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"ESTEPES" GOIANAS (soneto)
Mergulhei nas "estepes" goianas, por acaso
Foi um pulo no meu destino nunca imaginado
Cá vim, então, em missão para o cerrado
E aqui as quimeras ficaram fora do prazo
Um infinito onde o céu é bonito, fui abandonado
A poesia virou companhia, e o luar, com prazo
Pulsações e confusões no meu fado, um arraso
Onde amar e perdoar tornou-se hábito silenciado
A paisagem esfumou-se e confundiu-se no olhar gazo
De uma poeira fina, varrida do coração embaçado
Deixado de lado, sonhei, e com os sonhos desenhei parnaso
Assim, perdi-me nos atalhos do devaneio inquietado
Nas braçadas da saudade o ribeirão tornou-se raso
E nas "estepes" do Goiás, o meu lírico plangor foi dissipado
Luciano Spagnol
Poeta do cerrado
Março de 2017
Cerrado goiano
SONETO DESCRENTE
Dor que amarga o ser contente
Ilusão tanta aos de expertise
Tanto, nada ou um só deslize
Para se desenhar o descrente
O legado é bom, infiel é a crise
Se no coração há brecha vertente
Que inflama a fé na crença poente
E aos sonhos leva pra uma eclise
A sós não se está sozinho, se crente
Pense com emoção, não só analise
A razão está em ser integralmente
Então, suporte, e o melhor avalize
Não se fica pior, a vida é discente
Num sobe e desce, ato e reprise
Luciano Spagnol
Poeta do cerrado
Março de 2017
Cerrado goiano
SONETO ESSENCIAL
Enxergamos tudo aquilo que está ao nosso alcance
"O essencial não se vê com os olhos" vai além
Duma paisagem, uma flor, um caminho, porém,
Podemos sentir com a emoção toda e qualquer chance
O que se sente não precisa ser visto, e sim, o que contém
A aridez, o calor, um perfume, o afago, que no sentido trance
E na alma desenhe o real e concreto da vida, em romance
Pois, sentir é o que captamos mesmo não vendo, também
Pode se estar vendo, mas o que julgamos é invisível
O conteúdo, a essência, ideais, aos sentidos impossível
Aparências não revelam a importância no sentir dum olhar
O olhar engana, miragem e nem sempre ao sentimentos compreensível
No entanto ver e sentir, no fado, será sempre compatível
Se ao ver e sentir, com o coração e, com ele, ter capacidade de amar...
Luciano Spagnol
Poeta do cerrado
Março de 2017
Cerrado goiano
Parafraseando Antoine de Saint-Exupéry
AGORA EU QUERO IR (soneto)
A minha saudade tem saudade de crê
Me planejei, me desmoronei no sedento
Nas verdades não fui inteiro a contento
E no querer o todo, metade teve porquê
Experimentei descanso e, labuta à mercê
Confiei no silêncio, me encaixei no lamento
Precipitei no ir e na volta, foi ensinamento
Me desmanchei nos sorrisos em comitê
E na busca de me reconhecer, descanso
Afinal, as trilhas não são de vento manso
Porém, ao me refazer despertei com a dor
Se agitado ou imoto me equilibrei no balanço
Da quimera, pois sempre nos resta tal ranço
De jugo. Agora quero ir e, apreender o amor.
Luciano Spagnol
Poeta do cerrado
2017, 26 de março
Cerrado goiano
[...] Eu sobrevivi até aqui, e nada mais poderá me atingir. Você não têm mais o poder de mim ferir. Mas, por favor fique longe. Sou humana e ainda te amo.
Não me procure, não fale comigo, não me olhe, não me toque. Ainda tenho fortes lembranças de você. E não sou tão forte. Por favor fique longe [...].
Mas, você preferiu fingir
Eu não consigo lutar contra a saudades de você
Tudo que perdi levou um pedaço de mim
Se aproxima o meu fim
Não quero me reerguer
Nem procuro sobreviver
Sim, eu desisto
Já não tenho nada pra acreditar
Onde está o seu olhar?
E as promessas que ele me fez?
Tudo se desfez
Eu não faço parte disso
Dessa mentira, dessa hipocrisia
De tudo que você fingia
De todas as juras sem razão
Que faz sangrar meu coração
Sabe, não era necessário
Eu te amaria de qualquer forma
De verdade e com toda minha alma
Mas, você preferiu fingir
Não me venha agora pedir pra seguir
Eu não quero ir a lugar nenhum
Me deixe aqui
E nunca mais se aproxime de mim
Leve pra longe sua boa intenção
Eu sei o que ela fez ao meu coração
Seja como for
Tenho pensado muito em tudo que aconteceu
Apesar de ti culpar
E não querer aceitar
Sei que a culpa não foi minha, nem sua
Quem sabe da lua
Essa tal que teima em iluminar a escuridão dos nossos corações
Que faz a distância se aproximar
E os incrédulos acreditar
Essa mesma que na noite fria faz queimar o coração
E com um único olhar nos rouba toda razão
Agora percebo, foi culpa da lua
Por isso não foi de verdade
E nem trouxe felicidade
Sei que você também acreditou
Nesse sonho também embarcou
Mas, não era pra ser
Tava escrito assim
Começo, meio e fim
Você distante
Eu arrogante
Um amor que não era bem isso
História sem final feliz
De verdade eu te quis
E sabe de uma coisa?! Ainda te quero
Seja como for, eu te espero...
Em breve tudo volta pro lugar
Falar?
Não há nada mais pra ser dito
E o que foi vaga no infinito
Tudo perdido
Embora, ainda não esquecido
Tudo em vão
Quantas palavras bonitas
Quantas juras e promessas
Tudo engano do teu querer
Fuga da rotina do viver
Me amar não tava nos planos
Você não teve essa intenção
Nunca teve a pretensão de chegar ao coração
As coisas foram acontecendo
De repente tudo tava complicado
Eu sei
Você até queria ficar
Festejar, dançar
Mas, tinha as suas obrigações
Coisas que fogem as nossas razões
Tá tudo bem
Em breve tudo volta pro lugar
Quem sabe eu não volte a sonhar
Talvez até esqueça pra sempre você
Quando o ar me faltar e eu não puder mais viver
Vai!
Segue em frente e fique atento. Porque a vida é generosa, e talvez ela te surpreenda com alguém especial. E se isso acontecer não seja bobo/covarde, não deixe essa chance escapar. Vai e seja feliz. Que em algum lugar alguém te ame como eu te amei. E quanto a mim, jamais serei a mesma. Levarei comigo marcas de um amor que não soube me amar. Mas, que muito me ensinou de alguém que eu nunca vou querer ser. Você!
Não é questão de vingança não. Mas, não existe dopamina melhor do que vê o cara que te dispensou correndo atrás de você feito louco. É um êxtase supremo. Aaah muito bom.
Sem mimimi
Queria um encontro com você
Me perder em seu sorriso lindo
Viver um amor blindado
Ter sua gentileza acariciando minha alma
Me aconchegar na sua calma
Na noite rotineira
Sob a luz do luar
Com vinho brindar
Correr pro mar, flutuar, se jogar
As ondas compondo melodia pra você cantar
Ah como é bom sonhar
Talvez um dia o sonho vire realidade
E o virtual se torne felicidade
Sem mimimi, sem complicação
Pra nós as coisas boas do coração
O amor é minha única certeza
Espero na promessa
E que a vontade do pai prevaleça
Grave em nós o sim
Princípio sem fim
Uma história bonita pra viver
Um acaso que sempre esteve nos planos de Deus
Realização dos sonhos meus
Sonho que hoje tem um rosto
Café com leite... Nosso gosto
PEDAÇOS (soneto)
Em ti, ó saudade, acho parte de mim
São fragmentos craquelado e partido
Do meu eu que tenho então em ti sido
Eternizado numa dor que vive sem fim
O senso que faz em ti alarido saído
Em mim é silêncio, é solidão, enfim,
Vive da ilusão de lembranças carmim
Do comover sovado e não esquecido
Agora, o que faço para ouvir o clarim
Dos sons da quimera no porvir contido
Dando-me sonhos afora deste folhetim
Serei pouco, nada, de desejo desprovido
Se insistires em ficar tão presente assim
Aí, de pedaços o meu poetar será revestido
Luciano Spagnol
Poeta do cerrado
2017, março, 05'55"
Cerrado goiano
Já me esqueci dos caminhos
Que os pensamentos me levaram
E por quanto descuidado
Deixei apagar as trilhas
Felicidade ou infelicidade. A decisão cabe a cada um de nós.
Pense nisso e escolha o que você deseja para você, agora, hoje, nesse novo dia.
