Tag azul
Meu mundo estava escuro, as cinzas caíam depois que a chama se apagou. Pra mim a viagem estava perto do final, mas talvez estivesse apenas começando.
Meu universo então foi tomado, e o que antes era fogo e cinzas, foi lavado com águas cristalinas. Inundando-me por inteiro.
Meus muros racharam e ruíram, estava completamente vulnerável. Então fechei meus olhos, enchi meus pulmões e flutuei naquele rio. Estava em meu próprio universo, um universo dentro do meu. E com aquelas águas cristalinas, meu universo dantes acinzentado tornou-se um pouco mais azul...
O mar secará um dia
toda a sua sede.
O mar perderá todo o sal
num longo dia azul.
Sem sabor e sem ímpeto
o mar de ondas molengas
ficará desativado
de qualquer romantismo.
Plebeu e plausível
descortinará outro infinito
que não este gelatinoso
mistério-matriz.
Á força da metamorfose
o mar se desmarinhará
desmaiando aos poucos
sobre si mesmo.
Não perca:
Grande Teatro de marionetes!
Amanhã. Na orla da praia.
Só vou olhando e sentindo. Uma grande paz. Debaixo d'água. Como um silêncio, como um abraço. Sem distrações. Só a água à sua volta. Muita paz, como um grande silêncio azul.
"" A dor da perda só não é maior que a dor da partida, pois não se perde o que não se tem, mas se perde na dor quando o que parte é um grande amor...""
“” Pessoas entram em nossas vidas por diversas razões
Algumas pela beleza física
Outras pelos encantos da alma
E ainda as que entram e fazem morada, no coração
E essas, só Deus para explicar por que ficam para sempre...””
Paisagem encantadora, decerto, pintada divinamente com amor, o lindo azul de um céu aberto, uma bela nuvem que se destaca e os detalhes vivos de uma natureza verdejante, iluminada por alguns raios de sol, consequentemente, simplicidade cativante de um emocionante esplendor.
Almejada liberdade de um céu azulado, a expressividade de um mar azul, curvas e ondas, olhos iluminados, olhar corajoso, uma flor amável que se destaca de um jeitoso majestoso mesmo em um jardim bastante florido, onde cada detalhe seu é primoroso, corpo bem desenhado, amostra de um paraíso, aspecto sedutor, rosto delicado, espírito caloroso, essência rica em amor, sentimentos raros, vívidos cabelos soltos, sabor de entusiasmo, impacto fortemente enriquecedor.
O carisma da cor azul é notável, um tom calmo e intenso, a viveza de um romantismo que cativa sem dificuldade, a tranquilidade de um amor verdadeiro correspondido, presente no lindo "Noite Estrelada" de van Gogh, onde estrelas distintas se destacam, razão de um céu azulado, sendo parte significante da beleza de um mar incrível, notória profundidade, tonalidade de algumas flores, de outros detalhes da natureza, fortemente expressado pelas artes, transmitindo um aspecto de leveza, belo equilíbrio de muito destaque, dessarte, penso poeticamente que o azul é uma singeleza repleta de intensidade.
O encanto de um realismo impressionante, criado aos poucos a partir de uma inspiração grandiosa, apaixonante, um mar incrível, de muitas ondas, águas transparentes de um azul rico, tudo numa harmonia de detalhes muito imponente, que transforma o lúdico em uma bela realidade estática, fascinante com tintas numa tela, fruto de uma persistência imprescindível, uma paciência que pode ser percebida em cada traço, portanto, um resultado genuíno, profundo, emocionante, que produz um sentimento aprazível, arte realista profusamente significante.
Valiosa integridade surpreendente nas vestes da raridade de um romantismo emocionante no tom do equilíbrio, um azul cativante com o fervor da rara feminilidade, a viveza de paixão e romance, bênção expressiva, coração e essencialidade, alguns raios de sol realçando a sua existência, iluminando este breve momento, dando vida à poeticidade, o auge de uma viagem intensa pelos pensamentos, pausando a realidade, algo motivador para o meu senso poético, mais uma bela oportunidade para eu criar versos, providos de palavras, sentidos, alma, sentimentos, trechos profusamente vivos, certas frases de efeito graças a uma venustidade incrível que inspira mesmo em silêncio.
"Num azul pálido de céu por debruçar, ainda há flores que teimam em ser outonais,como o são as mãos que atiram beijos ao vento“
Nesse mundo azul
a ventania vem,
levando sonhos
que foram adiados
que nos enclausura
nesse cárcere privado
nessa vida seguimos
selando de vez nossos
destinos fechados.
levo junto a mim
lá no fundo do peito
o verso costurado
o olhar encantado
o amor encarnado
o brilho do luar
cartão-postal ilustrando
a noite que de azul
se banha ...
Tentar é preciso… mas desistir
Também faz parte do pacote
De quem por algum motivo já
foi forte o suficiênte, e suportou
Grandes tentativas em vão.
QUINTA JUSTA
Quinta justa
Perfeita dominante
Quinto grau, santo e imaculado graal
Sexto do Outubro, feminino Outubro
Seis horas, vinte e três segundos
Luz ciana, rósea menina
Clarificando dúvidas até então existentes
Acerca – e acima – da realidade gélida e intermitente das saturações necessárias para o aprendizado da vida...Sua vida...Nossa vida....
Vede, filha inocente! O quão esplendorosa é a vida, mesmo que às vezes penitente.
Vede, Ciana Luz, o quanto somos nada ante o significado do teu nome.
E num júbilo de pai presente como a justa quinta de um acorde maior
Acordo que sejas dominante da saúde nos próximos sextos dias dos décimos mês do infinito do tempo que és.
Quinta justa
Justo ser
Justa causa
Do vicejar e do querer.
À Luciana Nader Calazans.
JUSTO E FICO
Não que sejas injusta
É da alma, do amo, da natureza
Não que eu seja vão
Não que que sejas não
É que em versos sãos
Impossível é traduzir
O meu querer, o meu sentir
Embora palavras não bastem
Bastardas palavras que escrevo
Saramago, Galileu ou Rimbaud
Também hesitariam o tentar
A tentação que são suas galáxias
Suas luzes, em vários pontos
Exclamação, continuar
Contínuo ar dos seus pulmões
Veja, ó menina...
Como sofro em uma explicação
Sinta, ó menina
O que sou é transição
Perpétua amplidão de sonhos
Toque, ó menina
A minha alma como um violão
Não nascemos para a perfeição
Mas de que adianta a perfeição
Sem o amor quente e puro?
De que adianta a solidão
Em seu vazio obscuro
Sejamos brisa e vento
Chão e firmamento
Amor exato, humano
Veja, ó menina
Simplesmente amo você
Ponto de exclamação.
Luciano Calazans. Serrinha,Bahia, 22/12/2017
AGÁ, DOIS...Ó?
Qual um anjo...ou drone? Vejo o algo a mais
Que os reles pensamentos dos homens;
Vejo os algodões de outrora
Supérfluo luxo da agora.
Qual a mais célere...ou célebre?
Ave de rapina, que plana acima da biosfera
Acima dos agás, dos dois, dos ós
Sinto àquela criança franzina e curiosa
Que transformava qualquer espécie de nuvem
Em brincadeira, em prosa
Em assunto profundo de roda
Em contos sobre Dumont, Zeus, Deus
O sideral não era espaço, o tempo não tinha compasso, o azul mais que uma cor.
Os meninos gargalhavam às custas dos
Devaneios.
As meninas, não.
Algodão do doce azul do céu
Que agora vejo por cima
Qual uma ave de rapina
Qual uma nave espacial
Qual o próprio tempo em si
Me trague,
Me traga o menino, sempre.
O franzino que até hoje é deslumbre
Em suas silhuetas — formas, cumes, patos, gumes
Do cirros à quase cirrose do poeta
Dos cúmulos dissimulados dos falsos profetas
Do nimbo Argento
Do ninho,
Do chão, onde o vôo é mais alto.
Luciano Calazans, Céu Brasileiro, 27/08/2018.
IMENSO CÉU SEU
Com ou sem turbulência
O azul daqui de cima
É o imã que prende minha alma
E seus olhares
Brados, pungência...
Algodão celestial
Sobre a imensidão salgada – nu paladar
Doce, no olhar
Traz o que é bom
Ceifa o que é mau
O bem suplanta o sal.
Aroma comestível
Frágil semblante natural
Naturalmente, água e sal
Que do céu ganha um presente
Um azul quase que onipotente
Que traz um sentido - ou vários - real e
Ambivalente
Dualidade do horizonte
Ou horizontes
Retidão do universo sem fim
O azul, o Branco
O mar que morre em mim.
Luciano Calazans. Céu Brasileiro, 02/09/2017
CASO VOCÊ NÃO SAIBA.
Não! Não ouvirei o sussurro da sanha
De temer a luta — e não ser temido
De temer o luto — sem ao menos lutar!
De temer sanhas, façanhas e artimanhas
De uma vez por todas, daqueles que tentam amiúde fazer o auriverde, pendão auriverde, brado auriverde sangrar.
Não sou Aquiles tampouco Heitor
E Não serei o fígado de Prometeu...
Quero Atena atenuando a quase calefação do meu sangue, vermelho sangue, suado sangue — enquanto párias jogam xadrez
Macabras aritméticas
Tenebrosas equações
Quinhentos e treze é morte, é monturo e azar
Malfadado português falado por quem desconhece os verbos, incluindo o SER!
Preferem à revelia de milhões,
E em milhões o verbo Ter...
Poder? O que é poder?
Onde começa? Onde termina
Poder é não querer e poder não sucumbir à besta e suas quinhentas e treze cabeças
Línguas bifurcadas, perdidas, enroladas, perdidas e ensimesmadas.
Poder?
Prefiro não discorrer sobre tal verbo
Tão procurado da mais vil forma subsidiado pelo mais vil metal.
Quero o sonho, o pão e a arte
Quero a vida comungada em qualquer parte
Quero a lucidez da comunhão
Quero a loucura do sim e do não
Quero abrigo para os meninos
Quero abrigo para as meninas
Quero água do sertão
E a brisa beira-mar
Quero o rio doce em minha língua
Quero minha pátria
Tabaréus, cafuzos, mamelucos, mulatos – nação vira-lata!
Sim! Vira-lata!
Prestem atenção! A besta jamais dirá sim
Sem algo em troca.
Quinhentos e treze cabeças
Bilhões de Aves Marias
Amém .
Luciano Calazans. Salvador, Bahia.
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