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Segue o sonho...
Desistir, no dicionário nordestino
é uma palavra que está em extinção
no sertão o cabra aprende de menino
que vem da terra a base da sustentação
e a esperança sempre foi um dom divino
que segue o sonho em cada palmo desse chão.
Vem do céu.
Quem nasce aqui no sertão
é um povo de muita crença
que dá bom dia a plantação
e pra colher pede licença
quem cuida bem do chão
vem do céu a recompensa.
Despedida.
Meu nordeste castigado
pela seca evoluída
cada vez mais derrotado
chora em tom de despedida
quando a morte leva o gado
o sertanejo perde a vida.
Voltei para o sertão.
Nunca mais eu vou embora
é dessa terra que eu preciso
meu coração que não chora
porque o céu manda o aviso
e quando a chuva colabora
o sertão vira um paraíso.
Riacho.
O riacho fica distante
num braço que se deságua
pelo pouco que se plante
só não quero colher mágoa
e se eu tiver o que comer
aqui mesmo eu vou viver
até o último gole de água.
VERDE.
Nordeste quem não te liga
não sabe a tua razão
de quanto vale uma espiga
que brota aqui neste chão
a seca ainda castiga
se a chuva vem como amiga
o verde volta ao sertão.
A CAATINGA AMANHECEU EM FLOR
Você falou que iria voltar, para mim.
Você saiu e levou o sol.
Você guardou as estrelas, para se lembrar.
Quando eu fui tua mulher
Aqui nunca mais há luz
Aqui nunca mais foi dia
Ninguém veio terminar
O que na noite enfureceu
Você sumiu
E, a lua foi visitar o sol.
E deste amor veio o arrepio
Você me amou na cama
no nosso altar
E levou a menina, que vivia em mim.
Você brincou com meu coração
Me aprisionou na sua história
Cansada de esperar:
Morri para mim.
E de tanto chorar dissolvi em lágrimas o meu sofrer
Umedeci rio, alimentei a dor.
Transformei a caatinga em flor
Matei a sede
Da minha alma
E, a caatinga amanheceu em flor.
Meu mar invadiu o sertão
Deu cheia no rio
Meu mar invadiu o sertão
Umedeci rio, extravasei a dor.
Transformei a caatinga em flor
Vida Nordestina
Sou movido pela vida nordestina
Combustível inesgotável do meu ser,
Tenho a fé que um dia vai chover
Pra nascer de novo à plantação,
E colocar toda a fé no coração
Desse povo sofrido e humilhado.
Já escuto o vaqueiro apaixonado
Aboiando a canção do meu sofrer.
Minhas forças já estão quase esgotadas,
Foi embora minha saga e minha sina,
Sempre espero uma ave de rapina
Pra levar pra longe meu penar.
Um pouquinho de água pra tomar
É o fim da vida nordestina.
Tenho um lugar,onde me lembro bem,lá só se chega de trem,lá tem cercado de madeira e casa de barro,para se locomover tem carro de boi e cavalo,tem rios com peixes demais da conta,histórias e personagens que até se perde a conta,tem amigos,parentes,pessoas humildes,mas felizes e contentes,há aquele lugar.
Deixei de lembrar e peguei o trem cheguei no lugar,quase não vi ninguém,os carros de bois e os cavalos foram trocados,por veículos motorizados,as historias perderam seu personagens,por culpa da tal tecnologia,os rios secaram,peixes já não tem mais,os filhos se foram só ficaram os pais,mas quando olhei de longe,bem longe avistei uma casinha,feita de barro,e por cima saia uma fumacinha,cheguei mais perto e vi em uma cadeira,enrolando um cigarro e sua senhora por companheira,cheguei mais perto e pedi a bença,e perguntei o senhor lembra de mim? ele olhou em meus olhos e me disse assim,o tempo passou aqui tudo mudou,mas nunca esqueci do meu filho que saiu daqui dizendo virar doutor,meu filho amado não quero saber sua profissão,mas abrace seu velho,que junto da sua mãe fizemos oração,todos os dia para que o senhor lhe desce proteção.
A prática cotidiana do cangaceiro o tornou conhecedor profundo do seu local de ação. O terreno e a vegetação do sertão nordestino se tornaram seu habitat natural, sendo a sua sobrevivência fortemente vinculada ao apurado conhecimento da região onde transitava.
Minha terra.
Essa é a vida nordestina
pelas terras do sertão
quando verde predomina
enriquece a plantação
e o trabalho nos ensina
que o futuro só germina
quando a chuva cai no chão.
A chuva.
Olha a alegria dessa gente
como não se emocionar
se existia alguém descrente
are a terra e vá plantar
porque a chuva é um presente
que só Deus pode ofertar.
Vida dura.
A fome pode ter cura
a tarde vai ser serena
se a chuva mata a secura
a dor se torna pequena
a vida pode ser dura
mas tem que valer a pena.
Meu lugar.
Tenho um grande desejo
de ver a terra esverdear
é pouca água que vejo
mas é possível plantar
só abandono meu vilarejo
se Jesus Cristo mandar.
O sertanejo.
O sertanejo não se lamenta
porque a vida lhe fez forte
é do trabalho que se sustenta
não fica esperando a sorte
quem da terra se alimenta
não tem medo nem da morte.
Fazenda.
A fazenda é um lugar
pra quem gosta de viver
espera a chuva vir molhar
olhar pro céu e agradecer
quem nasceu pra trabalhar
vai plantar e vai colher.
A Força do Nordeste.
Essa é a terra que me sustenta
da flor da palma a flor de lis
da seca que me arrebenta
da chuva que me faz feliz
o nordeste é quem representa
a parte forte deste país.
Vida no interior.
Lugar assim me satisfaz
tem vida de qualidade
todo aquele que é capaz
de buscar tranquilidade
todo ser que planta paz
só vai colher felicidade.
Ir à luta.
Não pare pra lamentar
fale menos que escuta
nunca deixe de estudar
que o futuro é uma disputa
quem tem sonho pra buscar
se levanta e vai à luta.
Para quem não acredita em milagre, é só vir para o nosso sertão e presenciarem em loco os milagres da natureza.
Só basta cair algumas poucas gotas de chuva para o cinza se tornar verde e a vegetação aparentemente morta revitalizar-se, colocando sorrisos nos cantos dos pássaros e nos rostos dos sertanejos.
Era mais que um espetáculo, era um milagre que o sertanejo esperava o ano inteiro: ver aqueles fios translúcidos condutores de vida, desafiando raios e trovões, para serenos cairem no incandescente solo do sertão matando sua monstruosa sede.
