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Insônia
Deito-me para dormir
A carne cansada
O gato ecoando seu ronronar no breu do quarto.
E então, ele me foge
Se apaga como névoa ao ver sol.
A doce sensação do sono atrás das pálpebras, antes do cérebro, da lugar à
Remorso e amargura.
Não tem jeito.
Pego uma das cartelas cheias
Entre as vazias largadas pelo quarto.
Quando cai no estomago é como um abraço da mãe.
A busca incessante confunde muitas pessoas, mas bens materiais não suprem a carência de significado.
Não sirva poesia a quem prefere baboseiras;
Não ofereça flores a quem só repara a secura dos galhos;
Não desperdice atenção com quem não tem capacidadede de acolher sua mão,
Pois sensibilidade nem sempre é para quem queremos.
Poesia é o sol, as nuvens, as árvores, os cantos de passarinhos, a água cristalina. O mundo definitivamente é a minha poesia favorita
Imenso sentimento que nos torna fracos
e ao mesmo tempo fortes,
sensação de ser vulnerável
e ao mesmo tempo, intransponível.
Que nos faz bobos e ao mesmo tempo astutos...
Como explicar o amor que dói
e também retira a dor?
Único sentimento que ainda brando
se torna avassalador.
Chuva que chove lá fora
Chuva que molha o chão
Humidade que não vai embora
Agua que trás o pão.
Chuva que desenlaça a terra
Que escorre pro mar
Que esconde e soterra
Agua que corre a andar.
Ó chuva que molhas e lavas
Chuva que entristece
Chuva que tudo agarras
Chuva que trazes a noite que esmorece.
Chuva com lagrimas
Agua desnutrida
Constróis obras-primas
Rios de água bem comprida.
Ó chuva que trazes o Natal
Chuva de inverno
Vais deixando infernal
Com a visão pro inferno.
Ó chuva de Domingo
Que me trazes a saudade
Ó chuva que vais construindo
O tempo que me deixa com ansiedade.
Ó derradeira chuva
Que me viste a crescer
E que agora me preparas a fuga
Antes que me faça mais sofrer.
De ti me vou despedindo
Desta chuva e da indústria
Me levas partindo
Para a minha terra, pra minha Pátria.
Não se espante se muitos escravos trocaram a vida de seus semelhantes por uma hospedagem na baia de porcos da Casa Grande.
Uma fórmula, um raciocínio ou encanto; nomes diferentes, mas em essência iguais. Porque toda poesia é uma prece que se entrelaça com o transcendental, revelando nossa essência divina.
O dia cai, mais uma noite agonizante. Perco as esperanças num instante, amor distante... Abro a janela e vejo o brilho do luar. Quantas noites vou ter que sonhar? Noite sem fim. Tanta dor causada em mim. Revolta, não volta! O pensamento sufoca. Por que você não volta? Revolta, a dúvida sufoca. Noite sombria, só busco harmonia, novo dia...
Ser sozinho ou estar sozinho?
No pretérito da vida não há caminho,
que diferença faz já é o destino,
apertando o sino para a despedida dos espinhos. ANM
Amor, te quero tanto que não sei descrever,
A minha vida, eu sei, já é você.
Mas eu não posso mais te esquecer,
Fomos feitos um para o outro, é o que eu quero crer.
Penso tanto em você, não consigo desapegar,
Te quero só para mim, mas não posso te segurar.
Sou trocável, reciclável na sua mente,
Meu coração palpitando, amor ardente.
Você era a pessoa dos meus sonhos,
Mas você partiu, fechou a porta, me deixou sozinho.
Fiz de tudo por você, desfiz de todos os embaraços,
Mas no final, essa vida má não teve um bom abraço.
Agora, aqui estou, com versos e saudade,
Escrevendo sobre o amor que foi embora, sem piedade.
A música da vida segue, mesmo com dor,
E eu, com minhas palavras, tento expressar o que restou.
Te quero bem, mesmo que o fim não tenha sido doce,
Ainda guardo as lembranças, o que sobrou da nossa prece.
E assim, nas entrelinhas, escrevo o que sinto,
Neste poema, onde o amor e a saudade se entrelaçam no infinito.
POESIA, CÂNDIDA E ENAMORADA
Ser o soneto mais lindo do sentimento
Poetar, sempre contente, o tom pleno
Ver a rima poética em um sacramento
Da inspiração, e o versejar tão sereno
Um perfume e, aquele doce momento
Cheirando a alfazema e gosto ameno
Com a sensação a revoar pelo vento
Criando emoção num cálido veneno
Ser sentimental num sedutor espírito
E tão bonito, num entusiasmo infinito
Compondo a imaginação encantada
Meu Deus, dai-me o gosto do ardor
O soar acelerado do coração, amor
Nesta poesia, cândida e enamorada.
© Luciano Spagnol – poeta do cerrado
26 julho 2024, 19’54” – Araguari, MG
