Tag céu
Timoneiro
Se me fosse imposto optar
Entre a pedra do chão que sangra
E o céu que engole o dia,
Eu ficaria com o mar,
Onde o tempo se desfaz em ondas
E a eternidade é apenas um sopro.
Nos braços do meu barco
— solidão que navega —
Paro em portos de ausência
E parto levando memórias
Que ainda não gestaram.
Longe do ruído do mundo,
Sou um vulto que vaga e sonha.
O balanço do mar é um relógio,
E remo, rezo e remo até que a noite
Cante em meu braço cansado.
Quando não puder mais suportar,
Soltarei os remos,
Redirecionarei a rota dos silêncios.
E se não souber o que fazer,
O vento, antigo mestre, saberá,
Pois ele é voz do que em mim nunca cessa.
Asa de um lado só
Só tenho uma asa.
Um lado mudo de pássaro.
O céu me namora,
mas eu sou do chão.
Se tivesse duas,
voava em linhas tortas,
fazia rasantes no azul
e inventava nuvens novas.
Com uma só,
fico brincando com o vento,
sonhando ser passinho,
pés no chão e cabeça nos ares.
Quem sabe um dia,
no finalzinho da lida,
a asa murcha cresça
e eu, enfim, conheça o céu.
Minha asa pulsa,
como se já soubesse do infinito.
Uma asa é quase nada,
ou tudo — depende do corpo que sonha.
Milagre de chão
Meu milagre não desce do alto,
não brilha em vitral.
Não vem do céu, mas de poças.
Rasteja.
Bebe do lodo dos dias passados,
canta no barro onde a dor se aloja.
Devagareia.
Aprendeu com o peso da espera
a carregar o lar nas costas.
Meu milagre é andar sobre as mágoas,
ser lesma que, mesmo lenta,
assina nas folhas um rastro de ida.
O mais passarinho de todos
O mais passarinho de todos soprou o vento,
e o pardal achou onde ficar.
Até a andorinha, sem mapa nos olhos,
desaprendeu a se perder.
O mais passarinho de todos bordou os rios,
escreveu caminhos sem pressa.
Fez o tempo andar de pés descalços
e me ensinou a brincar de novo.
O mais passarinho de todos acendeu as folhas de verde,
e o chão se ajoelhou em raiz.
Até as pedras, duras de silêncio,
aprenderam a escutar o orvalho.
O mais passarinho de todos desfez a distância do céu.
Coube no voo, na seiva, no barro,
e até na palavra que eu não sei dizer.
Eu, pássaro de asa murcha,
com sua ajuda, encontrei pouso.
Do teu jardim poético
exala
verso rosa.
Ao expirar
inspira
aos que te vêem.
Teu verso é estrela
que cai sem aviso,
do céu da boca
ao coração dos que te lêem.
Francisco
Você tinha um quê de passarinho.
Não voou, mas havia um céu inteiro
dentro de si.
O céu cabia nos teus bolsos —
um céu de algodão-doce,
de nuvens que sabiam cochichar.
De vez em quando, abria a boca
e soltava um bando de andorinhas:
palavras de um certo Galileu,
um Latino Galileu.
Enquanto o mundo lhe exigia asas,
não precisou sair do chão.
Quem carrega um céu dentro do peito
não precisa provar nada ao vento.
Abre asas,
Voa.. . .
Lembra que sem ti
Não haverá novas flores.
Voa.. . .
Poliniza.
Embeleze o céu
E os olhos de quem
Tem o prazer de vê-la.
Voa.. . .
Minha flor sem caule,
Borboleteia.”
Quando chegar as águas
e não mais poder distinguir
o paraíso terrestre do celestial,
Mergulhe.
Quando souber que chegou
lá onde céu e mar
se tocam num beijo azul,
Mergulhe.
Afogar-se é a melhor opção.
Não tenha medo.
O ar aqui é mais rarefeito...
É o que acontece quando se vê o belo,
falta ar.
Essa falta de oxigenação te fará bem,
ainda que esse bem te mate.
Não precisa morrer pra ver Deus,
mas se quiser conhecer os seus céus
sim.
"Para materializar meus sonhos, abro os olhos.
Nesta hora o chão se torna reflexo dos céus, as palmas das mãos viram solas dos pés.
É assim que toco os céus, caminhando..."
Voei
"Foi assim.
Coração acelerado, isso ocorreu perto das dez, quando o avião decolou.
Eu subi junto. A alma foi atrás. Quanto mais alto ele ia, menos medo eu sentia.
Foi a primeira vez que não me senti ameaçado pelo medo.
Abriu a porta, 12.000 mil pés.
Engraçado como tudo fica pequeno daqui. Tudo fica...
Na aparente loucura causada pela adrenalina, fiz as pazes com a lucidez.
Saltei e mesmo no ar, relutei.
Quando percebi que não tinha mais chão, voei.
Logo, nos três éramos apenas um. Eu a alma e o ar.
Engraçado, tudo fica tão pequeno daqui.
De repente um grito! Mudo. Apesar do maxilar travado, dava pra sentir o eco reverberando em minha cavidade torácica.
Qualquer som silencia diante dos céus.
Engraçado como tudo fica pequeno dali.
Não foi salto. Foi entrega. Foi retorno."
Se sentir flutuar...
Voar sobre as nuvens
no céu de alguém.
Passear pelas belezas que há.
Avistar um sorriso... de canto talvez.
Já é uma dádiva.
E por fim, acampar no abraço
de quem te faz bem!
Música és vida!
No princípio, eras presente, no acto da criação.
Auxiliaste, nesta acção...
Da existência nascida...
Dentro de mim, estás...
És tu, que minh´alma, alimentas.
Música! Música! Música!...
Ao céu m´elevas. Tu única!
Enquanto te sinto...
Vou voando,
No meio dos anjos. Sim! Não minto.
Vivo, por ti.
Dançando e cantando,
Um cântico, que do mal, me tira daqui!
Amália
Amália que no céu cantas...
Com essa voz que a Deus encantas!
Em paz já estás...
Nesse lugar, onde não mais chorarás.
Amália tu fostes amar!
Para este povo, do Luso mar.
Que talhou, no rio da vida...
As tábuas de sua, dura lida.
Fica sabendo, oh povo!
Que Amália, foi mãe minha,
No pranto, que em sua, minha vida, houve...
Mas este fado findará,
Bem depressinha...
Com Deus e ela, meu ser eternamente, cantará!
Caminhar
Onde vou eu neste meu caminhar? Irei ao céu?
Eis que não sei se vou! Pois sou mau, todo eu.
Os meus inimigos são muitos! Sem conta!
Murmuram de mim, como a espuma da onda!
Eu estou de veras muito de todo cansado!
Eu terei, algum amigo neste meu fado?
Eis que nem eu, estou comigo! Sim!
De todo eu já sou louco, enfim!
Isto segundo as vossas palavras!
Mas sendo demente, ainda em Deus,
espero pois sim, em atos só seus!
Vou nele ainda sempre esperar!
Até que vá à terra, sem mágoas,
e talvez depois ao céu chegar!
Do céu
Se a igreja pensa que os Profetas e todos o velho testamento, não são para igreja, para os aplicar a si própria, está enganada! A igreja deve receber a palavra dos profetas de Israel, como se fosse para a igreja.
Para todos os efeitos Israel é apenas um exemplo de espiritualidade. Assim como Israel foi advertido, a mesma advertência é dada à igreja, para deixar o pecado! Mais uma vez digo, "Deus não tolera o pecado". Isto tanto no velho testamento como no novo testamento.
No velho testamento, Deus matou alguns que não participaram por incredulidade, naquilo que eram imagens e símbolos das coisas celestiais. Mas no novo testamento, Deus nos fala, não por símbolos, mas nos fala por aquele que é do céu (Jesus Cristo)! Por isso no Novo Testamento ele é ainda mais rigoroso que no velho testamento.
Deus não nos fala por simbologia, mas é ele que nos fala diretamente lá do céu. Portanto muito cuidado quanto ao pecado! Moisés nos falou da terra, por meio de símbolos do céu. Moisés era da terra. Mas Jesus Cristo é do céu e nos fala lá do céu!
Mais valor tem Jesus Cristo do que Moisés!
Não se iluda, na vida ninguém te vigia, ninguém te olha, ninguém cuida de você ou ao menos quer teu mal. Tudo que a ti acontecer de bom ou ruim foi uma decisão sua e essas decisões irão de fazer viver no teu céu ou no teu inferno.
O maior segredo da vida é entender a sua durabilidade, algumas resistem o tempo e tudo o que nele se propõe... Entretanto, outras assim como estrela cadente, surgem com um brilho intenso, mas desaparece no mesmo instante em medimos o tamanho do horizonte que a cerca.
O céu não é o limite porque no seu campo de visão ele parece cada dia mais perto a depender do que você deseja encontrar diante de toda sua imensidão.
