Sou porque tu Es Pablo Neruda

Cerca de 125857 frases e pensamentos: Sou porque tu Es Pablo Neruda

Os governos suspeitam da literatura porque é uma força que lhes escapa.

As mulheres mentem bem porque, ao mentirem, quase se convencem de que estão a dizer a verdade.

O povo é rebelde porque os seus governantes são demasiado arrojados.

Crítico: Pessoa que se vangloria de ser de satisfação difícil, porque ninguém lhe tenta agradar.

Os homens medíocres cumprem um importante papel nos grandes acontecimentos unicamente porque não se encontram lá.

O invejoso é tirano e verdugo de si próprio: ele sofre porque os outros gozam.

Eles podem porque pensam que podem.

Se sou amado,
quanto mais amado
mais correspondo ao amor.
Se sou esquecido,
devo esquecer também,
Pois amor é feito espelho:
-tem que ter reflexo.

Talvez não ser,
é ser sem que tu sejas,
sem que vás cortando
o meio dia com uma
flor azul,
sem que caminhes mais tarde
pela névoa e pelos tijolos,
sem essa luz que levas na mão
que, talvez, outros não verão dourada,
que talvez ninguém
soube que crescia
como a origem vermelha da rosa,
sem que sejas, enfim,
sem que viesses brusca, incitante
conhecer a minha vida,
rajada de roseira,
trigo do vento,
E desde então, sou porque tu és
E desde então és
sou e somos...
E por amor
Serei... Serás...Seremos...

Pablo Neruda

Nota: Versão adaptada do "Soneto LXIX" de Pablo Neruda

"Na realidade, tua alma e a minha são a mesma.
Aparecemos e desaparecemos um com o outro.
Este é o verdadeiro significado das nossas relações.
Entre nós, já não há nem tu, nem eu."

Quero um beijo teu de boa noite, daqueles que dizem sou sua, tu és meu. Daqueles que afirmam me amar, com calor, com respeito, com sinais bem claros e com seus mistérios. Um beijo de paixão, que me aquece, me entende, de fica comigo eu te quero. Pra agora, pra daqui a pouco, pela eternidade. Só o que quero pra todo o sempre é ter cada um de seus toques, guardados no canto onde só haja o desejo, só tenha amor, onde não exista a saudade.

Quero viver num mundo em que os seres sejam simplesmente humanos, sem mais títulos além desse, sem trazerem na cabeça uma regra, uma palavra rígida. Quero que a grande maioria, a única maioria, todos, possam falar, ler, ouvir, florescer. Nunca compreendi a luta senão como um meio de acabar com ela. Quero um caminho, porque creio que esse caminho nos leva a todos, a essa amabilidade duradoura. Quero uma bondade ubíqua, extensa, inexaurível. Resta-me no entanto uma fé absoluta no destino humano, uma convicção cada vez mais consciente de que nos aproximamos de uma grande ternura. Neste sobressalto de agonia, sabemos que entrará a luz definitiva pelos olhos entreabertos. Entender-nos-emos todos. Progrediremos juntos. E esta esperança é irrevogável...

Para o meu coração basta o teu peito,
para a tua liberdade as minhas asas.
Da minha boca chegará até ao céu
o que dormia sobre a tua alma..."

Nunca compreendi a luta senão como um meio de acabar com ela.
Nunca aceitei o rigor senão como meio para deixar de existir o rigor.
Tomei um caminho porque creio que esse caminho nos leva, a todos, a essa amabilidade duradoura.
Luto pela bondade ubíqua, extensa, inexaurível.

Eu queria ter a boca no peito para na hora da raiva morder o coração.

Lágrimas não derramadas
esperam em lagos pequenos?

Ou serão rios invisíveis
que correm para a tristeza?

Soneto XXII

Quantas vezes, amor, te amei sem ver-te e talvez
sem lembrança,
sem reconhecer teu olhar, sem fitar-te, centaura,
em regiões contrárias, num meio-dia queimante:
era só o aroma dos cereais que amo.

Talvez te vi, te supus ao passar levantando uma taça
em Angola, à luz da lua de junho,
ou eras tu a cintura daquela guitarra
que toquei nas trevas e ressoou como o mar desmedido.

Te amei sem que eu o soubesse, e busquei tua memória.
Nas casas vazias entrei com lanterna a roubar teu retrato.
Mas eu já não sabia como eras. De repente

enquanto ias comigo te toquei e se deteve minha vida:
diante de meus olhos estavas, regendo-me, e reinas.
Como fogueira nos bosques o fogo é teu reino.

O pé da criança não sabe que é pé
E quer ser borboleta ou maçã...
Pois logo... os vidros e as pedras, as ruas, as escadas e os caminhos de terra dura,
Vão ensinando ao pé que não pode voar, então foi derrotado,
Caiu na batalha,
Foi prisioneiro
E condenado a viver no sapato.

É como se você estivesse pegando fogo por dentro.
A lua vive no forro de sua pele.

Para o meu coração basta o teu peito,
para a tua liberdade as minhas asas.
Da minha boca chegará até ao céu
o que dormia sobre a tua alma.

Acolhedora como um velho caminho.
Povoam-te ecos e vozes nostálgicas.
Eu acordei e às vezes emigram e fogem
pássaros que dormiam na tua alma.

Pablo Neruda

Nota: Trechos de "Poema XII"

E entre as nossas cidades separadas
as noites, uma a uma,
se juntam à noite que nos une.