Tag marinho
Às vezes acho que quem se conforma com a velhice não teve uma vida cheia de muitas conquistas, algumas decepções e grandes aventuras.
Abrir mão disso tudo não é fácil!
Como numa máquina do tempo algumas músicas me deixam em transe e me colocam trinta, quarenta, cinquenta anos atrás.
Nessa hora (mas não só nessa) lembro que meu avô dizia:
- Deveríamos ser antes velhos e depois novos...
Certamente aproveitaríamos muito mais.
A pandemia, as decisões tomadas, a história e a nova realidade.
Como tantos fatos históricos dúbios, tomo como exemplo o holocausto, que alguns afirmam que não existiu ou não teve as tais proporção, 2.020 passará à história como a maior caos dos últimos séculos e várias versões circularão.
Quais foram as reais proporções, quais foram as medidas tempestivamente tomadas, quais foram os erros e os acertos?
E com a costumeira falibilidade, a humanidade vai acreditar na versão que lhe aprouver.
É inconteste que teremos a partir de agora uma nova realidade.
E essa nova realidade é a maior incógnita. Essa sim única
verdade.
O poço, o fundo do poço e o poço sem fundo.
Para a maioria dos políticos o dinheiro público é um poço sem fundo.
Alguns ainda pensam que sempre vai sair água desse poço.
A maioria dos brasileiros (onde me incluo) está no fundo do poço, perdendo empregos, seus pequenos negócios e o pouco que possam ter conseguido na vida.
A verdade é que o poço não surgiu do nada, foi construído com o suor de muitos anos de trabalho a fio.
Cada notícia que escuto sinto como se mais uma pá de terra foi jogada no poço e que quando o poço estiver soterrado não haverá água para ninguém.
Começo, meio e fim, o passado e futuro o da humanidade.
Vivemos uma situação pandêmica como ninguém que está vivo presenciou.
Sabemos mais ou menos o que aconteceu há cento e três anos :
“A gripe espanhola foi uma variação do vírus Influenza (comumente associado às gripes recorrentes e ao H1N1). A origem da mutação do vírus da gripe é desconhecida. Os casos tiveram início de 1917 e desde então ela se coloca como uma das doenças mais resistentes de todos os tempos. A letalidade da gripe variou entre 6% a 8% durante o surto.”
Portanto dados de mais de cem anos, sem o milagre das comunicações, radio, televisão e internet, e a imprecisão e infidelidade do Data Folha e do IBOPE com a verdade.
Não há consenso se estamos no meio ou no fim do problema e só o futuro vai contar essa historia triste, certamente com várias versões.
Para os que acreditam nas profecias divinas (não é o meu caso), a Bíblia informa há séculos:
“E ouvireis falar de guerras e rumores de guerras; olhai não vos perturbeis; porque forçoso é que assim aconteça; mas ainda não é o fim. Porquanto se levantará nação contra nação, e reino contra reino; e haverá fomes e terremotos em vários lugares. Mas todas essas coisas são o princípio das dores” (Mateus 24:6-8)
Sempre existiram profetas e adivinhos, a humanidade segue, uns achando que o progresso tecnológico permite uma vida melhor, outros que a humanidade está destruindo o mundo...
Nós que não estaremos vivos não saberemos isso...
“O inferno sã nossas escolhas”
Amanda Palma
Sartre baseou grande parte da sua filosofia com base na frase “O Inferno são os outros”
Fico com a frase de Amanda Palma porque nem sempre o inferno são os outros, mas nós mesmos, com as nossas nem sempre boas escolhas para não dizer com as nossas péssimas escolhas.
Há muitos anos eu escrevi que não dá para acertar todas, o importante é não errar todas...
Eu errei muitas, muito mais do que acertei, mas não errei todas, escolhi certo, escolhi bem a Amanda Palma.
O ego de algumas garotas é tão grande, que para elas a carteira de motorista não deveria ter só uma foto, deveria ter um álbum.
A gente se adapta, se acostuma, se conforma e quase esquece.
O primeiro contato com qualquer situação nos surpreende.
Depois, a gente se adapta ,se acostuma e esquece.
Muitas pessoas nem sabem os nomes dos seus bisavós, alguns lembram com saudades dos avós que já morreram e os nossos pais estarão sempre na nossa memória.
Mas um dia, todos nós seremos apenas uma lembrança, e depois disso talvez uma foto esquecida numa gaveta, e ninguém se lembrará dos fatos que hoje para nós, são os mais importantes das nossas vidas.
A gente esquece porque se adapta e se acostuma que depois de algum tempo só o futuro importa.
Ignorância
A periculosidade da situação política mundial agora agravada pelo corona vírus é ignorada por uma grande parcela da população.
Pelos ignorantes.
Vivemos no “fio da navalha”, sobre uma tênue linha que separa a paz da guerra, a vida burguesa da extrema pobreza, a vida da morte.
O otimismo exacerbado é exaltado sob pena dos realistas serem considerados pessimistas.
A grande maioria do povo, não por vontade própria, é obrigada a viver à custa de migalhas mal distribuídas pelo governo que parte, reparte e fica com a maior parte.
E o povo ignora e não sabe reagir porquê é ignorante.
Quarto poder?
Tida como o quarto poder, a imprensa está na briga para ver quem manda mais.
Executivo, Legislativo e Judiciário sofrem com a concorrência desleal.
Falas são tiradas do contexto, pesquisas são mal comparadas e as imagens são editadas com assuntos que confundem o público,
Não há fatos, o que vemos são opiniões e interpretações de um único assunto que juntam os desmandos, a desordem e a desgraça.
Tudo pela busca frenética da notícia “exclusiva” e de última hora, o que a qualquer momento pode ser o decreto do caos.
Legado...
Aliás, acho que não vamos deixar porra nenhuma, a não ser grandes problemas para as próximas gerações.
O Corona vírus 19 será uma lição que não aprenderemos.
Previsíveis, as grandes epidemias não fizeram com que o mundo estivesse preparado para enfrentar essa, que não foi à primeira e nem será a última grande pandemia.
Os conflitos internacionais e as guerras civis vão perdurar através dos tempos com massacres sanguinários corpo a corpo que mataram milhões de pessoas em poucos anos e teremos outros, possivelmente com outros nomes.
O lucro exorbitante das grandes companhias são remuneratórios das fortunas dos bilionários, em vergonhosas listas de puro egocentrismo.
É imoral a apuração do lucro dos bancos, das bolsas de valores e demais instituições financeiras, que tornam milionários uns poucos, com as muitas perdas de milhões de incautos e necessitados de capital para produzir,
Os laboratórios farmacêuticos, a exploração do petróleo, as redes sociais e o recentes aplicativos, permitem que as maiores companhias do mundo sejam as maiores imobiliárias sem ter imóveis, as maiores empresas de transporte sem ter veículos, as maiores hoteleiras sem terem hotéis e por aí adiante, fazendo com que seus criadores juntem fortunas de mais de cem bilhões de dólares cada um, pagando poucos impostos, imediatamente entregues nas mãos dos políticos que destinam mal o pouco que sobra dos saques criminosos.
As dez maiores economias do mundo têm imensa população considerada abaixo da linha da miséria enquanto o dinheiro é canalizado para o bem estar dos que se dispõe a usufruir das suas riquezas.
E nada vai mudar, as gerações futuras verão as desgraças do passado cada vez mais potencializadas.
Eu não sou socialista, me considero de direita, mas acho que não aprenderemos a lição.
Realidade.
Real ou ilusória, a concepção de viver bem nos leva, queiramos ou não, às ideias pré concebidas de conforto e tranquilidade e por que não dizer, de uns luxos.
A vida em sociedade nos obriga a convivência com muitas pessoas, onde ter e poder, significam mais do que simplesmente viver por viver.
Vão longe os dias onde muitos sonhavam com uma casinha no campo para criar filhos e netos, “plantar amigos e livros….e nada mais”.
Nem bem-nascidas, as crianças de hoje se deparam com a necessidade e a obrigação sem escolha de serem criadas nas creches e nas escolinhas.
Cada vez mais, longe dos olhos dos pais, criando hábitos mais e mais parecidos com o das outras crianças e o dos “educadores”, estes, na maioria das vezes cada vez menos preparados, formam-se gerações de profissionais “que o mercado pede” em detrimento das antigas vocações.
Em alguns países da Europa, no Japão e nos Estados Unidos, a educação e cultura podem não estar bem estruturadas para todos, mas está para a maioria e dessa maneira a realidade da vida tem menos diferenças em que pesem as distorções.
Mas essa não é a nossa realidade, o que está aos nossos olhos, é a triste realidade, de que é tal a desvalorização dos vínculos da família que essa exposição tornam a massificação nivelada por baixo.
Sem escolas, sem empregos, sem futuro.
Essa é a nossa triste realidade.
Vitórias.
Desde sempre os recordes são batidos, as marcas superadas e para alguém bom sempre acaba aparecendo outro melhor.
A superação pode ser derrota ou lição de que a vitória, por mais gloriosa e merecida, acabará cedo ou tarde fora do pódio.
Ao ser o primeiro, chegar mais alto e ser o melhor, ninguém está bem preparado para o sabor da derrota que existe e um dia virá.
Para um bom sempre surgirá outro melhor.
Perdoar.
Perdoar, dizem, é divino.
Talvez porque errar é humano, porque todos nós erramos e se não houver perdão, breve não haverá mais erros nem acertos, só um monte de chatos se achando o máximo, pensando que estão sempre certos.
Hoje perdoei o Jô Soares.
Fazia muito tempo que eu não assistia às suas entrevistas porque passei a achá-lo um chatão tentando mostrar ser superior e intelectual, toda hora interrompendo seus entrevistados no meio das respostas.
Mas com a iminência da sua despedida depois de vinte e oito anos e dos vários compartilhamentos que os dois últimos programas tiveram eu os assisti pela internet.
Vi um Gordo diferente, que finalmente foi igual aos melhores anos do passado.
Vi um cara humilde relembrando alguns dos ótimos momentos do programa, que existiram tanto pelas suas perguntas inteligentes e bem colocadas, como pela boa escolha dos entrevistados que invariavelmente tinham coisas inéditas para contar.
Vi um cara que deve ter passado muitos dias e noites pensando se seria a hora de parar, principalmente pela enxurrada de críticas que vinha sofrendo, por aparentemente babar os ovos dos poderosos, sabe-se lá porque.
Sou suspeito para falar das críticas, pois parei de assisti-lo faz tempo, muito antes dessas acusações.
Fiquei com a séria impressão de que terminado esse ciclo de programas diários que desgastaram a sua imagem virá para ele um novo tempo ainda melhor.
Com sua inegável inteligência e capacidade, acho que breve teremos mais desse cara incrível que pode ter errado, mas que não persistiu no erro.
Gostaria agora de ter notícia de que o Faustão vai encerrar definitivamente seu programa na semana que vem.
Poderia até perdoá-lo, em que pese não ter a nenhuma esperança de vê-lo fazer no futuro algo realmente aproveitável.
Sonho
Éramos três no meu sonho, a terceira pessoa eu não consigo lembrar ,mas a segunda era seguramente você.
Eu discorria calmamente sobre as preocupações que tinha com a vida, com a família, com nossa cidade e com os rumos desastrosos que o Brasil tomou, iludido por pessoas normais que se tornaram bandidos, inebriados que foram pelo poder.
Você parecia comungar com os meus pensamentos, e teria até concordado com a minha ideia de nos chamarmos atenção cada vez que fossemos reclamar mais uma vez de alguma dessas coisas que embruteceram a natureza humana, envenenando o planeta e tornando mais difícil a vida.
Concordamos que cada um de nós ao seu tempo e na nossa idade, já havíamos gasto tempo suficiente tentando fazer com que as coisas andassem nos trilhos, que todos colaborassem como e com o que pudessem para o bem comum.
Perdemos nosso precioso tempo, fomos reconhecido por poucos e ironizados pela maioria.
Daria para contar nos dedos os prazeres que sentimos com as conquistas e encher umas caixas com os dissabores.
Escrevo essas linhas para pedir que você não esqueça de me alertar sempre que eu for reclamar de alguma coisa.
Farei o mesmo, e se você descobrir quem era a terceira pessoa no sonho me diga, para eu não pensar que estivemos sozinhos nesse sonho e nessa batalha perdida
Afundando a galinha dos ovos de ouro.
O Brasil acostumado a tratar mal quem nele investe, está perdendo o mercado de cruzeiros marítimos para outras regiões do mundo.
Motivos diversos altos custos de atracação, embarque e combustível.
A estrutura dos pontos de parada também são inferiores às de outros países.
Veja alguns dados fornecidos pela reportagem no Jornal A Folha de São Paulo de 24/12/2016.
552 mil passageiros na temporada 2015/2016.
383 mil vagas disponíveis nessa temporada 2016/2017 ainda não preenchidas.
Recuo de no mínimo 30% no número de passageiros e receitas.
No mundo a atividade cresceu 4,5% nesse período.
120 atracamentos, na temporada 2015/2016 apenas 39 confirmados na cidade de Ilha Bela.
Ubatuba ano passado 9 atracamentos, esse ano nenhum.
Santos ano passado 17 embarcações, esse ano 14.
Segundo estudos da Fundação Getúlio vargas cada passageiro gera cerca de R$446,00 em receitas diretas e indiretas em cada cidade onde o navio para e por esses dados Ilha Bela perderá cerca de R$54 milhões de reais em receitas.
Tá bom ou vai perder mais?
