Tag psicanálise
É atravessando a escuridão das dores que a gente abre portas para enxergar melhor o que tem do outro lado...
A importância da Psicanálise reside na forma como ela nos dá coragem para encarar o que, inicialmente, pode parecer desafiador. É um convite honesto para desbravar o desconhecido, para trazer à luz partes de nós mesmos que, por medo ou vergonha, permanecem ocultas.
A gente sabe sobre o outro tão menos quanto o que não queremos saber sobre nós. Somos esse mix de incongruências difíceis de admitir. Somos o "x" da questão a que, nem sempre, "damos conta" de chegar...
A gente acha que sabe muito sobre o outro, até perceber que, mesmo sobre nós, as notícias são remotas...
Além do filtro está a verdadeira face. Além da face está a verdadeira personalidade. Além da personalidade estão as instâncias intrapsíquicas.
O que se vê, não define "você". Viva o seu "self", viva o seu "eu verdadeiro".
A gente quer atalhos. A gente quer fórmulas prontas. A gente sente uma necessidade quase que desenfreada e tentadora de acelerar o controle remoto da vida, só pra ter certeza do que vem depois.
Mas, não dá. Isso não está disponível. Nada disso está.
Se você quiser saber o que vem depois, vai ter que esperar. E, nem sempre, deitado ou sentado. Vai ter que entrar no jogo, dançar a música, se sujar. Vai ter que investir. Vai ter que fazer força. Suar. Chorar. Sofrer. Estar na vida implica sentir. Ninguém vai te "salvar" - não porque não haja quem pense ter esse poder, ou até mesmo quem não se coloque à disposição para tentar, ainda que isso seja "impossível". Ocorre que, como dizia Freud: "Não há regra de ouro que se aplique a todos: todo homem tem de descobrir por si mesmo de que modo específico ele pode ser salvo”.
E a gente se salva tentando, ao menos tentando, querendo tentar, se salvar.
Não há nada pronto. Não há teoria que nos salve. Técnica. Métrica. Talvez, apenas talvez, cientes, ou tendo alguma notícia disso, que parte de nós não busque certos processos ou experiências - como até a da psicoterapia ou da análise -, ou sinta frustração, quando da tentativa mal sucedida nesses casos, em que, originalmente, buscava-se alguma "salvação" - ofertada a nós por um ser outro, mágico, poderoso.
É que não está nas coisas. Nas outras pessoas. Está em algo que, somente em você, pode ser construído. Numa possibilidade, mesmo que do tamanho de um grão de mostarda, que faz morada em algum lugar remoto em você. Ainda assim, em você.
Ninguém salva ninguém.
A gente que tem que descobrir, em nós, uma estrada, um traço, um risco, um rabisco, seja lá o que for, e, quem sabe, fazer disso um caminho para se salvar. É artesanal. E personalíssimo.
Se você acredita em visualizações, se impresisona romanticamente com likes e comentários, se passou a viver e a medir a qualidade de seus relacionamentos a partir das dinâmicas das redes sociais parabéns! Você se tornou num habitante da "Terra do Nunca".
S.A.
Vivemos na escravidão - daquilo que somos, do que nos disseram que somos, e do que acreditamos que somos. Somos, em um número tão diverso, mas nos consumimos na tentativa de ser um só. Queremos andar em linha reta, mas esquecemos que o terreno onde pisamos, por vezes, é arenoso, movediço. A gente cai, e quando cai, investe mais tempo cobrando a conta da gente, tentando entender como caímos, mas pouco queremos saber do que está por trás do que nos levou ao solo. Há momentos em que encontrar o chão, quando numa queda, é forma de acalentar as dores de quem parece andar demais, sem pausa. Há quedas que são descanso. Não tente entender tudo. Não busque respostas para todas as coisas. Atente-se às perguntas. Tem mais nas entrelinhas do que não se sabe do que naquilo que se supõe saber...
Todos os dias. Pouco a pouco. Em silêncio. Estamos adoecendo.
.
Estamos adoecendo enquanto cuidamos de outras pessoas. Estamos adoecendo porque, sobretudo, cuidamos de outras pessoas enquanto deixamos de cuidar de nós.
.
Que matemática é essa?
.
Nos ensinaram a dividir os brinquedos, sem nos perguntar o impacto disso em nós. Nos ensinaram que pessoas "boas" são as que servem, sem cessar. Nos ensinaram que o perdão deve ser ofertado a todo tempo, mas que os pesos e as medidas, quando se trata de nós, nem sempre são os mesmos.
.
O mundo espera de nós. Nós exigimos de nós. E a gente vai ficando aos pedaços. Por vezes, tão pequenininhos, que a gente deixa de se ver. E, por isso, vai sumindo, e sumindo.
.
É preciso revisitar os limites do doar-se. É preciso revisitar-se...
Espiritismo e a Psicanálise
O espiritismo e a psicanálise têm um ponto de convergência importante: ambos concordam que é essencial investigar as causas ocultas dos transtornos ou doenças mentais. Na psicanálise, essas causas estão reprimidas no inconsciente, gerando sintomas. Já no espiritismo, as causas são questões espirituais, não ou mal resolvidas, desta ou de vidas passadas.
A reencarnação é um dos princípios básicos da Doutrina Espírita e examina conteúdos inconscientes, criando assim um ponto comum com a psicanálise. Acredito que a utilização do método de estudo do inconsciente, proposto por Freud, sob a perspectiva da reencarnação e à luz da Doutrina Espírita, pode resultar em um tratamento psicoterapêutico mais rápido e eficaz.
Essa abordagem é defendida pelo Dr. Inácio Ferreira¹ em seus livros "Psiquiatria em Face da Reencarnação" e "Novos Rumos à Medicina", volumes 1 e 2, assim como no livro do Dr. Adolfo Bezerra de Menezes, "Loucura sob Novo Prisma".
¹Dr. Inácio Ferreira (1904-1988), psiquiatra e diretor clínico do Sanatório Espirita de Uberaba de 1933 a 1988.
"Perdoar é se libertar da prisão emocional construída pelas mãos do ressentimento e da dor." – Dan Mena.
"Quando o santuário da mente é violado, cada memória se torna um reflexo doloroso, e a reconstrução do ‘’eu’’ exige coragem que está além das palavras."
"Em cada palavra que silencia a angústia, a psicanálise revela o caminho da voz, ressignificando o trauma em potência."
"A dissociação é um refúgio da mente diante do intolerável, mas deixa a alma presa em um limbo de incongruência."
"A psicanálise não apaga o trauma, mas oferece um espaço para transformar dor em força e resiliência."
"O trauma rompe a unidade psíquica, mas o trabalho analítico transforma o caos interno em narrativa, devolvendo à alma seu fio perdido."
"A dor do abuso ressoa na posição esquizo-paranoide, mas é na integração das partes despedaçadas que a resolução encontra seu caminho."
"A vulnerabilidade infantil frente ao trauma ressoa na vida adulta, mas cada sessão analítica é uma tentativa de devolver ao sujeito sua própria história."
"Quando o ambiente falha, o falso self surge como um guardião, mas também como uma barreira ao reencontro com a autenticidade."
"A traição do abuso gera uma desconexão enraizada, mas a cura começa quando as emoções genuínas encontram um lugar seguro para coexistirem."
