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CIRCUNSTÂNCIA
Nas horas de saudade ou daquele vazio
a poesia a poetizar, bem junto da ilusão
às vezes continua, abstrata, a sensação
suspirando e, o sentimento com arrepio
O tempo vai, vai o tempo, anoitece o dia
reflito, penso e, ao fim, a falante solidão
colocando a confiança numa escuridão
e a cursar excessiva nesta dolorosa via
O silêncio toma conta de todo o sentido
recaio num torpor, o olhar mais perdido
e o tormento adentra aflitivo no coração
Sopra a esperança, a emoção traz fulgor
dentro deste vão, há inspiração e amor
uma é arte o outro a mais pura emoção.
© Luciano Spagnol - poeta do cerrado
16/11/2024, 17’36” – Araguari, MG
Os verdadeiros poetas devem culto e tributo à maior das musas, trânsfuga que, ao contrário de suas nove irmãs, escapou dos grilhões do fatalismo: Acaso é seu nome.
CÉU, VENTO E CHUVA
Céu, vento e chuva, horizonte submerso
Em nuvens, e o cerrado todo verdejante
Enxurrada, e aquele pingar borbulhante
Na estrada, atiçando sentimento diverso
Alma retirada, um devaneio tão disperso
Chão molhado, cheiro de erva rastejante
Na poça d’água um espelhar coruscante
Sensação, precipitação, ó aquoso verso
Chove no cerrado, no cerrado a chover
Cada fauna no seu canto a se esconder
Canta a seriema num cântico sem fim...
Suplicante. Céu, vento e chuva, lá fora
Cai, em uma cadente poética trovadora
Tornando o sertão num sedoso jardim.
© Luciano Spagnol - poeta do cerrado
17/11/2024, 10’48” – Araguari, MG
TER-TE EM VERSO
Ter-te em verso, em rima afeiçoada
em variado sentimento maravilhoso
cheiro, sussurro, um olhar malicioso
possuir, a ventura, alma enamorada
O amor, este, sem demandas, nada
que traga divisão, e sim um gostoso
beijo, e o fartar em abraço avultoso
deixando a poética toda encantada
Este versejar que busco do coração
na inspiração com suave sensação
com a paixão, a contê-la no acerto
A manter-se tão sentimental, forte
a emoção que traz ao peito aperto
a esperar avidamente pelo aporte.
© Luciano Spagnol - poeta do cerrado
19/11/2024, 14’18” – Araguari, MG
Um poeta, justo e sofrido, jaz ao lado; flores enfeitam o caixão.
Sem pressa, o ar seca à sua volta. As flores, quase mortas, exalam o cheiro da tarde fúnebre.
O choro se entrega ao vazio, misturado ao álcool consumido antes do velório — tédio, dor e ódio.
Para os que ficam sentados, olhando aquela cena, não haverá mais poemas, não haverá mais questões.
Chorosa, pensativa e discreta, a amante incerta recorda os momentos de amor.
Não haverá mais beijos, nem paixão, nem ereção.
Tenebroso, rancoroso e coeso, o cobrador ileso reflete sobre a dívida que não será paga.
Não haverá pagamento, nem provento.
Ao lado do caixão, calada, os olhos da mãe se desfazem em lágrimas.
Seu pranto não é ouvido, mas sua dor apavora a solidão.
A filha, aflita, não compreende; cede ao impulso de abraçar a carne morta.
Sem consolo ou alívio, esta dor também a sufoca.
Cala-se o poeta ao som da tampa que fecha a urna que será enterrada.
Dentro dela, nada mais restará.
BOA SORTE
Não infama ao ler esse soneto de ternura
é um cântico, sim, cântico de um amador
nele há mais do que só emoção, há jura:
pulsa um coração com o mais puro ardor
É o versar cheio duma ritmada partitura
em tons sensíveis e, apaixonado louvor
do criador pra criatura, em uma mistura
de olhar, toque, sensação, graça e pudor
Com o qual partilha toda emotiva certeza
e nas rimas o desejo com a dócil presteza
criando está narrativa de um enamorado
Ó paixão! Este verso traz d’alma o aporte
declamando na tua poesia o terno amor
da ventura de quem tê-lo terá boa sorte.
© Luciano Spagnol - poeta do cerrado
20/11/2024, 14’07” – Araguari, MG
Alef ao Tav (ACRÓSTICO)
Amo a origem de todas as coisas
Lá aprendo a Tua sabedoria
Elohim de toda a Criação
Fariseu humilde e pequeno sou...
Aqui o passado vira o futuro
Onde as profecias se cumprem...
Tav é a última letra da salvação
Alef é a primeira letra da salvação
Vav é o homem a caminho da salvação...
COMPLETUDE
Nestes versos dotados de zelo, formosura
Quero eu memo apetitar todo o segundo
Com emoção, qual possa ser mais ternura
E na estrofe o sentimental verbo facundo
Estimo o afeto, estimo o beijo, a mistura
De cheiro e toque, sentimento profundo
Para ter a sensação tão cheia de doçura
E mais vivo cada tom que se faz fecundo
Num verso vivo, a poética, a imaginação
Buscando aquele encontro tão sonhado
Fazendo desabrochar o mais lindo vigor
Canto-te, desejo-te, tão cheio de paixão
Pois, só assim, o versejar será encantado
E os versos tão mais completos de amor.
© Luciano Spagnol - poeta do cerrado
23 novembro, 2024, 17’23” – Araguari, MG
Quando se ama verdadeiramente nada nessa vida é o bastante para o amor, pois o amor não se basta, o amor é insaciável,
é infinito, o amor é incapaz de se medir, o amor é uma fonte incessante, quanto mais usamos desse fonte mais ela nos abastece, assim é o amor, esse amor que eu acredito e espero viver em minha vida.
Podemos nos apaixonar, mas primeiro temos que ter a certeza de que existe um amor verdadeiro, sendo assim essa paixão se torna uma forma de amor, caso contrário a paixão pode se tornar em um sentimento muito perigoso podendo causar danos profundos aos corações que se iludem por um sentimento que não é recíproco.
O amor é isso
O amor é isso, é te dar liberdade, pois o amor não restringe, ao contrário, o amor é viver amando com liberdade em todas as questões, sem reprimir, sem controlar, sem egoísmo, sem orgulho, sem impor condições, sem segredos, sem medo, sem falsidade, sem autoritarismo, sem críticas, sem mágoas, sem regras, pois o quando se ama verdadeiramente, o próprio amor se encarrega de tudo, não há preocupações quando se ama, porque o amor verdadeiro traz consigo uma segurança indestrutível, e nada mais é tão importante quanto a entrega total a esse pleno amor, amar é se esquecer de tudo que nos maquia, de tudo que nos prende, de tudo que nos impede de ser feliz, é viver tão intensamente esse amor ao ponto de não vivermos mais para nós mesmo, e sim dedicar-se única e exclusivamente a pessoa amada.
Quero um Amor,
Leve!..
Quero um Amor,
Solto!..
Não quero que seja,
Breve!..
Quero um Amor,
Duradouro!
DE UMA POÉTICA REVESTIDO (soneto)
Eu finco em tributo este soneto enamorado
Pra ti! pra que tenhas as altas homenagens
Em cada versar. Sentimentos e mensagens
De doce paixão... em cada verso inspirado
Os olhares e sussurros no soneto enlaçado
Achegado. Incide no rimar com metragens
De sensação e emoção, em tão sãos itens
Refletindo da alma cá neste verso poetado
É amor que no meu peito paces, entoando
Cânticos de encantos e momento divertido
Vibrando a emoção e a ternura ressoando:
Tu és o meu amor e também o meu sentido
Onde os meus versos vão, então, banhando
De uma poética e de uma poética revestido.
© Luciano Spagnol - poeta do cerrado
26 janeiro, 2025, 15’47” – Araguari, MG
גיהנום
GEHINOM– LIXÃO
INFERNO?
Um lugar desprezado
pelo Criador,
onde era
processada no calor
as almas íntimas...
AÍ SE TEM O SONETO ESPECIAL
Ter a poesia amorosa, emotiva e alada
Os versos com sentimentos suntuosos
Aroma, sussurro e suspiros numerosos
Possuir sentido, uma poética afeiçoada
Não ter bobagem, desencontros, nada
De partilha, somente beijos ardorosos
Muito a se fartar, elementos veludosos
Na norma nenhuma vontade moderada
Transgredir o espaço da alma, coração
Entregar-se sem pejo à sua devoção
Mergulhar na paixão, soltar o aperto
Conservar a inspiração sentimental
Sentir-se em plenitude, um concerto
Afetivo. Aí se tem o soneto especial.
© Luciano Spagnol - poeta do cerrado
29 janeiro, 2025, 15’33” – Araguari, MG
Ninguém morre de amor
Escreveu o poeta em seu túmulo de dor
Dizem que no fim a vida passa como um filme
E as cenas exibidas são as de todos os começos
Do meio onde tudo se perdeu
Um vazio
O futuro, já não existe mais
Se transformou numa incógnita
Que caminha ao lado da solidão
Quem já passou, passou
Porém quem passa, já não aguenta mais
Não era pra ser assim, mas foi
Não era pra acabar, mas acabou
Mas como diz o poeta
Ninguém morre de amor
Foi o que eu li
Em seu túmulo de dor
Amor de poesia, vida de poeta,
Por onde andará, minha rainha perpétua?
Por ti, vaguei neste labirinto sem fim,
Mas não vejo teus passos,
Apenas fagulhas dançando em mim.
Como brasa, meu peito ainda te aquece.
Senhorita, senhorita, senhorita...
Cuidado por onde pisa!
Estou longe, e por ti há quem nada diga.
Cuidado, oh, minha querida...
Há versos que queimam sem se apagar,
E amores que não são feitos para durar.
