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Mesmo conhecendo inconscientemente o que é real e o que não é, preferem a irrealidade, por ser mais cômoda e menos traumatizante para elas.
Seria desejável que estudos futuros analisassem algumas semelhanças entre os jogos lotéricos e a Internet, porque o próprio processo dos sorteios seria alienante, e o próprio ato de jogar seria uma catarse, com as pessoas apostando porque precisam sonhar com uma realidade que elas não
podem alcançar.
O que é importante ressaltar é que todas as evoluções precisam de mão-de-obra qualificada, especializada, não sendo possível que se tenha desenvolvimento tecnológico por livre ação da invenção tecnológica, só através da técnica. Mas, é preciso preparação cultural para atender à demanda mercadológica
É como se as novas tecnologias de comunicação criassem o pecado de ter menos sacrifício quando se trabalha. Como se as novas tecnologias entendessem de alma humana, despertando no homem o
sentimento de que o trabalho, cada vez menos, se identifica com o ofício de
“bater ponto” e, cada vez mais adquire o aspecto dionisíaco dos personagens
de livros, do cinema e da tevê.
O homem, com o advento das novas tecnologias, passou a ser uma espécie de agente dependente de sua própria evolução, e as novas tecnologias dos meios de comunicação fazem o papel de verbalizar o contexto de poder, enquanto exercem o poder sobre a própria criação do poder materializado pelo ser humano.
A avaliação é de que o poder político está mudando de polaridade com a influência das novas tecnologias de comunicação, e os espaços públicos reais estão cada vez mais transformando-se em lugares sites virtuais. A dúvida, agora, é: como será possível que este mesmo poder
político seja materializado nos meios eletrônicos com a mesma intensidade e
com a força da representação política popular do modo tradicional?
O espaço público se minimiza com as novas tecnologias, mas o poder político se amplia pela necessidade da globalização. A exposição do olhar na tela do computador ou da tevê é um reflexo político, em que se
reservam valores intrínsecos da forma de enxergar a realidade ao redor de
cada um, e interpretá-la de forma coletiva. A imagem política é cosmopolita, o
que muda é a forma de se dirigir o olhar como um ato político, que se torna
local.
O desnudar e o transparecer do espaço público por meio da mídia moderna se condensa na atitude de “voyeurizar” um futuro e torná-lo pressuposto da realidade. É através desse desnudar-se que as novas
tecnologias causam nas mídias de todo planeta ocorre a perda da auto defesado receptor em relação ao conteúdo nato da mensagem, e o torna um consumidor de idéias adotadas e não das progênitas.
Podemos, por meio das novas tecnologias de comunicação, estar muito mais perto do real do que do virtual, talvez porque o real nunca tenha sido real, e pode ser que o papel do virtual seja mostrar aquilo que é o contrário do virtual: mostrar a utopia do que supomos ou acreditamos, por fé, sonho ou ideologia, ser verdadeiro.
A idéia que as novas tecnologias de comunicação nos passam é de que sempre estão sendo preparadas para a realidade de um futuro próximo.
O futuro é sempre próximo, porque tentamos imaginá-lo da maneira como projetamos por longo período, e que está sempre distante, porque não podemos estar nele nunca. Afinal, quando estamos no futuro?
Só um filme como “De volta para o futuro” é que pode levar alguém ao futuro, no caso os personagens do filme. Mas quando se chega ao futuro não existe mais futuro. O passado se recicla no presente, pois o futuro é utópico: é o presente reeditado ou o passado meditado para frente.
A grande armadilha do discurso político que envolve a propaganda de adesão às novas tecnologias de comunicação é a de que elas
nos levam ao futuro, como se isso fosse o único e grande motivo para usá-las.
As novas tecnologias de comunicação prometem um futuro somente de mídia: efeitos especiais, correio eletrônico, tevê à cabo, celular, ou internet cada vez mais elaborados. Um futuro com distâncias cada vez menores pelo menos na questão de envio e recebimento de mensagens do destinatário ao receptor
A propaganda sobre as novas tecnologias de comunicação não promete, e nem tem como prometer que amanhã o ser humano terá sua casa própria ou seu emprego, ou qualquer outra prioridade social básica. O que a propaganda promete, e leva a sociedade a acreditar nisso, é que por meio
das novas tecnologias de comunicação a sociedade vai evoluir.
Pare de indagar "por que?"
Isso bloqueia qualquer pensamento a
mais sobre o assunto,
e impede o surgimento de
novas perspectivas.
A partir da meia-idade quase todas as pessoas que vamos conhecendo de novo fazem-nos lembrar alguém que conhecemos antes.
O que precisamos enxergar é que os estudiosos das novas tecnologias de comunicação têm ângulos diferentes de ver a mesma coisa: uns têm a visão de um computador em cada mesa e basta, outros verão que não há tomada para ligar os aparelhos das novas tecnologias de
comunicação sob pontes e viadutos e nem dinheiro para ter acesso a elas, e
que a visão de um futuro melhor para todos não pode ser só essa propaganda
folclórica da Microsoft ou do marketing-mídia.
É importante, para encontrar o futuro, buscar o passado. Homem sem
memória é homem sem contexto de vida. Para entendermos o que representam as novas tecnologias de comunicação no nosso tempo histórico, temos que, primeiro, traçar perspectivas por meio de fatos e de
acontecimentos do passado e do presente.
Acontecimentos importantes como a Revolução Industrial, que não só modificou a conjuntura social e política de uma época mas que modificou o mundo inteiro para sempre. Se pensarmos o que representa a
inovação técnica de uma máquina, o fato em si não é tão importante, mas os
resultados e as influências que se sucedem e que servem para alimentar a
história e os casos a serem estudados abordados dentro dela.
A máquina de tecer, por exemplo, não é problema, mas solução, porque produz mais peças do que as mãos humanas e por menor preço, porque o custo de horas de trabalho em relação ao tempo de produção é menor, mas a produção e os lucros são maiores. O grande problema é que a
máquina, seja ela qual for, é sempre vista como uma ameaça ao homem,
porque ameaça sua rotina, a estabilidade e o conformismo. Enfim, ameaça
furar a placenta na qual o homem está inserido no seu tempo histórico.
As qualificações técnicas que envolveram o destino da Revolução Industrial hoje envolvem de forma análoga o destino das novas tecnologias de comunicação. Não na questão do mecanismo usado nem tampouco das máquinas agora usadas, muito diferentes as máquinas da Era da Industrialização.
Toda transformação histórica, toda ruptura de um processo de desenvolvimento para o outro tem como poder de influência formar uma nova conjuntura social e política no mundo. Isso é evidente. O que ainda não
sabemos é como os homens vão se organizar a partir de uma fase de ruptura
para a outra.
As novas tecnologias de comunicação dos medias estão a serviço da arquitetura da mentalidade capitalista.
Não obstante, o projeto político que circula na Internet não é diferente da arquitetura ideológica dos meios em geral, pois só há um novo formato e dimensão dentro da rede, mas a capacidade de reprodução da ideologia é tirada de um modelo absorvido dos meios de comunicação, que são costumeiros da sociedade.
