Tag chocolate

151 - 175 do total de 163 com a tag chocolate

A notícia da partida da vovó que vendia sacolés pelo portão da casa verde no Sana desceu amarga. Como eram gostosos os sacolés vendidos por aquelas mãos. Podiam não ser lá muito higiênicos, isso é verdade, mas que eram gostosos eram. Aliás, essa questão de higiene, àquela época, não era muito levada em conta. Não que isso fosse coisa do século passado, quando ainda não se sabia muito sobre vírus e micróbios. Não. Mas também fiz uma pesquisa e vi que sacolés eram vendidos na década de 20, e, já então, as autoridades sanitárias faziam exigências que ninguém cumpria, como hoje. Daí, aquela gente imunda e encharcada com a água que lhes descia pelo corpo proveniente do degelo mal contido nas sorveteiras que equilibravam os isopores carregados de sacolés na cabeça. Mas, gula sempre foi gula. Voltando aquela senhora do Sana: os dedos que tocavam o dinheiro transportado por uma bolsa de coro que andava com ela eram os mesmos dedos que apanhavam pra mim dois guardanapos, que eu sempre pedia. Era daquela mesma bolsinha onde guardava o dinheiro que puxava os guardanapos. Me limpava como um pinto no lixo após degustar sempre a dobradinha: "um de coco e um de baunilha vó". Era o sacolé gostoso que compensava depois daquela manhã inteira torrando no sol na cachoeira. E o mais engraçado é que era tão bom, que até engolir pedacinhos de plástico mordendo o sacolé a gente engolia. Aquela casinha verde fica logo atrás da pracinha, do coreto. Quando ela abria a porta, dava pra ver lá dentro uma forma cilíndrica, de zinco, onde ela acondicionava todos os sacolés. Em torno desse cilindro, gelo picado e sal grosso com um pouco de serragem. Eu perguntei preocupado com a cor avermelhada da serragem. Coroando isso tudo, uma espécie de rodilha de pano, sempre suja, protegendo a tampa, impedindo o ataque de insetos durante a madrugada. A última vez que estive com a vovó do sacolé no Sana, custava R$ 2. Funcionava todo dia até às 18h, mas nas noites quentes de verão era comum ver-se à porta da casa aquela senhora se abanando com uma folha de bananeira estendendo mais um pouco o horário das vendas pra nossa alegria e dos colegas no camping, que nem esperavam que fossemos lembrar deles, de tão bom que o sacolé era. Uma vez, no desespero, bati palmas em seu portão 1 hora da manhã, bêbado, pra pedir sacolé. Tomei um esporro da vovó, mas pergunta se ela deixou de me atender e, depois do esporro, lembro que passou docemente a mão em minha testa e avisou que amanhã estaria mais cedo vendendo os sacolés. Os sabores eram: laranja, abacate, manga, caju e, nos últimos anos, começou a ter de chocolate, além do tradicional coco e baunilha. Mas, nenhuma delas, superava o coco-baunilha, que eu ia degustando ao mesmo tempo. Que me perdoem a propaganda, mas hoje, com todo progresso e processos modernos de fabricação mecânica, como toda e relativa duvidosa higiene no fabrico, o sacolé da minha vó do Sana continua insuperável. Os picolés de hoje, ridículos até no nome, as conchas novas que têm dado forma empírica aos sorvetes, não irão conseguir nunca matar a saudade que comecei a sentir a partir deste momento, quando recebi a notícia. Não sei se exagero ao afirmar que os sacolés do meu tempo, até os extravagantes e alcoólicos que começaram a pegar moda nos blocos de carnaval, nunca serão mais gelados do que aqueles sacolés de coco-baunilha. Faltarão neles agora, eternamente, o perfume delicioso de sabonete que vinha daquela senhora. Faltarão neles, inclusive, a poesia do pedido batendo palmas no portão, e do sorriso carinhoso e aconchegante na entrega. Siga seu caminho vovó. Novos sabores chegaram pra senhora. Delicie-se.

Inserida por AlessandroLoBianco

⁠A poesia é  muito maravilhosa, semelhante a chocolate.

Inserida por Luizdavi

⁠Em cada pedaço de chocolate, um segredo doce que derrete as amarguras.

Inserida por EduardoSantiago

⁠Existe poesia no derreter do chocolate e consolo em cada mordida.

Inserida por EduardoSantiago

É no abraço quente do chocolate que a alma encontra abrigo nos dias frios da vida.

Inserida por EduardoSantiago

⁠Chocolate com Pequi
para trazer você aqui,
Pode ter certeza que 
cedo ou tarde 
direi que eu consegui.

Inserida por anna_flavia_schmitt

⁠Trufa de Chocolate 
com um gentil Baru,
É ainda tem gente
que não entendeu 
o quê o paladar se encantou 
é porque o coração leu.

Inserida por anna_flavia_schmitt

⁠Quero fazer uma romântica 
festa para nós dois
com Cocada de Chocolate,
Esperando que você 
pegue na minha mão 
e fique na minha,
E tudo entre nós vá 
além compreensão e da poesia.

Inserida por anna_flavia_schmitt

⁠Um passeio de bicicleta 
para apreciar as belezas 
da Mata da Atlântica,
Fazer uma parada romântica 
para levar mais de uma 
caixa de chocolate feito 
com amor em Pomerode,  
Foi para um destino perfeito
que você com jeito me trouxe.

Inserida por anna_flavia_schmitt

⁠O nosso amor quando
nasceu ofereceu muito
mais do que chocolate,
O amor nos converteu
no mais doce vício
e refúgio paradisíaco.

Inserida por anna_flavia_schmitt

Sou igual a chocolate, depois que retirou a embalagem me derreto todo.

Inserida por DAmico

"Eu desconfio que a felicidade
é tomar café com chocolate!"
☆Haredita Angel

Inserida por HareditaAngel

"⁠Chocolate, amor e amigos, 
nunca deveriam faltar"
Haredita Angel
12.05.15

Inserida por HareditaAngel