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Os cachorros do mercado
Os cachorros do mercado.
Todos soltos. Espreguiçados.
Na porta da frente.
Esperando a tarde cair.
Daqui a pouco.Adentro fechados.
Esperando o anoitecer.
Guardiães das portas do lado.
Durante a noite vão latir.
Vivem uma vida tranquila.
Depois de curado as feridas,
Pelas ruas do abandono.
Agora de barriga cheia ,
vivem na porta do mercado.
Olhando as pessoas.
Esperando o afago.
E a hora do guarda chegar..
Nem os olhos costumam abrir.
Dormem sonhando que chegaram no céu.
No céu dos cachorros.
Se não recebe, um agradinho na hora.
Ficam em silencio e a vontade.
São tanta gente, passando.
Que nunca falta nada de verdade.
No mercado, é assim.
É um pedaço de carne, outro de pastel.
bolachas e doces.
Churrasquinho e pão de mel.
E é no meio dessa gente ordeira.
Em volta do mercado. Trabalhadeira.
Que deixaram esquecida.
A antiga vida de cão.
São os cachorros do mercado,
Que estão sempre, ali na porta.
Agradando a multidão.
No lugar certo. Na hora certa.
Aprenderam o que fazer.
Já não estão abandonados.
Estão sendo bem olhados.
Por cada banca do mercado.
Onde todos. Tiram. O seu viver.
marcos fereS
Ave impermanente
"Não demore muito para descobrir
sua impermanência.
Alce seus próprios vôos.
Use suas próprias asas.
Senão. Chega o tempo.
E elas atrofiam.
E não poderás mais realizar,
Os vôos sonhados.
Não é feliz. Uma ave que vive no chão."
marcos fereS
Todos os dias choro por ver uma lágrima nos olhos daquela criança sofredora
Todos os dias eu oro por aquela mãe batalhadora
Todos os dias penso naquela criança acusada de feitiçaria
Todos os dias penso naquele pai que pelos filhos tudo faria
Todos os dias penso naquele cego que tudo daria para voltar a ver
Todos os dias penso naquela idosa com vontade de aprender
Todos os dias penso naquela jovem que tem de vender o corpo para sobreviver
Todos os dias penso
Todos os dias penso
E uma lágrima cai...
Ela é compulsiva, neurótica, cheia de manias e complexos. É intensa, insistentemente amorosa. É aquela que sempre volta depois de uma discussão. É geniosa, autêntica e vive suas verdades. É tempestade, que logo vira ventania, vento e brisa leve. Vive suas saudades e tem mil e um defeitos. Não, ela não é perfeita, mas ela te ama sem reservas. Ama mesmo com suas imperfeições. Ela é uma super-mulher!
É uma garota comportada, mas que vive suas rebeldias.
Anda despreocupadamente, mas vive suas neuras.
Vive suas convicções e certezas e com elas vai até
O fim, mesmo que esse barco afunde interiormente.
É vento que desfaz quaisquer primeiras impressões
Acerca de si. Brisa leve que encanta com seu brilho
No olhar. Orgulhosa? Sim, por que não? Vaidosa?
Na medida certa! O suficiente para causar por onde passa.
Não é mais que sua aparência. No íntimo é ainda mais
Linda e bela. Menina de poucas palavras, mas sincera
E verdadeira. Não! Ela não se acha! Só os que
Vivem sua história, o seu mundo, sabem bem
Toda a humildade que cultiva naquele jardim interior.
Vive seus sonhos, mas volta e meia cai em desilusão.
Dentro dela há um coração bruto a ser lapidado.
Alma de menina mulher madura, mas que vive
Seus deslizes. Banca a durona, ma se desmancha
Ao mínimo elogio. Quem não gosta de um elogio?
Adora cinema! Vive seus dramas e suspenses.
Uma comédia em pessoa e romântica na sua essência!
Música? Ama dançar, cantar e viver suas letras. Tudo
Que soe liberdade aos seus ouvidos.É uma ótima
Atriz! Vive encenando, chamando a atenção para si!
É apenas uma menina mulher querendo colo e proteção.
Sonhos? Vive construindo seus castelos entre muros.
Vive suas fragilidades, seus momentos de solidão.
Mas, que em meio a tempestades vira fortaleza.
Faz suas festas, mas no fundo, no recôndito vive
Seus vazios. Vive errando na ânsia de acertar.
Por vezes se machuca por acreditar em contos.
É só uma menina mulher aprendendo a viver!
O que vivemos não acaba, não morre, não se desfaz como poeira no ar, se transformam em memórias lindas, poemas e poesias.
Não escolhi ser poeta como o peixe não escolhe ser fisgado. A diferença é que o peixe alimenta o corpo e minha poesia alimenta a alma!
NO AMOR O SORRIR É ETERNO
No dia em que ao mundo eu te encontrei
O meu corpo se exaltou entre os amores
E bálsamos infinitos se espalharam entre os ventos,
O meu amor por você se espalhou...
Os céus se tornaram mais claros e os mares mais azuis...
No dia em que ao mundo eu sorri pro amor
As flores brotaram aos jardins e o luar brilhou...
No dia em que ao mundo o meu coração
Pulsou sem que fosse de ausência e medo
O meu corpo se entregou junto ao seu
E a paixão me sorriu ao tempo infinito da vida...
Na vida nós amamos pouco
Na vida nós sorrimos pouco
No amor o pouco é tudo
No amor o sorrir é eterno...
No dia em que ao mundo eu sorri em você
Descobri que sem o amor de verdade,
Sem o prazer de amar, tão insensato se torna o mundo,
Tão distante se torna qualquer sonho...
Nada se perde ao tempo quando ama
Tudo se torna doce, tudo se torna feliz e para sempre...
E com você tudo em mim é amar e sorrir,
Tudo em mim é vontade de amar para sempre...
Na vida nós amamos pouco
Na vida nós sorrimos pouco
No amor o pouco é tudo
No amor o sorrir é eterno...
Nada se perde ao tempo quando ama
Tudo se torna doce, tudo se torna feliz e para sempre...
E com você tudo em mim é amar e sorrir,
Tudo em mim é vontade de amar para sempre...
Poemas à Morte. 2.
De que os teus fogem
se és a própria morte?
Dela eles chacotam,
chamam-a para jantar,
mas se escondem no altar,
vêem de cima quem os podem matar.
Mas eles estão em fuga, do que eu lhe pergunto.
O meu muro cega deuses,
mas do que adiantará?
Se por dentro deles, sem exitar, passarás?
Por entre mares, tuas feridas passarão.
Por cima de deuses, teus pés pisarão.
És a mais forte das armas.
Matou a mim em primeiro toque.
Chorei a ti, me olhou distante.
Do que foges, morte?
Poemas à Morte. 5.
A paixão desfigurada
é o retrato fiel do que sinto.
Andando cego pelas estradas,
por mim, passaste rindo.
Em um baile impossível de bailar,
quero o que não posso ter.
Tudo está a me impedir de encontrar,
o mais temido e amável ser.
Na realidade, é possível ter,
mas o ato de ganhar me fará perder
e a escolha final será escolher,
entre morrer e não lhe ver.
Se eu me acabar,
para sempre teu serei.
Mas do que valerá,
de ti ser, e a ti não ter?
Poemas à Morte. 1.
Com olhos famintos.
Casulos invadidos,
quebrados, destruídos,
só teus olhos fizeram isto.
Insultos mórbidos, louváveis são eles.
Toda beleza e pureza, absorvidas
nas rotas instruídas
por quem não cumpri leis.
Com todos os centímetros imóveis
abre-se mares, vales,
faz-se arte, antes que tarde
peço que me mostre
o que escondem,
os teus olhos de morte
Poemas à Morte. 4.
Exato como a morte de contrato.
Infinito como a dor invisível.
Em teu peito sórdido e abstrato,
faço-me, como ti, só e indizível.
O pavor que sentes, emocionou-me.
O horror à nós exalou no mar.
A tua alma viva… Matou a ti…
Eu vi, choraste junto ao mar.
Já lhe vi chorar, já chorei pra ti.
Pois somos apenas um, sem rosto.
Sinto muito de quem a ti servir.
Exporei teu corpo nas galerias,
para lhe desejar durante a noite,
para lhe ver quando nasce o dia.
Porque me chamas Senhor?
"Se um dia achares merecedor.
mais que; qualquer outro semelhante?
Achar-se melhor. Por ostentação material.
Por sentar-se em um monte de pedrinhas juntadas.
Achar que o sol, brilha só para
para alguns privilegiados.
E que sombras são para quem merecem?
Saibas. Os sentidos estão empobrecidos e o entendimento,
ficou em alguma esquina do passado.
Os sortilégio temporais aprisionaram a alma.
E Transformaram a criatura em vitrine viva, da miséria.
Que é exposta a cada dia . Sob o sol. No picadeiro do circo.
Onde imbecis batem palmas. Para loucos dançarem."
marcos fereS
É a chuva, certamente, a chuva, a solidão e um punhado de poemas saltitantes aos ouvidos férteis...Havia esquecido como são quentes, doces e macios os poemas, versos e prosas que transeuntam mentes e ouvidos, deixando a gente cheia de luz
Não poderás sonhar.
Entretanto quem quer correrá,
se o futuro não está nos ajudando,
eu te juro que encontrará,
um jeito simples de continuar sonhando.
Pena que o futuro já não existe
e o fim que nos foi cedido está nas placas,
não achava que lhe deixaria tão triste,
desculpe pelas vossas emoções estampadas.
Juro que não tentei ser sádico,
mas meu coração é fálido.
Eu não pude me mudar.
Eu achei até que eu seria,
uma forma, um ser que amaria,
perdoe-me, disse que há como sonhar.
Não há...
Porcos imundos bailam no salão.
Eu gostava de cartas rasgadas
e vejo o futuro que sangrará.
Entre ruas alagadas,
não é em dinheiro que nadará.
Somos maior que estes,
imundos, até a morte veio parcelada,
com o fim batendo à porta
as suas mãos já devem estar lavadas.
Entre corpos caídos no chão,
entre quem paga a vida a cartão,
não haverá mais mortes em vão,
quem cairá, é quem já devia estar no chão.
São eles! Os que estão acima de nós.
São eles! Os que dizem ser a nossa voz.
São eles! Quem fala bonito e não faz.
São eles! Quem não deveria ter paz.
Atirem em suas caras. Matem!
Quem fez nada por muito.
Matem! Quem está em cima do muro.
Matem! Ou acham que vai ter perdão?
Matem! Quem nos entoca no escuro.
Matem! Não deve haver salvação.
Ludibrioso Deus.
Se o pecado é o preço a pagar
por simples prazeres mundanos.
Se no inferno eu ei de morar
por simples orgasmos humanos.
Então que seja feita a Tua vontade,
ó Deus vaidoso, qual teu medo?
Injusto, profano e sagaz.
Deixe-me falar, não os mantenha em segredo.
Sabemos nós dois,
teus pecados são maiores que os meus.
Apenas mente pra nós,
dizendo: orem! Quem sabe eu sinto zelo.
Profano és tu, mentiroso Deus,
que faz doenças, mortes e massacres,
pecador eterno, mata por vaidade.
Por Teu nome e Tuas mãos morreram milhares.
Em vão, oram bilhões, achando que,
um dia vão, ter salvação.
Conte-vos, Deus! Diga que estão sós.
Fale de si, mostre-se!
Alguns já sabem.
Somos superiores a Ti.
Nós somos o milagre.
Nada.
Entre o vazio do nada
e quem está cheio de tudo,
encontra-se uma ambiguidade.
Em um nada de nada, tem algo,
em um cheio de tudo, há também o nada.
E se o nada anula o tudo, o cheio de tudo é farsa.
Quando algo está no nada, não há o nada.
E quem é o nada que nada fala?
Quem nada fala, não é esperto.
E quem tudo fala, fala nada.
Ao falar tudo, encontra-se o nada,
e basta apenas um sinal negativo para criar a força contrária.
E com nada, faz-se uma bagunça.
O que prova que precisamos, somente,
de nada. E quem somos nós?
Nada.
Vista
Vista-se do seu melhor jeito.
Da sua melhor forma.Do seu jeito.
Sentindo ou não direito.
E saia para o mundo para arrasar.
O melhor . Melhora a cada instante.
E o que não for de melhor não interessa.
Pode até chegar. Mas não vai ser convidado a ficar.
marcos fereS
Entre sois sós, nós.
Entre vos há nós.
Entre vozes há versos.
Entre sós há sois.
Entre olhos, universos.
Entre em ti, e veja que.
Entre o agora e o após.
Sós, dirão à nós.
Somos mais que sois.
Entre luz há vista.
Entre vãos há vento.
Entre ventos, vozes.
Que falam de nós.
Imprevista.
De sangue enxuto,
nasceste em minha visão.
Em luto, mútuo,
morreste sem salvação.
E quando disseram: pareces triste.
E o que fizeste, olhei, eu sei.
A quem mentistes?
Por proteção, pensei.
Não queres simplórios,
todos os que vêem
não leem os olhos.
Então não existe mais,
esperança por fazer,
o que resta é estar,
viva, por assim dizer.
