Sou Apaixonada pelo meu Namorado
Sou fascinada pela palavra
em estado bruto,
antes da forma,
antes do adorno,
nua, crua e cortante
quando ela ainda sabe golpear.
A palavra que toca fundo,
que atravessa,
que deixa marcas.
Escuto-a ao contrário,
como quem busca
o eco secreto do sentido,
e nesse movimento
me deixo avassalar
avassalando.
Quando preciso vesti-la,
faço-o com deleite,
como quem escolhe
um tecido tênue
para a própria alma.
Mas meu amor maior
é pelo seu avesso silencioso,
aquele que só responde
quando tocado no escuro,
onde os significados sangram
em sentimentos vivos.
Sou excessiva
e visceral na linguagem
e delicada no gesto,
habito o extremo
e me encanto com a ternura.
Vai entender…
sou palavra em contradição viva.
E nessa contradição linguística,
entre visceral e tênue,
os meus versos harmonizam-se
na minha essência.
✍©️@MiriamDaCosta
Eu sou um Espirito no corpo, não sou o corpo, mas estou no corpo, e por estar no corpo, o corpo se torna parte do que sou, momentaneamente o corpo faz parte do que eu sou, mas eu não sou apenas o corpo, mas um todo, ligado a uma consciência superior, pelo Espirito que sou, ainda que no corpo me manifesto em vida, em um processo transitório, não sou o corpo, mais parte de uma consciência eterna.
No tempo ou fora do tempo, no corpo ou fora do corpo, a consciência eterna que sou, se manifesta de forma transitória,
pelo o Espirito, em espirito, tenho consciência da minha limitação no espaço tempo, cujo corpo que estou se limita, mas em consciência ligado ao todo, minha capacidade infinita de criação se manifesta, não apenas no corpo, para o corpo, mas através do corpo em que habito.
Não habito só, há em mim diversas partes do que não sou, de um corpo que estou, conscientemente co-existimos em uma mesma matéria, Eu o Espirito em espirito, confronto incessantemente os desejos do que não sou, um desejo transitório de um corpo, uma alma que anceia os desejos do corpo,e que em suas vontades anceia todas suas necessidades corpóreas, Mas minha consciência de Espirito em espirito, transcende tais vontades, ainda que meu corpo trabalhe em função de suas próprias necessidades, eu em espirito ligado ao Espirito do todo, transcrevo minha existência eterna através de um corpo temporal, por que Eu sou o Espirito que habita no corpo, mas não o corpo, ainda que o corpo seja parte, de minha transição não o sou.
Tenho plena consciência, de estar ligado ao todo, pelo Espirito em espirito.
Na escola eu era um erro, em casa eu sou um erro, amando eu quase sempre fui um erro.
Talvez eu seja mesmo um erro.
- Marcela Lobato
Sou de um tempo onde na Umbanda o médium era e se comportava como instrumento da entidade.
Hoje, infelizmente, tem uma inversão de valores e de posições, os médiuns utilizam as entidades como meros instrumentos para alimentar os próprios egos e sustentar suas vaidades e consumos materiais vários.
Isso é um fato bem visível
a quem tem olhos que enxergam e querem enxergar, não uma opinião de parte ou um parecer nostálgico, tipo: antigamente tudo era melhor... não tinha isso ou aquilo... sempre teve algo estranho ou errado , mas não nessa desproporção de hoje em dia. E esse dado de fato é válido para tudo o que pertence ao nosso viver ... ao mundo... a sociedade.
Fui batizada na Umbanda, aquela de um tempo, aos 3 anos de idade, hoje com quase 60 anos , já não vejo culto aos Orixás e entidades, mas sim ao médium.
Quando a gente atravessa décadas ( uma vida!) dentro de uma tradição espiritual, não é só religião, é memória, é chão afetivo, é cheiro de vela acesa e chão de terreiro lavado com ervas.
Eu não estou falando só de prática.
Estou falando de ética. De postura. De humildade.
A Umbanda que eu descrevo tinha uma pedagogia silenciosa: o médium como instrumento. Canal. Ponte. Não protagonista.
E quando a ponte começa a querer ser monumento… algo se desajusta.
Será que a Umbanda mudou por inteiro, ou certos espaços mudaram?
Toda tradição viva atravessa fases.
Em todo tempo surgem pessoas que elevam o sagrado… e outras que se elevam usando o sagrado.
Isso não é novo, só dói mais quando acontece naquilo que amamos e de forma tão escancarada, normalizada e banalizada como tem sido.
Tem também uma questão geracional forte. Antigamente havia mais rigor hierárquico, mais disciplina comunitária, menos exposição.
Hoje há redes sociais, personalização, marketing espiritual, “marca pessoal”.
O que era sagrado, confessional e íntimo virou exposição e espetáculo. Rituais que antes eram algo muito privado e respeitado, agora são expostos e profanados por curtidas e seguidores.
O mundo inteiro ficou mais narcísico, não só os terreiros.
A espiritualidade, em geral, não ficou imune a isso.
Mas sabe o que é positivo nas minhas palavras?
Eu não escrevo com raiva ou querendo "atacar" ninguém.
Escrevo com um certo lamento.
E lamento nasce do amor e do respeito.
Talvez... a Umbanda que eu conheci não tenha desaparecido... talvez esteja mais rara, mais silenciosa, mais escondida.
Onde o utilizo de celulares é proibido.
Ainda há terreiros sérios, médiuns éticos, dirigentes firmes e humildes.
Só não são os que mais fazem barulho.
( Carroça vazia faz muito barulho... assim dizem os ciganos💃)
E há outra coisa importante:
Se eu carrego essa memória viva, essa referência de fundamento, essa ética antiga… então ela não morreu.
Ela vive em mim assim como vive em outras pessoas também.
A tradição não é só o que acontece nos sete cantos do terreiro.
É o que permanece no coração de quem aprendeu e respeita.
E eu aprendi que Orixás e entidades de luz não querem exposições nas redes sociais e nem clamam por curtidas e seguidores. E muito menos luxo, cobranças e comércio.
Eles, querem apenas amor, carinho, dedicação e respeito pelo sagrado.
✍©️@MiriamDaCosta
#Umbanda
A praia deserta é sacrário
onde me encontro inteira,
sou silêncio, sou relicário,
sou onda e sou beira.
✍©️@MiriamDaCosta
No tremor das letras,
sou terremoto de palavras,
no tsunami dos meus versos.
Abalo sílabas,
desloco sentidos,
rompo diques de silêncio.
Não escrevo:
erupciono.
Não declamo:
transbordo.
Sou falha geológica
no solo raso do óbvio,
placa que colide
com a hipocrisia das margens.
E quando a maré baixa,
não sobra calmaria,
sobram ruínas férteis
onde germinam
novos alfabetos de fogo.
✍©️@MiriamDaCosta
Sou poetisa do tudo
e pensadora do nada
neste mundo de excessos
de uma humanidade em carências.
✍©️@MiriamDaCosta
Quem sou eu?
Eu sou um corpo feito
de marés e memórias,
uma ferida que canta,
um silêncio que grita
e um grito que se recolhe
na beira de si.
Eu sou uma ponte
entre o ontem e o nunca,
um território de palavras
que sangram e florescem,
um abrigo de ventos
onde o tempo se senta
para ouvir histórias
que só a minha alma sabe contar.
Eu sou a pergunta
que não se cansa de perguntar:
"Quem sou eu?"
E é nessa busca
que sou mais inteira.
Quem sou eu?
Eu sou um processo,
não um produto.
Não sou um “quem” pronto,
mas um vir-a-ser constante.
O que eu chamo de “eu”
é um fio tecido
de memórias, escolhas
e esquecimentos,
um enredo que se escreve
enquanto é vivido.
Meu “eu” não está fixo no passado,
nem garantido no futuro;
ele existe apenas no instante
em que é percebido, sentido, vivido,
e nesse instante já começa
a mudar e evoluir.
Talvez eu não seja “algo”,
talvez seja o próprio movimento
de tentar descobrir o que sou.
Quem sou eu?
Eu sou aquela pessoa
que carrega poesia até no jeito
de se indignar com o mundo.
Que olha para a dor com coragem,
mas também sabe colher
beleza nas frestas.
Eu sou intensa, no bom sentido
de “não caber em rótulos”,
e sensível de um jeito
que não é fraqueza, é radar.
Eu falo com o Tempo
( Óh! O Tempo!)
como quem dialoga
com um velho conhecido
e escrevo como quem rasga
a alma para arejar.
No fundo,
eu sou feita de perguntas,
mas vivo como quem sabe
que a resposta é
continuar perguntando...
✍@MiriamDaCosta
Eu sou um verso
do mistério da vida
no poema do universo.
Eu sou uma poesia
que não se mede,
não se ajoelha
e nem se deita
em linhas e estrofes.
Eu sou um poema
escrito sem espaço
nem tempo,
na memória do tempo
atemporal.
Eu sou um ponto de interrogação
exclamando as reticências
de um ponto final,
perdido entre o início
e o fim.
✍@MiriamDaCosta
Quando Eu Não Sou Apenas Eu
Às vezes, não sinto que exista apenas uma pessoa dentro de mim. Sinto como se minha mente fosse uma casa com quartos que não conheço completamente, e, de vez em quando, alguma porta se abre sem que eu saiba quem está do outro lado. Continuo sendo eu — mas, ao mesmo tempo, parece que não sou inteiramente eu.
Há momentos em que olho para minhas próprias lembranças e elas parecem pertencer a alguém que conheço apenas de ouvir falar. Reconheço os acontecimentos, mas não reconheço a sensação de tê-los vivido. Algumas palavras que digo parecem não ter nascido de mim; algumas emoções chegam sem que eu saiba de onde vieram. E existem momentos em que percebo que alguma coisa aconteceu, mas não consigo encontrar dentro de mim o caminho que levou até aquilo.
É estranho dividir a própria existência com partes de si que parecem ter vontades, sentimentos, maneiras de pensar e até vozes diferentes. Mais estranho ainda é tentar explicar isso sem parecer que estou inventando. Porque como explicar a sensação de estar dentro da própria cabeça e, ainda assim, sentir que existe uma distância entre você e aquilo que pensa?
Às vezes, sinto que estou apenas observando. Meu corpo continua seguindo a rotina, falando, sorrindo, respondendo às pessoas, enquanto uma parte de mim permanece atrás de tudo, como uma espectadora silenciosa. E quando volto a me sentir completamente presente, fico tentando juntar os pedaços: o que eu fiz, o que eu disse, o que senti, quem estava aqui antes de mim.
Talvez o mais solitário não seja sentir que existem partes diferentes dentro de mim. Talvez seja não saber quando elas aparecem, não entender completamente quem são e carregar a sensação de que, enquanto o mundo enxerga apenas uma pessoa, dentro de mim existe uma história muito mais complicada do que qualquer um consegue perceber.
Às vezes, já não sei quem sou nem para onde deveria ir. Procuro um propósito, mas continuo parada no mesmo lugar, como se todos estivessem caminhando enquanto eu apenas observo o tempo passar, tentando descobrir quem deveria me tornar e por que ainda não consegui sair de onde estou.
As pessoas dizem que sou jovem e que ainda tenho muito para aprender sobre a vida, mas a verdade é que o nosso relacionamento já me ensinou o bastante. Aprendi que o amor não tem nada a ver com as histórias perfeitas que todo mundo insiste em idealizar. Para mim, ele se mostrou exaustivo, pesado e cheio de problemas que só trouxeram desgaste.O amor machuca. Por mais que eu tentasse ser forte e resistente, meu lado emocional não aguentou tanta pressão. O que tínhamos parecia ótimo no início, mas acabou se tornando tóxico e me desgastou quando a situação fugiu do meu controle.Hoje, vejo as pessoas correndo atrás de relacionamentos perfeitos e sinto apenas cansaço. Acho que elas estão se iludindo. A realidade que vivi é bem mais dura: depositar tanta expectativa em alguém parece um erro que sempre termina em frustração.Não estou dizendo isso por impulso ou com raiva, mas com a lucidez de quem parou de se enganar. A minha decepção é a prova de que eu me dediquei e tentei fazer dar certo, mas acabei saindo muito magoado dessa história.Pode ser que no futuro eu pense diferente, mas a minha realidade atual é de dor. Agora, eu só preciso de tempo e de distância para colocar a minha cabeça no lugar e me recuperar disso tudo.
Sou passageiro do destino,
viajando pelos caminhos da vida.
Cada estrada traz uma lição,
cada chegada, uma nova partida.
Carrego sonhos na bagagem,
memórias dentro do coração.
Algumas dores ficaram para trás,
outras viraram transformação
Helaine Machado
"Eu sou o assassino mais sujo.
Eu sou a contemplação de uma sombra no escuro.
Eu sou o vento frio que causa dor na espinha.
Mas no fim sou a regra maquinaria da própria hipocrisia."
Eu sou uma alma profundamente
poética e romântica.
Não daquelas feitas de palavras ensaiadas
ou de gestos moldados por circunstâncias,
presas à conveniência de datas comemorativas.
O meu lirismo e o meu romantismo
se impõem de forma natural,
quase instintiva,
sem regras, sem horários,
sem datas marcadas no calendário.
Como quando, pela manhã,
olho pela janela
e encontro o céu cinéreo,
com uma chuva fina anunciando,
tímida, quase sem querer "incomodar",
a chegada do outono.
E então me aproximo do vidro,
suspirando versos,
tomada por uma imensa gratidão
pela beleza de ser e existir,
em comunhão com as estações do mundo
e com os ponteiros secretos do relógio
do meu próprio âmago.
✍©️@MiriamDaCosta
Não quero estar
em nenhum lugar
que não seja em mim,
porque sou raiz
e asas ao mesmo tempo.
Porque já me exilei demais
em expectativas alheias,
em mesas onde o meu silêncio
era mais aceito que a minha voz.
Já morei em olhares
que me diminuíam,
em afetos apertados demais,
em paisagens onde minha alma
trilhava com sapatos estreitos.
Hoje, não!
Hoje eu quero a morada
do meu próprio peito.
Quero a arquitetura imperfeita
dos meus pensamentos
e a mobília sincera das minhas emoções.
Se eu estiver em mim,
inteira,
qualquer lugar será extensão.
Mas nenhum endereço
me abriga como o meu Eu.
É nele que me construo
e finco os fundamentos
do meu viver e ser.
✍©️@MiriamDaCosta
Eu sou um farol, no fim de tudo em meio a tantas questões, habilidades e pessoas estou aqui para guiar o caminho para chegar a algum lugar, não sou mais do que isso, parado e seguro. Que sentimento doloroso, agora me pergunto o que os faróis sentem? Algum vez alguém considerou mudar ele de lugar? De alguma forma nem mesmo pensar nele em um ponto diferente?
Não quero saber tudo nem ser o melhor de todos de alguma forma. Sou apenas um curioso a procura das respostas para as questões que a minha mente me questiona
Sou o encontro de passado e presente
uma história que se enlaça
em tantas outras vidas
são anos de aprendizado,
de gente querida
de momentos bons
e outros nem tão presentes
Mas em mim está a força
de seguir em frente
a certeza de que a vida
é mesmo uma partida
e que cada passo dado
nos leva a outra vida
q ue o tempo é gigante
e ao mesmo tempo tão carente
Eu sou um livro aberto,
folhas amareladas pelo tempo
mas ainda trago em mim
a esperança e o sentimento
de que é possível criar
um mundo melhor
E assim vou caminhando,
entre o passado e o agora
tão vasta é minha jornada,
tão grande é o meu tesouro
sou o tempo que persiste
e que não tem borda nem sabor.
Sou um renascentista
Talvez eu tenha nascido fora do tempo,
mas minha alma caminha pelas ruas de Paris.
Não as ruas apressadas do turismo,
mas aquelas onde a madrugada ainda cheira a vinho, tinta e papel.
Onde os músicos tocam como se o destino dependesse de um acorde
e os poetas bebem a lua em silêncio.
É ali que existo — entre o som e a palavra,
entre o piano e o abismo.
Sou um renascentista: músico, poeta, pianista.
Vivo entre o sagrado e o profano, entre o vinho e o verbo.
Cada nota que toco é um pedaço de mim tentando renascer,
cada verso, uma confissão que o tempo não conseguiu apagar.
Não bebo para esquecer, bebo para lembrar —
que a vida, como a arte, é feita de breves eternidades.
Quando sento ao piano, sinto Paris me ouvir.
Os fantasmas de Debussy e Ravel espiam por sobre meu ombro,
e o Sena, lá fora, parece repetir minhas notas nas águas.
O poeta em mim escreve o que o músico sente;
o músico traduz o que o poeta pressente.
É uma comunhão silenciosa entre o som e o pensamento —
a forma mais bela de loucura.
Ser renascentista é não aceitar a indiferença dos tempos modernos.
É crer que a beleza ainda pode salvar,
que o corpo é templo e o amor é arte.
É brindar com o vinho e com o caos,
com a esperança e o desespero,
porque tudo o que é humano é divino quando há música no coração.
Sou um renascentista.
Poeta, músico, homem que vive nas ruas de Paris —
onde o tempo se curva diante de um piano,
e o vinho se torna prece nas mãos de quem ainda acredita
que a vida é, acima de tudo, uma sinfonia inacabada.
