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[…]veja as árvores da minha cidade
estão floridas, coloridas, é primavera
em cada avenida ela, - sua majestade
a árvore, singela, como ela é bela!
© Luciano Spagnol - poeta do cerrado
outubro, 2020 - Triângulo Mineiro
"Em uma dessas conversas com a Realidade
Ela me falou:
- Eu aceito como você é, então me aceita como eu sou."
SAUDADE
Saudade – de pela areia fina andando
e a cidade no seu cheiro e no seu cio
Saudade! Dos bares e botecos do Rio
e do samba no pandeiro batucando
Noites de fevereiro, é roda no pavio
o carnaval, sol, e praia no comando
É a vida no agito, calor esquentando
conversa sem hora, e o céu de estio
Saudade – voo cego do sentimento
Sem pouso, com gemidos ao vento
Ai! maravilha entre o mar e a serra
Saudade – Laranjeiras do bardo
Coelho Netto, onde aqui guardo
parte de mim, ah! carioca terra! ...
© Luciano Spagnol – poeta do cerrado
07 de outubro, 2020 – Triângulo Mineiro
Não me olhe acreditando
Que eu desacredito
Se ando do seu lado
Você está sozinha
E quando teu sorriso se desfaz
Eu fico triste
[...]
Pai, na saudade.
Quando me dei conta da ausência
Na idade madura me encontrava
O senhor não era mais suficiência
Herói e vilão, já não mais estava
Outro tempo, outra realidade
O passado, passou, ali te amava
Te amo! Hoje, na dura saudade!
SONETO (amor)
Se eu fosse o amor, a eternidade eu seria
Um daqueles tempos de romance de outrora
Aos desencontros eu nunca chegaria
E dos minutos eu faria mais que a hora
O melhor da paixão está na quimera
Do olhar que é desviado e que olhou
Dos beijos dados (ah, quem me dera!)
Eu seria o amor infinito, que não passou
Eu seria esse amor literário
Cheio de novela, nunca solitário
Que todos espera sempre no coração
Numa esperança sempre desejada
Que no querer é promessa renovada
Com pitada de cumplicidade e ilusão
© Luciano Spagnol - poeta do cerrado
17/08/2020, 12’12” – Araguari, MG
paráfrase autor desconhecido
Meu herdeiro, meus herdeiros, eis à sua volta meu legado. Meus sonhos, meus projetos passados, conquistas e derrotas, tudo diante de seus olhos.
Eu, Nilo Deyson, nada me encantou tanto quanto você, vocês, pois amei e fui amada.
Filho, filhinhos, cuidem de tudo, porquanto cuidei de vocês. Um último pedido, um livro, uma biografia, faça -o para um futuro.
Eu olhar na outra extremidade.
"Nunca imaginei aprender tanto com o meu inimigo! Nunca. Hoje consigo até mesmo admirá-lo! Observo-o. Estudo-o. Leio-o atentamente... e não o deixo escapar do meu campo de visão. Este é o meu inimigo: Eu mesmo!"
O poeta se calou
Das palavras desistiu
Ao ver o que escrevia
Não traduzia o que sentiu
O silêncio o tomou
O desespero invadiu
Aquele coração tão nobre que agora
Não passa de um sonho que ruiu
A melancolia, sua nova morada
A solidão - sua amiga vil
Desperta desse sonho agora
Tu que nunca desistiu
Veja no amanhã uma possibilidade de sorrir
Um novo sol que se levanta
De onde nunca imaginaria que iria surgir
EX AMOR
Foi-se-nos pouco a pouco esmorecendo
os suspiros que na sensação sussurrava
olhos fitos na qual o sentimento falava
que no então, não mais estava cabendo
Os degraus do desejo, fomos descendo
e a admiração já a luz de tudo anuviava
baços, apenas a dissonância despontava
logo no acaso o rascunho ia perdendo
Alma gêmea da minha, na sede figura
como o saciar que para a alma saciou
ou foi talvez, a ilusão, que pouco dura
Nada sei, muito sinto, o que me restou
um dia e outro dia na árida desventura
se chorei, porém, o enrabichado calou.
© Luciano Spagnol - poeta do cerrado
14/11/2020, 11’08” – Araguari, MG
Como aceitar a partida que nos divide da segurança da presença? Onde encontrar o radiante sorriso que se fazia tão protaginista em nossos encontros?
Um céu tranquilo assiste a solidão das ondas que me tentam falar da vida, eu, por minha vez me acento à beira da areia da praia,
Viajo sozinho em meu coração a procura das respostas.
A memória talvez morra antes do horizonte, entre o céu e a terra, a desilusão da minha alma que precisa de você, se perde nos vôos da imaginação, perdendo a razão pela saudade. Pode haver daqui a um pouco um conforto sem confrontos, que me dêem a estrutura de olhar para os céus e dizer: "até breve, já já a ilusão termina".
Nilo Deyson Monteiro
Música Bicho do Mato
Compositor Poeta Adaílton
Sou bicho do mato
Moro sozinho
Meu português é ruim
Se você gostar de mim
Prometo te dar muito carinho
Moro em uma cabana
não tenho grana
Não sou doutor
Não tive formação
Meu jaleco é um gibão
Sou bicho do mato
Moro sozinho
Meu português é ruim
Se você gostar de mim
Prometo te dar muito carinho
Não estudei
Faltei á escola
Tenho um cavalo, uma sela e um par de espora
Cozinho num fogão á lenha
Bebo água em uma cabaça
Fazer você feliz mais do que eu não tem quem faça.
