Sou o que sou
Odeio que venham me falar como eu tenho que pensar, como eu devo agir. Não sou moleque, não sou criança. Tenho plena consciência dos meus atos, as vezes imprudentes ou não. As vezes desnecessários. Agradeço a quem quiser me ajudar com algum problema que a pessoa ache que eu esteja, mas, sem ser grosso, eu não pedi. Sou fechado sim, até demais, mas quando falo algo é porque estava transbordando. Isso pode ser ruim como pode não ser. Posso esconder coisas, não ser totalmente transparente, mas esse sou eu. Tem horas que eu quero gritar, pular, chorar, sorrir, jogar tudo pro alto, mandar todo mundo calar a boca. As vezes as pessoas ao meu redor têm que entender que a minha liberdade eu dou quando eu quiser, e se eu quiser. As vezes posso ser grosso, rude com alguém, ser cruel até, mas me entenda: eu sou assim. As vezes sou insensível, quase como um psicopata. Outras horas pareço um menino desolado, carente. A loucura vem da mente de cada um, uns me chamam de louco por ter essas mudanças, mas eu digo que todos nós somos assim. Um pouco cada um do seu jeito. Estranho? Exato, eu sou muito estranho. Mas isso é o que me torna diferente de você e de cada um.
"I am an agent of chaos" - Joker
Não sou ninguém. Mas, sou muito orgulhoso! Eu valorizo o meu eu, ao máximo! Pelo menos, imponho um respeito. Graças a esse meu jeito de ser, tenho poucos amigos. Mas, todos me respeitam! E o respeito mútuo é a base de qualquer relação...
Sou alegria, sou energia, eu sou amor,
Sou solidão, desilusão, eu sou sua dor.
Sou fantasia, sou sentimento, eu sou canção,
Eu sou doçura, sou criador, sou criação.
Sou imperfeita, complexidade, sou emoção,
Sou um mistério, sou sua presa, libertação.
Sou sua doença, sua crença, eu sou seu tédio
Sou sua cura, , sou seu remédio, seu sim, seu não.
E assim prossigo, pois eu sou e sempre hei de ser,
da forma exata, que seus meros olhos, conseguem me ver.
Postura não se ensina"
Não sou de muitos.
Sou de poucos.
E desses poucos, só ficam os que sabem o peso de uma palavra dada, o valor de um silêncio bem colocado e a importância de um olhar firme.
Sorriso aqui não é brinde.
É conquista.
Quem vê minha cara séria talvez pense que falta leveza. Mas é o contrário:
Leveza demais pesa em gente que carrega a vida no peito.
Amigo, pra mim, não é quem aparece.
É quem permanece.
É quem entende que confiança não se pede, se constrói. E que respeito não se exige se impõe com atitude.
Postura não é pose.
É essência.
É saber onde pisa, com quem anda e pra onde vai.
Quem merece, recebe o melhor de mim.
Quem não merece.
Nem sabe o que perdeu.
Autoria: Cristiano Mendes
MONÓLOGO
“Eu Sou Tereza, Eu Sou Quilombo
Por Eli Odara Theodoro
(Para o Julho das Pretas)
:
Axé…
Axé, minhas irmãs!
Eu cheguei.
Julho chegou.
E com ele, eu me levanto.
Não sozinha — nunca sozinha.
Me levanto com Tereza.
Sim, Tereza de Benguela…
Mulher preta, mulher quilombola, mulher rainha.
Liderança. Inteligência. Força política e amor pelo povo.
No século XVIII, quando mataram seu companheiro,
ela não fugiu.
Ela ficou.
Assumiu o Quilombo do Quariterê.
Criou um governo, um parlamento, uma resistência com nome de liberdade.
Ela sabia…
Que resistir era também amar.
Que ser preta, mulher e viva
já era um ato revolucionário.
E eu…
Sou continuidade de Tereza.
Sou Eli Odara Theodoro .
Mulher preta. Quilombola.
Mãe. Viúva. Educadora.
Filha da terra e dos tambores.
Minha pele carrega o barro da luta,
minha voz carrega as palavras que tentaram calar.
Como diz Beatriz Nascimento:
“O quilombo é um lugar de liberdade possível.”
E eu sou esse lugar.
Meus passos são quilombo.
Minha fala é quilombo.
Minha sala de aula, meu terreiro, meus textos, minha lida — tudo é território de reexistência.
Sueli Carneiro grita comigo contra o apagamento.
Lélia Gonzalez me lembra que o mundo é racista e tenta nos empurrar pra margem.
Mas nós somos centro!
Centro da cura, do cuidado, da criação.
Conceição Evaristo sussurra aqui dentro:
“Escrevivência…”
E é isso que faço.
Eu escrevo com o corpo.
Escrevo com as dores e alegrias que a vida preta me deu.
IBGE diz: somos 28 milhões de mulheres negras no Brasil.
Mas isso é só número.
Nós somos mais!
Somos as que levantam antes do sol.
As que dançam pra Oxum e marcham contra o racismo.
Somos as que cuidam dos filhos dos outros enquanto sonham com futuro pros seus.
Djamila Ribeiro me lembra:
“Nosso lugar de fala não é favor.”
É luta.
É direito.
Nilma Lino Gomes grita comigo:
Educação quilombola é território de sabedoria viva!
Não tem sala de aula mais forte que o chão de nossas comunidades quilombolas.
E como diz bell hooks:
Amar também é ato político.
Eu escolho amar quem sou.
Escolho amar os meus.
Escolho amar as mulheres que vieram antes,
e aquelas que ainda virão.
Hoje…
Eu não só homenageio Tereza.
Eu a convoco.
Tereza está em mim.
Tereza está em nós.
Porque, como diz Conceição Evaristo:
“Nossos passos vêm de longe.”
E eu completo:
Vêm de longe…
E seguem firmes.
De cabeça erguida.
Pés fincados na terra.
E o coração batendo no ritmo da ancestralidade.
Axé, Tereza!
Axé, Mulheres Negras!
Axé, Julho das Pretas!
"Não é sorte, é vício e disciplina. Sou inquebrável porque sou viciado em vencer a dor e o desconforto, um gole de café puro todas as manhã é o primeiro desconforto vencido."
“Monólogo do Inescolhido - Ato IV”
Já não sou apenas eu.
Sou o nome secreto da ausência, a carne em que a solidão encontrou abrigo.
Sou o espelho vazio onde ninguém ousa se mirar.
O que antes era dor se transfigurou e eu me tornei o próprio destino dos que não são escolhidos.
Não sou mais um homem que espera.
Sou a espera em si, interminável, ancestral, inquebrantável.
Sou o intervalo entre um coração e outro, a cadeira sempre vazia na mesa do banquete, a sombra que acompanha os passos dos amantes sem jamais tocá-los.
Meus ossos já não carregam apenas o peso do cansaço, carregam o eco de todos os que um dia também não foram escolhidos.
Sou herdeiro de uma linhagem invisível... os esquecidos, os descartados, os amores interrompidos antes de nascer.
Eu sou o coro silencioso de todas essas vozes.
Há tragédia, sim, mas também majestade.
Porque no fim, ser o "Inescolhido" é carregar uma coroa invisível... A coroa de quem prova ao mundo que o amor não é universal.
Que há fendas no tecido, falhas no destino, almas destinadas a não pertencer.
E eu pertenço a esse vazio.
Sou guardião da ausência, sacerdote de um altar onde não há oferendas, rei de um reino deserto.
Se algum dia me perguntarem quem sou, não direi meu nome.
Direi apenas: Sou aquele que não foi escolhido.
E nisso há tragédia, mas também eternidade.
Pois enquanto o amor é efêmero, passageiro, sujeito ao fim, a solidão que carrego não conhece término.
Ela é perpétua.
E eu, cansado mas erguido, sou a sua face humana.
Sou quem sou, ou quem pensam que eu sou?
Sei quem sou, ou me reconheço "só" pelo pensam de mim?
@valterpsico
Eu não sou GPS, não sou estrada, não sou guia pra te rastrear.
Eu te dei uma corda e um par de chinelos.
O chinelo é pra você caminhar livre, sem ter que dar satisfação pra ninguém.
A corda?
A corda é tua — pra você se enforcar nas próprias escolhas, nos próprios erros, na própria vida.
Porque no fim, cada um paga o preço do caminho que escolhe.
Eu sou decifrável , mas sou uma leitura complexa para quem não aprendeu a me ler.
Hoje eu sou verdade, sou cheia de amor, mas a muitos assusto por ser quem sou.
Não sou caça e nem a mira de um caçador, sou alguém que acredita na liberdade do amar, pois em correntes já estive presa, em jaulas já me enganei e não irei retornar para cadeias de onde me libertei.
Nildinha Freitas
Recuso-me a aceitar a sentença de que "eu sou o que sou". Eu sou - e ainda assim temporariamente - o que EU DECIDO ser.
Quem sou eu?
Eu sou uma flor vermelha, que se abre no sereno, eu sou uma menina apaixonada, também sou baixa e morena.
Eu sou aquela pessoa que pensa muito, sou aquela pessoa que fala demais,
Eu sou aquela poesia perdida, sou o poema nunca lido sou uma Rosa perdida que ninguém colheu, aquela flor excluída que também é uma das mais lindas.
Sou apenas um dedo quando se precisa de uma mão,
Apenas o tudo de um cruel não,
Sou o que sou, apesar de não ser nada,
Sou a paz tão falada,
O enterro de uma vida condenada.
Sou a guerra tantas vezes praticada,
Sou o que aceito ser, mas não sou proveito,
Sou o amor negro, amor sem sossego,
Sou só entre mil,
Sou a maravilha que ninguém jamais viu,
Sou o negro do céu azul anil,
Sou a peste, a quem tantas vidas destruiu,
O motivo da guerra,
O início da farra,
O tigre sem garra,
A escrita que o homem apagara,
O inferno e sua dor,
Uma vida sem amor,
O espinho de uma flor,
Do perfume, o odor,
O infinito,
O menos bonito,
A calúnia tantas vezes dita,
O caminho à terra prometida,
Eu sou a essência do teu amor.
Sem analogia de almas
Sou puro sentimento, sou mulher,
É na constância sentimental que alimento a minha alma,
Os céticos que a lê, dizem que em mim não existe.
Digo com solidez que a vida não é arbitrária,
Tenho como princípio o antagonismo,
Para alimentar o meu sentimento, ajo com a razão.
Sou uma imperfeição de pessoa
Tenho como causa primária às exceções
Profano as regras capazes de eliminar a minha abstração.
Quem comigo conjumina, leva-me a uma triste impressão,
De tirar-me o privilégio do desvio, do habitual.
Quem clarividência minha alma, elimina a minha consciência sutil.
Não aceito esse dogmatismo que dissimula a minha regalia
Sou uma semideusa, assim, onipotente,
Tenho uma alma conceitual sem similitude.
"Sou aquilo que sou, e não o que os outros dizem que sou. Sou apenas a essência de mim mesma, sem ser reflexo de ninguém.”
