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O poeta não trai seu amor
O poeta ama, apenas ama intensamente
O seu intenso amor
O poeta é um fiel amante
Ama o amor que sente
Poeta é amor
É amante
Mutação
Retratar o cerrado em vão eu cismo
Pois dele tento pintar o que se sente
Nem sempre sobra vestígio contente
Hão de surgir outros sem ser egoísmo
Porém eu, triste, cá tento ser presente
E o mínimo prazer me é eufemismo
Tentando me convencer no ceticismo
Que sopra desventura a mim somente
Sinto um misto de um cruel racionalismo
Também, pesares de um pesar diferente
E a solidão que sinto, não é radicalismo
Se ter saudade do mar não é prudente
Me condenam. Aqui tento mecanismo
Pra ficar no cerrado com olhar ardente
Luciano Spagnol
01/07/2016
Cerrado goiano
SONETO DUM AMOR
Na cata dum amor, sincero
Nos rogos sempre andei
De vários, muitos esbarrei
E no acontece, eu espero
Se para além do ficar, olhei
No tempo eu não desespero
Na sinceridade sou austero
E de tudo muito encontrei
Agora, será assim, mero
Um amor convim, eu sei
Se não, eu não quero...
E assim vou, e assim irei
Se eu não tiver amor vero
No fado. Pertinaz buscarei.
Luciano Spagnol
Julho de 2016
Cerrado goiano
Na cata dum amor, sincero
Nos rogos sempre andei
De vários, muitos esbarrei
E no acontece, eu espero
Luciano Spagnol
Cerrado goiano
Já nem sei mais
Se a gente fique, se a gente vai
Tou virada faz tempo
Sei lá,
É tanta bagunça.
Sabe aquele desejo que dói
Pulsa
Corrói a alma
Despedaça o peito
Sabe ?
Quanto a pele grita
Quando o corpo chora
implora,
Quando pede colo, arrego.
É tudo bagunçado na minha mente
Nem sei se quer,
Se não quer mais
Fico martelando, me perguntando;
Como diz uma amiga minha
Quando o poeta se apaixona:
"Escreve até criar calo nas nuvens "
Pois é,
Doideira total !
SONETO NA MADRUGADA FRIA
Madrugada fria, no cerrado, lua no céu
Confidente, luzente, criando imaginação
Que faz do vazio, menestrel desta solidão
Nostálgica, que rascunha pesar no papel
Com duas estrelas ali caídas ao chão
Uma pulsando a saudade ao peito fiel
A outra querendo memorar feliz cordel
E assim, as duas, ditando a sua versão
Então, nas linhas, somente verso infiel
Chorando dos dedos, suspiros em vão
Já no tempo, perdidos, em veloz tropel
Oh, madrugada fria, consinta a emoção
Sair desta letargia de estar aqui ao léu
E dê ao versejar doce e leve inspiração
Luciano Spagnol
Julho de 2016
Cerrado goiano
Madrugada fria, no cerrado, lua no céu
Confidente, luzente, criando imaginação
Que faz do vazio, menestrel desta solidão
Nostálgica, que rascunha pesar no papel
Luciano Spagnol
Cerrado goiano
Amar e ser amado,
Viver e adquirir conhecimentos
Cada dia que passa escrevo meus sentimentos,
Escrevo o que penso
Faço o que devo fazer,
Agradeço a Deus por cada amanhecer.
ERROS
Meus erros, o fado e seus enganos
Má ventura, estão no meu legado
Numa perdição, no destino calado
Onde a sorte, bastava, ser planos
E na dor, as lágrimas, estive culpado
Tentei no querer, ter bons atos ufanos
Mas a vida, no acaso, teve olhos tiranos
E neste infortúnio cascalhou o passado
Errei todo o traçado dos meus anos
Cosi do avesso ao invés de adornado
Os valimentos os concederei profanos
Na admiração não tive o tal agrado
Os amores, sobejaram os insanos
E agora na rudeza eu sou castigado
Luciano Spagnol
Julho de 2016
Cerrado goiano
PAIXÃO E AMOR
A paixão arde, assim, nos inflama
O coração acelera, sem correr
Os dias viram nosso bom viver
No amor, arauto que proclama
Se é apaixonado, tudo é só prazer
O tempo conspira pra quem ama
A harmonia na alma se derrama
É querer ser, e o sentir é querer
O silêncio fala, espanta o drama
E renovo é sempre o amanhecer
A paixão no amor torna-se dama
Nos porquês, desenredar é acolher
Pois a satisfação torna-se panorama
Paixão e amor, é sempre bom ter...
Luciano Spagnol
Julho de 2016
Cerrado goiano
O Tempo é cicatrizante... ele é regido pelo antibiótico da calma, da paciência... nele se acalma qualquer tempestade, seja ela do coração ou da razão... Enquanto o tempo passa ou volta, ele leva ou traz, ou não volta nunca mais... Nele toda fogueira se esfria, nele sonhos se vão...A morte é companheira sombria, prima irmã primeira, ambos caminham sem se encontrarem, se juntam sem se tocarem, mas permanecem próximas, quando uma falha a outra age, no fim ou é sorriso ou lágrima, mas ambas são necessárias para fecharem um ciclo, ou, abrir outro... O tempo é veneno silencioso que na sua calmaria acalma até as Marias que moram em ambiente oculto peito adentro. Nele deposito meus olhos ao dormirem, nele espero um abraço onde o braço não suporte a força, onde lágrimas não se contenham e nem se detenham aos olhos, onde o tempo ou a morte se antecipem, e leve esse desejo louco de te encontrar...
SONETO DE POUCA FÉ
Oh! Alma conturbada, assim desolada
É tão pouca a tua fé, oh filho ingrato
Prende-te à esperança, sejas sensato
E a confiança em Deus, onde guarda?
Ele te assiste, te olha dos Céus, é fato!
Com paternidade impávida, e iluminada
Jamais cansa ou desiste, nunca é nada
De amor estoico, âncora, firme vicariato
Porque assim, me cambaleia, na morada
Nele tudo se alcança, é afeto imediato
Inteiro, como na morte, é terna estrada
Paladino de lança em riste, superiorato
Não fiques assim triste, ouça a chamada
Deus te clama, no conflito, Ele é exato!
Luciano Spagnol
06 de junho, 2016
Cerrado goiano
CARRO DE BOIS
A lembrar do amor, nesta tarde invernada
numa longa distância de mim, está você
que faz o poetar vazio, sem te esquecer
no dia cinzento, no cerrado, sem nada
Vindo na estrada, o carro de bois, a ranger
tal plangor em harmoniosa lenta jornada
rangendo suspiros, gritando saraivada
ao coração, que põe a recordação a doer
E nestes uivos gementes, nesta cruzada
meu pesar sente, tua falta no meu viver
na tarde poente, com magoa adornada
O carreiro segui, aqui eu vou permanecer
lamuriando a solidão na saudade sediada
na alma, qual carro de bois, no seu gemer
Luciano Spagnol
07 de julho, 2016
Cerrado goiano
Saber ter a alegria tal a liberdade dos pássaros, é o segredo da felicidade...
Luciano Spagnol
Cerrado goiano
SONETO SOLENE
Memorar. Um ano. Que importa o ano? Talvez
somente para lembrar os suspiros de tua ida
do silêncio invasor na casa após a tua partida
pra morte, igual, desfolho outonal em palidez
Fatal e transitório, a nossa viveza é vencida
pelo sopro funesto, ao sentimento a viuvez.
Julho, agosto, setembro, vai-se mês a mês
ano a ano e outro ano a recordação parida
Da saudade filial, que dói numa dor doída
de renovação amarga e de vil insipidez
que renasce na gelada ausência sofrida
No continuar, o vazio, traz pra alma nudez
chorada na recordação jamais esquecida...
Neste soneto solene: - a bênção outra vez!
Luciano Spagnol
julho, 2016
Cerrado goiano
Um ano de morte de meu pai.
Eu não jogo com o amor,
O que ele fizer eu assino,
Mesmo se não der certo,
Pego caneta e papel
E rimo.
Lágrimas são os olhos falando,
Que a dor que está sentindo,
É tanta que não cabe no peito,
Ta transbordando.
Não,eu não vou demorar para responder suas mensagens,
Nem esperar tocar 5 vezes para tender suas ligações.
Não vou inventar desculpas para não lhe ver,e deixar você
ansioso pelo próximo encontro,
Muito menos lhe tratar mal,pra que você game.
Eu vou te dedicar meu tempo,
Ser pontual em nossos encontros,
Irei esperar sua ligação com o telefone na mão,
e te dar toda a atenção e cuidado do mundo.
Fazer tipo,é perca de tempo,
E não se pode perder tempo,
quando se tem pressa pra ser feliz.
Eu não posso pagar o preço por ter chegado
na tua vida depois de alguém que te fez sofrer.
Me recuso a aceitar tua frieza,teu pé atras.
Não tenho culpa se antes de mim você
se entregou a quem so quis brincar,te iludir.
Não vou ser condenada por um crime que
não cometi..
Estou aqui,com a ficha limpa,a alma clara,
pra te fazer feliz.
Mas se você não está pronto pra enxergar
que ninguem é igual a ninguém,
eu não posso te obrigar.
Se ela não te fez feliz a culpa é dela,
Mas se agora você se recusar a aceitar
a felicidade que tenho pra te dar,
a culpa é sua.
Deixa eu te dizer,Ele vai te ligar de novo,vai dizer que está com saudades de novo,que você é a mulher da vida dele de novo.
E sabe o que você vai fazer?
Vai cair nessa de novo,porque você não consegue vê que o que ele quer na verdade é ter você ali,no banco de espera.
Pra quando nenhuma das mulheres da agenda dele estiverem disponíveis,ele te ligar.
Eu sei,você é incrível,uma mulher de verdade,com M maiúsculo,
mas ele não vai perceber isso sabe porque?
Porque não é isso que ele quer no momento,ele quer curtir,
e pra curtir,qualquer uma serve,então ele te vê como mais uma,
igual a todas.
Mas agora eu pergunto: É esse tipo de Homem que você quer pra sua vida? Que te faz esperar,que te deixa ansiosa,com a cabeça cheia de paranoias?
É esse tipo de homem que você merece?
Se a resposta for não,Então parte pra outra,segue tua vida,fica sozinha até aparecer um homem de verdade.
Já se a resposta for sim,sinto muito,
Mas você não pode reclamar do relacionamento que está vivendo,ele não é nada mais,nada menos do que o que você merece.
Você não suporta é a alegria dela.
A felicidade que ela vive mesmo
Sem você do lado.
Não suporta o riso,a volta por cima
Que ela deu,quando resolveu parar
De chorar por você.
Você não suporta que ela continue brilhando.
Talvez até muito mais que antes,
Não suporta seu novo amor,
Nem que a história de vocês tenha
Virado passado.
Não suporta ter sido esquecido,isso
Magoa teu ego,teu egoísmo.
Não admite perceber que o mundo
De ninguém gira em torno do seu umbigo.
Só o seu mesmo.
Isso é o que acontece com as pessoas
Que se acham boas demais para serem
Deixadas,acham que são inesquecíveis.
E deixa eu te dizer uma coisa?
Bem,elas não são.
Ah,sério que você agora decidiu se fechar?
Só porque se apaixonou por um
Carinha que não valia nada?
O amor foge de quem generaliza,
De Quem não entende que todo
Ser humano é único.
Eu sei,você sofreu um bocado, mas
é o preço que se apaga quando
Nos apaixonamos por uma idealização.
Abre esse peito,tem tanto amor ai,
E tanta gente que vale a pena ser amada
Ainda.
Basta você começar a diferenciar quem
Vale a pena,de quem não vale nada.
