Suor Sangue A Lagrimas
O REFUGIADO A NADO
.
.
O sal das lágrimas
misturava-se ao das águas:
só queria vida, só queria um chão.
.
Mas encontrou as armas, nas mãos de um guarda.
Encontrou o exército, de todos os países do mundo,
e a serviço de todas as burocracias do Universo.
.
Ele pedia um lugar, e implorava pão;
mas encontrou um muro,
para além dos muros
(não bastassem as águas
contra as quais nadava).
.
O Refugiado a Nado
construiu seu escafandro
com garrafas e boias de plástico.
Conseguiu quebrar a violência das ondas...
Mas não conseguiu derreter o coração das autoridades.
.
Duros, e como a um peixe, devolveram-no ao mar
– ao mar da morte, e da vida em morte –:
ao mar cinza dos apátridas
a quem não se quer.
.
Devolveram-no
– ao Refugiado a Nado –,
como se nunca o tivessem recebido.
Entregaram-no àquela vasta extensão de oceano
– desoladora, fria, e muito mais implacável –
para além do Mediterrâneo,
e de todos os mares:
para aquém da Terra.
.
Depois que ele se foi,
como se não tivesse chegado,
rasgaram sua presença como uma foto incômoda.
No fim, os noticiários o deglutiram ao avesso
como uma fome indigesta...
qual mera curiosidade
para sessão da tarde
.
.
[BARROS, José D'Assunção. Publicado na revista Crioula, nª31, 2023]
A tristeza me veste, um manto de cinza,
As lágrimas silenciosas, que ninguém jamais viu.
No fundo do meu ser, a chama da esperança,
Que se apaga aos poucos, sob o peso do meu sofrimento.
A solidão, um abismo negro e profundo,
Onde me afogo em lágrimas amargas,
Sem esperança de salvação, sem alívio para a dor.
A cada suspiro, um pedaço de mim se desfaz.
Se nos olhos
surgem lágrimas
o sorriso continua
no rosto
se tudo for
pouco, se o
mundo parecer
louco,
a vida, por si,
se basta,
pois toda dor
vem, maltrata
e passa.
"Ó morte acolhedora, carrega-me em seus braços para o outro lado do rio negro de tuas lágrimas. Não chores, pois a sensação de suas mãos leves abraçando minha pobre e desvalorizada alma finalmente se concretizou."
Enquanto sua dor for maior que a de todos, enquanto suas lágrimas forem mais doídas e enquanto seu caminho for mais árduo que o de qualquer pessoa. Serás somente um sofredor presunçoso. Sede acolhimento na dor.
SIMPLESMENTE FUGIRAM
naturalmente por si só
hoje lágrimas correram
soltas, livres
sairam incontidas
percorreram pelo externo
o interno
uma forma líquida
do sentir
da dor e alegria fluida
tidas
era uma de dois
de tanto percorrido
vivido
sentido
o sentido escorrido
naquela lágrima ida
A chuva fria de novembro cai como as lágrimas de uma garota iludida, não compreendida. Nem tudo dura para sempre, sentimentos são passageiros como a chuva fria de novembro, o amor é apenas uma grande ilusão, como podem passar de amantes para estranhos em um período tão curto. Outro motivo para chorar, todos precisam de um momento sozinhos, com a chuva caindo do lado de fora, as velas tentam se manter acesas do lado de dentro, com um sorriso ela tenta mentir para si mesma, pobre mentirosa. Ela tem um sorriso que lembra as memórias de infância, olhos que deixam chapado como uma droga, ela é um grande vício que o deixou sofrendo sob a fria chuva de novembro.
Amigos são páginas de uma história,
Escrita com risos, lágrimas e glória.
Um capítulo precioso, para sempre.
Houve momentos que tive vontade de chorar, por tudo que escutei de você, mas as lágrimas não desciam, meu olhar era de tristeza, meu pensamento era de indignação, afinal o que eu te fiz para merecer ser tratada daquela forma?
Nunca escondas a sua dor, chore o tempo que for necessário porque àquelas lágrimas precisam cair para o chão, p'ra serem enterradas junto com a sua dor.
Dê seu melhor, para, quando partir, todos derramarem lágrimas, enquanto você sorri; lembre- se de que, ao nascer, todos sorriam, enquanto só
você chorava.
Livro: O Respiro da Inspiração
