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Quem dera se eu pudesse
sem pestanejar
segurar-te
despejando todos os meus sentimentos
Sei que ele bate aqui dentro
e mesmo sem ver
sinto que bate pelos corações
do mundo inteiro
Por isso ele continua batendo
porque atrelei ele ao melhor sentido da vida
nunca vi coração bater sem razão
e amar sem ter motivo
Vê lá se ganhas mentalidade,
e encara verdadeira realidade.
Não tenhas medo de ir a luta,
faz por ti olha que a vida é curta.
A razão não tem permissão para tomar a decisão de amar. Foi o coração que veio com essa missão e ele não recebe ordens.
Tal qual lobo criado em matilha
Me julgavam normal pelo que parecia.
Incomodado, percebi maravilha:
Entre tantos latidos, meu uivo se ouvia.
Juram saber o que se passa comigo
Mal sabem por que não me calo
Uivo por saber mais do que digo
Uivo pois penso mais do que falo
Tento expressar minha opinião
Pedindo bastante atenção
Enquanto aos mais jovens ensino
Talvez não compreendam direito
Mesmo tratados com respeito
Alguns ladram em desatino
Um lobo não perde seus sonhos
Ouvindo a opinião de ovelhas
Dispensa conselhos risonhos
E idéias nem tanto parelhas
Mais faz um lobo calado
Do que muito cão ladrando.
Alvoroço pra todo lado
Faz o teu foco ir minguando
E em breve chegará o dia
Em que rumarei à terra fria
Atendendo ao chamado do norte
E então saberão de resto,
Que o lobo bom e honesto
Mudou sua própria sorte
Pois sou lobo e não um cão
Muito menos um grande felino
Ser domado em circo, como leão
Jamais será o meu destino
Jamais farei alguma ameaça
Sem cuidado e devido lastro
A quem ousa, procura e caça
Deixarei sempre o meu rastro.
GOTA D'ÁGUA NA ROSA
Chuva rara, clara
na rosa pingo d'Água
lava a mágoa...
- É só uma bágua
ou frágua do cerrado?
É delírio na sequidão
que pingam
nas pétalas soam
nos ouvidos cantam...
E o chão molhado
Chove no cerrado ressecado
céu carregado... Chove!
No sertão em prosa
gota d'Água na rosa.
Luciano Spagnol
Dezembro, 2016
Cerrado goiano
Poeta simplista do cerrado
Sereia dona do meu mar
Deitado na areia começa a pensar
O que seria de mim se não fosse seu olhar
Que me faz delirar
Que me faz Flutuar
E na profundeza desse olhar
Eu vou me apaixonar
Quantas vezes você deixar
O olho da rua vê
o que não vê o seu.
Você, vendo os outros,
pensa que sou eu?
Ou tudo que teu olho vê
você pensa que é você?
VISITAS
Para Mário Quintana
Pensamentos de morte vêm e vão.
Outrora chegavam à noite e ficavam pouco tempo
como visitas bem educadas.
Agora entram a qualquer hora, saem quando querem
e mal educadamente ocupam a casa inteira
(como se fosse a própria casa deles).
Estou pensando em propor um pacto a esses convivas
inoportunos:
falarmos de tudo, menos de coisas tristes.
O amor tem muita rima
Ao fraco, é assustador
Ao poltrão, baixa estima
Ao valente, factível amor
Luciano Spagnol
Cerrado goiano
É que de repente em meio a escuridão eu me perdi todavia tu apareceras e me salvaste como se fosse à ti, apenas com tua pureza abalaste minha fraqueza.
O tempo passa
passa o tempo
gaveta abre, gaveta fecha.
O sol aparece, o sol se vai
caneta seca, caneta nova
ontem aluno, hoje escritor.
E escutando o professor
Guimarães dizia:
- Do morro vem o recado.
E naquele vai e vem
lembrei-me das loucuras machadianas
dos sentimentos do mundo de Drummond.
Legado imortal
Quem vai continuar?
No mundo de palavras curtas
abreviadas.
Que vive apontando
no arrasta e aperta
esquece-se de pensar.
E a tinta vai secando,
os dígitos sumindo
e o ontem bonito vai se enquadrando
perplexo.
Vai geração mexe
vai canção cresce
vai criança brinque
Invente, tente
não congele
vai.
A seu jeito
porque a sociedade está
e você é.
O ontem, o hoje, o amanhã
e quem sabe a gente se encontra
e aí então você me conta.
Inspiração (Poesia premiada em 2016)
O último dia
Para quem poderia me entregar sem medo algum?
Morrer em algum braço no qual ao menos possa confiar...
Quero contigo poder estar, vivenciar cada instante,
Viver e poder vivenciar, uma aventura
De poder se juntar a outro ser
E com ela poder viajar.
E é assim que se vai a ladra os rumos,
Um canto um rumo de flores a se espalhar pelos caminhos.
Um rebolar-se de esperanças, de poder um dia sentir, e chega aos extremos,
Reviver cada instante e momento,
Abusar da vida, e se arriscar em seus braços,
Poder ir além, e ultrapassar as leis, desafiar cada obstáculo, ousadamente.
Uma rede a ser jogado em algum canto,
Prendeu-me, e não quer me soltar,
Estou sozinho, mas algo, prendeu-me,
Não sei como, estou solitário a sua busca.
Vida miserável, mundo em injustiça,
E tudo vira adrenalina de minhas vontades quebradas, e ansiedades que me matam.
Solta-me dessa caixa, solta-me dessa caixa,
Solta-me dessa caixa, solta-me...
Quero pular de cima das montanhas,
Quero sentir adrenalina,
Quero escalar os grandes montes,
Quero entrar no fundo do mar...
Ei, você que está aí parado,
Não quero ver ninguém em seu devido lugar,
Vamos nos espalhar por aí,
Chega dessa coisa enfileirada
A fila virara uma bagunça,
Vamos fazer uma baderna
Hoje será um som em confusões,
Barulho pra todo lado...
Se preparem, irmãos...
Amanhã se preparem,
Morreremos na solidão.
Faça do silêncio seu retiro ,mas saiba voltar disso. Seria lamentável uma alma tão linda quanto a sua se calar por tanto tempo,deixe o seu incrível ser falar.
(...) "Exterioridades me encantam... Porém, tem gente que é só por fora. Procuro alguém que seja de dentro..."
Poetisa
O tempo floria de tuas mãos
Enquanto adentrava os céus.
Fitava aos infinitos vãos
E alteava teus constelares véus.
Tuas alas espargiam areias doiradas
De sonhos remotos, esquecidos,
Que voejavam águas afloradas
De gloriosos desejos enaltecidos.
Embalada por oceanos colossais,
Derruía e refundia perfeições.
Bosquejava arcanjos celestiais
Em impensáveis concepções.
Perpassava desenfreada
Pelos mais diversos astros;
Pela imensidão acalentada,
Plasmava à mundos vastos.
E assim perpassando ia...
Vasteando, criando...
Esculpindo-se em poesia
E mais galáxias semeando.
Foram dias cinzentos
que nunca mais quero lembrar,
verdadeiros tormentos
que nunca mais quero passar.
JUBILA CANÇÃO (soneto)
Bendito sejas o amor, ao coração meu
Que desnudou o breu da minha solidão
Em luz, das andas minhas na escuridão
Quando a sombra, me era o apogeu
Bendito amor, que me estendeu a mão
Como quem no amor oferta o amor teu
Sem distinção, pois, dele dor já sofreu
E então sabe aonde os vis passos dão
Bendito sejas, que no prazer plebeu
Trouxe amor à vida e, boa comunhão
Ao pobre pecante, dum âmago ateu
E então, neste renascer com gratidão
Que no peito uivou e angústias moeu
Do solitário pranto, fez jubila canção.
Luciano Spagnol
Poeta do cerrado
Janeiro, 2017
Cerrado goiano
