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Quando nós, pais, temos dificuldade de dar à criança aquilo que ela pede, devemos rever nosso próprio desamparo infantil ao invés de colocar a culpa na criança.
Ainda tenho aqueles sonhos de criança, de um dia crescer e sair ajudando as pessoas, hoje em dia muito tem mudado na minha vida, não de forma financeira, mas ganhei novas visões de mundo do que venha a ser a sociedade, a política, a natureza... Estamos subordinados ao sistema que vivemos, meu ser sente saudade da infância!
Quando damos conselhos ou soluções instantâneas às crianças, nós as privamos da experiência que vem de lutar com seus próprios problemas.
Os comportamentos adquiridos durante a infância nos acompanham sempre, e mesmo que tenhamos conseguido, à força de uma grande vontade, mantê-los cercados, encolhidos em um lugar tenebroso da memória, quando menos esperamos nos saltam na cara como gatos enfurecidos.
Meus pais pareciam tomar a infância como uma etapa preparatória em que devem ser corrigidos todos os defeitos de fabricação com que chegamos ao mundo e levavam essa tarefa seriamente.
Esse é um período difícil, mas esses são os melhores anos. Acredite em mim. Curta não ter que saber tudo. Curta apenas ser uma criança.
Infância roubada
Nasceu em silêncio, a menina esquecida,
no canto da casa, uma vida sofrida.
Entre gritos e sombras, crescia sozinha,
aprendendo do mundo a parte sombria.
Era o lar um campo de dor e tormento,
onde brigas e mentiras voavam ao vento.
Os sorrisos escassos, a ternura faltava,
e em cada olhar duro, seu mundo murchava.
Um dia sombrio, aos oito, perdeu
a inocência que em sonho, talvez, floresceu.
Um ato brutal que apagou-lhe o brilho,
e fez da menina um doloroso estribilho.
Alvo de aliciamento, de olhares sujos,
eram seus dias cheios de fardos injustos.
Tios e primos, num círculo doente,
roubavam seu riso, seu ser inocente.
E ali, tão pequena, sem voz, sem escudo,
perdeu-se na dor, num silêncio mudo.
Seu mundo ferido, marcado de espinhos,
tornou-se um deserto de poucos caminhos.
Mas ainda que a vida lhe impusesse açoite,
e a infância sumisse em noites sem noite,
carrega no peito uma chama que arde,
de quem sobrevive, ainda que tarde.
Na minha infância, éramos nós duas contra o mundo. Aquele rosto lindo. Todo mundo sempre a notava.
Os pais são grandemente responsáveis pelo comportamento da geração seguinte, pois o que se aprende na infância permanece até a velhice. Ver Provérbios 22.6.
A melhor fase da vida é a infância.
Você não enxerga maldade, seus amigos são amigos, sua única obrigação é fazer tarefa e seu único medo é do bicho papão!
Amizade (d)e infância
Amizade não tem que começar quando criança,
mas quando quer que comece, tem que ser com confiança...
Tem muitas amizades que começam na infância
-com brincadeiras de roda,
giz de cera espalhados pelo chão,
pique-pega, pular corda,
jogar peteca, brincar de boneca-
e nos acompanham
enquanto tentamos crescer.
Tem amigo que a gente lembra
do quanto conseguíamos ser radicais:
apostando corridas perigosíssimas
de velotrol em nossos quintais.
Tem amigo que a gente lembra
de quando aprendeu andar de bicicleta
de quando levou tombo de patins
e desistiu do skate que não deu certo.
Tem coisa que é a cara da infância,
como comer bolo de chocolate
e se lambuzar.
Beber bastante refrigerante para ver
quem consegue o alfabeto arrotar.
Tem também aquele momento,
de sair correndo pelo asfalto,
tropeçar no próprio pé e cair.
Eis o tenso instante de decidir
entre chorar ou rir.
Chorar.
Logo passa.
O choro passa, a dor passa,
a infância vai passando, devagar...
Vai passando na memória
a lembrança de quando arqueólogos
queríamos ser...
Para encontrar ossos
de dinossauro no jardim,
enquanto estávamos cavando,
na terra a nos sujar.
Em vez de um crânio de t-rex,
catávamos minhocas, tatu-bolas,
brincávamos com as joaninhas
e depois íamos colher acerola.
As histórias nunca acabam, vão apenas piorando...
Vão de um simples joelho ralado
até um coração estilhaçado.
A amizade cresce junto com a gente,
com uma força indescritível
e mesmo que estejam distantes,
os amigos são amigos.
Confessos, travessos,
brincalhões, companheiros,
protetores, bobos, piegas,
bregas ou estilosos, metidos,
modestos, um shake de sentidos,
de sentimentos, de tudo o que vivemos.
Amizade é aquela coisa estranha,
que dá trabalho,
que cansa,
mas é necessária
e sempre traz alegria, esperança,
consolo ou alguma maré boa.
Traz alegria para a vida e conforto para o coração.
Saudades do tempo que a minha maior preocupação era decidir se a bolacha recheada seria sabor morango ou chocolate.
Que me desculpem os adultos, os sérios, os intelectuais, os discretos e os maduros...mas esse meu lado criança eu vou conservar pra sempre.
Eu não abri mão totalmente da minha infância, e na verdade nunca abrirei. Tem uma pureza e uma simplicidade na infância que eu espero manter para a vida toda. Belo é ver que mesmo beirando o fim da vida, algumas pessoas são capazes de sorrir e de valorizar pequenas coisas na vida.
As vezes é bom dar asas ao pensamento e ir lá na infância e voltar vendo o filme de coisas que aconteceram contigo em alguns casos voce vai ri, em outros você vai gelar...
(Nossa infância)
Eu queria voltar
atrás e no passado
sabotar
a nossa história...
Reescrever a nossa infância,
Para que jamais precisasse haver separação...
E que nossa adolescência
na operação
do tempo durasse uma eternidade!...
***
Educadoras
Não há grito de liberdade maior que de uma criança.
Dentro de sua inocência, confronta o mundo com a verdade.
Se irrita com o banal, e valoriza o que de mais puro existe no mundo.
A verdade do coração, transmitida no olhar, no sorriso que gargalha.
Na peça pregada pela simples alegria.
Não há nada de mais espontâneo e cativante no ser humano.
Não há expressão mais literal da verdade.
Dom sem igual, o qual a sociedade tanto luta para domar.
Com suas concepções fúteis de educação.
Afinal crianças não vem para aprender
Vem para ensinar.
Sabe aquele tempo que a gente lembra com uma certa nostalgia: amigos de infância, o céu estrelado, olhar apaixonado, amarelinha na calçada, estudar um dia antes da prova e ainda tirar nota alta, pois é, bons tempos... Um dia a gente cresce e acha que sabe tudo, que agora sim vou ser feliz, ter uma casa, um carro, um bom emprego... uma pena que a gente demora tanto tempo para perceber que bom mesmo era sentar na calçada e olhar para o céu, imaginando os monstros que as nuvens formavam... bom mesmo era rir de tudo sem grandes preocupações, com a inocência que só uma criança traz no olhar... bom mesmo era curtir estes momentos tão especiais, tão cheios de sonhos, de fantasias, de esperança, tão perto de Deus.
Ouço passar o vento e ele me traz recordações da infância. Que saudade daquele tempo onde tudo era tão simples, tão inocente. Ah menina! Se hoje pudesse voltar e te dar um conselho, diria: acalma-te, escuta o vento, diminui o passo, caminha sem pressa e vai de encontro a tua felicidade.
Na infância, a janela era o nosso mundo inteiro.
Ali, entre sonhos e silêncios,
a gente esperava a vida acontecer...
Sem pressa, sem medo,
só com o coração aberto para o que viesse,
como quem acredita que até o vento carrega promessas.
— Edna de Andrade
