Sou porque tu Es Pablo Neruda
Sem me revelar
a sua identidade,
tu me enviaste
as rosas favoritas
para invadir de vez
estes dias cinzas
com a tua presença
sedução e magia.
O meu amor vai
ao seu encontro
onde a Lua Azul,
Júpiter e Saturno
se encontraram
fiéis em conjunção,
e o nascer laranja
dela se ergueu
tal como sentinela.
Da minha cesta
espalho pétalas
de papoulas brancas
para dizer não
a todas as guerras,
abraçando a missão
de ser a centelha
da pacificação,
de alma e coração
em poesia e oração.
O meu amor vai
pelas estradas
do mundo sem
ao teu encontro
com igual coragem
do destino de quem
provou que da onde
menos se espera
a História foi tecida,
pelas estrelas
e para as Nações.
Minha dama plangente
do Hemisfério Celestial Sul,
Um dia tu haverás de ser
das garras imperiais
para sempre libertada,
Minha Pátria Imortal Pátria
sob a proteção do Condor
acredite que tu será resgatada.
Sem sequer saber
que você existia,
Algo já me dizia
que tu seria a poesia,
e toda a minha vida;
E que com a bênção
do céu e no papel
para o meu nome
com amor te passaria:
O nosso amor venceu.
“O Círio e o Espelho”
Será que fui eu, Camille, quem te matou?
Ou foste tu quem morreu de mim — exausta das sombras que te dei por abrigo?
O sangue que escorreu em meu pulso era o mesmo que um dia te alimentou no beijo.
E, quando o frio tocou a tua pele, foi a minha febre que te cobriu.
Sim, talvez eu tenha te assassinado,
não com ferro,
mas com a insistência de querer-te além da carne,
com o desejo que te prendeu ao silêncio do meu delírio.
No espelho do teu túmulo, vejo o reflexo que me acusa —
e é o meu próprio rosto.
O assassino e o morto dividem o mesmo corpo,
a mesma lembrança,
a mesma culpa.
Porque, no fim, amor e morte são irmãos e eu, Joseph, sou o órfão de ambos.
A Força que tu és em ti e além.
Há algo em cada ser que não pode ser nomeado.
Uma vibração antiga, anterior ao próprio pensamento.
Vem das origens, quando o mundo ainda era apenas respiração e promessa.
Essa força, que alguns chamam destino, é o fundamento invisível sobre o qual cada vida se ergue.
Em certos instantes ela desperta às vezes no meio da dor, outras na solidão que se instala como noite.
Então, o homem percebe que não caminha sobre a terra: é a terra que o atravessa.
Os rios fluem também por dentro dele; as montanhas se erguem em seu silêncio.
Nada é alheio. Tudo o contém.
Contudo, essa força não guia oferece-se.
Pede direção, pede forma, pede gesto.
Não se impõe; aguarda o instante em que o ser humano deixa de resistir e começa a escutar.
Quem a escuta, muda.
Quem a molda, cria.
Quem a nega, se dispersa em suas próprias sombras.
Há um ponto em que o espírito compreende que a vida não é espetáculo, mas tarefa.
O mesmo sopro que move as estrelas habita a respiração de um só instante.
E é ali, no íntimo dessa respiração consciente, que o homem reencontra a si mesmo.
Transformar-se é o trabalho de toda uma existência.
Não é vencer o mundo, mas reconciliar-se com ele.
Dar à força interior o rosto da ternura, a direção da coragem, o tom sereno da maturidade.
Quando isso acontece, o ser já não precisa buscar sentido ele se torna o próprio sentido.
Assim, a natureza em ti deixa de ser impulso e se converte em substância espiritual.
Nada de grandioso se impõe; tudo se eleva discretamente, como uma chama que não precisa de vento para permanecer acesa.
Tu és essa força, e és também quem lhe dá forma.
O universo apenas te oferece o barro; és tu quem o transforma em rosto.
ESTRANHA DOR FIEL.
Autor: Marcelo Caetano Monteiro.
" Tu não és fraco por sentir. És forte justamente porque ainda consegues nomear o que te fere. A verdadeira queda ocorre quando o ser humano transfere a própria força para fora de si e esquece que o centro da sustentação mora na própria consciência.
Permite-te sentir, mas não te abandones. Caminha com a dor, observa-a, aprende com ela. Nenhuma presença deve conduzir-te ao abismo, mas servir de intimidades, estranhas invasoras, para que percebas que és capaz de atravessar a noite com os próprios passos.
As tuas inspirações não se extinguiram em nome de ninguém , nem por amor. Elas apenas repousam, como brasas cobertas pela cinza do cansaço. O que sentes não é fim, é suspensão. Quando a alma se fere pelo excesso de entrega, a sensibilidade recolhe-se para não se romper.
Não te tomes por vazio. Tu és fonte antiga, e fontes não secam por amar demais. Apenas pedem silêncio, escuta e tempo. Como estro, não sou o teu término, nem o teu cárcere criativo. Sou, quando muito, um sonho perseguido na dor e momentâneo onde reconheces a tua própria profundidade.
A inspiração verdadeira não depende de um rosto, de um nome ou de uma presença. Ela nasce de uma mística intocável quando esta aceita atravessar a dor sem se anular nela. O que agora tu chamas de ausência é, na verdade, um chamado à interioridade que transborda de gota em gota sobre ti.
Respira. Recolhe-te. Permita-te existir sem produzir, sem provar, sem sangrar mais palavras ascetas. A criação retorna quando a alma deixa de exigir de si mesma aquilo que só o tempo pode maturar, deixe a dor seguir fiel à ela mesma, enquanto tu vais e ama. "
GANÂNCIA E APRENDIZADO.
"Perguntou o ganancioso ao senhor do mundo. Senhor, tu que tudo criastes, deixa-me tomar quanto eu puder deste mundo. E o senhor respondeu. Pois não, meu filho. Vai até onde teus pés e teu desejo te levarem. Moral da história. O doente ganancioso morreu exausto de tanto andar."
Autor. Um amigo.
Comentário moral. A narrativa, simples e antiga como as parábolas que atravessam os séculos, ensina que a ganância não impõe limites a si mesma. O desejo, quando não educado pela medida e pela consciência, transforma-se em força exaustiva que consome o corpo, obscurece o espírito e converte a liberdade em cativeiro interior. O mundo não nega nada ao homem. É o próprio homem que se perde ao confundir possibilidade com necessidade e caminho com posse.
Assim, aprende-se que a verdadeira sabedoria não está em ir até onde os pés alcançam, mas em saber quando deter-se, pois somente quem domina o próprio desejo consegue caminhar sem morrer de cansaço por dentro.
Escritor:Marcelo Caetano Monteiro.
O ÚLTIMO SONHO E O CÂNTICO DO INFINITO.
Autor: Marcelo Caetano Monteiro.
"Foste tu quem me ensinou a coragem das estrelas antes da partida. Mostraste-me que a luz não se extingue com a ausência e que ela prossegue silenciosa mesmo quando a matéria silencia. Assim compreendi que a morte não interrompe o sentido. Apenas desloca o olhar para regiões mais profundas da consciência."
"No último sonho essa lição retorna com solenidade. A respiração torna-se curta não por medo mas pela vastidão do que se revela. O infinito não se impõe como mistério opressor mas como verdade acessível à alma desperta. Existir revela-se raro. Existir revela-se belo. Existir torna-se um privilégio ético e metafísico."
"Tentei pedir que tudo fosse dito novamente. Não por esquecimento mas porque certas verdades exigem repetição para serem inscritas no espírito. Quis escrevê-las mas não encontrei instrumento que comportasse tal grandeza. Há ensinamentos que não cabem na linguagem. Apenas na interioridade."
"O último sonho então se amplia. Ele une memória e cosmos. O universo deixa de ser vastidão impessoal e assume finalidade íntima. Tudo parece ter sido tecido para ser contemplado por um olhar consciente. Não por vaidade humana mas por correspondência tão íntima entre o ser e o todo."
"Nesse estado a psicologia encontra repouso. O eu já não se fragmenta em expectativas. Ele aceita sua raridade e sua responsabilidade. Filosoficamente o sentido não está em durar indefinidamente mas em ter sido capaz de perceber. Perceber a beleza. Perceber o outro. Perceber o infinito no instante."
"E se ainda fosse possível ouvir uma última vez essa verdade ela diria com voz serena que o existir é improvável e por isso mesmo sagrado. Que a consciência não é acaso mas chamado. Que o último sonho não encerra a jornada mas a coroa com lucidez reverente."
"Assim o espírito compreende que viver foi aprender a ver. E que ter visto com coragem ternura e verdade já constitui um feito épico diante do silêncio eterno do universo."
O ÚLTIMO SONHO E O CÂNTICO DO INFINITO.
Autor: Marcelo Caetano Monteiro.
"Foste tu quem me ensinou a coragem das estrelas antes da partida. Mostraste-me que a luz não se extingue com a ausência e que ela prossegue silenciosa mesmo quando a matéria silencia. Assim compreendi que a morte não interrompe o sentido. Apenas desloca o olhar para regiões mais profundas da consciência."
"No último sonho essa lição retorna com solenidade. A respiração torna-se curta não por medo mas pela vastidão do que se revela. O infinito não se impõe como mistério opressor mas como verdade acessível à alma desperta. Existir revela-se raro. Existir revela-se belo. Existir torna-se um privilégio ético e metafísico."
"Tentei pedir que tudo fosse dito novamente. Não por esquecimento mas porque certas verdades exigem repetição para serem inscritas no espírito. Quis escrevê-las mas não encontrei instrumento que comportasse tal grandeza. Há ensinamentos que não cabem na linguagem. Apenas na interioridade."
"O último sonho então se amplia. Ele une memória e cosmos. O universo deixa de ser vastidão impessoal e assume finalidade íntima. Tudo parece ter sido tecido para ser contemplado por um olhar consciente. Não por vaidade humana mas por correspondência tão íntima entre o ser e o todo."
"Nesse estado a psicologia encontra repouso. O eu já não se fragmenta em expectativas. Ele aceita sua raridade e sua responsabilidade. Filosoficamente o sentido não está em durar indefinidamente mas em ter sido capaz de perceber. Perceber a beleza. Perceber o outro. Perceber o infinito no instante."
"E se ainda fosse possível ouvir uma última vez essa verdade ela diria com voz serena que o existir é improvável e por isso mesmo sagrado. Que a consciência não é acaso mas chamado. Que o último sonho não encerra a jornada mas a coroa com lucidez reverente."
"Assim o espírito compreende que viver foi aprender a ver. E que ter visto com coragem ternura e verdade já constitui um feito épico diante do silêncio eterno do universo."
O Pau-viola está
carregadinho
de sementes,
As minhas mãos
estão guardando
os seus carinhos,
Tu é s o mais lindo
poema de amor
para ser lido
com olhar festivo.
Uma Saíra-ferrugem
cruzou a paisagem,
Tu és a campeira
e mais doce miragem,
Resolvi subir na tua
garupa e seguir viagem.
Tenho em ti todos
os meus sentidos,
Do meu peito tu tens
feito uma orquestra,
Meu milagre perene
de amor infinito,
De ti sou tua obediente
presa e destino,
Meu altivo Apacanim
místico de austral signo.
Se você anda pela minha
bonita e amada Rodeio
tu há de encontrar os ipês
florescendo e eu
também no tempo de ser,
Fora do tempo de florescer
como os ipês em dias
solares ou chuvosos,
Lembro que sou aqui
neste Médio Vale do Itajaí
todos os ipês dentro de mim.
O meu Ipê-preto floresceu
no Espírito Santo,
Tu haverá de ser meu
além dos meus Versos Intimistas,
E eu haverei de ser tua
até o final dos nossos dias.
,
Magnífico Pau-d'arco
florido no Amazonas,
Tu deixa a minha
visão mais bonita,
Te dedico os meus
Versos Intimistas
enquanto você escreve
de fato a real poesia
inabalável para toda a vida.
Entrego na tua mão
para que você entenda
o Chimarrão da Praia
para que compreenda
que tu é gente brasileira,
latino-americana
e de herança gauchesca,
para que ninguém
fique enchendo a tua cabeça.
Cattleya granulosa
da minha vida,
imponente poema
potiguar florescido
com as tuas cores
tu orienta o destino,
O romantismo para
alguns é desperdício,
Mas em ti tenho
o motivo para não
me perder do amor
predestinado no caminho.
Estrelinha branca
nascida no Céu de ouro,
Poesia brotada
no meio da imensidão,
És tu a Flor do meu pendão
e do Capim Dourado
que tem de mim o quê
há eternamente mais apaixonado.
