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Quando sinto desinteresse da parte de alguém, simplesmente me retiro. Não vale a pena insistir em quem é tão pouco. Afinal, não sabem a pessoa incrível que estão deixando ir embora.

Minhas noites andam conturbadas. Daquelas que te amarra uma cara feia no rosto, te traz lembranças e saudades antigas.

⁠Um escritor é alguém que escreveu algo hoje. 

Todas as pessoas têm coisas importantes para contar. Se criarmos um ambiente de confiança, calmo, íntimo, surgem grandes histórias. Pessoas sem importância têm grandes histórias. Mas se faço uma pergunta banal, obtenho uma resposta banal. As pessoas têm uma grande necessidade de falar de coisas sérias. Mas acontece que não lhes dão oportunidade. Ninguém as quer ouvir. Vivemos num mundo de banalidade. O trabalho do escritor é resgatar as pessoas dessa banalidade.

⁠Sempre há tempo para ler. Não confie em um escritor que não lê. É como comer comida preparada por um cozinheiro que não come.

Escreve-se para preencher vazios, para fazer separações contra a realidade, contra as circunstâncias.

Mesmo que distante

Trilhar um longo percurso
Na busca da essência.
Vê-la distante, e acompanhá-la.
Assim… Querer-lhe perto

Em cada momento.
O desejo faz parte de quem
Tanto se quer, e quando
Se quer, vai na busca

Vou partir… – em sua busca,
Somente não sei qual destino tomar.
Não desistirei em momento algum.

Lá, em algum lugar a encontrarei
Para matar a minha sede
E a minha angústia.

Valter Bitencourt Júnior
Passagem: Poesias, 2017

Acontecimento da vida

Nunca vi
Nada tão escuro
Como hoje.
Talvez entrara
Em uma ilusão,
E os acontecimentos
Da vida
Ajudaram.

Valter Bitencourt Júnior
Toque de Acalanto: Poesias, 2017.

Na disputa de quem rouba mais o Brasil, os que dizem que estão lutando contra a corrupção estão na frente!

⁠A escrita deles, os pensamentos deles, os jornais me assombra, porém, assim mesmo eu desafio eles a viver o algo novo de Deus 

⁠Eu sou a escrita na parede. O cheiro doce de sangue. Seja minha vítima.

⁠Nem tudo precisa ser dito, mas a vida fica mais leve quando pensamentos são escritos.

⁠Ao poeta, três são os seus martírios:
Primeiro, perder aquilo que pensou antes que pudesse escrever.
Segundo, viver aquilo que com palavras não se pode descrever.
Terceiro, reler aquilo que deixou escrito e ver que o tempo tratou de reescrever.

Fiz meu silêncio ecoar poesia.

Um amor tranquilo
Sabe aquele amor leve, natural, espontâneo? Amor sem pressão, amor sem amarras, amor sem padrões. 
Ah, um amor recíproco. Um amor de amantes, mas também um amor amigo. 
Um amor sem medo, um amor sem máscaras. Um amor transparente, um amor sem omissões.
 Um amor vulnerável. Ah! A tal vulnerabilidade tão temida. Ninguém a quer, mas todos a tem. Quem dera não quiséssemos parecer tão perfeitos o tempo inteiro.
 Um amor de vulneráveis em construção.  
Um amor que conheça as bagagens do outro, aceite-as e queira evoluir junto. Um amor compreensível, um amor simples.Ah! Um amor tranquilo, um amor sincero. 
Um amor leve como a brisa da manhã. ⁠

⁠As minhas palavras mais do que tudo, declaram em gritos a confusão que existe dentro de mim.

Enquanto escrevo, até entendo, pois entrego-me de corpo e alma ao sentimento presente. No dia seguinte por sua vez me faço de leitor para tentar entender, pois um novo sentimento já ergueu-se em mim. 

Talvez a chave para interpretar o que digo, não seja apenas lê o que escrevo, mas se entregar ao sentimento que senti.

⁠As tempestades ensurdecedoras que eu mesma crio não me preocupam, desde que não me amputem as mãos. 

⁠Acho que quando escrevo não vejo as palavras, vejo as coisas.

Annie Ernaux
A escrita como faca e outros textos. São Paulo: Fósforo Editora, 2023.

⁠A escrita, portanto, não é neutra; nela também há as marcas de quem a faz e é feito por ela.

Geni Núñez
Descolonizando afetos. São Paulo: Planeta, 2023.

⁠Escrevo para não perecer, para não sucumbir à indiferença. Rabisco as letras, para dar traços ao caminho e cinzeladas às pedras da estrada. Registro minhas dores, defeitos, labutas, deleites ou lampejos de luz, para que nunca me esqueça da minha humanidade.

⁠Não tenho medo de me repetir, porque o que escrevo, o que eu digo, não atende às exigências da literatura, mas às da necessidade e da urgência, às do fogo.

Édouard Louis
Quem matou meu pai. São Paulo: Todavia, 2023.

"... A escrita é o que cristaliza os pensamentos e os tornam acessíveis a todos através das palavras.....⁠

Todas as coisas que segurei


Dentro de mim, segurei tantas coisas…Abstratas, pequenas, grandes, confortantes.
Desenvolvi barreiras para guardar todas essas coisas que segurei, constantemente, estava ali comigo, independente do que houvesse, elas haviam se tornado atemporais, o tempo não transcorria, nada poderia apagá-las na nitidez em que se mantinham firme dentro de mim.
Um desejo incansável de controlar o incontrolável e por ego, não reconhecer a beleza da liberdade. Havia tanto em mim, que pesou. Pesou nas profundezas do interior que já nem era mais meu, entretanto, estava se tornando propriedade daquilo que eu guardava em mim e estava me moldando aos poucos.
No nascer do dia e no fim dele, percebo repetidamente que a vida são fases, ciclos, estações. E tudo de intenso que há no meu peito jamais transformaria-se em concreto eternamente. Não posso guardar, tocar, manter sempre dentro de mim. É preciso soltar, libertar, encontrar o equilíbrio, pois tudo o que realmente nos pertence, jamais vai embora, apenas ressurge em sensações melhores.

⁠Só queria ter paciência.
Ou ter você.

Por vezes chamei a escrita de doença. Se for isso mesmo, fico contente que ela tenha me contagiado.

Charles Bukowski
Escrever para não enlouquecer. Porto Alegre: L&PM, 2016.