Tag marinho
As vezes penso que sou diferente da maioria das pessoas que conheço ou me tornei nos últimos anos. Animadas, festeiras, boas de garfo, elas estão sempre dispostas a visitar alguém que se disponha a dar comida e bebida de graça.
Eu não. Pago para não ter que ir na casa de ninguém, como pouco e o que puserem na mesa, não bebo álcool há mais de vinte anos, abomino gente que fala alto, muito e asneiras.
Minha turma aqui do Facebook é uma turma que escreve bem, lê bastante e pensa melhor ainda. Não falo com eles, eles não falam comigo, nós nos curtimos e se por acaso não gostamos de algum texto não fazemos absolutamente nada, esperamos o próximo que certamente será melhor.
Faz tempo estou tentando escrever alguma coisa que descreva o lapso de tempo da minha vida ou de uma vida qualquer, mas ou fica curto e faltando muito ou longo e ainda faltando coisa.
Outro problema é que posso ser benevolente, realista ou falar a verdade e já percebi que quando falo a verdade sou tachado de velho pessimista e recebo uns desses conselhos presentes em todos os livros de autoajuda que mais parecem de autopiedade.
De qualquer maneira, escrever é de graça, não engorda e me embriaga sem estragar o fígado.
Enquanto não consigo sintetizar o tal “lapso de tempo da vida” vou escrevendo coisas amenas.
Alguns vão lendo, vou lendo os textos dos amigos, troco altas ideias com o Google e eu me livro de visitar ou ser visitado.
As vezes penso que sou diferente da maioria das pessoas que conheço ou me tornei nos últimos anos.
Mas não está ruim de todo.
Boa noite!
Ninguém pode entrar duas vezes no mesmo rio, pois quando nele se entra novamente, não se encontra as mesmas águas, e o próprio ser já se modificou.
Heráclito de Éfeso.
Eu não sou o mesmo cara que fui quando tinha vinte anos. Mudei muito aos trinta e quase não me reconhecia aos quarenta.
Quando completei cinquenta anos fiz uma grande festa para comemorar a maturidade, maturidade que comecei a perder aos sessenta e da qual tenho poucas notícias beirando os setenta.
Quem fui eu? Quem sou eu? Quem serei?
Greve geral
Quem fez ou justifica a greve de ontem como protesto pelas mudanças duras que precisam ser feitas, ainda que direitos possam ser suprimidos, esqueceu-se ou não quer levar em conta que o doente precisa de remédios ainda que amargos para sobreviver.
Muitos alegam que as reformas deveriam começar por extinguir privilégios dos políticos ladrões, corruptos e dos legisladores em causa própria. Isso só vai ser possível quando elegerem cidadãos de bem e não a corja política que eles próprios colocaram no poder.
Todos os que elegeram Lula, Dilma e companhia, jamais poderiam fazer qualquer manifestação que não fosse pela prisão perpétua deles e dos “companheiros”.
Sofre quem tem e quem não tem dinheiro e o resto fica preocupado.
Todo mundo sabe quanto são manipuladas as pesquisas de opinião.
Não é o que ocorre nesta, já que espontânea, surgida e coletada entre os dez frequentadores mais assíduos na mesa do café da manhã no Restaurante Pérola.
Somos todos maiores de sessenta anos, com patrimônio e poder aquisitivo que vai de quem não tem quase nada a quem tem tudo o que precisa.
A sinceridade no grupo é própria de quem não tem inveja nem gostaria de ser o outro, porque virtudes e defeitos são conhecidos pela convivência diária de quase vinte anos.
A conclusão é que sofre quem vive de aluguel e tem dificuldade para comprar os remédios diários e obrigatórios, com a dificuldade em sobreviver com o valor irrisório da aposentadoria.
Sofre quem tem tudo o que precisa, inclusive saúde porque já descobriu a finitude da vida e a certeza de que mais dia, menos dia vai ter que deixar definitivamente o que construiu.
Se é possível falar que há um meio termo entre os que sofrem por não ter quase nada e os que têm tudo, restam os que ficam preocupados pela dúvida do dia de amanhã, já que nessa idade não há quem garanta nada.
Fico pasmo quando alguém não acredita que o homem foi à Lua, acha que tem marmelada na Mega Sena e que a vacina da gripe faz mal.
Quando alguém diz que não acredita em Deus fico pensando em quais seriam suas últimas palavras na iminência de um acidente ou uma catástrofe, se uma prece fosse a última esperança para um ente querido numa cama de hospital.
Quando a gente tem quinze anos não vê a hora de fazer dezoito, quando a gente tem trinta e nove é assaltado pela ideia de que está ficando velho e depois dos sessenta, já sabe que o que vem pela frente tarda mas não falha.
Então a gente lembra das coisas que não foram feitas e muitas não poderão ser mais.
Sempre têm os que buscam exemplos raros como:-fulano fez isso com oitenta anos, fulana fumou e viveu até os noventa, mas a gente sabe que a maioria que deixou de fazer o que faz falta, também não vai fazer mais.
Dia disso, daquilo e daquilo outro.
Proponho a criação do dia de nada.
Nesse dia nada se comemorará, não será como sábado que é dia de feijoada e se cair na segunda-feira, ninguém vai trabalhar.
Todos os boletos e demais contas ficam com vencimento prorrogado para a semana seguinte e ninguém dará parabéns ou pêsames.
No dia do nada, a gente nem terá consciência nem será obrigado a ver ou falar com as pessoas que não significam nada para a gente.
No dia do nada só sairá de casa quem quiser, com isso não vai ter engarrafamento e como você sairá sem nada nos bolsos, nem telefone celular nem jóia ou dinheiro, não será assaltada.
No dia do nada ninguém pagará nada, nem ninguém cobrará nada de ninguém.
Perfeito!
Todos estamos precisando de uma dose extra de esperança para viver no século XXI.
Nos dois mil e dezessete anos dessa era Cristã temos posto à prova a capacidade do homem em transformar para criar, em destruir para inovar.
Ao mesmo tempo em que criamos remédios e tecnologias para aumentar a vida criamos armas e meios fazer sofrer e para matar.
Ninguém conhece qual a dose ou como seria possível medir o sofrimento humano.
Refugiados das nações em guerra e abandonados de todas as nações perambulam famintos pelas ruas e ainda sobrevivem, ricos e famosos tiram a própria vida numa clara demonstração que não suportaram suas dores.
Seria possível dizer que todos sofremos igualmente com a mesma intensidade?
Não há força maior que um olhar de quem encontrou algo que vale a pena.
Não há desejo que não se realize quando a gente realmente quer.
Sempre tem gente que tem fome e sempre quem tenha vontade de comer.
Haverá sempre quem ensine quem tiver vontade de aprender.
Não há desejo que não se realize quando a gente realmente quer.
Haverá sempre quem ensine quem tiver vontade de aprender.
Livre arbítrio.
Às vezes a gente troca um pouco de vida por um gole de wisky, ou simplesmente saboreando um prato.
Sou desses, dos que dão valor ao presente e não esqueço que prazer é o que a gente sente ou poderá sentir.
Vida-longa quase sempre quer dizer … bem vocês sabem o que quer dizer.
Sabe o que eu acho de quem não publica as fotos no perfil do Facebook?
Ou não tem o que mostrar ou tem algo para esconder.
Tudo na vida nos leva à morte.
As comidas saborosas e as bebidas mais inebriantes são venenos que matam lentamente.
Melhor assim, afinal quem está com pressa?
Amigas sofrendo para colocar botox e prótese nos seios….amigos sofrendo com o implante de cabelos e eu mesmo uma tintinha de leve.
Todo mundo tentando driblar os efeitos da idade.
Tentativas válidas mas pouco eficientes para mudar o rumo inevitável da vida.
Aproveite o máximo com ou sem os artifícios.
A verdade é uma só!
Só se vive uma vez, fotografe esse momento.
Quanto melhor for a foto mais forte será a lembrança!
Por uma única vez teremos a mesma idade, as mesmas feições que nos diferenciam de todas as outras pessoas, o mesmo olhar para o mundo.
Não espere para arrepender-se por não ter registrado esse momento.
Fotografe! Registre! Relembre!
O tempo não é nada mas pode ser tudo.
Ontem tive a sensação que os últimos trinta anos passaram como trinta minutos.
Hoje parece que foi ontem que eu sentei com meu amigo Delci Lima e falamos um pouco de tudo, como nos velhos tempos.
Como a vida é, foi e sabe-se lá como será.
Mas essa harmonia tem nome, chama-se respeito pelo que cada é, foi e será.
Nunca há divergências em quem procura similitudes.
Bom ver que algumas amizades não dependem de pouco mais que umas lembranças e do respeito mútuo que tem que haver entre ideias e amigos, amigos e ideias.
Um olhar mais detido pode nos levar a analisar mais o que se tem e
observar quão descartáveis são algumas novidades.
Há coisas novas que são bonitas e muito úteis, mas sua fragilidade revela que foram feitas para atender uma aparente necessidade imediata gerada pela propaganda bem-feita, pela embalagem chamativa e pelas promessas nem sempre cumpridas.
Assim são certas pessoas hoje em dia, uma embalagem bonita num produto frágil e com pouca qualidade o que leva à necessidade da troca frequente.
Quando você está em viagem não se preocupa muito onde vai passar a próxima noite, mas quando procura uma casa para morar muito tempo, precisa verificar se a construção é sólida.
Algumas fotos são verdadeiras invasões de privacidade.
Quando você mostra por fora o que tem por dentro, quem olha pode sentir mais do que o que está vendo, pode sentir o que você sentiu numa fração de segundo e isso pode ser surpreendente bom.
Passei a vida ouvindo que a gente tem que manter os pés no chão para descobrir que não errei muito quando decidi voar….
Afinal, qual o sentido de escrever uma carta ao mundo, sem ter o que dizer?
Miguel Falabella em “A cronica que não há”.
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Perdi a vontade de escrever porque tudo o que me diz respeito não tem nenhuma importância para o mundo.
MG
Otimismo.
Começo a entender as muitas mensagens dos amigos do Facebook mencionando otimismo a toda prova, com toda sorte de catástrofes que assolam a humanidade.
Estão confusos e confundindo ser otimista com a remota possibilidade de estar otimista com o futuro próximo do Brasil.
Ser otimista é uma coisa, estar otimista é bem diferente.
Alguém poderia me explicar?
Não consigo entender as postagens e muitas fotos da moçada e algumas de gente nem tão jovem.
Fotos fazendo careta, com a língua de fora, em posições fotograficamente desfavoráveis que anulam as reais proporções, deixando distorcidos corpos que na verdade são bonitos e bem-feitos.
Será que vamos entrar numa nova época onde mostrar a própria ignorância escrevendo errado e colocando fotos ridículas retrataremos a realidade de uma geração?
Eu gostaria de entender...
Para morrer basta estar vivo...
Morreu Maurício Torres pessoa pública, homem de bem, pai de família. Quarenta e três anos. Jovem!
E morrem, todos os dias ilustres desconhecidos ainda mais jovens do que o Maurício, como uma loteria às avessas, onde alguém é sorteado para o azar dos amigos e familiares.
Para quem morre o sofrimento terreno acaba e ninguém voltou aqui para fazer um depoimento de como são as coisas depois.
Quem já viveu bastante sabe que o céu e o inferno são aqui na Terra, para quem ganha ou perde um ente querido.
Renove, cada dia, o amor por quem você preza porque só há uma chance de demonstrá-lo para quem parte e é enquanto ele está vivo.
Seja rápido. Para morrer basta estar vivo.
