Surdo
INSIGNE “FICANTE”
Desabafa-se em grito surdo
Estertorado pelo mundo
Porém prefiro o som de um olhar
Alforriado para amar
Que coesa o absurdo,
Descarrega a tua ira
Adornado de avareza
Porém prefiro a ebriedade
Convertida da saudade
Que por si já tem riqueza,
Das pedras que me lançam
Encha o fardo de esperança
E ate em tua cancha
Pois dos males que me rodeiam
Que venha o caos de um atroz...
Por quantos se explanam em paz aberta
Nas asas que se envergam
No voo do albatroz.
Não me importo se eu ficar cego
Não me importo de ficar surdo
Só sei que te quero
E sempre te estudo
A minha alma só descansa enquanto você está perto
Sem você, não sei quem sou...
Penso num futuro incerto
Ao seu lado eu sempre estou...
Eu saio de mansinho pela manhã pra não acordar meu cachorro... se bem que ele é surdo e nao acorda mesmo,
mas eu tento ajudar a dormir mais.
TRATADO SOBRE UM POEMA
quis um poema sem razão nem fim
um canto surdo de areia e noites
bem mais veloz que a ilusão do tempo
que fosse a vida muito além da morte
quis um poema que tivesse o fim
de ser apenas um rascunho torto
entre as lembranças de qualquer rascunho
entre os rascunhos de alguém já morto
quis um poema de tempo e de tempos
regado a vinho – se possível tinto –
do instante imune, que não foi instante
do tempo impuro, do mais puro cisco
quis um poema que fosse um poema
de pele clara, de cabelo ruivo
que fosse a pedra fecundando o húmus
e a luz gestante fecundando a luz
quis um poema... se quis um poema
foi assim quase... meio, fim e meio
sangrei a noite, mas fisguei o verbo
quis um poema lacerado ao meio
Dizem que o amor é cego.
Mas também deve ser surdo, mudo e ainda por cima deve estar faltando membros.
O POVO
O Povo
O Povo,
cego, surdo, mudo,
nada.
Nada aos lás e cás,
aos gozos e ais,
aos fundos e rasos,
aos menos ou mais.
O Povo,
ópio de si,
glória de outrem,
mora imerso no Mar.
Alheio à praia lotada,
perde a festa, o pulo, a luarada.
- O resto dança.
O Povo nada.
Partiram, os Tiranos,
o Povo.
Deram-lhe anéis quantos fossem os seus braços,
e tiraram-lhe a força, (o abraço)
Tiraram-lhe à força pro “regaço”.
Pobre Povo,
dos Pescadores Tiranos da Praia
Partido no Talher da jogada:
eles tirando muito
e o Povo, Tadinho, virando nada.
...
Lá, mundo de muitos mudos,
Mundo de muitos tudo,
mundo de tantos nada.
Cá, pobres obras paradas,
cofres empobrecidos
e uma hierarquia encravada:
Eles com todo o tudo,
E o povo, contudo, nada.
Ser fiel na infidelidade
Ser alegre na tristeza
Ser mudo,mas não surdo
Ser a paz conflitante,perfeito errante
Ser o sim do seu não
Ser o forte do fraco
Ser o doce do mais amargo
Ser o inusitado entre o mais fútil
Ser ameba perfeita,ameba eleita
Ser,é aquilo que você é ou o que ainda há de ser
Perfeito do seu jeito
Ando surdo para leituras e calado para declamações, mas desenho ao vento e no seu invisível crio um poema a vácuo.
simplicidade
Simplicidade o que foi que eu fiz com você, hoje estou surdo ,mudo e sem visão pra ti numa cumplicidade complicada para com a vida onde o abstrato não se faz presente e o concreto é extremamente presente que nem ao menos eu consiga ver minhas pegadas de meu caminhar é como caminhar pela vida sem existir, sem deixar rastro ;talvez num novo tempo,numa outra vida você possa me perdoar e eu possa aceita_la com muita simplicidade.
Evite o estresse permitindo rir de si mesmo e se fazendo de surdo diante de comentários depreciativos de terceiros.
“A vingança é cega. E o vingador, quando imbuído de grande rancor, é míope, surdo, coxo e desprovido de faculdades intelectuais.”
