Sonho texto
Lembre-se de mim, assim:
como margarida vestida de sol.
Lembre-se de mim, assim:
como um sorriso sem fim.
Recorda-te que passei,
e que o amor um dia foi lei.
Agora, tudo mudou:
o tempo - implacável - passou.
Contente-se com a lembrança
Que não dissipou, e não passou,
Recorda-te da borboleta mansa,
- repousada na tua mão
Eu que fui verso e virei canção
Para sempre no país do teu coração;
Serei a tua razão,
- inesquecível -
Lembre-se de mim assim:
como o teu amor celestial
E de todos o mais incrível.
Libertei-me do ninho,
Sou o amor que voa sozinho,
Libertei-te para não voltar,
Viver para me amar
É tua responsabilidade;
Deixe-me no meu destino,
Sou o curso do rio de volta
Para a vida e para o mar,
Assim na poesia estrelar...
As flores sobre o asfalto,
- suspiram
As emoções ao alto,
- inspiram
Multicores descrevem:
os amores secretos,
e os desejos indiscretos.
Em versos sinceros,
- imensuráveis
Não menos belos,
Censuráveis por uns,
- admiráveis
Por alguns...,
Curvados as boas letras
Para que não te esqueças.
Porque me descortinas,
Danço no meio da neblina,
Faço propositalmente rimas,
Canto de menina,
Bordado de senhora,
Cuidado de poetisa,
Passo de dançarina,
Sono de musa repousado
Desdobrado sobre as colinas.
A noite caiu desapercebida
De um jeito jamais visto
O luzeiro foi descansar
A Lua como a lamparina
Ilumina o altar da noite
De forma a fazer o céu gingar
Em companhia das estrelas.
A manhã surgiu desapercebida
De um jeito surpreendente
O luzeiro pôs-se a levantar
A Lua foi descansar
O luzeiro bem acordado
Surpreende o céu da noite
De forma a fazê-lo a se dissipar
E levar com ele todas as estrelas.
As moças sempre se encontram
Manhã, tarde e noite de mão dadas
Nestes versos mal escritos
As moças que mais parecem fadas
Estações da vida e dos tempos
Emoções que caem como chuva
Entre o céu e a terra - se apaixonam
Como certas brisas que se encontram
À beira do abismo bem em frente ao mar...
Recolhe o tempo dentro de ti,
Brinca com o tempo adentro,
Recoste sobre o meu ombro
E deixe o corpo falar de tudo.
Retire entre nós as espumas,
Deixe que nasça todas as luas,
Entregue-se aos sons das ondas
Para tomares ciência e as contas.
'Inverne-se' para o verão chegar,
Recrie-se para a paixão balançar,
Liberte-se de tudo o que te prende
E deixe livre só aquilo que sente.
Desce a aura rosa do céu,
Dando sorriso ao mar,
O Sol doce como mel,
- Assim resolveu se entregar
Durante as baixas temperaturas,
Ele resolveu rimar-se com o mar,
Aberto as boas loucuras de amor
Remando no oceano de tanto amar.
Ali, logo ali está,
A vida a vibrar,
Bem no mangue,
Não tão distante,
E bem perto do mar;
Na Ilha dos Remédios,
Vou a cura procurar
Pela cura do mal de amor,
Devo ir, e se lá eu não for,
Comigo para sempre ficará
A repleta dor desse mal de amor,
- Que talvez nunca passará... -
Ali, bem dentro de ti,
Com o barulho do mar,
Sublime cantante,
Menestrel brilhante,
Indo sempre ao mangue,
Para a vida cultivar,
Nas carregadas redes de pesca,
Para enriquecer a festa e alimentar,
O povo que luta e ama,
Nessa terra que o mar balança,
Floresce no sorriso a alma açoriana.
Escrita sobre linhas de ouro,
Tranquila em curvas e retas,
Revista na valsa das horas,
Exata como ilhas e terras.
Intensas veias cor de rubi,
Mexendo com as intenções,
Serenas intenções por ti,
Extasiando as intenções.
Consignada rubra estrela,
Brilhante no firmamento,
Flórea e bem vermelha,
Fiel eleita pela beleza.
Comungada com os astros,
Seguindo os teus passos,
Vou vivendo a sua espera,
Só para viver nos teus braços.
Para uns sou o veneno,
Eu te inebrio,
Para outros o remédio,
Eu te acordo,
Sou o mais fino vinho,
Jardim acetinado e vero,
Carrego a grande espera
Do tamanho de tudo e do mundo,
A minha alma não cede, é sincera;
Posso vir até sofrer, mas não em vão;
Nasci para te entregar o meu coração.
Magnífica floração surgida,
Do teu doce encanto ungida,
Maravilhosa imensidade,
Do teu coração oceano
E da tua amorosa bondade.
Esta divina e serena presença,
Sempiterna claridade,
Repleta de amor e majestade,
Dedico a minha ternura
E a minha fidelidade.
A flor do hibisco que saúda,
O vento do litoral que brinda,
A paixão eterna e purpúrea,
A Natureza sempre é elixir,
É a vida que salta e sinaliza
À despertar, amar e sentir.
A flor do hibisco brilha,
E aos olhos encanta
Com corporificada ousadia,
E coragem acalentadora
No outono que não se encerra,
É a própria primavera!
A flor do hibisco é sinal
De que também pode como a rosa
Ser tão bela e tão poética;
E assim sendo sinestésica
- magnética
No jardim do amor, perpétua.
Ressurgida deusa misteriosa,
Atraída pelo entardecer,
E colocando-me a postos,
Sempre a tua espera,
Querendo nos teus braços
Estremecer e te pertencer...
Não há nada que nos detenha,
E muito menos nos impeça...,
Nós somos livres porque cremos,
Nada concorre para a descrença.
O ser humano não tem respeito,
Para violar sempre insiste,
E acaba encontrando um jeito
De fazer o crime perfeito.
Não há nada que nos amordace,
Nem a cauta luz da Ditadura,
Quem ama uma causa enfrenta,
Até a mais dolorosa tortura.
O ser humano não tem cura,
Ele quer sufocar a ternura
A todo preço e custo...,
Ele não presta, é um ser imundo.
É incapaz naturalmente,
Só porque é especialista,
- se acha -
E pensa que é gente;
Sugerindo exterminar
A vida dos saguis
- ferozmente -
Coisa de imprevidente...
Você ainda
não percebeu,
Não tem problema!
Eu dou
conta de nós...,
Tenho uma doce
certeza,
- e nenhuma dúvida
De que o nosso
sentimento,
- nos leva para cima
Bem perto do nosso
recanto íntimo.
Certa do nosso
caminho:
Que é uma obra
de arte do destino.
Talvez ainda
desprevenido,
Mandaste-me
um beijo,
- com calor -
Eu não resisti,
e estou aqui
A sonhar
em versos,
Tentando um
soneto de amor,
Para chamar
a tua atenção,
Por pura
contemplação de alma
- afim -
Da tua adoração...!
As nuvens dissipadas no céu,
O sol bondoso fazendo brotar...,
Não só os beijos das sereias
Pelas areias,
Mas também pelo mar;
Das gaivotas eu escuto,
- o cantar
Embalando o festejar.
As delicadas borboletas,
Obras primas da Natureza,
Sobrevoando as gentis dunas,
Enfeitando a poesia praiana,
Descrita na Praia de Salinas,
Eternizada como um doce beijar.
As dunas são como a vida,
Ambas mudam de lugar;
Não deixe nunca de amar...,
E no teu coração o amor bailar,
Siga como o barquinho
Pelas ondas do mar;
Permita-se ser levado pelo flutuar
De tanto me adorar...
Eu tenho muito
a te oferecer,
É verdade,
eu sou um oceano
Do amanhecer
até ao entardecer.
Um fenômeno anônimo,
Um impulso discreto,
Um amor doce e secreto.
Inteiramente
deslumbrante,
As minhas tonalidades
ousadas,
E as entonações abusadas...
Para te endoidecer,
Para te embalar,
E fazer a tua pele ferver.
Eu tenho virtudes,
É verdade, eu sou
o desencontro,
O encontro com a cabeça
recostada
Sobre a tua vontade,
o teu ombro.
Suplicante, pedinte,
- insistente
Assumida,
e sempre carente.
Sou a encarnação
da rebeldia,
O amor cheio
de revolução,
A canção repleta
de emoção,
A luz dos teus olhos,
A habitante
do teu coração,
A verdade cantada
em canção,
A tua loucura
cheia de paixão.
Talvez você não
me enxergue,
Assim como eu sou,
Talvez você
não me amou.
Sim, o teu
discreto olhar
Traz para mim
uma esperança
- única -
Como um vagalume
a voar.
Talvez você
não me perceba,
Sou vegetação rasteira,
Sim, eu floresço;
Desabrocho,
Sou estrela-flor,
- em esplendor
Cravada nas areias.
Talvez ainda
não me ame,
Porque não
me conhece
- direito -
Nascida para
te amar,
- devotadamente -
Para satisfazê-lo
INTEIRO.
O meu olhar errante te procura,
A minh'alma paira sobre a duna,
Sussurro ao vento:
- Sou tua, tua, tua...
Cada sílaba semitonada flutua,
- perfuma
Transformando-se em música,
Louva, comove e se curva,
- em reverência
Ao Sol que se retira ao leito,
E pela noite que vem chegando,
Tingindo o céu delicadamente,
Com a cor lilás das alfazemas,
Despertando triunfal contentamento,
De atinar-me desse teu amor sedento.
O teu beijo é a minha bebida,
- sem exagero
O teu corpo é a minha comida,
- com tempero
O teu cheiro fascina
- o meu desejo
O teu ser é a minha videira.
Traze tudo de ti e a paz
- inteira -
A tua voz música perfeita,
Ao ouvir você, sinto-me
Carícia em forma de mulher
- cobiça
Invadida de Sol,
Rendada pelos raios de luar,
Aconchegada pelas estrelas,
Celebração intensa,
Saciedade interminável,
Por causa deste colo
- adorável! -
Correndo contra o tempo
Irremediavelmente,
Carregando o impossível
Em busca de você:
O inacessível.
Eu ainda hei de tê-lo
De forma inesquecível,
Para sempre do meu lado.
A Páscoa acontece sempre,
Ele vive eternamente.
Ora anoitecemos,
E ora surgimos como o amanhecer;
Já deveríamos ter aprendido
- a viver -
Dobrando os corações
Para louvar e agradecer.
Sempre esquecemos,
De sermos gratos,
Por alguém que nos ensinou,
Amar uns aos outros,
Como Ele nos amou;
Ele se entregou,
Nunca se negou
E ensinou o salto do amor.
Os registros estão lá,
Para quem sabe ler,
- e interpretar
Pronto para se entregar,
E escutar a mensagem,
Que pode surgir face a face,
- e a conversão acontecer
É só você se abrir,
Deixando o teu coração ler,
A tua alma irá reconhecer,
Os ensinamentos dourados,
Para que o poema pascal aconteça,
É preciso que estejamos reunidos,
Na mesma caminhada lado a lado.
Tenho na memória guardada,
Não há mais como dizer,
Talvez esteja sepultada,
Em terra longínqua,
Hei de um dia te contar,
Fizeram a gente esquecer,
Não é possível sequer falar.
Este poema é impublicável,
Mas é inevitável...
Ele fala de sobrevida,
Ele fala da Morte,
E da vida além da Morte.
Abraçando a lembrança,
Não há mais esperança,
Ylang-ylang é o teu perfume no ar,
Serena musa, não sei onde estás,
Talvez um dia você vai voltar,
Talvez pobre de você,
Algum dia o destino irá mostrar.
Esse poema não presta,
Eu deveria atirá-lo no lixo,
Ele não deu a cara a tapa,
Filho de alma covarde,
É quase uma denúncia...
Os ares e ‘as flores de abril’,
Uma música de Chico Buarque,
A imagem da mulher esfumaçada,
Talvez esteja desfigurada,
Teve a imagem desaparecida,
E alma roubada,
Não quero falar sobre mais nada.
Ah! Contempla...
A lente atenta,
- alenta o olhar
A cidade coberta,
De neve mansa,
- o tempo passa
Devagar e serena
A alma humana.
Ah! Espera...
A vida revela,
- modifica
Percorre, renova,
- suscita
Gelada ou quente,
- vibra
Intensamente...
Aos passos,
Em cada floco,
Ao despertar,
De cada manhã,
Semeia o sonho,
Cativa de verdade,
Dá o quê de eternidade
A cada momento de felicidade.
Ao ouvir a música do vento,
Percebi os teus olhos zelosos,
Deparei-me com os teus passos
- macios
O balançar das amendoeiras
- doces ritmos
Fizeram-me contemplar:
os nossos instintos.
Ao sentir a tua presença,
Senti-me protegida,
Amparada, e tua amada,
A minha alma afagada,
- terna -
E feminina,
Distante das angústias,
Rendida por tuas ternuras.
Ao cair da noitinha,
À beira mar,
Sereno luar,
Amando a tua presença,
- vigilante
Aprendi o que é amar.
Com fascinação própria,
- arte e luz
Fui agraciada ao ver,
A Lua cor-de-rosa,
- maravilhosa
Beijando o mar.
Aos passos, tateando,
- experimentando -
E exortando a delícia
De contemplar a cena,
Que talvez não se repita,
O mar se deixando beijar.
A Lua ao beijar o mar,
- acabou beijando-me
E seduzindo-me,
Acabou enfeitiçando-me,
E completamente doce:
acabei entregando-me.
A mulher deve ser elegante,
Suave e ao mesmo tempo,
- marcante -
Como um perfume insinuante,
Deve ter alma, maciez e calma;
Deslindando os mistérios e dar o tom
De amor, paixão e ternura;
Conduzindo a intenção com doçura,
Amando infinitamente, sempre.
A mulher marcante de verdade,
Será lembrada pela virtude,
E grande capacidade de amar;
Espalhando a graça,
- por onde passa
Como uma felina mansa,
Que só no olhar recebe
O seu colo e afeto.
A elegância feminina,
Ilumina o mundo,
Pacifica,
Engrandece,
Enternece,
Aproxima e conjuga,
Acarinha e aquece,
Eterniza a lembrança,
É presença que permanece.
