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E QUANTO A MIM
E quanto a mim, não me vais dizer nada para me sentir melhor, vens sempre com perguntas tão difíceis de responder. Eu não sou boa a criar encrencas, nem a resolver os meus problemas. Será que tu não sentes compaixão de mim quando me vês, com essa personalidade que eu tenho tão difícil de entender, nem eu me compreendo, nem eu me entendo apenas convivo comigo e lido com tudo isso, não é fácil e sim é difícil, mas dá para sobreviver
Se a minha imaginação fosse poder eu nunca teria nada a perder.
Você poderá sorrir e chorar, amar e odiar, estar saudável ou doente, iluminar ou escurecer. Poderá continuar ou parar...
Você pode fechar seus olhos e sentir o vento passar sutilmente por você, farfalhando as folhas de uma árvore que te faz sombra fresca, enquanto escuta o canto dos passarinhos em doce dueto com o som de uma cachoeira ao fundo.
Descobrimos que é impossível ter imensa satisfação ao conquistar algo, se não soubermos como é sentir seu oposto.
Quando você tem a consciência do valor de suas contas pagas com o suor de seu trabalho, você sabe quanto vale a opinião dos outros.
O silêncio pode ser uma forma de presença tão plena quanto as palavras. Não ter algo a dizer não implica vazio ou ausência; pelo contrário, pode ser um sinal de serenidade, de quem encontra na quietude o espaço para estar.
Vivemos numa era onde o ruído constante é quase obrigatório — opiniões, comentários, respostas imediatas. Mas o silêncio, por vezes, é a maior das respostas. Ele não é sinónimo de tristeza ou desconforto; pode ser a companhia de quem se sente confortável consigo mesmo, que não precisa preencher cada momento com palavras para existir.
Há também uma força no silêncio. Ele carrega o que as palavras não conseguem alcançar: a profundidade dos pensamentos, o peso das emoções, a verdade das pausas. Estar em silêncio é estar inteiro, permitir que o mundo se desenrole sem a necessidade de intervenção constante, e aceitar que nem tudo precisa ser dito, porque nem tudo pode ser traduzido.
Assim, o silêncio não é ausência, mas presença num outro tom.
Alma e Sonhos
É como ter todos dentro de si,
E estar em todos, sem jamais partir.
A saudade, essa parte que falta,
Viver sem ela é viver sem alma.
Voar... Ah, voar...
É a paz que vem sem a gente esperar.
A calma que mereço, mesmo sem saber,
Um momento onde posso ser.
Choramos, porque transbordamos,
Dor e amor que em nós clamamos.
A falta que o próximo traz,
Ou a presença que deixa a alma em paz.
E o sonho? Ah, o sonho...
Não é pequeno nem grande demais,
É o tamanho de uma vida, que jaz
No coração de quem busca a eternidade.
O mundo não vai parar para te
aplaudir em cada conquista,
quem te considera e tem tempo,
pode até reservar um minuto
para te parabenizar no seu
aniversário, mas quem te ama,
estará sempre ao seu lado, seja em comemoração ou dificuldade.
Final de ano é uma época especial para refletirmos sobre as conquistas e os desafios que enfrentamos, de planejarmos novos objetivos e de celebrarmos com todos que são importantes para nós. Agradeçamos por todas as coisas boas que nos aconteceram e, principalmente, pelas pessoas que estiveram ao nosso lado em todos os momentos.
Basicamente, o perfeito não existe,
Então, porque se preocupar com perfeição???
Se essa boba, fútil e lamentável ideia insiste,
Vale sempre lembrar dessa reflexão...
A Banheira e o Bar na Sala
Hoje, afundei na banheira como quem se entrega ao mar em dias de tempestade. Não era um banho comum. Era um rito de despedida, talvez um encontro comigo mesmo. Do bar da sala, trouxe as garrafas — cada uma, um segredo engarrafado, um consolo líquido. O whisky queimava a garganta como uma verdade que ninguém ousa dizer, enquanto a música A Little Bit Happy (Live) dançava no fundo, melancólica e irônica, como a vida às vezes sabe ser.
O peso das decisões flutuava junto à espuma. Pensei no fim. Não um fim grandioso, mas um fim calado, como quem apaga a luz e fecha a porta. A mente, embriagada, gritava perguntas sem resposta: "Quantas vezes uma alma pode se refazer antes de desistir de tentar? Será que cansar da vida é a metáfora mais cruel do existir?"
As garrafas se tornaram companheiras, confidentes de um instante eterno. Bebia não para esquecer, mas para enfrentar o que a sobriedade temia. A cada gole, um pedaço da dor parecia evaporar, mas, em troca, vinha o peso da lucidez: “E se o mundo não fosse algo de onde se foge, mas algo que se redescobre?”
De olhos fechados, as lágrimas se misturavam à água morna. Pensei no amor que dei e que não soube guardar, nas promessas que fiz e que se quebraram como cristais no chão. Mas ali, entre os vapores do álcool e as notas da música, veio um sussurro, suave como o toque de uma brisa: "A vida é só isso... metáforas que se tornam reais e nos convidam a continuar, mesmo quando tudo parece dizer para parar."
E, de alguma forma, não saí da banheira para o fim. Saí para recomeçar, ainda que hesitante, ainda que sem respostas. Afinal, o whisky pode queimar, mas o coração... esse insiste em bater.
Chega um momento em que o silêncio se torna mentira.
Uma vez, uma colega me disse que era impossível ter empatia. Segundo ela, a definição em si era impraticável: “colocar-se no lugar do outro”. Afinal, como seria possível sentir exatamente a dor do outro?
Fiquei pensando por alguns minutos e respondi: “Eu gostaria que as pessoas tivessem empatia quando precisei. Talvez não sentir a minha dor, mas demonstrar empatia suficiente para não apontar, não julgar, acolher e respeitar.”
Já passei por muitas coisas. Lembro que, em um momento da minha vida, até julguei a dor da minha irmã. Achava que era “drama”. Mas, se era ou não, o que realmente importava era acolher. Ela só queria ser ouvida. Aprendi isso quando perdi meu pai e me vi sozinha, lutando para dar dignidade à minha família e tentando esconder minha dor em saídas noturnas.
Naquele período, me senti completamente só. Quando a turbulência passou, finalmente consegui viver o luto pela perda dele. Mas, mesmo assim, ouvia coisas como: “Nossa, mas já faz tempo, por que você ainda está sofrendo?” Essas palavras me afundavam ainda mais, porque eu não tinha me curado e nem conseguia entender meus próprios sentimentos. Foi um tempo difícil, mas eu sobrevivi.
E aqui estou eu, tentando conscientizar as pessoas ao meu redor. Não quero ser amiga de todos; só não quero ser alguém que machuca. Quero ser alguém que acolhe. Já conheci pessoas que desistiram da vida e outras que estavam ao redor, completamente perdidas. Se eu puder ser luz na vida de alguém, serei. E, se outras pessoas não entenderem isso, tudo bem. Escolhi ser assim.
Não sou perfeita. Tenho erros e defeitos, mas sou humana. E todos nós somos. Antes de ser pai, irmã ou amigo, cada pessoa é humana e precisa ser acolhida, tratada com gentileza. Não sabemos as dores nem os processos que o outro está enfrentando.
Mesmo diante de arrogância, escolherei ser gentil. Algumas pessoas podem não merecer, mas vou tentar, porque é isso que quero ser.
Em 2025, trabalharei para ser a minha melhor versão. E assim será nos anos seguintes. Que o Criador deste Universo me permita continuar nesse caminho e esteja sempre ao meu lado. Amém!
Esses dias, após uma conversa com meu irmão, me peguei refletindo. Ele foi fazer um bico como ajudante de pedreiro, trabalhando sob um sol escaldante. Ele é trabalhador, tem estudo, e enquanto está no seguro-desemprego decidiu arriscar. Sentiu na pele um pouco do que nossos pais vivenciaram durante
Meus pais eram trabalhadores rurais, assim como grande parte da minha família: meus tios, meus avós. Eles trabalhavam cortando cana, enfrentando o sol quente, e voltavam para casa exaustos, com a pele queimada. Cresci ouvindo que não queriam essa vida para nós.
Estudamos, não somos ricos, mas tivemos oportunidades melhores graças ao esforço deles. Apesar de meu irmão ser teimoso e carregar suas mágoas, ele sabe, no fundo, que devemos muito aos nossos pais. Hoje, quando olho para trás, vejo que não tenho metade da força que eles tiveram. Criar quatro filhos, morar de aluguel, trabalhar sob o sol ardente e, ainda assim, usar os domingos de folga para fazer bicos e garantir o alimento na mesa… Isso é algo que me inspira profundamente.
Minha infância não foi fácil. Não sinto falta da escassez, mas sinto saudade da simplicidade que tínhamos. Quando crianças, não nos importávamos com o que faltava, éramos felizes com o que havia. Com o passar dos anos, começamos a dar mais valor ao que não temos do que ao que temos.
Hoje, somos a chamada “geração de cristal”. Não somos ricos, mas temos condições melhores, e isso só foi possível graças à geração de luta e sofrimento que veio antes de nós. Devemos muito a eles, que carregaram o peso de uma vida dura para nos proporcionar as oportunidades que temos hoje.
A Singularidade do Peso que Carregamos.
Por: Alexandre, Aniz
Cada ser humano caminha pela vida carregando um universo invisível de experiências, dores, desafios e esperanças. O que para um pode parecer leve, para outro é um fardo insuportável. O peso que levamos nas costas é feito das histórias que vivemos, das cicatrizes que colecionamos e dos sonhos que insistimos em carregar. E é exatamente por isso que o ato de julgar é tão falho: julgamos a partir de nossos olhos, nunca dos olhos do outro.
Ao julgarmos, projetamos nossos próprios parâmetros, como se todas as dores fossem iguais, como se a resistência humana pudesse ser mensurada por uma única régua. Mas não há medida comum. Cada passo dado por alguém, por mais insignificante que pareça, pode ser um ato de coragem imensurável diante do peso que essa pessoa carrega.
Da mesma forma, comparar-se é uma armadilha que desvia o foco do essencial: o crescimento individual. Quando nos comparamos, ignoramos o contexto único que molda cada trajetória. Buscamos equivalências que não existem, medimos nosso valor com uma régua alheia e esquecemos que a verdadeira superação não está em ser melhor que o outro, mas em ser melhor que ontem, em carregar nossas dores com dignidade e resiliência.
Respeitar a jornada do outro é um ato de sabedoria e empatia. Não precisamos entender completamente o que o outro sente para respeitar seu peso. E, acima de tudo, devemos aprender a acolher nossas próprias dores sem culpa ou julgamento. Porque, no fim, o que nos define não é o peso que carregamos, mas a maneira como o sustentamos; e como encontramos forças, mesmo nas quedas, para continuar caminhando.
Viva Direitinho
Aniz
Se preenchermos os nossos pequenos vazios com coisas momentâneas, entramos em ciclos viciosos difíceis de curar e com uma dependência impossível de manter.
Tudo que me faz sonhar me assusta. É como caminhar em uma linha tênue entre a esperança e o vazio. Tenho medo de me perder em ilusões, de construir castelos no ar e, no processo, esquecer onde estão os meus pés.
Tem tantas coisas que não fazemos ideia. E nem estou falando sobre coisas além da ciência. É sobre coisas simples que ressignificam nossa vida, que nos acolhe e fortalece.
O amor não carrega consigo uma raiva incapaz de ser perdoada, mas o orgulho impede que ele liberte o perdão.
