato com culturas que lhes são totalmente estranhas, e fazem um esforço sincero de compreender e transmitir a um leitor – que eles idealizam sentado confortavelmente em uma residência europeia – as estranhezas que presenciaram, as aventuras e desafios que tiveram de enfrentar por serem europeus aventureiros em terras tropicais que consideravam exóticas e selvagens, bem como os desconfortos e inadequações que tiveram de enfrentar nas cidades rústicas, habitadas por novos tipos sociais tão desconhecidos para eles como para seus leitores.
Marco Pólo (1254-1324), com o seu célebre Livro das Maravilhas, ditado e publicado nos últimos anos do século XIII quando esteve encarcerado em uma prisão genovesa, já trazia à literatura medieval um protótipo para os relatos de viagens que seriam tão comuns no período moderno. Seu livro apresentava uma narrativa na qual era descortinada, aos seus leitores dos vários países europeus, um mundo completamente distinto de tudo o que eles até então haviam visto. A China e outras terras do oriente surgem nos seus relatos com toda a sua imponência dialógica, beneficiando os europeus de sua época de um choque de alteridade que mais tarde lhes seria útil, quando quiseram submeter as populações incas e astecas nas Américas do século XVI.
Por outro lado, mais uma vez surgem os dialogismos na própria constituição primordial do Livro das Maravilhas, uma vez que Marco Pólo ditou seus relatos para seu colega de cela, o romancista Rustichello da Pisa. Este não hesitou em acrescentar ao manuscrito os relatos oriundos de suas próprias viagens e casos que ouvira de outros viajantes, de maneira que no próprio polo autoral já surgem vozes que não apenas a de seu autor central. O dialogismo, por outro lado, dá-se não apenas por causa desta peculiaridade, mas principalmente em decorrência do confronto que se estabelece entre duas grandes civilizações. Falar sobre o outro pode, de algum modo, dar voz ao outro. No caso, a 'voz do outro' emerge, aqui, por dentro de uma música que a encobre, como se estivéssemos escutando uma das suítes para violoncelo de Johan Sebastian Bach para este instrumento cuja prática é deixar que soe uma nota de cada vez - uma nota depois da outra - mas que nas mãos de Bach parece nos fazer escutar ao mesmo tempo muitas vozes no interior da música que a recobre. Nos relatos de viagem também escutamos diferentes vozes por dentro da voz do viajante: vozes que emergem quando menos se espera, que se emaranham no discurso do autor, que se infiltram nas suas rugosidades.
[texto extraído de 'Fontes Históricas - introdução aos seus usos historiográficos'. Petrópolis: Editora Vozes, 2019, p.295-297].
A árvore e o passarinho
Alguns voam...
Outros fincam raízes!
Enquanto você voa, amigo,
Quero que saiba que o leito da terra é bem quentinho...
Mas se um dia, por ventura quiser,
Pode fazer dos meus galhos
Sustento para seu ninho.
Meu amigo passarinho!
Já rodei 150 km hoje! As estradas estão pulsando ofegantes pela minha passagem e, mais ainda, pela minha chegada!
