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Sabe aquela vontade de amar o que realmente importa? Então, é disso que eu estou falando. Nas últimas semanas eu mudei muito, passei a ter mais orgulho de mim.
E tive que prender várias vezes a vontade de chorar. Ainda tento. Mas, às vezes, é tão forte que eu agarro o travesseiro, à noite, e choro, choro e choro muito, até que uma hora, quem sabe, eu pegue no sono.
Eu não o culpo mais. Na verdade, nem sei se ele teve realmente culpa por tudo isso. Só sei que, às vezes, me lembro dele. E não sinto mais aquelas dores de antes. Não sinto raiva, nem saudade. Não fico mais triste e nem perdido. Só permaneceu a certeza que eu sempre tive: uma hora o tempo iria passar.
De todos os rapazes que eu tinha visto ali, naquela manifestação, ele era o mais entregue, parecia um filósofo platônico, sabia se portar, tinha umas coisas que fazia a gente não tirar os olhos. E quando o vi, em meio àquelas fumaças de gás lacrimogêneo, mesmo sendo tudo muito rápido e assustador, tive certeza de que havia sido feito unicamente para ele.
Na pior (ou melhor) das hipóteses, não diga. Mesmo que ele demonstre alguma coisa, ainda que ele diga palavras bonitas que faça você sentir uma coisa forte por dentro, não conte. Não confesse, não se declare, caia fora. Deixe que ele faça isso por você.
Talvez a solução seja essa. Dar valor ao que tem valor e não ao que tem preço. Porque perder tempo se lamentando pelo que acontece de ruim na sua vida, quando você pode sair correndo atrás das coisas boas que você quer? Seja uma espécie de escritor, procure as coisas boas para lhe dar inspiração e propiciar momentos maravilhosos em sua vida.
Livro da Vida - 26-02-14
A página tão esperada
A página mais bem escrita
O Português correto, tão certo
A acertar nossas vidas, pontualmente
Em frases tão bem desenvolvidas
Assim como esse nosso tenro amor
A delinear e delimitar nossas novas vidas
A serem escritas e duas mãos, vividas
A partir de agora, por toda a vida
Num livro abençoado pelo melhor escritor
O Criador.
Sou filósofo, poeta, amante, escritor, um sem vida que escreve sobre a vida, Sou alguém que procura a liberdade em palavras.
Eu comecei a entender tanto as coisas, principalmente pessoas, saber o que de fato elas sentem por dentro — assim como um ouvido amigo, uma obra de caridade, uma troca de experiências. Tenho conhecido pequenas dores, grandes amores, sonhos quebrados, quedas e medos surpreendentes. Uma piedade que me fez entender que a dor não é coisa exclusiva minha.
Críticos de cinema sonham ser cineastas. Críticos literários gostariam de ser escritores. Críticos musicais almejam ser músicos. Por que diabos biógrafos não gostam de ser biografados? Hein?
Eu pediria você. Se Papai Noel existisse, se estrelas cadentes realizassem sonhos, e se moedas na fonte funcionassem como nos filmes, eu pediria você para sempre. Isso não é novo, eu sempre te peço, sempre te desejo, sempre acredito no que nem é pra acreditar. Quando as velinhas do bolo do meu aniversário se apagaram e eu fechei os olhos foi por você que eu pedi no assopro. Não existe outro pedido. Nesse natal, se um velho gordo e de barba branca com uma sacola vermelha nas costas aparecesse em um trenó e perguntasse o que eu queria de presente, mesmo que eu pudesse escolher qualquer coisa melhor e mais valiosa no mundo, eu juro que o meu desejo seria que você saísse no meio das renas, de braços abertos pra mim. Eu queria que você estivesse embrulhado no papel de presente mais lindo da cidade. E só. No meio dos piscas-piscas que enfeitam os postes da avenida e os maiores castelos, eu queria que fosse o seu sorriso que eles desenhassem no céu. Se o mundo realmente acabasse, a minha última súplica seria você. É você. E eu continuo pedindo, forte, que não deixe de ser nunca. Porque, por mais que você negue e responda “não” para todas as minhas súplicas, e nunca venha, eu ainda serei o único que pede por você.
Entre as pausas.
Quero compor meus espaços em poemas.
Minha vida em musicas e minhas palavras em sinônimos de silêncios.
É assim que minha alma estará em descanso, pois quando escrevo não são as frases que importam, mas sim as pausas entre elas.
É nesses espaços que eu moro.
Venha passar essa noite comigo.
Descubra meu nome nos lençóis.
Não sou escritor, sou apenas um poeta e por isso não encontrará nada em minha fala.
Leia a poesia dos meus olhos e sinta a escrita dos meus toques.
Acorde comigo.
Caminhe comigo entre as pausas.
Essa tarde está perfeita para um poema.
Eu lhe empresto meus chinelos e divido minha caneca.
Há muitos, muitos espaços a serem compostos.
Olha, pelo visto, eu nunca vou sair daqui. Nem vou tentar mais fazer esforços pra isso, eu sei. A cada minuto tudo se torna um pouco mais difícil. Cansei de ficar tentando. E vou admitir que é quase impossível que isto aqui, algum dia, se torne uma história interessante.
